DEDIQUEI MINHA VIDA A JEOVÁ
Por : Leonilde Costa Santos
Boa noite Irmão, Elias Gutierres.
Finalmente creio que minhas orações estão
sendo ouvidas, pois por esses anos, me tenho sentido a pior das
pessoas, pedindo que Jeová me desse uma luz e um apoio espiritual
para toda a minha angústia.
Em boa hora eu dei uma clicada nesse link!
Gostaria de lhe contar minha história pois que
ela sirva de algum modo para aliviar também a algum irmão ou irmã
que esteja sofrendo como eu tenho sofrido por anos e anos.
Sou neta de uma Judia com um gentio e sendo que
o amor de minha avó materna foi contrariado pela família, ela e meu
avô decidiram ir assim mesmo em frente com seu amor e daí
nasceu minha mãe.
Quero esclarecer que minha avó, pertence ao
ramo de Benjamim, sendo que nossa família desse lado, segundo
registros históricos se encontra na Península Ibérica desde a
primeira queda de Jerusalém lá bem atrás durante o reinado de
Nabucodonosor, tendo essa pequena comunidade permanecido em Portugal
por milhares de anos sem retornar ao antigo Israel e tentado preservar
seu modo de vida e tradições do mesmo jeito que era uso no tempo de
Moisés.
Essa comunidade que reside em Belmonte é das
mais antigas da Península e muito rígida nas suas leis.
Maior prova de amor não existe, quando um homem
assume uma paternidade que não vem do sangue mas sim do espírito,
por isso quando aos 18 anos de idade eu soube de toda essa história
eu amei ainda mais esse homem que eu chamo de meu avô e lhe prestei
sempre o maior respeito e honra.
Fiquei chocada e tive de confrontar a minha família
com essa verdade.
Minha mãe, começou a estudar a Bíblia em 1973
e fez questão que tanto eu, então com 14 anos, tanto como minha irmã
com 9, fizéssemos nossos estudos Bíblicos com ela e a acompanhássemos
a todas as reuniões.
Depois que tomou a decisão de receber o
batismo, ficou ainda pior, não falava mais conosco da mesma forma,
relaxou no serviço da casa, deixou de dar atenção para a família,
sua vida era vivida totalmente em função da nova religião.
Meu pai tudo aturou e sofreu calado.
Eu e minha irmã nos apoiamos muito nessa época.
Creio que nessa crise, eu e ela fomos mais
unidas do que nunca tínhamos sido antes nem voltamos a ser nunca
mais.
Hoje quando faço a análise do que foram todos
aqueles anos e da enorme influência que tiveram as Testemunhas de
Jeová em nossas vidas, vejo o quão perigosa
é a sua organização.
Na época eu estava acabando o Licel e tentava
dar entrada na Faculdade para cursar História.
Era meu sonho, poder tirar esse curso e seguir a
carreira de investigação ao mesmo tempo que queria ser uma boa
filha, em tudo obediente aos meus pais, tal como me fora sempre
ensinado "honra teu pai e tua mãe e teus anos serão
acrescentados".
As dificuldades eram tantas!
Minha mãe se opunha a que eu seguisse meus
estudos, pois uma das cadeiras que eu tinha de fazer para ingressar na
Faculdade era a cadeira de Filosofia e as Testemunhas de Jeová que
nos estavam dando estudo Bíblico diziam que Filosofia era coisa de
Satanás.
Esse nome maldito era mencionado a toda a hora.
Tudo o que de ruim acontecia era obra de Satanás.
Se eu tirava más notas no Liceu, era porque eu
estava pega por Satanás.
Enfim eu posso afirmar que vivi o inferno e que
inferno! Eu, meu pai e minha irmã sofremos cada um a seu jeito.
Tínhamos vivido um período conturbado na vida
política de nosso país e saído de uma revolução!
As Testemunhas de Jeová então puderam ter mais
liberdade para sua ação e minha mãe seguia no seu caminho no maior
fanatismo.
