Eu simplesmente não acho que possa voltar a me relacionar com humanos. Não depois do que aconteceu com Andrew. Não sei como eu pude ser tão fria, eu jurei não fazer mal a ele, e quase tirei a vida dele. Quase não, eu tirei a vida dele, e no lugar, acabei dando a eternidade, que do meu ponto de vista, não é nenhum presente.
Flashback.
- , me transforme, por favor. Eu quero passar o resto dos meus dias com você – Andrew pedia, me fazendo ficar com raiva. Que insistência em ter algo que não traria nada de bom para ele.

- Não Andrew, eu já disse. Não vou estragar sua vida assim

- Mas é só o que eu quero agora, ficar com você

- Andrew, por favor. Você ficará comigo, para sempre.

- Para sempre? Só se for para mim, porque o seu Para sempre, vai durar mais. Vou envelhecer, e você sempre terá 17 anos. – Andrew reclamava

- Você esqueceu que eu tenho 62 anos? – Era muito estranho falar isso, devia ser pior ainda, para ele escutar

- Eu não me importo. Você sobreviveu com isso por mais de 40 anos, o que poderia ser tão ruim?

- Você sabe que perdi cinco anos da minha vida, tentando me matar, para acabar logo com isso – Protestei

- Agora, você sabe como se mata um vampiro, porque não se mata?

- Por que... Não tenho mais coragem. Desista Andrew, não vou te transformar

- Você vai, nem que seja por mal – Ele disse sério, e eu não entendi. Eu podia ter impedido ele, uma vez que meus reflexos são melhores do que o normal, mas estava sem ação. Parte de mim queria aquilo, tinha sede pelo sangue dele. Não consegui me mover, e quando vi, ele havia feito um pequeno corte nos pulsos (n.a: emo. Estraguei o momento, eu sei), e eu estava lá, drenando o sangue dele. A única forma para eu transformar um humano em vampiro, era tirando todo o sangue de seu corpo, e o alimentando com gotas do meu sangue. Quando percebi o que estava fazendo, ainda não havia o drenado por completo, mas ele não sobreviveria. Se hoje eu digo, que vampiros e humanos não podem se amar é porque por amor, eu atendi ao último pedido que ele havia me feito. Mordi a ponta do meu dedo, e deixei meu sangue pingar na boca de Andrew.
Andrew foi mais rápido que eu para se adaptar com tudo. Demorei quase um mês para aceitar. Ele demorou apenas semanas para conseguir suportar algumas dores, pelo fato de ter sentidos mais aguçados. Fiquei com ele durante 30 anos, até que ele começou a pensar em ter uma família. Era uma idéia idiota, não poderíamos fingir ter um filho, ambos com aparência de 17 anos. Teríamos que nos esconder, não poderíamos mais viver como humanos. Andrew levou tudo isso longe demais e acabou seqüestrando uma criança. Foi a pior noite de minha vida. Tentei fazer Andrew deixar o menino ir, mas ele queria uma família de qualquer jeito. Naquela noite, eu e Andrew lutamos com todas as forças que tínhamos. Por um minuto achei que ele teria conseguido me matar, mas eu tinha meus truques. Consegui queimar ele, e levei a criança de volta para os pais.
Depois desse dia, fiquei alguns anos sem conviver com ninguém, escondida, como outros vampiros. Mas eu gostava de me sentir normal, e agora, 17 anos depois de tudo isso que aconteceu, resolvi voltar.
Eu e Samantha, uma vampira que conheci enquanto caçava, nos mudamos para uma cidade pequena em Londres. Samantha havia sido transformada com 19 anos, e também queria viver uma vida normal. Decidimos tentar, nos mudaríamos para um lugar pequeno, diríamos que éramos irmãs, estudaríamos e agiríamos como se fossemos humanas. E assim nós fizemos.
Com 102 anos, juntar dinheiro não é difícil, então compramos uma casa, e começamos a conviver normalmente. Sam fazia faculdade, e eu fui para a escola, que já estava no segundo semestre. Mesmo depois de ter vivido todo esse tempo, o primeiro dia de escola foi torturante. Tudo havia mudado, e eu ainda sentia aquele frio na barriga de adolescente idiota, que eu não sentia há muito tempo. Sim, vampiros têm sentimentos. Por onde eu passava, todos começavam a falar, e comentar. Isso me deixava agoniada, e fui direto para a secretaria pegar meu horário.

- Aquela aluna nova, é muito quente cara – Ouvi um menino falar, e não pude deixar de rir. Não pelo comentário dele, mas pelo fato de eu não ter nada, nada mesmo de quente no meu corpo, muito pelo contrário. Meu corpo é gelado, como um freezer (belas comparações as minhas, eu sei: B)

Estava procurando meu armário, quando entrei em um corredor vazio. Eu não sabia para onde eu ia

- Se perdeu novata? - Um menino, perguntou. Ele aparentava ter a minha idade. Quer dizer, ele parecia ter a idade que eu parecia ter também. Ah, isso é muito confuso.

---


- Eu acho – Falei dando um sorriso de lado, o garoto era lindo, mas bom, vampiros e humanos não podem se amar. Pelo menos eu não.

- O que você ta procurando? – Ele perguntou

- Meu armário – Falei entregando para ele um papel com o meu horário, e as orientações para achar meu armário

- Cara, você ta indo pro lado totalmente contrário. Seu armário fica no corredor do meu, e a sua primeira aula é junto da minha – Ele sorriu – Vem, eu te mostro o caminho

Não sei se é coisa minha, mas eu acho que sou muito fria às vezes. Não no sentido literal da palavra... Quer dizer, sim, no sentido literal também. Mas pelo fato de eu me distanciar tanto dos humanos, acho que eu acabei me fechando demais, e eu não era assim. Talvez agora eu sinta essa vontade de sentir esse... calor humano? não sei como descrever.

---


- Eu me chamo Peter – Ele sorriu de novo. O sorriso desse garoto era tão parecido com o sorrido do Andrew. No que eu estou pensando? Andrew morreu, eu o matei.

- Então, você gosta de ser chamada de novata mesmo? – Ele perguntou

- Na verdade, sim – Eu sorri, e ele fez uma cara estranha, como se não soubesse o que falar depois dessa. Ou como se me achasse maluca – Mas pode me chamar de se preferir

Ele me levou até a porta de todas as salas que eu teria aula e na hora do almoço me chamou para sentar com ele. Peter era um amor de humano, e aqui eu estou de novo pensando em humanos. Depois do Andrew, é só amizade, pura e simples amizade.

- Você não vai comer nada? – Peter disse quando estávamos sentados em uma das mesas do enorme refeitório. Bom, vampiros não comem. A não ser que ele me deixe provar um pouco de sangue.
Ah, piadinha de vampiros, eu realmente preciso parar com isso.

- Não, eu não sinto fome – Ele me encarou tipo: Você é anoréxica ou o que? – É que eu tomo um café da manhã reforçado, e há essa hora, não sinto fome – Falei e ele sorriu

Olhei cada mesa daquele refeitório, cada humano sentado nela, e para minha agonia, senti o cheiro de cada um. Mas havia um, que eu reconhecia.
Estava uma confusão de cheiros e tipos sangüíneos (n.a: eu começo a rir com a palavra sangüíneos, é engraçado, memata), mas eu reconheceria um deles há milhas de distância. Quanto mais raro é o sangue, melhor é a sensação em tomá-lo. O tipo mais raro, é o tipo AB. A única vez que consegui sentir um humano com esse tipo de sangue, foi na noite em que matei Andrew. Pelo fato de eu já conseguir me controlar naquela época, não foi tão difícil resistir, mas o garotinho tinha um dos sangues mais procurados por vampiros, era melhor ele tomar muito cuidado.
E hoje, eu estava sentindo aquele cheiro, e não era SÓ um tipo AB, era o tipo AB daquele bebê que eu tinha salvado. Procurei melhor, e vi quem era. O garoto já parecia ter 17 anos, e estava sentado com os amigos de sangue O positivo. É estranho eu analisar as pessoas pelo sangue, mas bom, eu sou uma vampira. Os amigos dele podiam ficar tranqüilos. O positivo é o mais comum, e não é tão bom assim (n.a: eu sou O positivo :B) mas ele...

