Okaaaaaay, esta fanfic é de capítulos, é bem grandinha, eu a escrevi há um tempinho e até agora só minhas irmãs e os amigos mais próximos leram. A história se passa em Goldsmith (A universidade em que Brian estudou teatro) e eu sei que essa universidade só tem cursos do tipo teatro, música, fotografia e semelhantes... mas como em fanfics tudo é possível, na minha estória vão existir alunos de cursos como Direito, Matemática e coisas do tipo. 
Bem, sem mais explicaçõe, esse é o primeiro capítulo e eu espero que vocês gostem (apesar de saber que os fãs brasileiros de Placebo ainda não são muito de ler fics... )!


Days Before You Came

01:

Bem, lá estava ele... iniciando uma nova vida, pelo menos era o que ele achava. Foi terrivelmente difícil entrar em Goldsmith, mas iria valer a pena, estaria no meio de gente mais madura e inteligente agora, e muitas dessas pessoas admiravam e levavam o teatro tão a sério quanto ele. Mas o melhor de tudo mesmo era: Teria bem mais privacidade agora que não estaria morando na casa de seus pais e não teria mais ninguém pra ficar pegando no seu pé por causas das notas ruins. Estava livre. LIVRE.
Ele entrou sorridente no salão de recepção, mochila nas costas, a maquiagem fazia com que algumas pessoas o olhassem de soslaio com ar de estranheza. Ele não se importava. Depois de tantos anos ele finalmente era maior de idade e podia mandar em si mesmo. Tinha se descoberto, gostava de ser o que era e a opinião dos outros não importava desde que ele se sentisse bem fazendo o que estava fazendo.
“Boa tarde. Aluno novo?”
Ele fez que sim com. A recepcionista era linda, ele não pôde deixar de notar.
“Nome?”
“Molko. Brian Molko.”
Ela deu mais um sorrisinho e baixou o olhar para o enorme livro sobre a mesa, correndo os olhos pela lista de nomes atenciosa. “Mmmh... ah! Molko! Aqui está! Teatro, huh?”
“É.” Ele respondeu com um sorrisinho tímido.
“Bem, Brian, é só subir as escadas e virar a esquerda, quarto 206.”
Ele lançou para ela um olhar confuso. “E a chave...?”
“Ah! Aqui está.” Ela estendeu a chave para ele. “Mas acho que o quarto já vai estar aberto... seu parceiro de quarto já está lá.”
“Parceiro... de quarto...?” Ele pareceu ainda mais confuso.
“Sim, aqui os quartos são divididos por dois estudantes. Algum problema?”
“Não, não... é só que... eu não sabia...” Claro que tinha problema nisso! Ele queria privacidade! Foi por isso que ele ansiou esse tempo todo para entrar na universidade, não foi? “Vou dividir o quarto com alguém do curso de teatro?”
“Não, aqui se divide os quartos por ordem alfabética. Você vai dividir com... deixe-me ver...” Ela checou mais uma vez o livro. “Brandon. Brandon Ophille. Ele está no segundo período do curso de matemática, parece que pretende ser professor.”
Ótimo! Brian pensou, ele teria que dividir o quarto com um maníaco por números! Malditos números! Brian não conseguia entender como aquelas coisinhas insignificantes podiam chamar a atenção de alguém... eram tão chatos e inúteis... as letras sim eram interessantes... com elas podia-se formar palavras e com as palavras podia-se dizer tudo...
Brian corou ao perceber que estava pensando nas palavras de seu ex-namorado, seu primeiro namorado, que hoje devia estar começando a cursar o terceiro período em sua universidade... uma universidade especializada no curso de letras nos Estados Unidos... como ele fazia falta... mas Brian não tinha tempo para ficar pensando nisso agora!
Ele sorriu para a recepcionista e pegou a chave.