Saía de casa todo o dia para fazer o trabalho
de "campo".
Nada do que eu fazia, era bem feito, porque eu
simplesmente não a acompanhava nas suas saídas de "campo"
embora a acompanhasse em todas as reuniões no Salão do Reino.
Meu pai, foi-se fechando cada dia mais em si
mesmo, fazendo do seu trabalho um refúgio para tentar esquecer que a
família se estava a desagregar dia a dia.
Negando-me como pessoa e como adolescente que
era, não tive amigas nem amigos da minha idade. Minha vida se resumia
a trabalhar, estudar e cuidar da casa.
Minha irmã mais nova foi muito poupada a esse
sofrimento, pois eu sempre a tentei proteger de tudo, escondendo suas
saídas com as coleguinhas de Liceu.
Quando ela começou namorando como qualquer
adolescente faz, foi comigo que ela contou.
Fui mãe e irmã, aconselhando e dando a orientação
possível, escondendo o seu namoro para meus pais, mas sempre vigiando
para que nada de mal lhe acontecesse.
Dei muitos conselhos para ele e para ela, pois não
queria de modo algum que acontecesse nada de errado.
Durante 5 anos eles namoraram escondido de
minha mãe e de meu pai, embora meu pai desconfiasse nunca falou de
nada.
Minha mãe queria nos ver casadas à força com
rapazes da congregação, como se isso fosse a forma de nos fazer
mudar nossa opinião sobre a religião que ela tinha abraçado.
Uma verdade que me atingiu como um raio.
Coloquei tudo em questão.
Não era algo reprovável a mentira?
Ocultar uma verdade não é o mesmo que mentir?
Chamar durante 18 anos de avô e de avó a duas
pessoas que não têm o mesmo sangue que a gente, não é uma mentira?
Era o quê então?
Procurei tentar entender a razão daquela
mentira, mas não encontrava razão aceitável.
Afinal eu tinha uma avó e um avô, vivendo
algures nesse mundo e eu nem conhecia!
Passei a duvidar de tudo o que minha mãe dizia
e duvidei de tudo mesmo. Até do que ela lia na Bíblia.
Entrava e saía de casa, cumpria minhas obrigações,
sofria em silêncio os gritos e ralhos de minha mãe, as brigas entre
ela e meu pai, mas era uma estranha que vivia naquela casa.
Durante os 10 anos que vivi mais naquela que era
minha família eu me fui fechando mais em mim mesma, dedicando pouca
ou nenhuma atenção para meus pais.
A pouco e pouco aquela fúria fanática de minha
mãe foi-se desvanecendo dando lugar a um queixume constante por falta
de atenção e apoio dos irmãos da congregação e de sua própria
família.
Eu nem estava lá!
Minha tarefa estava cumprida, como irmã que
sempre a protegera e como a mãe que ela não tivera para acompanhar
na adolescência.
Eu tinha feito o duplo papel e me tinha saído
bem!
Tinha conseguido fazê-la feliz como eu não
tinha podido ser.
Nunca namorei, nem casei!
Temi sempre que casando pudesse vir a ter o
mesmo quadro de brigas em minha própria casa!
Pensava: Minha irmã se casou, eu estou com 28
anos, é hora de sair do ninho e deixar que meus pais se entendam de
novo como marido e mulher.
Apesar de tudo eu os amava e queria mais era que
eles se entendessem. Queria vê-los envelhecer juntos lado a lado
felizes e se dando bem de novo, agora que as filhas eram mulheres
feitas.
Nunca entenderam minha atitude.
Durante 5 anos, falava a distancia com eles,
sempre que podia ia visitar e a cada ano que passava sentia que minha
mãe estava menos fanática e encarando a religião como algo que se
vive todos os dias mas não de forma agressiva e sim com amor, com
humanidade, com solidariedade.
Ela me confidenciava seus pensamentos e eu os
meus anseios.
Cinco anos que foram para mim mais do que tinha
sido toda a vida.
Uma amiga e companheira de verdade.
