Título: Deeply!

Autora: Umi no Kitsune ([email protected])

Disclaimer:  Gundam Wing e suas personagens são propriedade de Shotsu Agency. Deeply faz parte (acho) da trilha sonora de Serial Experiments Lain e é propriedade de BoA.

Avisos: Yaoi. Se você gostou da fic e a quer em seu site, peça permissão.
 
 
 
 
 
Darling, I've gotta talk to you
About the things you've been putting me through now
I've gotta talk to you
I've gotta be explained to
Yeah, yeah
 
 
Não sabia o motivo de estar agindo como em uma missão, apenas sabia que não queria ser descoberto, não ainda. Talvez essa preocupação toda fosse besteira, afinal não devia explicações para ninguém, muito menos pra ele. Talvez fosse mesmo só besteira... seria. Seria besteira se não fosse tão importante.
 
Heero balançou a cabeça tentando pôr, em vão, os pensamentos em ordem. Desse jeito, a noite não acabaria nunca pra ele...
 
Como uma coisinha tão mísera e simples poderia significar tanto? Um simples beijo? Apenas isso. E se arriscava tanto... à toa, apenas por um beijo, um beijo incompleto, um beijo sem resposta. Somente e apenas e simplesmente nada mais que o roçar de lábios, só isso.
 
Não. Não era só isso. Tinha muito mais por trás daquele leve toque. Tinha o calor dos lábios dele, a maciez, o sabor... tudo aquilo que fazia Heero se arriscar.
 
 
Feelings, they really burnin now
They're burning higher than they've ever done before
I need to talk to you, I need to feel it deeply
 
 
Motivos suficientemente fortes para fazer o soldado perfeito se ajoelhar ao lado da cama que não era dele, apoiar as mãos, sem soltar muito o peso, sobre a borda do colchão, inclinar o tronco lentamente pra frente, como uma reverência a um deus, fechar os olhos, mesmo diante do perigo de ser pego, abrir a boca na medida certa para capturar um dos lábios e, por fim, provar a recompensa de seu ato, deixando sua marca por mais uma noite.
 
Mas tudo desapareceria antes mesmo do amanhecer, sua marca e... o calor dele, a maciez dele, o sabor dele...
 
Nessa noite Heero se perguntava de novo se valia à pena. Se deixar sua marca definitivamente não compensaria todo seu esforço. Se deixar sua marca em outros lugares não justificasse tudo.
 
 
Your actions now, they're really driving me
Driving me into a deep bed of insanity
You need to talk to me
You need to feel it deeply
Yeah, yeah
 
 
Enquanto a mente de Heero tentava formular uma resposta, o corpo dele já decidia o que fazer. Já fazia o que tinha que fazer.
 
Sua língua, que já decorara toda a extensão daquela boca, abriu os lábios carnudos e adormecidos, encontrando com facilidade o calor molhado da outra língua.
 
O mundo inteiro rodou a sua volta quando sentiu uma mão chegar a sua nuca e forçar mais a profundidade do beijo. Heero abriu os olhos apenas o suficiente pra ver o rosto embaixo do seu responder com ânsia os movimentos de seus lábios e língua.
 
O ar começou a se mostrar ausente e Heero tentou recuar, mas dedos se agarraram aos seus cabelos com força, impedindo que se levantasse.
 
“Finalmente...”, Duo disse com uma voz fraca e rouca, respirando com dificuldade logo após interromper o beijo.
 
A mão dele agora estava relaxada sobre o ombro de Heero, a cabeça pendendo levemente pra trás, os olhos ainda fechados e os lábios semiabertos. Num instante, Duo abriu os olhos e sorriu maliciosamente.
 
“Você precisa fazer isso mais vezes, Heero...”
 
Duo não podia negar que ficava mais excitado ao ver que Heero não demonstrava sentimento algum em seus olhos, que continuava impassível apesar de igualmente excitado.
 
“Você sabia.”, foi a resposta fria de Heero, enquanto se afastava.
 
“Não...”, Duo colocou um dedo estendido na frente do rosto de Heero e fez que não, “Eu queria... mas não sabia”
 
Heero olhou-o com um certo desprezo, o que fez Duo morder o lábio inferior para não rir da cara dele.
 