- , você ta bem? – Peter falou passando a mão na frente do meu rosto

- Hãn, to sim. Eu só tava, pensando – Eu sorri. Vai ser muito difícil conviver na mesma escola do . Pelo menos foi assim que um de seus amigos o chamou enquanto estavam conversando. É eu fico escutando a conversa dos outros. Afinal, pra que eu vou ter uma audição fora dos padrões humanos, se não posso usá-la?

---


Depois que o sinal tocou, aconteceu a coisa mais previsível de todas. Eu tinha a mesma aula que , química.
Entreguei um papel para o professor, que ele deveria assinar, como todos os outros que me deram aula, para depois eu entregar na secretaria. Não sei para que, eles têm o meu horário.

- Pode se sentar com o , a parceira dele está de atestado médico – O professor falou. Eu teria que passar por isso uma hora ou outra.

- Oi – Ele falou sorrindo

- Oi – Falei sem olhar para ele. Estava sendo mais difícil do que eu pensei, agora que estávamos um do lado do outro

O professor deu algumas orientações sobre o trabalho que deveríamos fazer em sala. parecia ser o maior nerd da face da Terra, só que bom, eu acho que eu conhecia as coisas um pouco mais que ele, então aquilo acabaria logo. O que só daria tempo livre para nós, o que não é muito bom, eu acho.

- Er, meu nome é – Ele disse querendo conversa, enquanto anotava algumas coisas em seu caderno.

- – falei ainda me segurando. Eu não podia ser seca com ele desse jeito, teria que conviver com ele por mais alguns meses. Por mais difícil que fosse eu teria que tentar

Ele pareceu desistir. Se concentrou no trabalho que o professor havia passado e não tentou mais conversar comigo.

- Você mora aqui há muito tempo? – Perguntei tentando parecer simpática. Obviamente ele não morava aqui desde sempre. Até porque quando Andrew o seqüestrou, ele morava em Los Angeles. E agora estávamos em Seattle.

- Quase minha vida toda – Ele respondeu com um sorriso.

- Quase? – Perguntei, como se eu não soubesse -.- De qualquer jeito, esse negócio de conviver com humanos, é quase como uma peça de teatro. Tudo que eu faço é interpretar um personagem.

- Bom, quando eu era pequeno eu fui seqüestrado. Eu era bem pequeno mesmo, e não me lembro de nada. Mas quando aconteceu, eu morava em Los Angeles. Pelo que eu sei, minha mãe ficou muito assustada depois que uma garota me deixou em casa e depois desapareceu. Mas não pela garota, pelo seqüestro todo. Ela ficava dizendo: Se não fosse aquela menina, talvez hoje você não estivesse vivo

“Se não fosse aquela menina, talvez hoje você tivesse imortalidade” Pensei por um segundo. Agora já não me restavam dúvidas. era... Aquele , o que eu salvei das mãos de Andrew.

---


- Seqüestrado? Caramba

- É, mas eu nem me lembro de nada. Se o cara que me seqüestrou aparecesse aqui pra me dar aula, ou a guria que me salvou, estivesse sentada ao meu lado, eu não a reconheceria.

Não reconheceria mesmo. E não precisa se preocupar com Andrew, eu já o matei. Mencionei que ele era meu marido? Claro, antes de eu quase dilacerar o pescoço dele, enfiar uma estaca no peito dele para imobilizá-lo, e por fim queimá-lo para ele nunca mais sair por aí seqüestrando crianças como você. Obviamente eu não falaria nada disso, a não ser que eu quisesse acabar com as minhas chances de ser normal como humana.

A conversa se limitou ao dever, o que era muito melhor. Como eu já tinha um controle maior do que de quando eu mordi Andrew, me perguntava se algo muito ruim aconteceria se se cortasse comigo por perto. Descartei essa possibilidade, não queria pensar nisso. Eu até podia ter controle suficiente para estar perto de um humano cortado, mas talvez eu não estivesse pronta para sentir o cheiro do , tão forte assim.

Peguei meu carro – do qual me arrependi de ter vindo, uma vez que todos os outros tinham carros muito simples comparados com meu porsche prateado – E fui para casa. Minha casa não ficava perto da casa de ninguém. Era melhor assim, afinal não é sempre que se mora ao lado de vampiras. Na verdade, qualquer um que entrasse naquela casa, nos julgaria como pessoas normais. Isso até acharem a geladeira escondida, com sangue dentro.

Essa história toda deve estar confusa. Mas é simples: Nós não dormimos em caixões, na verdade nem sono sentimos, e isso não nos deixa com olheiras. Poderíamos até comer comida de humanos, mas não sentiríamos gosto de nada, seria como colocar uma pedra pra dentro do estomago, a sensação é horrível. Eu e Sam, não nos alimentamos de humanos. Caçamos apenas animais que estão em abundância, e em lugares distantes, onde ninguém vive. E ainda assim, temos uma geladeira com sangue – comprado em bancos sangüíneos – para quando não estivermos com muita fome, ou sem vontade de caçar. A história toda da cruz e do alho é mito. Pra falar a verdade, Sam e eu antes de nos tornarmos imortais, acreditávamos – e ainda acreditamos – em Deus. Então a cruz nunca nos deu medo, e não é algo que nos faça correr. Eu diria que pizza com alho é a minha preferida, se eu comesse, mas alho não nos afeta de forma alguma. E quanto ao sol, não existe tanto problema. Posso sair no sol sem me queimar, ou virar cinzas. O único problema é ficar muito tempo, no sol muito quente. Aí, eu começo a passar mal, o que não é bom, porque o único jeito de eu voltar ao normal é com sangue.

---


- Como foi o primeiro dia de aula? – Samantha disse quando me ouviu abrir a porta. Ela estava na frente da TV, morrendo de tédio eu acho

- Torturante – Falei com uma careta. Me sentei do lado dela

- AAH, não deve ter sido tão ruim – Ela disse se levantando – Deve ter sido por que você nunca mais tinha sentido aquela sensação estúpida de adolescentes, aquele frio na barriga, a sensação de estar completamente deslocada, e depois a vontade de sumir. Ah, coitados dos humanos, só podem sentir isso uma vez – Ela disse com uma voz sonhadora. Samantha sentia saudade das sensações humanas, e sempre fantasiava.

Ela andou – se algum humano visse, julgaria o movimento como a coisa mais linda do mundo. O movimento mais leve e perfeito, que eles jamais conseguiriam fazer – Pela casa, colocando cada simples objeto em perfeição no lugar.

- Ah, pode ter certeza de que eu me senti deslocada – Eu disse me deitando no sofá – Só que... Você se lembra do Andrew certo?

Sam fez uma careta de desgosto. Eu havia contado sobre Andrew para ela, e ela simplesmente passou a odiá-lo. Ela não entendia como alguém, por mais frio que fosse, tivesse falta de compaixão o bastante para querer transformar uma criança.

- O que tem o monstro? Vai dizer que ele renasceu das cinzas e quer se vingar? – Ela disse realmente desejando isso. Somente para que ela pudesse arrancar a cabeça dele fora com as próprias mãos.

- Ei Sam, quem tem que odiar ele aqui, sou eu – Eu a lembrei – Bom, a criança que ele seqüestrou, está morando aqui, e estudando comigo

- O QUE? – Ela disse levantando o tom de voz, não que isso fosse necessário, o mais baixo dos sussurros e eu entenderia claramente – Você tem que estar mentindo

- Você saberia se eu estivesse – Lembrei a ela. Sam de algum jeito sabia quando ela não ouvia a verdade. Ela não considerava isso como um dom, mesmo que muitos vampiros tenham capacidades extras – pelo fato de que ela não tinha isso com perfeição. Se ela praticasse, se concentrasse ela poderia saber perfeitamente. Mas Sam achava isso tudo perda de tempo

- Você pode voltar tudo... Não pode? Mudar seu horário, você pode evitar isso – Sam disse esperando pela minha negação.

- Sam, você sabe os riscos – Lembrei a ela

- Eu sinceramente não entendo. Você tem um dom garota – Ela me olhou com uma expressão de quem sabia o que escutaria. Ela já havia deixado clara sua opinião sobre o dom dela, que ela não considerava – Qual o sentido de poder controlar o tempo, se você não faz uso disso?