Falava-se de religião era de forma simples,
como uma conversa normal em que ela tinha suas idéias e eu as minhas
e nenhuma impunha sua vontade à outra.
Mas aí, quando tudo parecia estar bem, o meu
mundo desabou, o meu e de minha família.
Minha mãe que sofrera de asma durante todos
esses anos, passou mal e meu pai nem sabia o que fazer nesses casos,
pois era sempre eu quem tratava dela e levava no médico.
Ele me chamou desesperado sem saber o que
fazer, sentia-se perdido.
Estive ao seu lado quando ela deu entrada no
hospital lutando para respirar.
Fui eu quem recebeu a notícia da sua morte e
amparou meu pai quando ela desfaleceu de dor.
Minha irmã estava em casa, dando uma festinha
de aniversário para o filho que fazia 2 anos nesse dia!
Eu tive de providenciar tudo sozinha, para o
funeral.
Telefonei para o ancião da sua congregação
dando a notícia e pedindo para que o corpo ficasse lá para ser
velado e de lá saísse para o cemitério.
Tudo fiz para que à vontade de minha mãe
fosso cumprida integralmente e ela recebesse um funeral cristão.
Meu pai deixou nas minhas mãos essa
responsabilidade de tudo cuidar.
Também ele não estava em condições psíquicas
para cuidar fosse o que fosse.
Estive sempre ao seu lado, nunca o abandonando
uma hora que fosse. O meu ombro estava lá para receber suas lágrimas
e para o carregar.
Engoli as minhas para lhe dar força. Orava a
Jeová para que me perdoasse e a perdoasse a ela de todo o mal que nos
tinha causado ao longo de anos.
Eu sempre soube quem é Jeová. Nunca o neguei
como meu Deus, nem a Jesus Cristo como Seu filho e Nosso Senhor.
E eu como podia?
Minha irmã estava casada e com um filho criança,
não podia nem queria cuidar do pai.
Despedi-me do meu emprego, abandonei minha
carreira, fechei minha casa, deixei para trás meus amigos e minha
vida para cuidar daquele homem que estava ali na minha frente pedindo
ajuda.
Não era mais o pai, era um ser humano, perdido
e sofrendo que eu amparava e dava conforto.
No meu coração corriam lágrimas de dor e
pensava, quanto mais tempo vou ter ele ao meu lado?
Lutei entre a cabeça e o coração.
A cabeça me dizia, ele agora está sofrendo,
mas logo se vai recompor e volta tudo ao normal.
Ele se vai fechar de novo no seu egoísmo e no
seu trabalho. Vamos voltar a brigar e a nos desentender de novo.
Mas meu coração dizia, ele precisa de ti, do
teu apoio, da tua companhia. E quanto tempo mais vais ter ele contigo?
Pode ser que com essa perda ele abra o coração e veja que tem uma
família ainda e que tem de a preservar.
Fiquei.
Fui ficando durante 3 anos.
Durante 3 anos trabalhando ao seu lado e ao lado
de minha irmã que nunca trabalhara noutro lugar que não fosse na
empresa dele, pois sempre foi muito acomodada.
O tempo foi passando e tudo voltou a ser como
era antes.
Brigas, disputas entre mim e ele na empresa,
minha irmã se metendo no meio, me humilhando por eu não ter casado
nem ter dado netos para ele.
Voltei a viver um inferno, até o dia que meu
pai me humilhou na frente dos empregados.
Pedi meu quinhão hereditário materno para com
ele poder me sustentar até arrumar um emprego ou um trabalho.
Meu pai me negou meu quinhão hereditário
dizendo que eu não tinha direito a nada, minha irmã saltou dizendo o
mesmo e foi a guerra.
Expulsaram-me os dois de casa.
Tive de lutar na justiça para receber o que era
da lei.
Durante esse tempo, fiquei impedida de trabalhar
na minha profissão que é a mesma de meu pai.
Ele nunca permitiu que eu completasse a
Faculdade e eu tive de trabalhar naquilo que ele me ensinara e que era
a sua profissão: Designer e Publicidade.