“Está mentindo.”
 
“Você sabe que não.”, Duo sentou-se na cama e abraçou o pescoço de Heero. “Mas você sabia... sabe... que eu também te amo.”
 
 
Don't be afraid to say it
Don't be afraid to say it
The words that you might tell me
Could never hurt me oh no
 
 
“Duo eu...”
 
“Shhh... não fale nada. Apenas faça...”
 
Duo avançou e beijou Heero com mais paixão e intensidade que antes, calando qualquer protesto do piloto. Mas ele não se moveu, não respondeu ao beijo. Se afastando, Duo o olhou seriamente.
 
“O que foi? Foi você quem começou... pensei que quisesse terminar.”
 
“Não há nada para terminar.”, Heero disse retirando os braços de Duo de seu pescoço.
 
“Mas... Heero, eu pensei que...”
 
“Você pensa que eu te amo.”, Heero ficou de pé olhando Duo de cima. “Mas eu apenas quero sentir o seu corpo. Não confunda as coisas.”
 
“Eu não confundi...”, Duo respondeu baixinho, com a cabeça abaixada, “Não confundi... eu sei que você me ama.”
 
“Duo...”
 
“É você quem não sabe o que pensa!”, Duo levantou o rosto, mostrando um sorriso travesso.
 
“Não seja idiota. É o seu corpo, a sua pele, o seu cabelo que me faz estar aqui.”, Heero disse friamente enquanto passava a mão pelo corpo, rosto e cabelo de Duo, que acompanhou os movimentos se mexendo sensualmente. “Mas, se você quer tanto...”
 
“Eu quero fazer amor com você...”, o americano tornou a abraçar Heero pelo pescoço.
 
“Isso nunca vai acontecer.”, ele tomou o rosto de Duo entre suas mãos, encarando-o nos olhos.
 
“Não... não hoje...”, Duo deu um beijo estalado em Heero, “Hoje vamos fazer sexo.”, ele se aproximou da orelha de Heero e sussurrou com uma voz rouca, “Puro e simples sexo.”
 
“É só isso o que eu quero.”, Heero ia se inclinar para beijar Duo, mas este se afastou sorrindo malicioso.
 
“Vamos ver se é só isso que vai te satisfazer...”
 
 
I've gotta feel it, I've gotta feel it
I've gotta feel it deeply, deeply now
I've gotta feel it, I've gotta feel it
And the words come tumbling from me
 
 
Sem esperar por resposta, Duo levantou os braços de Heero e tirou-lhe a regata. Inclinando-se, ele alcançou um dos mamilos e, sem qualquer aviso, deu uma leve mordida para depois, com a língua, contornar o pequeno pedaço de pele enrugada e prendê-la entre os lábios.
 
Heero gemeu, fechando os olhos enquanto uma mão se emaranhava na trança quase desfeita e a outra apertava cada centímetro de carne das costas de Duo. O piloto do Wing abriu os olhos e não enxergou nada, apenas sentia uma corrente de prazer percorrer todo o seu corpo, tendo sua origem na boca, que sugava devagar e lentamente seu mamilo, e nas mãos de Duo, que pareciam deixar um rastro de fogo na sua pele.
 
“Não...”, Heero conseguiu dizer baixinho. “Assim não...”
 
Puxando Duo pelo cabelo e fazendo-o deitar-se, Heero se abaixou e começou a desabotoar a camisa dele. A cada botão aberto ele beijava e lambia o novo pedaço de pele descoberto, que se arrepiava apenas com o contato da respiração pesada sobre si. Duo prendia e soltava a própria respiração, inspirando lenta e profundamente cada vez que os lábios de Heero se afastavam. 
 
Logo que a camisa foi deixada de lado, Heero sentou-se e admirou o corpo embaixo do seu. Ele passeou com as mãos pelo peito de Duo com o olhar extasiado.
 