Minha vontade era de congelar o tempo – coisa que eu era capaz de fazer – e deixar Sam lá até o dia seguinte. Mas isso só daria razão a ela, e era desnecessário

- Eu não treinei voltar e acelerar o tempo. É muito arriscado, pode afetar muita coisa se eu fizer alguma coisa de errado, por menor que seja. Se eu perder o controle perto dele, eu congelo tudo até eu me recompor. Não vai ser um problema. E você também tem um dom, que não admite

- Não é aperfeiçoado, Encare isso como uma intuição – Ela repetiu as mesmas palavras de sempre.

Samantha não sentia só quando alguém mentia. Ela tinha alguma coisa com as sensações. Era inútil eu disfarçar minhas emoções na expressão com ela, porque ela sentia. Como se cada coisa que eu sentisse, ficasse visível no meu rosto. Sam podia sentir muita coisa, era muito intuitiva, e ela simplesmente não aceitava.

- E pode parar de pensar em congelar tudo – Ela disse – Você sabe que você nem sempre consegue fazer isso comigo

- Se eu me concentrar o bastante, eu te congelo

- Coisa que você não faz – Ela sorriu. Eu tinha dificuldades em congelar vampiros. Na verdade, eu tinha dificuldade com todo esse controle do tempo. Eu não praticava, e nem pretendia. Eu nunca me metia em batalhas e não precisava muito do meu dom para sobreviver, era como um acessório.

---


A semana seguinte na escola foi entediante e chata. Tentei ao máximo não me aproximar de , mas ele sempre tinha um jeito de conversar comigo, e eu sentia como se quisesse conversar com ele. Eu sabia que era tudo pelo desafio de agüentar ficar perto dele sem atacar, Samantha me mataria se soubesse que eu só me arriscava, porque de tão competitiva que eu era, me divertia com isso.

Eu ainda me sentava todos os dias com Peter, e ele não parecia mais ter segundas intenções. Isso me fez ficar aliviada, e mais confortável. Se pelo menos Sam estivesse aqui para sentir alguma coisa... Mas ela não aparenta ter idade para o ensino médio.

- – Peter me chamou no corredor da escola – Você já tem um par para o baile certo?

- Na verdade, não – Eu o encarei confusa – Que baile?

- Ah, você não deve ter ouvido falar – Ele disse. Talvez, esses dias os humanos tem pensado muito em vestidos, garotos e dança. Mas nunca prestei atenção o bastante para ouvir que era sobre algum baile

- Acho que não – Eu sorri

- Bom, é só que... – Ele começou a falar. Ah não, ele não pode me convidar – Bom, como eu vou te falar isso?

Eu o encarei sem falar nada, pensando em uma resposta que não fosse magoar ele. Ele ia falar de novo, e o corredor estava cheio de gente conversando, eu não ia conseguir. Respirei fundo, fechei os olhos por um segundo, e quando abri eu tinha conseguido. Eu havia congelado todo aquele corredor. Pensei na resposta mais razoável possível, tomando cuidado para não sair do lugar, ou mudar minha expressão. Quando ia descongelar todo mundo, eu percebi que nem todos estavam congelados.

“merda” eu pensei encarando o garoto por um segundo. Descongelei todo o corredor e me concentrei na conversa com Peter. Depois eu pensava no que eu faria com o .

---


- Olha Peter, eu realmente preciso sair daqui, eu acho que vou... Ah, eu não estou bem – Me apoiei na parede, fingindo estar passando mal.

- O que você tem? – Ele ergueu a mão para me segurar, mas eu dei um passo para trás. Não seria muito agradável para ele tocar minha pele

- Peter, eu vou para a enfermaria. Vai pra aula, eu me viro sozinha

- Hey Peter – chegou perto. Isso não pode ficar pior, pode? – Você tem história agora certo? É melhor você ir para aula, eu sei que você não ta bem nessa matéria. Eu levo a pra enfermaria – sorriu. Eu podia simplesmente congelar tudo, e dar uma pancada na cabeça do , ele acharia que estava louco. Ou... Eu poderia voltar o tempo. Não, é muito arriscado, melhor eu não tentar.

Peter olhou cauteloso para mim. Eu disse que estava tudo bem, e ele foi para a aula. e eu andamos pelo corredor, na direção da enfermaria

- Então – Ele começou a falar – O que aconteceu?

- Do que você está falando? – Perguntei. Se fosse qualquer outro humano, ele calaria a boca e acharia que estava perdendo a noção. Mas , ele era um pouco mais esperto.

- O corredor estava congelado, eu e você éramos os únicos nos movendo. Eu não fiz aquilo, obviamente foi você. E não tente falar que eu estou doido, as pessoas simplesmente não ficam por quase um minuto paralisadas. E elas também não voltam a se mover normalmente, logo depois que você me viu.

- Você não vai querer saber como eu fiz aquilo – Eu falei sem tentar mentir para ele

- Eu realmente quero – Ele falou tranqüilo. Foi quando eu percebi que ele havia me levado para as escadas. Obviamente ele também sabia que eu não estava passando mal

- Você vai ficar assustado, me chamar de aberração e vai querer a maior distância de mim possível

- Qual é a pior coisa que você pode ser? Uma bruxa? Você faz feitiços? – Ele disse em um tom irônico, mesmo que ele ainda considerasse essa idéia

- Não é isso – Eu disse seca

- Mas tem algo haver – Ele disse

- Talvez – Eu falei me levantando

- Ah , para com isso. Eu não vou ficar assustado, eu não vou parar de falar com você. Eu não sou tão imaturo.

- , cala a boca – Eu falei me segurando ao máximo para não virar e mostrar a ele os meus caninos

---


- Uma hora, você vai me contar sobre isso – Ele sorriu e veio para o meu lado – A propósito, você quer ir ao baile comigo? – Eu estava chocada. Ele me viu congelar o corredor, e mesmo assim, estava a menos de um metro de mim, e me chamando para ir ao baile?!

Eu não respondi. Continuei andando e considerando o quão estúpido ele podia ser.

- Eu pedi pro Peter te perguntar se você já tinha par, acho que ele não perguntou, ele não deve ter tido tempo, depois que você o congelou – Ele disse como se isso fosse normal – Mas eu realmente preferia perguntar eu mesmo, não sei por que não perguntei. De qualquer jeito, você viria ao baile comigo?

- Porque você está pedindo para mim? – Perguntei sem acreditar

- Você é diferente. Quer dizer, agora eu sei que você é mesmo diferente. Eu gosto disso – Ele deu aquele sorriso que me trazia as piores memórias possíveis.

- Você não deveria gostar de mim sabe

- Eu sei que isso vai ser meio clichê, mas eu sinto como se eu já te conhecesse – Ele disse dando os ombros. Talvez se perguntando por que ele estava me contando aquilo

- Talvez você conheça – Eu disse indiferente

- É, pelo visto tem muitas coisas sobre você que eu ainda vou ter que descobrir – Ele sorriu – Mas eu sei que você não me deixaria esperando por uma resposta certo? Você é boazinha demais para isso

- Ok , eu vou ao baile com você. Agora, eu realmente preciso ir

- Tudo bem, eu ainda tenho o resto do ano – Ele disse sorrindo. Corri para o ginásio deixando ele facilmente para trás. Tentei correr muito rápido para um humano, mas não a ponto de ser incrivelmente rápido.

---


“Ok, isso não pode ser tão ruim assim. sabe que eu sou... diferente do resto deles. E ele provavelmente não se importa com o que eu sou. Mas e se ele resolver abrir a boca? Quer dizer, eu teria que me mudar e isso seria muito suspeito. Mesmo se ele não falar nada, seria perigoso para ele. Muitos vampiros tem habilidades extras, alguns podem ler mentes. E se ouvissem que ele sabe? Poderiam matar ele para manter o segredo da nossa existência?”

Eu estava completamente absorta em meus pensamentos, e cheguei no ginásio em minutos. O Sr. Wine perguntou o motivo do meu atraso, e eu disse que estava na enfermaria.