Durante 3 anos, eu lutei na justiça para
receber minha herança e para que ele me liberasse da sociedade que tínhamos
em comum, eu, ele e minha irmã.
Enquanto a justiça não me deu razão, eu
passei necessidades como nunca tinha passado.
Começou falando comigo pois me via chorando e
com ar muito abatida.
Era uma Testemunha de Jeová.
Eu estava abalada por todas as coisas que estava
vivendo e por todas as dificuldades porque estava passando.
Estava só, sem amigos, sem família, sem
trabalho, sem saúde e sem perspectiva alguma na vida.
Deixei-me levar como uma criança perdida a quem
alguém dá a mão e ela vai seguindo.
Hoje eu revejo essa época como se de um sonho
se tratasse, como se eu fosse movida por uma mão que segurasse os
barbantes e eu fosse apenas uma marionete de feira.
Pensei, meu Deus que estou eu fazendo aqui?
Uma voz me dizia que ali estaria a verdade,
outra me lembrava o inferno que eu tinha vivido com minha mãe.
Lutava contra aquela engrenagem que me queria
tragar, mas ao mesmo tempo não tinha coragem para mais uma luta.
Eu estava lutando em tantas frentes que parecia
que todo o mundo estava contra mim.
Creio que perdi a razão e me deixei ir.
Como não conseguia emprego e vivia do magro
fundo de desemprego, eu tinha muito tempo livre. Dediquei meu tempo ao
estudo da Bíblia e à pregação.
Jamais deixaria minha vida mudar radicalmente e
tornar-me impiedosa para com meu semelhante só por estar naquela
organização.
Como vivia só, recebia muitos convites para
sair e conviver com alguns irmãos em pequenas festinhas.
Depois de receber meu batismo, os convites
terminaram.
A minha fila era olhada, pensava eu, com admiração!
3 jovens casais e respectivos filhos.
Todos eles já tinham sido antes contatados por
irmãos sem qualquer sucesso.
Eu que era nova na organização em apenas 6
meses tinha conseguido o que nem os anciãos tinham conseguido fazer
em anos.
Creio que é um dom que Jeová me deu, de saber
falar e saber ouvir!
Sou amorosa com todo o mundo, mesmo os que me
maltratam eu falo com brandura e isso cativa as pessoas.
O certo é que deram meus estudantes a uma irmã
casada que recebera o batismo no mesmo dia que eu.
No coração sentia-me injustiçada, na cabeça
as palavras da organização sobre o ser dócil para com os pastores e
ser-lhes em tudo obediente.
Certo dia fui chamada de novo ao corpo de anciãos
e fui confrontada com uma exigência que considerei no mínimo um
atentado à minha dignidade como ser humano.
Os anciãos me "sugeriam que logo que eu
recebesse minha herança deveria como boa cristã, demonstrar genuíno
amor pela organização doando 2/3 dessa herança".
Gelei!
Então não eram as Testemunhas de Jeová uma
organização diferente da cristandade? Não era aquela organização
que criticava acérrimamente todas as seitas religiosas que exigiam o
dízimo aos seus membros ?
Não era aquela organização que criticava a
Igreja Católica por viver no maior luxo, chamando-a de "A Grande
Meretriz"?
Não era dever dos cristãos proteger as
mulheres viúvas e os órfãos?
Eu estava ali como órfã que era e sem marido,
embora não sendo viúva, não era casada, tão pouco era divorciada,
era solteira sem ter quem providenciasse ao meu sustento, tinha de
providenciar para mim mesma.
Aí eu arrumei finalmente um trabalho, só que
era longe, na Capital, coisa de 35 quilômetros e tinha de pegar o
trem suburbano, um ônibus e fazer uma estirada de 1 quilometro.
"Quem não providenciar para os da
sua casa é como os sem fé"!
Depois que recebi o batismo nunca mais recebi
qualquer ajuda de nenhum membro da minha congregação à exceção de
uma irmã e seu único filho que no ano seguinte também recebeu o
batismo.