“Você é lindo...”, Heero sussurrou quase que inaudível enquanto abaixava a cueca preta de Duo, “Muito lindo...”, ele se aproximou do rosto de Duo encostou sua testa na dele, olhando bêbado para o violeta profundo dos olhos dele, “Eu quero ouvir você... quero a sua voz... fale comigo.”
 
“Eu te amo...”, Duo respondeu no meio de um gemido e sorriu ao ver Heero fechar os olhos, sem falar nada. “Não se preocupe...”
 
Heero abriu os olhos ao sentir sua mão sendo levada até o sexo de Duo.
 
“Eu disse que seria apenas sexo.”, Duo fechou os dedos de Heero sobre seu pênis quente e duro. “É só sexo, Heero, mais nada.”
 
“Não me provoque...”
 
Duo sorriu de novo, mas sensualmente, mordendo o lábio inferior enquanto levantava um pouco o quadril, roçando a ponta de seu pênis no abdômen de Heero.
 
“É você quem me provoca... vamos, deixa eu te ver.”
 
Invertendo as posições, Duo soltou-se e, num puxão quase violento, tirou a bermuda e a cueca de Heero. Quando foi olhar para ele, prendeu a respiração e piscou algumas vezes.
 
“Heero...”, Duo começou a dizer com a voz falhando, mas virou-se olhando nos olhos azuis, que estavam um pouco assustados e envergonhados, e continuou com um sorriso, “Heero, é enorme!” [1]
 
O piloto do Wing soltou um suspiro de alívio e corou ao mesmo tempo, envergonhado. Mas não podia negar que essa afirmação o deixara mais excitado, fazendo-o até sorrir com a aprovação dada por Duo.
 
Com a crescente vontade de estar dentro dele, Heero abraçou-o pelo peito e, com um impulso, o fez deitar-se abrindo as pernas.
 
“Não.”, Duo fechou as pernas, sorrindo satisfeito com o leve traço de raiva no olhar de Heero.
 
O piloto do Deathscythe virou as costas para Heero, ficando de quatro na cama.
 
“Eu quero ver seu rosto.”, Heero pôs uma mão no ombro de Duo, tentando virá-lo.
 
“E eu não quero que você veja meu rosto...”
 
Duo segurou a mão em seu ombro e a levou à boca sugando o dedo indicador e médio de Heero. Depois, a conduziu de novo até seu sexo e, fechando a própria mão na de Heero, iniciou um movimento lento de vai e vem. Sentindo que a mão já se movimentava sozinha, Duo ergueu um pouco mais o quadril e buscou o membro de Heero que roçava endurecido entre suas nádegas.
 
Enquanto era bombeado, Duo apertou com firmeza o outro membro e o posicionou no meio dos seus testículos, com sua ponta tocando, conforme o movimento, a mão de Heero.
 
Os dedos de Duo exploraram toda a extensão do pênis de Heero, sentindo a pele macia sobre a carne dura e quente, pulsante, notando algumas veias saltando. Duo abaixou a cabeça e olhou, por entre seus braços, pra trás, libertando um pouco o órgão da sua mão. Seria impressão ou o membro de Heero estava maior?
 
“Oh... Deus!”, ele suspirou levantando a cabeça e fechando os olhos com força.
 
Heero prendeu um gemido, mordendo o lábio inferior. A outra mão, que tinha se ocupado de tatear a cintura e costas de Duo, desfez o que sobrou da longa trança, espalhando as volumosas mechas de cabelo que cobriram, como uma manta, todo o dorso do piloto, criando uma cortina cor de bronze nas laterais.
 
Um suspiro acompanhado de um gemido abafado fizeram Heero agarrar um punhado dos longos fios e erguer a cabeça de Duo na tentativa de ver a expressão em seu rosto. O piloto do Deathscythe choramingou com a dor do puxão mas não virou o rosto, ao contrário, mesmo com os cabelos presos, ele forçou, abaixando a cabeça, fazendo cair propositalmente as mechas bronze que estavam soltas, tapando a visão que Heero mal tinha de si.
 
Grunhindo algo incompreensível, Heero estreitou os olhos, agarrando mais um punhado de cabelo, soltando seu membro da mão de Duo, deu um puxão firme erguendo a cabeça dele enquanto, sem aviso, o penetrou com força, numa estocada seca e bruta.
 