- É melhor você ir sentar então, – Ele disse enquanto monitorava o jogo de vôlei

- Não, eu quero jogar – Eu disse com a maior animação possível, ele me analisou procurando algum sinal de que eu ainda estava mal. Mas como eu nunca estive doente de verdade...

- Tudo bem, pode ir então – Ele disse depois de sua longa análise. Entrei em um dos times, o time com os mais fraquinhos. Eu estava nervosa e esperava poder descontar tudo isso na bola de vôlei.

As primeiras jogadas foram observadas pelo Sr. Wine, que assistia boquiaberto. Eu não devia estar ultrapassando meus limites “humanos”. A força e rapidez que eu jogava, não eram incomuns, mas também não era algo que se via todos os dias. Eu precisava tomar mais cuidado com as minhas emoções

- Belo jogo, – O professor disse enquanto eu passava pelo lado dele. Eu sorri, e mesmo eu estando acabada pelo jogo, eu ouvi o coração dele acelerar. Isso não é pedofilia? Eu ri comigo mesma. Estava me acostumando com os olhares humanos e as mudanças de reação quando eu me aproximava. Eu não utilizava a beleza com o propósito para que eu a tinha. Vampiros só são incrivelmente bonitos desse jeito, para facilitar a caça. É mais fácil atrair o alimento –em geral, os humanos- e os matar depois. Só acho que os animais que eu caço não se sentem tão atraídos assim. Ri enquanto caminhava para o estacionamento. Novamente batimentos acelerados dos humanos.

Caminhei até o meu carro, que na minha primeira semana chamou muita atenção aqui, e encontrei Peter encostado no carro dele. Ele ma chamou e eu fui até ele.

- Acho que o já falou com você – Ele sorriu

- Falou – Eu disse controlando minha voz para parecer casual, tentativa falha

- Foi meio estranho, em um piscar de olhos tudo parecia meio diferente. Você reparou nisso? – Ele perguntou sem dar muita importância

- Na verdade não – Eu sorri de novo. Aquele sorriso que os humanos ficavam desnorteados. Eu gostava disso, era engraçado.

- Ah, deve ser coisa minha então. Tudo bem, te vejo segunda – Ele disse

- Até – Eu falei me virando e indo até o meu carro. estava entrando no carro dele e sorriu para mim. Minha vontade era de pular até ele e arrancar o pescoço dele fora, mesmo que eu nunca fosse fazer isso. Eu tinha um instinto que parecia me obrigar a proteger ele, desde que ele era pequeno. Eu sorri de volta. Não precisava que ele suspeitasse mais ainda de mim.

Estacionei meu carro na garagem, e a Mercedes da Samantha não estava lá. Ela ainda devia estar na faculdade.

Depois de um tempo pensando e comparando, eu percebi que nossos carros chamavam muita atenção, em relação aos outros carros pela cidade.

Até Samantha chegar, eu provavelmente morreria de tédio. Peguei meu violão e comecei a tocar notas aleatórias, pra passar o tempo.

- Eu realmente acho que você pode fazer melhor que isso – Sam disse entrando no meu quarto. Eu estava sentada na beira da cama –que não tinha utilidade- tocando

- Eu nem estou tocando de verdade – Falei mostrando a língua pra ela

Ela sentou do meu lado e encostou a cabeça no meu ombro

- Você está nervosa – Ela disse com mais certeza do que de costume

- Você não está fazendo uma suposição, está certa dos meus sentimentos. Andou praticando? – Perguntei tombando a cabeça na dela

- Na verdade não. Mas parece que quando eu toco as pessoas, eu sinto tudo com mais clareza

- Isso é legal, você devia mesmo treinar. E não, eu não estou nervosa – Falei no meu tom mais convincente possível. Qualquer um acreditaria

- E agora você está mentindo

Qualquer um menos a Samantha, acreditaria.

- Talvez eu esteja só um pouco – Falei suspirando

- E você quer me contar sobre isso – Ela adivinhou novamente. Eu me afastei dela, e ela sorriu. Ela realmente adivinhava as coisas melhor quando tocavam os outros, e eu não estava querendo ela falando cada emoção e vontade que eu tinha

- Ok, não vou mais adivinhar. É sobre o ?

- É – Suspirei de novo, lembrando. Eu contei tudo para ela.

- Isso realmente é um problema – Ela disse pensando.

---


- Eu sei que é

- Bom, você devia contar pra ele – Ela disse levantando

- Contar?! Quer dizer, tipo: E aí , eu sou uma vampira, ainda quer ir ao baile comigo?

- ELE TE CHAMOOU? – Samantha se animou – VOCÊ NÃO ME CONTOU ESSA PARTE. ISSO É TÃO LEGAL, VOCÊ VAI SE DIVERTIR TANTO. É QUE DIA? ISSO É MARAVILHOSO

- Sábado – Eu falei sem tanta animação. Eu não me lembrava da minha época de ensino médio quando eu era humana – Samantha, se alguém devia estar surtando, esse alguém sou eu

- AH EU SEI, DESCULPA – Ela disse se acalmando – Você sabe o quando eu gosto dessas coisas – Ela disse com os olhos brilhando

- Eu sei Sam, eu sei

- Espera, sábado? Sábado que vem certo?

- Não – Eu disse sem entender – Esse sábado

- MAS ESSE SÁBADO, ESSE SÁBADO VAI SER AMANHÃ. VOCÊ NÃO TEM VESTIDO, MEU DEUS.

- Oh – Foi tudo que eu consegui fazer sair da minha boca.

Samantha me arrastou para a Mercedes dela, e me levou até o centro da cidade. Obviamente ela insistiu em dirigir, porque ao contrário de mim, ela corria como uma louca.

Fomos em várias lojas, e ela me enfiou em vários vestidos. Vimos tudo que as outras meninas estavam vendo a semanas, em um dia.

- Você não vai ter tempo de ir ao salão – Ela disse pensando – Isso não é um problema, eu dou conta do seu cabelo e da maquiagem. O vai te buscar que horas? Que cor é a roupa dele? Ele pelo menos sabe seu endereço?

- Calma Sam – Eu disse segurando o ombro dela

- Oh – Ela deu um sorriso – Você está animada para ir ao baile

Tirei minha mão do ombro dela, e a encarei a fuzilando com meus olhos. Eu estava errada, eu realmente preferia quando Samantha não ligava para o dom dela, e só fazia suposições.

No momento exato em que chegamos em casa, meu celular tocou

- É o – Samantha sorriu

- Agora você é vidente também? Ou você pode sentir as coisas do outro lado da linha de telefone? – Perguntei com um tom cínico

- Nenhum dos dois. Mas ponto pela criatividade. Eu simplesmente sei que é ele, é tão óbvio – Ela sorriu de novo

Revirei os olhos e ela saiu do carro. Eu saí depois e fui andando para o meu quarto. Ela subiu as escadas também, e foi para a direção oposta, que era o quarto dela. Como se ela não fosse capaz de ouvir a conversa de lá

- Alô?

- ?

- Oi

- Er... É o

- Hey

- Então... eu acho que eu sou meio tapado. Sabe, eu andei meio desligado esses dias e não me toquei que o baile era amanhã. E eu já devia saber que você não é histérica como as outras meninas e também não se lembraria

Eu ri. Pelo menos ele lembrou sem que alguém precisasse falar, eu ri de novo

- Mas então – Ele continuou – Eu passo na sua casa as 8:00 pm ok?

Eu dei o endereço para ele. E nós combinamos todas essas coisas. Quando desliguei o telefone, Samantha praticamente voou para o meu quarto, de tão rápido que ela correu

- ISSO É TÃO EXCITANTE, ELE É UM FOFO. ISSO VAI SER DEMAIS

- Samantha – Eu a olhei com uma cara séria – Você precisa controlar seus surtos.

---


Passamos a madrugada desocupadas. Sam resolveu finalmente treinar seus poderes, coisa que não era tão legal agora – não se ela fosse ficar sentindo as coisas toda hora, e eu estava lendo e congelando o tempo como quem não tem mais o que fazer.

- SABE, EU REALMENTE IRIA GOSTAR SE O TEMPO NÃO FICASSE CONGELANDO DE CINCO EM CINCO MINUTOS – Sam gritou do andar de baixo. Não que ela precisasse gritar, eu ouviria o tom normal dela. Quando eu a perguntei o porquê dos gritos, ela disse que gostava de gritar, ela se sentia humana.