Eu era constantemente repreendida pelo fato de
faltar a algumas reuniões, pois trabalhava longe e nem sempre
conseguia transporte para chegar a horas.
Muitas vezes ficava sem comer por horas pois saía
correndo do trabalho e ia direto para o Salão do Reino para não
falhar a uma reunião, terminava as reuniões com enormes dores de estômago
e dores de cabeça, pois meu almoço era sempre fraco, já que para
poupar meu magro salário eu levava um sanduíche na bolsa.
Vivia permanentemente com receio de falhar uma
reunião, ou de chegar atrasada.
Descurava a higiene da minha casa e minha saúde
se ressentia disso, pois não posso com pó doméstico.
Comia mal e passava a vida a correr.
Romanos 14:13
Portanto, deixemos de julgar
uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar
pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.
Também por causa do meu convívio com estes irmãos,
eu fui chamada aos anciãos e fui alertada para o fato do irmão
ser portador do vírus do AIDS ao que eu respondi: sei bem que ele é
portador do vírus do AIDS, mas o AIDS só é transmissível pelo
sangue e por relações sexuais, ora nem eu e ele estamos em fornicação,
nem vou receber sangue dele! Eu sou Testemunha de Jeová e Jeová é
minha testemunha de que falo a verdade.
Mandaram-me embora sem falarem mais nada, pois não
arrumavam mais motivos para me perseguir.
Nunca recebi visita de pastoreio.
Durante semanas fiquei sem poder ir às reuniões
até que finalmente, me foram bater na porta!
Eu abri e entraram dois anciãos de supetão na
minha casa altercando comigo que eu estava me comportando como uma
"cabrita" pois deixara de me reunir com a congregação!
Eu respondi que estava doente e que se não ia
às reuniões era porque não podia sequer sair de casa tal o meu
estado de saúde debilitado, mas que também nenhum irmão ou ancião
tinha se incomodado a vir perguntar se eu estava bem ou se estava carênciada
de algum apoio.
Semanas depois, voltaram a bater na minha porta!
Eu não estava, tinha ido ao médico e minha
vizinha do lado depois me disse que tinham dado pontapés na minha
porta e chamado alto e bom som, se afastando depois me chamando de
cabra!
Meu amor pela congregação, realmente começou
a esfriar com tanta perseguição e com tanta falta de amor e
humanidade que eu via entre os irmãos.
Eu orava a Jeová pedindo apoio e uma orientação,
até que finalmente um dia foi a gota de água!
Olhei e era o ancião presidente da congregação
que me olhava fixamente. Eu o cumprimentei e ele virou o rosto.
Foi de uma rudeza desagradável, sem que eu
visse razão para tal rudeza, eu questionei de novo: Se queria falar
comigo porque razão não me devolveu o cumprimento há pouco, irmão?
Tem algo contra mim? Eu lhe fiz algo de errado que não tenha disso
consciência?
Quem quer ser ajudado tem de ajudar e sua
responsabilidade como cristã é de dar a Deus o que é de Deus!
Tem muito irmão necessitado e você vivendo no
luxo!
Dei-lhe as costas e nem boa tarde lhe dirigi
mais!
No dia seguinte eu fui aos correios e registrei
a minha carta de dissociação com cópia para a Betel, explicando
tudo o que ocorrera!
Minha herança era de dois terrenos pequenos que
eu vendi e do dinheiro montei um pequeno negócio que é o meu magro
sustento e uma casa de dois cômodos que partilhei com a irmã que
sempre me ajudou e a quem o filho nosso irmão em Cristo acabou
falecendo, deixando-a só. Ela também faleceu algum tempo depois pois
já tinha muita idade e o desgosto acabou levando ela.
Hoje vivo só, mas tenho por minha companhia a
meu Deus Jeová e ao seu amado filho Nosso Senhor Jesus Cristo, meu
Rei a quem espero ver chegar numa nuvem para julgar os justos e
injustos!