Duo gritou com a dor, arregalando os olhos e arqueando o corpo pra frente tentando escapar da violência da invasão. Antes que pudesse se recuperar do susto ele sentiu o membro de Heero saindo rapidamente de dentro dele para logo em seguida ser colocado de volta, com mais força.
 
Heero ficou alguns segundos assim, dentro de Duo, segurando com força exagerada o quadril dele, respirando pela boca pesadamente, sentindo seu sexo pulsar na cavidade apertada e úmida, querendo explodir a fina parede de pele que o aprisionava. Olhou para o corpo que ofegava, ainda sem poder ver o rosto, a cabeça pendia presa somente pela mão dele que segurava os cabelos. Sentiu aquele anel e os músculos em volta dele, contraídos e tensos, relaxarem aos poucos, se acostumando com o tamanho de seu órgão.
 
Então Heero começou. Ia e saía com tanta força que a cama acompanhava o movimento por inteiro, rangendo enquanto Duo gemia cada vez que o membro entrava por completo, ainda seco e ardido.
 
Inesperadamente, as estocadas cessaram para dar lugar a um movimento mais lento e menos doloroso. Heero soltou o cabelo de Duo e foi direto para o membro que ficara esquecido, mas que continuava tão duro e quente quanto antes, e começou a bombeá-lo. Os movimentos da mão de Heero acompanharam os do seu membro dentro de Duo, aumentando o ritmo lentamente.
 
Duo inspirou profundamente.
 
“Heero... eu...”
 
Ignorando a súplica, Heero continuou, mas dando mais atenção ao membro de Duo. Este começou a tremer, sentindo a aproximação do orgasmo e gemeu alto quando sentiu os dedos que antes o excitavam, agora apertarem a ponta de seu sexo. Duo tremeu de novo, mais forte dessa vez.
 
Afastando-se, Heero retirou o seu membro de dentro de Duo e observou maravilhado o anel se contrair tão logo sua saída, parecendo menor ainda. Era vermelho vivo, com alguns pontos de pele tão irritados que estavam quase roxos. Com a mão que estava no quadril do outro piloto, Heero colheu algumas gotas que escaparam por entre seus dedos e molhou a entrada vermelha, machucada anteriormente pela fricção selvagem. Levou também a mão à boca e lambeu os dedos. O gosto que sentiu lhe dá a previsão do que gostaria de fazer com Duo na próxima vez.
 
Mas agora, ele quer sentir-se dentro dele. E ele o faz.
 
Imediatamente, após entrar por completo dentro de Duo, Heero tremeu por poucos segundos e explodiu. Embaixo, sua mão, lambuzada,  espalhava ainda mais o sêmen de Duo.
 
Os dois gritaram de prazer, mas nenhum deles escutou ou viu o que ocorreu a sua volta, tamanha a força do choque de sensações que experimentam.
 
 
Feelings, they're really burnin now
They're burning higher than they've ever done before
I need to talk to you, I need to feel it deeply
 
 
Os dois desabaram juntos na cama, Heero por cima de Duo, seu membro murchando lentamente dentro do piloto. Depois de muito tempo esperando a respiração voltar ao normal e as reações de seu corpo se estabilizarem, Duo se virou na cama e beijou Heero com sofreguidão, como se o tempo que ficara longe daqueles lábios já fosse o bastante para deixá-lo louco de vontade.
 
Heero respondeu o beijo, mas foi diminuindo a sua intensidade aos poucos, respirando entre um momento e outro, beijando a linha do queixo de vez em quando, até cessar com pequenos beijos estalados. Então, ele se ergueu um pouco, afastou a franja e outras mechas de cabelo que grudavam no rosto de Duo e o admirou.
 
Dessa vez Duo não estava sorrindo, seus lábios estavam ligeiramente separados e vermelhos, suas têmporas estavam rosadas e a testa coberta com pequenas gotículas de suor. Eram os olhos, um violeta profundo, que ignoravam o fato de estarem sendo observados e observavam, não, invadiam, despiam, vasculhavam, astutos, os próprios olhos de Heero. Atravessavam a barreira singular e frágil da íris azul e alcançavam a mente, com todos os seus pensamentos, mentiras e verdades, desejos e repulsas, selvageria e sanidade.
 