- Ah Sam, você vive falando pra eu praticar – Falei rindo, em um tom baixo

- Primeiro: eu disse pra você praticar avançar e voltar no tempo. E não ficar congelando, porque isso você já sabe muito bem. Você pode congelar só o seu quarto, então não tem pra que congelar a casa toda. Segundo: você podia treinar sozinha – Ela disse rindo, e não havia gritado dessa vez

- Eu não quero voltar no tempo, você lembra o que aconteceu da última vez

- Ah – Ela disse ainda no andar de baixo. Era estranho conversar com ela assim – Você não pode voltar à pré-história duas vezes, seria MUITA falta de atenção.

Eu ri lembrando do dia em que eu estava praticando. Eu havia voltado para a pré-história e avançado 500 anos.

- Sabe... Eu acho que vou treinar isso – Falei levantando. Corri para longe de casa, pensando se eu seria capaz de voltar no tempo e não viver o momento. Só observar, como... Um clone meu talvez.

Fiquei treinando até amanhecer. Eu estava indo bem, consegui controlar bem os anos, e até segundos que eu queria voltar. Fiz o mesmo avançando no tempo. Também tinha conseguido congelar só uma coisa –minha cobaia foi um esquilo- e consegui descongelar só a cabeça dele por exemplo. Eu podia ficar muito boa nisso se continuasse praticando

- Acho bom você estar em casa em 1 minuto, eu preciso te arrumar para o baile – Samantha disse em um tom um pouco alto, da nossa casa. Ela não sabia o quão longe eu estava, e provavelmente estava considerando gritar se eu não chegasse no tempo determinado

Quando eu cheguei, não reconheci a sala. Parecia um salão de beleza. Como ela era exagerada

- Vamos logo, a gente tem pouco tempo – Ela disse

- Ele só vem me buscar as 8:00 pm

- Exato, temos pouco tempo – Ela repetiu

- Samantha, são duas da tarde

- AAAANDA LOGO – Ela gritou. Eu revirei os olhos. Ela fez minha unha e a minha sobrancelha, e muitas outras coisas idiotas. Quando ela acabou, eram 5 horas.

- MINHA PARTE PREFERIIDA, CABELO E MAQUIAGEEM – Ela gritou com os olhos brilhando - Vai tomar banho e colocar seu vestido

Eu não tentei discutir. Fiz tudo que ela me pediu e desci até a sala

- MEU DEUS – Ela disse me olhando incrédula

- AAH, não vai dizer que eu botei o vestido com as costas para frente – Eu disse com uma cara de quem está sofrendo

- Você ta ma-ra-vi-lho-sa – Ela silabou

---


Samantha arrumou meu cabelo e fez minha maquiagem. Eu não parecia tão pálida, mas também não podia ser comparada aos humanos. Ela havia subido para pegar um colar e a campainha tocou

- Você nem se atreva a abrir a porta – Ela sussurrou. Eu suspirei, e pisquei. Quando abri os olhos ela estava colocando o colar em mim, e quando vi, ela estava abrindo a porta

- Finja que é normal – Ela sussurrou de novo. Me sentei no sofá com o maior cuidado do mundo para não estragar nenhum detalhe.

- Você deve ser o – Ouvi Samantha dizer em um tom amigável – Entra, ela ta na sala

a cumprimentou e veio falar comigo.

- , essa é minha irmã, Samantha – Eu sorri

- Er... Prazer – Ele disse um pouco abobado

- Vou esperar acordada por você , eu quero saber de tudo. Estou tão animada quanto vocês - Ela sorriu para mim, e disse algo como se fosse melhor não se preocupar, porque o baile podia demorar

- Ah , pode acreditar que ela vai me esperar acordada, demorando ou não - Isso era um fato. Nós duas rimos da nossa piada de vampiros.

Samantha sorriu e passou por mim ao ir para a cozinha - que também não tinha utilidade. Ela disse em um tom e velocidade que só eu entenderia: “Oh, ele está impressionado e se sentindo feio e desarrumado perto de nós duas. Ele é mesmo um doce”

Conversamos algumas coisas estúpidas no carro, e eu podia jurar que eu sentia o nervosismo dele. Não estava na expressão dele nem nada, eu simplesmente senti. Tipo essa coisa toda da Sam.

- Você ta nervoso? – Perguntei quando estávamos chegando

- Eu realmente não me lembro de como me comportar em um baile, eu geralmente apago as memórias ruins muito rápido. – Ele falou rindo

- Eu sinto como se meu último baile tivesse sido a mais cem anos atrás – E isso não era mentira. Dessa vez, eu senti um pouco de desconfiança disfarçada com humor. Meu Deus, esse negócio da Sam pega é?

- – Eu o chamei quando estávamos estacionando. Ele me olhou quando havia parado o carro – Sem suposições essa noite, por favor?

- Por essa noite, tudo bem – Ele sorriu e abriu a porta para mim.

---


Então aqui estávamos, enfiados em roupas elegantes, com os braços dados, andando em direção a porta da escola. Isso provavelmente seria torturante.

- A propósito – Ele disse enquanto andávamos para a entrada – Você ta linda hoje

- Você também – Ele corou, e eu tive a mesma ação (n.a: leiam a n.a. que eu fiz no final sobre essa parte :D)

- Ela veio mesmo – Ouvi alguém do outro lado do salão cochichar.

- Ela aceitou vir com o ? – Outra pessoa um pouco mais perto, mas não perto o bastante para ele ouvir, disse.

- Lógico que veio, ele foi o único com coragem – Ouvi outro provavelmente em resposta a pergunta feita há pouco tempo – Quer dizer, todos queriam chamar ela, mas ela só é vista aqui com o Peter, e ele viria com a Michelle. Então todos acharam que ela não viria. Seria uma pena, mas agora eu me arrependo de não ter chamado ela antes

- Como se ela fosse aceitar ir com você. Você é um porco desarrumado em comparação a ela

A conversa desses dois meninos que eu não conseguia achar entre os murmúrios sobre a minha vinda, continuou. Mas eu decidi não prestar atenção em ninguém hoje

- – Eu o chamei enquanto ainda estávamos parados na porta do baile – Você pode, por favor, ficar calmo? Seu nervosismo está me afetando sabe? – Eu disse, me lembrando de matar a Sam quando eu chegasse em casa. Porque eu estava sentindo as coisas? Isso é insuportável.

- Desculpa – Ele sorriu envergonhado – Mas você deve ter percebido que estão todos falando sobre nós dois agora. E eu não gosto de ser o centro das atenções, eu vou cair no chão ou coisa parecida, quer apostar?

- Eu prefiro que não – Eu sorri – Vamos, não deve ser tão ruim – Falei o puxando para o meio das pessoas

- Você não ta me levando pra da-dançar? Certo? – Ele disse com o nervosismo aumentando

- Estou sim – Eu falei rindo pra ele – Quer fazer um acordo?

- Depende

- Se você controlar seu nervosismo, e dançar comigo esta noite, eu respondo a qualquer pergunta que você quiser. Mas só uma – Eu falei já sentindo ele se acalmar. Caramba, esse menino vai ser difícil

- Combinado – Ele sorriu – Mas você não tem como saber se eu estou disfarçando meu nervoso, isso não é justo

- , você é uma das pessoas com as expressões mais claras que eu já vi. Eu vou saber – Eu menti. Ele era difícil de entender, era tudo por causa desse negócio da Sam, que me afetou hoje. Será que ela ta congelando a casa agora? Isso é possível? Uma... Troca?

Ele pareceu se incomodar com o fato de eu saber o que ele estava sentindo, o que me fez rir

- Você sempre ri do nada, quais são as piadas? – Ele perguntou enquanto dançávamos

- Você não vai querer ouvir, nem vai entender

- Eu faço questão – Ele falou. Ele era muito insistente, mas eu não falaria pra ele que por acaso eu estou com o poder da minha irmã, e que eu não tenho a menor idéia de como isso aconteceu.