Quando estava subindo as escadas o seu humor já não era o mesmo. Não tinha sorriso em seu rosto, mas sim uma máscara de tédio no instante em que ele chegou no corredor deserto. Algazarra podia ser ouvida dos quartos enquanto Brian olhava os números nas portas.
“203... 204... 205...” Ele murmurava baixinho a cada porta que passava. “206.” Ele parou, respirou fundo e pôs a mão na maçaneta da porta. De repente, a música que vinha do quarto o surpreendeu. Queen!! Whoa! Por essa eu não esperava. Pensou Brian, talvez esse tal Brandon não fosse tão idiota afinal de contas...
O sorriso largo voltou a instalar-se em seus lábios e ele abriu cautelosamente a porta. No mesmo instante em que a porta foi aberta, um garoto alto e de cabelo muito escuro lançou para Brian um olhar meio assustado e estendeu o braço para baixar um pouco o som.
“Er... olá.” Ele disse então com um sorriso tímido nos lábios.
“Oi.” Brian respondeu e entrou no quarto. “Onde posso colocar...?” Ele perguntou erguendo um pouco a mochila.
“Há! Em qualquer lugar!” Ele sorriu. “O quarto é seu também, não é? Pode escolher a cama se quiser.”
“Obrigado.” Brian respondeu já colocando a mochila em um dos armários. “Posso ficar com a cama de cima?”
“Claro. Eu disse que você podia escolher. Mas por que? Tem medo que a cama de cima despenque sobre você durante a noite caso durma na de baixo? Eu não sou tão gordo assim, sou?” O rapaz perguntou em tom brincalhão.
“Nah, não é isso.” Brian disse em meio ao riso, com certeza Brandon não era gordo, era bem magro para falar a verdade... aquela blusa de mangas compridas preta completava a sua imagem esguia. “É que a cama de cima fica perto da janela e eu gosto de olhar as estrelas antes de dormir, sabe...” Ele disse meio sem jeito.
“Oh.” Brandon disse com ar surpreso. “Poeta? Quero dizer, está fazendo letras e as estrelas são a inspiração? Algo do tipo?”
“Não. Pretendo ser ator, gosto das estrelas... me trazem boas recordações, sabe? E de vez em quando, sim, servem um pouco de inspiração para umas coisinhas que eu escrevo...”
“Um ator-poeta!” Brandon meio que zombou.
“Não! O que eu escrevo não são poesias, são... coisas.”
“Coisas?”
“É, coisas... sei lá... coisas que vêm na minha cabeça, entende?”
“Entendo... mais ou menos...” Ele sorriu. “Mas de qualquer forma, você vai cursar o primeiro período de teatro?”
“É.”
“Legal, eu também ainda vou fazer o primeiro período do meu curso.”
“Como?” Brian perguntou confuso.
“...Vou fazer o primeiro período, como você. Só que do curso de direito.”
“Mas a recepcionista disse que... espere um instante, você é Brandon, não é?”
“Brandon? Eu? Não, não... eu sou Vincentt Valo, (n.t.: O sobrenome dele é uma homenagem a Ville Valo, vocalista da banda ‘Him’.) mas pode me chamar de Vince. Você é?”
Droga! Quarto errado! Como eu pude errar o quarto? Pensou Brian, mas ele tinha certeza de que tinha entrado no quarto 206! Droga! Devia ter desconfiado... caras que querem se tornar professores de matemática não ouvem Queen.
“Brian Molko... mas eu acho que não vou dividir o quarto com você... acho que entrei no quarto errado... eu vou ficar no 206...”
“Mas esse *É* o 206, Brian.” Vincentt assegurou.
Brian não estava entendendo mais nada. “Mas a recepcionista disse que eu iria dividir o quarto com Brandon O’Phillip ou algo parecido...”
“Vamos falar com ela então.” Vincentt disse levantando da cadeira onde estava sentado. “Vamos.” Ele abriu a porta e fez sinal para que Brian o seguisse.

“Com licença...”
“Pois não. Ah! Olá, Brian.” A recepcionista sorriu para o menor dos garotos.
“Olá, eu queria que a senhorita checasse novamente o número de meu quarto, por favor.”
“Claro!” Ela disse em tom bastante alegre. “Aqui está... 206.”
Brian suspirou. “E com quem eu vou dividir o quarto?”
“Brandon Ophille. Está bem aqui.” Ela apontou para a linha do livro.
“Tem algo errado nisso.” Brian declarou. “Eu fui para o quarto 206 e Vincentt Valo estava lá... nada de Brandon´s.”
“Pois é, meia hora atrás, quando perguntei onde ficaria o meu quanto você disse que era o 206... com certeza tem algo errado, não podem ter três hóspedes em um quarto com apenas duas camas.” Vincentt disse meio impaciente.
A mulher olhou para cada um deles e em seguida falou calmamente. “Bem... deixe-me checar o senhor Valo então.” Ela disse com um meio sorriso e voltou a olhar para o livro.
Minutos depois, após ter-se checado alguns dos quartos e feito algumas perguntas para alguns dos estudantes, o incidente estava resolvido, Brian ficaria no quarto 306, onde o tal Brandon já estava hospedado, no andar de cima. O que era triste... justo quando Brian tinha ficado feliz por dividir o quarto com um cara legal.
“Aqui está a sua chave Sr. Valo.”
Vincentt pegou a chave. “Bem... acho que não vou poder ficar na cama de baixo, Brian...”
“Poi é...” Brian disse com um sorriso um tanto quanto amargo nos lábios.
“Mas tudo bem... ainda podemos ser amigos.”
“É... eu acho.”
“Você tem o número de meu quarto... pode ir fazer uma visitinha quando quiser.”
Brian corou. Será mesmo que a frase de Vince tinha soado com o tom de malícia que ele tinha pensado ouvir? “Okay.” Brian sorriu tentando disfarçar o seu embaraço.
Os dois fizeram o caminho de volta para o quarto 206, Brian tinha que pegar sua mochila.
“A gente se vê por aí.” Vince disse sorrindo.
Brian sorriu e seguiu para as escadas, dando um último aceno para o outro rapaz antes de começar a subi-las.