“Eu me vejo sem você e...”
 
Duo rolou por debaixo de Heero e levantou-se da cama, não completando o que ia dizer.
 
“Aonde você vai?”, Heero perguntou meio irritado, vendo Duo vestir um shorts preto.
 
“Todos dentro dessa casa vão levantar daqui a uma hora e meia.”, ele respondeu com a voz cansada, “Se é que já não levantaram... não compensa tentar dormir agora.”
 
Duo andou até a porta, mas antes de abri-la ele parou, pôs uma mão no bumbum e esfregou devagar, dizendo:
 
“Eu já devia saber...”, ele se virou para Heero com um sorriso sacana, “Tente ser mais delicado da próxima vez... essa é uma região muito sensível.”
 
O piloto do Deathscythe saiu do quarto andando devagar e fazendo uma careta de dor.
 
 
 
Chegando na cozinha, Duo encontrou Trowa sentado, tomando um copo d’água. Enquanto ele vasculhava algo pra comer nos armários, Heero apareceu vestindo apenas a cueca, do avesso, com uma cara nada amistosa, seus olhos com o brilho típico, que ele usava somente quando estava prestes a matar alguém.
 
Trowa ergueu uma sobrancelha, observando, com o que parece ser pouco interesse, Heero atravessar a cozinha e segurar no braço de Duo, fazendo o piloto voltar-se.
 
“Ei! Isso dói, sabia?”, Duo se soltou com um puxão.
 
Heero ficou quieto apenas encarando-o bravo.
 
“Que foi?”, Heero continuou mudo, “Olha, se você não falar não tem como eu saber qual é o seu problemaaa... ai!!!”
 
“Ainda não acabamos.”, foi a resposta seca de Heero, que começou a arrastar Duo pra fora da cozinha.
 
“Ah! Acabamos sim!”, com um movimento de corpo Duo se soltou e se escondeu atrás da cadeira onde Trowa estava sentado, “Tá querendo o que? Eu não sou de perguntar “foi bom pra você?”, ainda mais quando eu sei que você gostou!”
 
Trowa, por precaução, apoiou o copo em um canto afastado da mesa e olhou pra figura irritada de Heero, esperando o pior do soldado perfeito.
 
“Não estou falando disso.”
 
Depois da resposta quase grunhida de Heero, um silêncio constrangedor caiu sobre o ambiente. Passaram-se alguns minutos, todos se encarando sem graça, até Duo perguntar:
 
“Está falando do que, então?”
 
Heero não respondeu. Mas nem por isso ficou encabulado, continuou olhando para Duo com uma raiva quase assassina. Então Trowa, colocando a mão na boca, pigarreou e disse:
 
“Duo... eu gostaria de me levantar.”
 
“ah? Oh, claro...”, Duo soltou as costas da cadeira de Trowa e se afastou.
 
“E Duo... tente não destruir a casa.”
 
“Ah! Claro que é pra mim que você tem que pedir isso...”, Duo protestou, com as mãos na cintura.
 
Trowa o ignorou e saiu da cozinha deixando os dois sozinhos.[2]
 
 
Sometime now you gotta come round
To the way that I been feelin' about you now
I gotta talk to you, I gotta be explained to
Yeah, yeah
 
 
“Então...”, Duo se sentou na cadeira deixada por Trowa de um jeito desleixado e a inclinou pra trás, se apoiando nos pés traseiros, “Sou todo ouvidos...”
 
Heero se aproximou, com um olhar vazio, nem raiva ele expressava dessa vez.
 
“Há algo errado.”
 
“Mesmo?”, Duo escondeu as mãos na nuca e inclinou mais a cadeira, olhando com curiosidade o rosto de Heero.
 
“Mesmo.”
 
Uma risada leve escapou da boca de Duo, mas ele logo se recompôs e fingiu estar pensativo, entortando os lábios para um lado e franzindo o cenho.
 