- Ok então – Eu ri de novo – Taylor Wine, está te encarando desde que você chegou, e está falando para aquela amiga dela, que quer me matar porque você me chamou para o baile ao invés dela, e ela teve que aceitar o convite de Chris Stewart. – Isso realmente era verdade, e eu iria rir por esse fato, se não estivesse tão confusa com os meus poderes

- Taylor? A filha do Sr. Wine? Aquela líder de torcida loira, magrela e superficial?

- Exatamente – Falei rindo

- Isso é realmente uma ótima piada – Ele sorriu

- É, mas ela realmente disse aquilo, só pra deixar claro. Taylor Wine tem uma queda por você

- Eu acho que essa não é uma das melhores coisas que você já me disse – Ele riu de novo – Vamos sentar? Por favorzinho? Você já teve sua dança com o profissional aqui

- Ah, belo profissional você, tem dois pés esquerdos – Falei rindo e me lembrando que humanos não tem a mesma energia que eu – Vamos sentar então

---


Nós sentamos na arquibancada e conversamos coisas idiotas por um bom tempo. O cheiro dele não me chamou atenção. Acho que alguma coisa em mim me faz proteger ele. E isso é mais forte que o sangue dele. Eu posso me controlar, mas não sei se o resto dos vampiros pode ser assim, o cheiro dele é raro. O baile estava um tédio e fomos para fora da escola

- Então – Ele começou a dizer – Eu já posso fazer minha pergunta?

- Você prometeu que não teria suposições por essa noite – Eu o lembrei

- De fato, mas já é madrugada. Já é domingo. Então eu já posso perguntar. E de qualquer jeito, você me deve uma resposta, eu não fiquei nervoso e dancei. Lembra?

- , por favor – Eu pedi – Você não vai querer estragar sua noite

- Minha noite só vai ser estragada, se eu for dormir mais uma noite pensando em você e no que você é

- No que eu sou? – Perguntei. Meu tom pareceu ofendido, mas eu não estava. Estava surpresa

- Eu sei que você não é... Humana eu acho. Não encontro a palavra certa – Ele disse sentando embaixo de uma árvore. Me sentei do lado dele e respirei fundo. O cheiro do seu sangue veio direto com o vento. Me atraiu um pouco, mas não me fez perder o controle

- Bom, eu não sou humana. Sua pergunta está respondida? – Falei sentindo o nervoso dele ir embora completamente. Agora ele sentia... Ansiedade? Eu não sei. Se eu pudesse tocar ele... Mas aí, seria só mais uma teoria para a minha pele fria.

- Eu nunca te pedi pra você responder isso – Ele disse me olhando. Ele estendeu a mão para pegar a minha. Eu estava me concentrando tanto em não querer o sangue dele, que me distrai. Tirei minha mão, e mesmo assim não pude evitar que minha pele tocasse a dele rapidamente. O rosto dele ficou paralisado

- Você ta com frio? – Ele perguntou

- Na verdade – Eu iria dizer que não. Mas eu não quero que ele saiba o que eu sou, nunca - Estou com um pouco de frio

Ele tirou o smoking e me deu. Eu vesti, sentindo novamente o cheiro dele

- Você tem que prometer que vai me responder – Ele pediu

- Não – Eu disse séria

- O que exatamente você é?

---


Eu não parecia ter opção. Voltaria no tempo até aquele momento estúpido em que fiz o acordo com ele e acabaria com isso. Mas eu acho que meus poderes realmente estavam trocados. E se eu tentasse e falhasse? Ele perceberia o que eu estava tentando, e não me deixaria em paz

- Ok, a pergunta que você tem que responder pelo acordo, é sobre o que você é. Mas, as que eu vou te fazer agora, você pode não responder, mas eu vou insistir

Olhei nos olhos dele. Ele estava decidido a fazer isso

- Você é a... Eu sei que o termo é idiota, mas é o único que eu achei agora. Você é vilã?

- Eu poderia ser

- Mas não é – Ele continuou

- Depende do seu ponto de vista

- Você é tão difícil quanto eu – Ele sorriu – Vou colocar assim... Você tem alguma chance de me por em perigo?

- Não eu

- Mas os outros da sua... Espécie tem certo?

- Sim

- E porque você não tem chance de me machucar, ou me botar em perigo?

- Porque ao contrário deles, eu tenho alguma coisa que me faz te proteger - desde que você foi seqüestrado pelo meu ex marido. Mas ele não precisava ouvir o resto

- O que mais você pode fazer... Além de congelar corredores?

- No geral, controlo o tempo

- Mas não é só isso – Ele continuou

- Meus sentidos são milhões de vezes mais aguçados que os seus. Chega

- Então agora a pergunta principal... O que você é?

Levantei, olhei nos olhos dele, e senti que ele iria esperar a resposta mesmo que não a desse hoje. Comecei a andar e quando ouvi vindo atrás de mim, corri para trás de uma árvore. Olhei para minhas mãos e eu estava... Invisível. Saí de trás de árvore e fiquei de frente para ele. O olhar dele continuou vagando pelas árvores. Eu estava mesmo invisível. O que diabos tinha acontecido comigo?

Corri para casa continuando transparente



---


- Samantha Anne Madden – Eu gritei assim que entrei em casa

- Ah não, me chamou pelo nome todo e ainda gritou? Mas eu não fiz nada de errado – Ela disse enquanto corria com velocidade para a porta da sala

- O QUE ACONTECEU COM OS MEUS PODERES? – Explodi assim que vi o vulto dela se aproximando. E eu não estava mais transparente

- Como assim? Porque você ta irritada? Caramba, depois que eu treinei eu to sentindo muito mais forte, como se eu estivesse irritada. E PORQUE VOCÊ TAVA TRANSPARENTE?

- COMO ASSIM? VOCÊ AINDA TA SENTINDO AS COISAS? E EU QUE TE PERGUNTOU PORQUE EU ESTAVA TRANSPARENTE

- Ok. Muita calma agora – Ela disse sentando para pensar – Você deve ter um poder novo. Invisibilidade. E o que você quis dizer? Lógico que eu ainda sinto as coisas, nunca deixei de sentir

Tentei congelar o tempo, e consegui. Tentei voltar 5 minutos, olhei no relógio e tinha conseguido. Avancei o tempo exatamente para o momento em que o havia congelado, e descongelei

- Porque você me congelou? – Ela perguntou confusa. Ela sempre se sentia sem noção do tempo quando ela era congelada, pelo menor tempo que fosse

- Foram só alguns minutos. Eu não entendo isso

- O que? Você sempre foi capaz de controlar o tempo, mas agora... Tem invisibilidade também

- Não Sam, você não ta me entendendo. Você ainda ta sentindo as coisas, e eu ainda posso congelar. O que significa que a minha teoria estava errada. Quer dizer, a gente nunca trocou de poderes. E de qualquer jeito, eu havia pensado na teoria antes de ficar invisível.

- Nós nunca trocamos de poder. Isso não é possível eu acho. Mas espera... você estava... sentindo?

- Como se o seu poder, fosse meu

- Entendi, mas isso não faz sentido – Ela disse pensando – Talvez você... – Ela começou a falar, e saiu voando para o andar de cima.

- Talvez eu o que Sam? – Perguntei seguindo ela

- Você se lembra daqueles gêmeos? Keira e Steve?

- Sim, o que têm eles?

- Ambos tinham poderes certo? – Ela continuou falando

- Eu sei... A Keira podia voar e Steve... Podia ficar invisível - Falei ainda não entendo como tudo isso se ligava.

- Certo. Qual foi a última vez que você falou com Steve?

- Foi... A mais de um ano eu acho. Não tem sentido

- Talvez eu esteja certa. Quer dizer, é estranho. Eu preciso dos gêmeos aqui. Principalmente da Keira. Você pode ligar pra eles e os chamar o mais rápido possível? – Sam disse agora levantando, e indo até a estante de livros. Ela não achou o que procurava e foi para o quarto dela. Ela começou a tocar uma melodia na flauta dela (Ultra QQQQ) e eu a deixei lá com suas suposições que eu não era capaz de acompanhar.

---


- Tem alguma chance de você me contar o que tá acontecendo? - Perguntei parando na porta do quarto dela.