“A ala feminina é no outro prédio.” Disse um rapaz de cabelos louros tirando os olhos da revista assim que Brian entrou no quarto. “Como conseguiu entrar aqui, docinho?” Ele perguntou suavemente.
Brian franziu a testa... outra vez... será que as pessoas nunca vão parar de confundi-lo com uma mulher? “Brian Molko, seu colega de quarto... prazer.” Ele disse em tom sério, estendendo a mão para o outro.
“Ta brincando?” O garoto perguntou incrédulo.
Brian apenas o encarou.
“Wow! Desculpe cara... mas é que... nossa...!”
“Eu sei...” Brian disse rolando os olhos, a mão ainda estendida.
“Brandon Ophille!” Ele respondeu em tom alegre e segurou a pequena mão de Brian com sua enorme mão, sacudindo-a com violência.
Brian puxou a mão e fez uma careta de dor. Porquê algumas pessoas usam tanta força apenas para um aperto de mão? Ele se perguntou.
“Oh, desculpe.” Brandon disse rapidamente.
“Não foi nada.” Brian mentiu, o outro tinha praticamente esmagado seus dedos. Brian dirigiu-se para o armário, mas antes que ele pudesse abrir uma das portas, Brandon caminhou na direção dele.
“Esse lado é *MEU*, o seu é aquele ali. Eu fico com a cama de cima, certo? Sabe como é... passei o ano passado inteiro na cama de cima e agora estou acostumado...”
“Certo.” Brian disse com um sorriso falso. Merda! Porque ele não podia ter tido a sorte de dividir o quarto com Vince? Ele colocou a mochila em seu lado do armário, tirou um bloco de papel e uma caneta de lá, livrou-se dos tênis e seguiu para a cama. Incomodamente ‘vigiado’ pelo olhar de Brandon a cada passo que dava.
“Não vai olhar como é o colégio?”
“Não. Posso fazer isso depois.” Ele disse sentando-se, até que a cama era macia.
Ele começou a escrever, era uma carta, contando para seu ex que ele tinha conseguido entrar na faculdade que tanto sonhara, mal podia esperar para receber a reposta dele, saber as novidades... como sentia a sua falta... apesar da distância ainda mantinham contato por cartas, mesmo não estando namorando, Brian nunca confiou muito em namoros a distância.
“Caramba.”
Brian olhou para Brandon, que o fitava, em pé, no centro do quarto. “O que foi?”
“Você! Não se ofenda, mas... você parece muito com uma garota...”
Brian voltou a olhar para a folha de papel, entediado. “Não é o primeiro a me dizer isso...”
“Imagino que não!” Ele disse sorrindo.
Brian olhou mais uma vez para ele, meio impaciente.
“Bem, eu vou dar uma volta por aí... se você quiser que eu te mostre a escola...”
“Não, obrigado, Brandon.” Brian forçou um sorriso. “Eu realmente não estou a fim de conhecer a escola no momento...” Mas estou muito afim de que você saia! Ele sentiu vontade de complementar a frase, mas ao invés disso apenas alargou o sorriso, tinha que aprender a controlar sua boca.
Brandon correspondeu o sorriso. “Está bem. Eu vou então...” Ele disse e dirigiu-se para a porta.
Aliviado, Brian, tenta mais uma vez concentrar-se no bloco de papel.
“Porque a maquiagem?” Brandon atrapalha mais uma vez seus pensamentos antes de abrir a porta. “Faz com que você pareça um daqueles travestis...” Brandon clareou a garganta e continuou olhando para os olhos surpresos de Brian. “Bem, não exatamente um travesti... parece muito mais uma menina, mas... um menino parecendo uma menina é uma coisa meio gay, não acha?”
Brian apenas o encarou por um tempo. “Eu gosto de maquiagem.” Ele disse sério enfim. “E não tenho nada contra gays, para falar a verdade, odeio homofóbicos...” Ele levantou e encarou Brandon com um sorriso de escárnio. “Você tem algo contra gays?”
“Eu? Eu... não, não, é só que...” Brandon estava totalmente confuso. “Bem, é só que eu... bem... você é gay?” Ele perguntou enfim, não conseguindo esconder o tom meio assustado.
Brian suspirou. “Mais ou menos.”
Brandon o encarou ainda mais confuso.
“Bem, eu sou bi, ou seja... sou metade gay.”
Os olhos de Brandon quase saíram das órbitas. “Bi?”
“É.” Brian disse e sentou-se novamente na cama. “Mas não se preocupe... o fato de seu parceiro de quarto gostar de homens não indica que você vai ser ‘tarado’ durante a noite.” Ele disse com uma risadinha.
“Não, não é isso é que... bem, eu tenho que ir... a gente se fala... mais tarde.” Ele disse atrapalhando-se com as palavras.
“Kay, até mais tarde.” Brian disse mostrando para ele um sorriso malicioso. Como é divertido perturbar homofóbicos! Pensou.
Brandon fechou a porta com força e Brian finalmente pôde se concentrar em escrever sua carta.
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