“O que será...”, ele perguntou, olhando contemplativo para o teto.
 
“Vamos voltar para o quarto.”
 
“Pra que?”, Duo sorriu malicioso.
 
“Pra tentar descobrir o que...”
 
O tom usado na voz de Heero foi tão inocente, tão desprovido de qualquer segundas intenções, que Duo não agüentou e soltou uma gargalhada, jogando o corpo pra trás. Ele só não caiu porque a cadeira bateu na borda da pia, impedindo um tombo feio.
 
“Heero...”, ele disse ainda tentando parar de rir, “Não me diga... não me diga que você quer conversar sobre...”, uma outra explosão de risada, “Você quer conversar...”
 
Heero o olhou com desprezo e disse finalmente:
 
“Sim.”, a resposta curta só fez Duo rir mais.
 
“Você, Heero Yui, quer conversar?”
 
“Eu estou dizendo que tem algo errado!”, Heero explodiu segurando Duo pelos ombros e sacudindo-o com força, “Como você pode rir? Não percebe algo estranho? Tem alguma coisa faltando!”
 
Duo piscou várias vezes, retirando algumas mechas que caíram no seu rosto com a sacudida de Heero, então, falou sério:
 
“Não sei por que você está reclamando.”, ele respondeu se soltando das mãos de Heero, “Eu te avisei antes. Foi você quem quis desse jeito.”
 
Com isso, Duo se retirou, deixando um Heero mudo e com o olhar perdido pra trás.
 
 
Don't be afraid to say it
Don't be afraid to say it
The words that you might tell me
Could never hurt me oh no
 
 
Depois de alguns minutos, Duo voltou, de trança re-feita, com um sorriso bobo no rosto.
 
“Hehe... até esqueci que estou com fome...”
 
Como se nada tivesse acontecido, Duo recomeçou a vasculhar os armários em busca de comida.
 
“Não tem nada que preste nessa casa...”, ele abriu a geladeira, ficando pensativo por alguns instantes, até sorrir, “Há-há! Já sei!”
 
Com um tubo de cobertura de sorvete sabor caramelo nas mãos o piloto do Deathscythe ignorou as cadeiras e sentou-se na mesa. Ele esticou o corpo, alcançando a fruteira, e arrancou uma banana de um cacho.
 
De frente pra ele estava Heero, observando todos os seus movimentos, mudo e estático, como se nem estivesse presente, apesar de ter se recomposto, olhando-o friamente descascar a banana e despejar sobre uma das pontas dela a cobertura.
 
Duo por sua vez, ignorou o olhar de Heero sobre si e colocou a ponta da fruta com cobertura na boca. Ele não mordeu de imediato, primeiro ele saboreou o caramelo, depois, lentamente, fechou a boca e mastigou com satisfação o pedaço de banana.
 
“Duo...”
 
O piloto de trança não escutou o chamado de Heero, de tão baixinho que ele o disse, continuou saboreando a fruta, pedaço por pedaço.
 
Na metade da banana [3], Duo colocou mais cobertura do que das outras vezes e na hora de morder, um pouco escorreu da sua mão até o seu braço. Ele apenas sorriu, aproximando o braço da boca, e lambeu com a ponta da língua o caramelo. Então, não resistindo a curiosidade, olhou para Heero.
 
“Que cara é essa?”, ele encarou o outro, travesso, “Está com fome também? Pode comer um pouco, se você quiser...”
 
Ao invés de estender a banana, Duo estendeu a mão ainda suja de cobertura enquanto deu uma última mordida na fruta.
 
Sem pensar duas vezes, Heero se aproximou. Com a mão de Duo na altura da sua boca, ele apenas abriu os lábios e deixou que um dedo entrasse para lambê-lo com vontade. Aproximando-se mais, ele segurou com uma mão o braço de Duo e, com a outra, abriu as pernas do piloto que o envolviam pela cintura.
 
Deixando seus dedos serem sugados, Duo inclinou-se, beijando a curva entre o ombro e o pescoço de Heero. Fechando mais o arco de suas pernas na cintura do outro piloto, ele sentiu, satisfeito, o volume que despontava e o cutucava no ventre. Duo mexeu o quadril, se esfregando, obrigando Heero a gemer com seus dedos ainda dentro da sua boca, até que ele abriu os lábios, suspirando.
 