- Você vai descobrir

- Eu espero. Os gêmeos estão por perto, eles devem chegar logo - Avisei e fui para o meu quarto

Esse tal novo poder, devia ser muito bom. Afinal, fez a Sam esquecer totalmente do baile, mesmo me vendo dentro do meu vestido.

Tomei um banho. Provavelmente foi o mais demorado da minha existência e deitei em minha cama, que era só mais um objeto sem ultilidade na casa, e desejei ser capaz de dormir.

Pensei em tudo. Desde de as vagas lembranças que tenho da minha vida humana, até minha transformação e até o dia de hoje. Isso ocupou muito mais tempo do que eu imaginei.

- Eles estão chegando - Falei em sincronia com a Sam

- Posso sentir a curiosidade deles - Ela disse me encontrando no topo das escadas

- Era o que eu ia dizer - Disparei para a porta e a abri antes mesmo que eles tivessem a chance de bater

- Steve, Keira - Sorri para eles os convidando a entrar

- , faz bastante tempo não? - Steve disse com sua voz e sorrisos perfeitos.

- Então querida, o que é que Sam está aprontando agora? - Keira disse passando os dedos pelo cabelo ruivo e liso

- Eu sei tanto quanto vocês sobre isso. Ela me falou um monte de besteira junta, e eu não entendi nem um pedaço - Admiti ouvindo Sam parar atrás de mim

- Vocês já vão entender. É muito simples, eu só preciso que a Keira voe por alguns segundos. Você se importa? - Sam sorriu para ela e assistiu ela ficar na ponta dos pés, e depois levitar.

- Tudo bem, é tudo o que eu preciso - Sam sorriu depois de ver Keira no ar por 10 segundos - Então, eu soube que vocês estavam na França certo?

Eu e os gêmeos trocamos olhares confusos e vimos Sam sorrir sem se importar. Eles assentiram e a seguiram para a sala, onde contaram com mais detalhes sobre a viajem.

- Sam, eu não estou entendendo o que você pretende, e não estou achando que eu vá entender. Foi muito bom revê-los, espero que fiquem por um tempo - Sorri para os gêmeos e fui até a escada.

Levantei meu pé esquerdo para subir o primeiro degrau, mas meu pé direito não tocava mais o chão. Olhei para baixo e eu estava suspensa no ar, levitando.

- SAMANTHA, EU ACHO BOM VOCÊ TER UMA ÓTIMA RAZÃO PRO FATO DE EU ESTAR FLUTUANDO NESSE EXATO MOMENTO

Ao contrário dos gêmeos, Samantha não ficou surpresa. Ela deu um sorriso vitorioso enquanto me puxava para o chão

- Eu estava certa - Ela disse fazendo pequenos movimentos que mais pareciam uma dança

- Meu Deus - Steve silabou - Ela é uma... copiadora?

- Você me chamou de que, Steve?! - Perguntei me irritando

- Calma - Keira riu - Não foi um insulto. É o contrário. Digo... eu posso explicar isso

- Isso? - Perguntei confusa

- Tudo o que está acontecendo - Samantha disse - Sobre seu poder.

---


- A minha cabeça ta doendo - reclamei sentando no sofá para ouvir as explicações sobre o que eu sou

- Calma, para de pensar nos poderes - Samantha falou. Eu senti a preocupação de todos. Levei a mão até os olhos pra fazer a luz sair do caminho

- AH QUE ÓTIMO, AGORA EU TO INVISÍVEL DE NOVO - Levantei irritada, e flutuei - E AINDA TO FLUTUANDO, E PRA COMPLETAR: SENTINDO A PREOCUPAÇÃO DE VOCÊS. ISSO É REALMENTE ÓTIMO

Samantha me segurou e me botou no sofá de novo

- Exatamente por isso que você tem que parar de pensar nos poderes. Principalmente o seu e o da Keira. Não queremos você congelando tudo, ou voando descontrolada - Steve falou

- Porque isso ta acontecendo? - Perguntei

- Sobrecarga de poderes. Você está com 3 pessoas que possuem poderes, e você também tem dois. 4 poderes presentes nessa sala você já conhece bem: controle de tempo,levitação, invisibilidade, e empatia (Empatia é o poder da Sam, de sentir as coisas, sounerds. Mentira, a Phoebe do Charmed, era empata Q)

- Sim, e daí? - Continuei impaciente

- E daí que tem 5 poderes aqui - Samantha falou - Além desses 4, tem seu novo poder. Eu não sei como podemos chamar isso. Mas funciona assim: a partir do momento em que você fica perto de alguém com um poder, você copia esse poder e ele fica em você. É por isso que você sente as coisas, mas nunca tirou meu poder de mim para isso

- Steve não usou o poder dele, e antes de ele aparecer eu ja havia ficado transparente

- Seu poder só apareceu agora - Steve começou a explicar - Mas pelo visto, você inconsciente disso, ja estava o preparando. Os vampiros com poderes que conviveram com você nesse último ano, devem ter tido os poderes copiados, mesmo antes de você descobrir que era capaz disso.

- Agora no começo vai ser difícil, considerando que você ja tem poderes demais armazenados. Você vai precisar se concentrar para não sair por aí voando

- Isso é realmente uma maravilha - Falei sarcásticamente, e me concentrei para ficar de pé. Ótimo, não levitei. Nem fiquei transparente. E estou tentando não sentir as coisas.

Fui até a escada, levantei o pé e levitei

- AH NÃO, DE NOVO, NÃO - Protestei. Mas consegui voltar ao chão sozinha - Eu juro que me mato se eu ficar por mais de uma semana sem conseguir subir as escadas

- Isso só vai depender de você, maninha querida - Samantha riu e voltou a falar com os gêmeos. Todos sem tirar os olhos das minhas tentativas de subir os degrais (EU TINHA QUE ESCREVER DEGRAIS, NÃO RESISTI) degraus sem voar.

---


- Ah qual é , sai desse banheiro. Você prometeu me falar – batia na porta do banheiro feminino da escola, no qual eu havia entrado pra fugir dele e das perguntas idiotas.

- , por favor, eu estou de TPM – Menti tentando me livrar dele

- Aposto que – Ele baixou o tom de voz - O seu tipo nem tem mais TPM

- Talvez tenha – Insisti

- De qualquer jeito, isso não te impede de falar – disse. Eu ouvi ele chegando o rosto perto da porta do banheiro, como se fosse para me escutar melhor. Eu abri a porta com força, que bateu no nariz dele.

Dois erros: Parte minha queria morrer por ter o machucado, essa parte era aquele meu lado estúpido que o protegia. E o outro erro, eu usei mais força que o necessário para afastá-lo sem o machucar, e fiz o nariz dele sangrar.

- SEU IDIOTA – Gritei saindo do banheiro e tapando o nariz. Sem respirar, mas ainda sentindo o aroma do sangue dele

- VOCÊ QUASE QUEBRA MEU NARIZ E EU SOU O IDIOTA? – Ele disse com tapando o nariz com a mão

- INCLINA A CABEÇA PRA CIMA, E VAI PRA ENFERMARIA. AGORA – Praticamente o empurrei para a direção da enfermaria e saí correndo na direção oposta

( narrando)

Eu não estou nem um pouco irritado com o fato dela ter quase quebrado meu nariz. Eu nunca ficaria irritado com ela. Ela poderia me atropelar que eu acharia legal. Se bem que, qualquer um aqui daria tudo pra ser atropelado por aquele porshe. Pelo menos uma coisa eu sei, ela é sensível a sangue. Ou ela só tem nojo do meu cheiro, porque a reação dela quando viu meu nariz... Ela quase não respirava, eu podia ver a força na mão dela pressionada contra o nariz.

- MEU DEUS . O QUE TE ACONTECEU AGORA? – A Sra. Goldwen (n.a: eu não sei de onde tirei isso –Q) disse olhando pra todo o sangue espalhado na minha camisa

- Ahn, eu meio que, bati meu nariz na porta do banheiro feminino

- Eu até te perguntaria o que você pretendia no banheiro feminino, mas eu tenho que ver esse seu machucado.

Ela limpou todo o sangue, e nessa hora doeu muito

- Meu deus – Ela disse olhando incrédula

- O que foi?