Sou Testemunha de Jeová, aceito a Jesus como o
Filho do Deus vivo, meu Rei e meu Salvador, acredito que Ele, Jesus,
se fez homem para cumprir a promessa que Jeová fez a Adão e a Eva no
Paraíso de resgatar a humanidade da morte que é a paga pelo pecado
da desobediência de Adão e de Eva.
Acredito que Jesus foi Cristo pelo poder do Espírito
Santo e que foi sacrificado na estaca de tortura, que dormiu na morte
por 3 dias e que foi ressuscitado dos mortos por seu Pai celestial,
que subiu nos céus e que está sentado no Trono à direita do Deus
vivo e que virá de novo em toda a Sua glória, que todo o olho O
verá e toda a Terra habitada terá de saber quem é Jeová.
Acredito que todos os que dormem hoje na morte
serão acordados para receber o julgamento, justos e injustos.
Acredito que estamos vivendo os tempos do fim,
mas o dia e a hora só o Deus vivo sabe.
Deixei de acreditar que a organização de Jeová
na terra esteja com a OCTJ. Acredito muito mais que esteja no coração
daqueles que acreditam no Cristo e que estão dando continuamente
testemunho da Sua Palavra não de forma coerciva, mas com genuíno
amor pelo próximo.
Não importa sequer que deixassem de
ritualizar práticas que são somente isso rituais e não algo feito
com o coração. Que importa celebrar a Páscoa e tomar nas mãos os símbolos
se no coração não existe genuíno amor?
Se está
invejando o próximo? Levantam-se falsos testemunhos contra irmãos?
Olha-se quem não acredita no mesmo que nós como coisa morta? Para
Jeová ninguém está ainda morto! Só depois do Julgamento. Pois os
que aqui estão presentes foram chamados como suas Testemunhas mas
ainda não foram chamados a depor!
Depois da nossa disputa nos tribunais para que
me desse o que era a minha herança materna para dela me sustentar,
nunca mais nos falamos!
Passaram 8 anos desde que o vi e falei com
ele quando me expulsou de casa.
Não cessei de orar a Jeová para que lhe
abrisse o coração e o fizesse ver o erro e o mal que me tinha
causado.
Pedi nesses anos todos, perdão e tentei perdoar
tudo o que me fizeram.
Esta semana recebi duas bênçãos.
Mais uma vez eu procurei meu pai, pela sétima
vez eu lhe bati na porta para falar com ele, na terça feira dia 6 de
Maio de 2003 a porta se abriu e nos abraçamos!
Não falamos ainda o que temos de falar.
Vai com o tempo, ele está com 72 anos e não é
fácil para ele mudar e reconhecer sua teimosia e egoísmo, mas eu
confio em Jeová, que toda a pedra dura se desfaz com amor!
Eu lhe falo agora todos os dias e espero dentre
em breve poder voltar a abraçar a minha irmã de sangue e ver meus
dois sobrinhos. O mais pequeno eu nem conheço ainda, pois ela também
deixou de falar comigo e mais quando soube que eu me tinha
tornado Testemunha de Jeová.
E agora Jeová me está dando a outra benção
que é encontrar meus irmãos na fé e que tal como eu sofreram nas mãos
dos pastores.
A todos os meus irmãos eu deixo aqui uma
palavra de consolação:
Nosso senhor Jesus o Cristo, advertiu para a
apostasia e para os falsos profetas, para os que haviam de se
apresentar vindo dizer o Mestre está ali, esse seria o sinal dos
tempos do final deste sistema de coisas.
Nem tudo é ovelha, como nem tudo é pastor, por
isso o Senhor está separando o trigo do joio e só Ele sabe quem é
digno de receber as promessas do Cristo pois só o Pai conhece o coração
de cada um.
Mateus 18:6
Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em
mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se
afogar nas profundezas do mar.
Que a Paz de Nosso Senhor fique com você
sua irmã na fé
Leonilde Costa Santos
Algueirão-Mem Martins / Portugal