Se aproveitando disso, Duo tomou a boca semiabertos, explorando com a língua cada textura, cada reentrância, toda umidade e todo o calor de Heero. Este gemeu sufocado enquanto abaixva as mãos para o shorts preto de Duo, que simplesmente se recusava a se mexer, a não ser o leve movimento contra o membro preso de Heero. Irritado, o piloto do Wing se afastou o máximo que pôde e empurrou Duo, que caiu deitado na mesa.
 
O copo, com a queda do corpo, virou e rolou lentamente até a borda, enquanto a água já caía livre pelo chão da cozinha, mas não chegou a sair da mesa, rolando um pouco de volta, parando deitado e vazio.
 
Paciência deixou de existir no vocabulário de Heero quando ele rasgou o shorts de Duo, abaixou a própria cueca e...
 
Soltando um grito de desespero, Duo sentou-se rapidamente, abraçando com força o tronco de Heero, pressionando seu peito contra o dele e fechando os olhos milésimos de segundo antes de ser penetrado. Um grito de dor escapou de seus lábios e Duo abriu os olhos lacrimejantes enquanto fincava suas unhas nas costas de Heero, tentando suportar a dor.
 
“Duo! Duo!”
 
O piloto do Deathscythe percebeu que seu nome não está sendo dito com prazer e sim com raiva. Ele escutou de novo, mas, em resposta, apenas o abraçou com mais força, escondendo o rosto, enquanto sentia o membro de Heero entrando e saindo cada vez mais rápido, cada vez mais violento.
 
Uma mão agarrou seu cabelo forçando sua cabeça pra trás.
 
“Eu quero ver você!”, Heero gritou bravo, forçando mais até que seus olhos se encontram com os de Duo.
 
Lágrimas embaçavam a visão dele, que mordia o lábio inferior sufocando os gemidos. Apesar disso, Heero sabia que ele estava gostando, que ele também sentia prazer naquilo, naquela dor.
 
De novo, Heero parou dentro de Duo, com seu sexo pulsando sob a pele quente e machucada dele. Duo abaixou a cabeça, suspirando pesadamente.
 
“Duo...”, Heero o chamou de novo, mas com a voz baixa e tremida, mostrando seu esforço para segurar o orgasmo, “Duo... olhe pra mim...”
 
Sentindo um toque leve em seus cabelos, Duo levantou o rosto e encarou os olhos azuis.
 
“Eu...”
 
“Você o que?”, Duo perguntou, cínico, de repente, “Não consegue dizer?”, ele começou a se mover pra cima e pra baixo, com esforço, “Ou talvez queira ver mais...”, ele deixou de abraçar Heero e apoiou os cotovelos na mesa, ficando inclinado, ainda se mexendo, sentindo as mãos de Heero em seu quadril lhe apertarem, “Oh, Heero... como você é egoísta...”, ele disse num tom repreensivo.
 
Heero não conseguiu tirar os olhos da visão a sua frente.
 
“Você é um puto.”, ele sussurrou, finalmente.
 
“Depende do cliente...”, Duo respondeu sorrindo, malicioso. “Às vezes... tem-se de fazer certas coisas para conseguir-se outras...”
 
Os olhos azuis de Heero se fecharam, de repente, e ele ficou com uma expressão desolada.
 
“Oh, por favor, Heero! Não me venha com essa!”, Duo esticou um braço e puxou o outro piloto sobre si, “Nada do que você falar agora vai mudar a situação! Nada! Só um tolo não desconfia de uma declaração de amor dita somente quando é fudido!”
 
“Eu não- “
 
“Cala a boca!”, Duo interrompeu a fala de Heero com um beijo e, depois, ordenou ofegante, sorrindo, “Acabe logo com isso... está doendo muito, sabia?”
 
 
I've gotta feel it, I've gotta feel it
I've gotta feel it deeply, deeply boy
I've gotta feel it, I've gotta feel it
And the words come tumbling from me
 
 
A expressão de Heero se fechou, brava, e ele apoiou as mãos na mesa tendo o pescoço de Duo entre elas,  recomeçando com mais força do que antes. Duo levou uma mão ao seu próprio sexo e começou a bombeá-lo. Os ofegos viraram gemidos que viraram gritos, gritos de dor saindo da boca de Duo, de selvageria saindo de Heero.
 
Esquecendo de dar-se prazer, Duo deixou o seu membro para se segurar nas laterais da mesa com força, suas pernas caindo moles, soltando a cintura de Heero. O prazer há muito virara apenas dor.
 
“Hee- Heero...”, ele pediu, “Pare... Heero...”
 
Heero suava como um animal. Com uma mão ele levantou o quadril de Duo, já que este deixara o corpo mole, e continuou entrando e saindo sem medir a força ou a raiva. A outra mão se fechou sobre a boca de Duo, que tentou protestar sem sucesso.
 
Com o movimento em cima da mesa, o copo vazio começou a rolar, de um lado para o outro, a distância que ele percorria aumentando cada vez mais, até que ele alcançou a borda da mesa e caiu. Os estilhaços brilhantes cobriram todo o chão, refletindo a luz em mais cores dentro da água.
 
Bufando, o piloto do Wing fechou os olhos, sentindo um tremor percorrer todo o seu corpo, ele arqueou o tronco e entrou com toda a força que restara dentro de Duo. Ainda no meio do orgasmo, ele forçou mais seu membro, a impressão que tinha é que iria rasgar com a pele dele, se já não o fizera.
 
Ofegante, Heero se deitou pesadamente sobre Duo, encostando seu rosto no dele e sentindo suas lágrimas. Ele se virou e disse bem próximo a orelha dele:
 
“Eu te amo...”, e começou a beijar e sugar preguiçosamente o lóbulo da orelha de Duo, “Eu não queria dizer... assim... desde o começo, eu não queria... justamente pra que você não desconfiasse.”, Heero encarou os olhos violeta, abertos em espanto, com as lágrimas secando nas laterais, e depois os lábios abertos, revelando a respiração pesada. Então, ele começou a dar pequenos beijos pelo rosto suado, enquanto falava, “Eu amo você... quando sorri, quando dá risada, quando fala, quando geme e quando chora. Eu amo ver você gemendo de prazer ou gritando de dor... nos meus braços.”, Heero tomou os lábios de Duo, beijando-o com paixão. E ainda... depois de tudo isso... ainda falta alguma coisa, Heero pensou.
 
Nesse momento, Duo respondeu ao beijo e abraçou Heero. Mais profundo e sensual, ele gemeu baixinho fazendo Heero interrompê-lo e erguer-se um pouco para ver o sêmen de Duo escorrendo livre entre seu ventre e o dele. Levantando o olhar, ele viu Duo sorrindo e dando de ombros e dizendo calmamente:
 
“Ora... eu não tenho culpa nenhuma... Eu te disse: é você quem me provoca...”
 
 
Finito!!!
(ãh? Finito?? Vejamos...^_~)

 

 

[1] Depois disso... “Heero, é enorme!” , eu demorei quatro horas pra fazer a continuação... broxô...>< Mas falando sério... os homens devem gostar de escutar essas coisas... “Nossa! Isso não é um pênis, é um taco de baseball!!!” @_@ taco de baseball da liga infantil...

[2] Trowa é um garoto esperto... eu também não arriscaria a minha vida falando: “Heero, por favor, tente não destruir a casa, eu ainda quero dormir mais um pouquinho antes que você exploda o mundo, sim?^_^ Juro que é só por hoje!”. Também... acho que morrer dormindo é a vontade da maioria das pessoas...^^()

[3] A banana é graaaaande... a la Heero Yui...^^ (grrrr... eu tinha que transformar isso em comédia?!?!?><)

 

 

 

Essa fic é dedicada a todas as pessoas que me agüentaram fazendo perguntas e pedindo conselhos sobre lemons. A Illy-chan e a Yoko como primeiras da lista... ><;; Pobres moças... ^^"

 

 

 

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