- Como você não está chorando ou tendo ataques? Você quebrou o nariz, a pancada deve ser sido incrivelmente forte. – Ela disse impressionada. Bom, imagino que a pancada não foi incrivelmente forte, e sim quem a causou.

- Ah, não quebrei nada. Estou ótimo – Falei apesar da dor

- Você não vai precisar ir a um hospital, eu posso cuidar disso aqui. Assim que eu terminar te mando para casa

- NÃO – Eu gritei só depois percebendo a alteração no meu tom de voz – quer dizer, por favor, não. Eu tenho uma prova muito importante amanhã, não posso perder a última aula de hoje, vai ser uma revisão. Eu não estou nada bem em química. – Menti. Eu estava ótimo em química.

- Não sei se é uma boa idéia – Ela hesitou colocando curativos no meu nariz – E não acho que você vá querer sair na escola assim – Ela pegou um pequeno espelho no bolso e mostrou meu nariz. Eu estava ridículo. E pouco me importava. Aposto que ela não ligaria, e a opinião dela, era tudo que contava.

- Por favor? – falei com meus olhinhos brilhantes – E de qualquer forma, se você me der a autorização eu não vou usar. Eu vou ficar na escola, então é melhor não gastar papel – Eu sorri

- Ah , você não tem jeito – Ela disse – Só fique mais alguns minutos, pra eu não me sentir culpada

- Tudo bem Sra. Goldwen, só um pouco

---


Então eu levantei e saí de fininho enquanto ela guardava as coisas que ela usou e jogava as bolas de algodão cheias de sangue no lixo.

- Sabe ... – Ouvi a Sra. Goldwen começar a falar, e saí disparado no corredor. Assim que cheguei ao meu armário, o sinal tocou. O próximo horário era química, e eu era parceiro dela. Peguei meus livros e fui para a sala. Eu sabia que ela já estaria lá

- O que aconteceu com você garoto? – O professor do nome estranho (criatividade pra nome ta a mil aqui :*) perguntou olhando meu nariz.

- Bati o nariz na porta – Falei e senti ao lado da

( narrando)

O QUE ESSE GAROTO TEM NA CABEÇA? EU QUEBREI O NARIZ DELE E ELE SIMPLESMENTE VOLTA PRA AULA?

Não agüentei, congelei o tempo para respirar e não sair gritando

- Você fez de novo – A voz dele me surpreendeu. Acompanhei o olhar dele, que vagava pela sala paralisada, menos ele

- Porque você não está congelado? – Soltei a pergunta entre os dentes, fechando os punhos com força para não ter um ataque. A minha unha provavelmente deixaria uma marca na minha mão.

- Eu... Não sei – Ele disse confuso – Mas isso é demais, por quando tempo consegue deixar eles assim?

- Muito – Falei seca

- Então eu acho que você já pode responder minha pergunta

- , agora não

- Você é o que? Uma vampira? – Ele perguntou com um tom de piada – Porque a sua reação ao ver sangue... – Ele ia continuar, até que seu olhar me encontrou. Ele viu meu rosto paralisado, meus lábios um contra o outro com força e minhas mãos se apertando mais

- Ca-r-alho – Ele silabou – você é uma vampira - Ele falou. Olhei para ele. Ele estava surpreso, e depois deu um sorriso enorme. Continuei muda

- MEU DEUS, ISSO É DEMAIS – Ele gritou animado

- cala a boca – Eu falei séria. Ele ia continuar falando. Eu o fuzilei com o olhar – Eu vou descongelar tudo. Só congelei essa sala, eles vão se sentir desnorteados se ficarem muito tempo assim e vão desconfiar de alguma coisa.

Eu o coloquei exatamente na mesma posição que ele estava quando eu parei o tempo e voltei para a minha

- Não se mova – Falei rápido e descongelei

- Porque esse seu negócio não funciona comigo afinal? – Ele perguntou baixo

- Não sei. Eu ainda posso sentir tudo que você sente. Então você não é imune a todas essas coisas. Mas eu me concentrei muito, você devia ter congelado. Um vampiro congelaria

- Vampiro – Ele repetiu, com certa admiração na voz. Eu quase o soquei bem no nariz para quebrar de verdade

- Depois , depois – Falei e prestei atenção na matéria que não seria útil para mim nem em um milhão de anos. Piada de vampiros, eu sei, preciso parar com isso.

---


A aula passou até que rápido. Era o último horário e eu estava indo para o meu carro. Eu sabia que estaria lá, e estava.

- Você não devia passar o dia dormindo, e a noite comendo humanos? – disse sem sentir nem um pouco de medo das próprias palavras

- Não . Não é assim que funciona

- Então me explica

- Entra no carro – Falei rolando os olhos

- Isso é legal, minha amiga é uma vampira e eu estou andando no porsche dela – falou rindo. Não consegui deixar de sorrir. Eu o levei para perto da minha casa, em uma pequena floresta que tinha lá. Bem no meio dela, tinha um espaço que não era coberto de árvores, era aberto e com algumas flores. Era um ótimo lugar para pensar sozinha

Saí do carro e ele me acompanhou

- Eu normalmente correria para o meio da floresta, mas você não acompanha meu passo. Vai demorar um tempo pra chegar lá, ok? – Eu perguntei rindo da cara dele ao ter que concordar que eu era mais rápida

- Você é mais forte também certo? – Ele disse tocando o nariz – Aposto que você me agüenta

- Você não vai querer correr na minha velocidade. É quase como... Saltar de pára-quedas só que um pouco mais rápido

- Mais rápido? – Ele perguntou surpreso, depois rindo – Eu realmente quero fazer isso

Peguei a mão dele, ignorando a diferença de temperatura. Ele pareceu não se importar, ou nem percebeu. Eu apertei a mão dele, e o joguei para as minhas costas

- WOW – Ele gritou – Isso foi legal

- Se segura – Falei sorrindo. Isso seria divertido. Ele apertou um pouco o abraço quando eu comecei a correr, a respiração e os batimentos dele aceleraram

- Eu. Não. Quero. Parar – Ele se esforçou em dizer

- Tem certeza? – Eu disse suave, rindo baixo

- Isso. É. Demais – Ele disse de novo, com muito esforço

- Outro dia , você vai ficar enjoado. – Falei diminuindo o passo – Ok, já pode me soltar agora, chegamos – Falei depois de ficar alguns segundos parada

Ele foi soltando aos poucos. O cabelo estava completamente bagunçado e a cara pálida

- Você ta bem?

- Eu... Você... Isso... Rápido... WOW – Ele disse um pouco desnorteado, sentando na grama

- Você não ta bem – Eu ri e sentei ao lado dele

- Isso foi... Eu não sei nem como dizer o que foi isso... Foi

- Rápido? – Perguntei rindo

- Tipo isso. Hoje eu posso perguntar descontrolado?

- Agora que você sabe que eu sou... Que eu não sou como você, acho que pode perguntar sim

- Como é... Como é isso? – Ele perguntou

- Ser uma vampira?

- Sim, como é?

- É uma merda – Eu sorri – Basicamente é uma merda

- E você... Dorme em um caixão?

- Não. Pelo amor de Deus, não – Eu ri – Eu não durmo

- E o sangue? Você bebe sangue certo?

- Sim, mas digamos que eu sou diferente. Eu não tomo sangue humano, eu não mato humanos. Eu me alimento de animais. Só que a Sam, minha “irmã” – fiz aspas no ar – Não gosta de caçar, então a gente também se alimenta de sangue humano, mas dos bancos sangüíneos.

- Você vive com quantos outros vampiros?

- Só a Sam. É raro ter vampiros... “Vegetarianos”

- E o alho?

- Mito. E antes que você pergunte, crucifixos não me assustam, e eu definitivamente posso entrar na sua casa sem ser convidada antes.

- E como... Se mata um vampiro? Uma estaca?

- Oh, você pretende me matar? – Brinquei

- Talvez, em futuro próximo – Ele riu

- Ok então. É melhor que você faça isso direito certo? Estacas no peito nos paralisam, e apenas isso. Se quiser me matar mesmo, vai ter que arrumar um jeito de cortar minha cabeça fora. Mas é legal me esquartejar e queimar, é o modo mais garantido. Se tentar atirar em mim vou sentir cócegas. Vampiros podem se curar facilmente

- E... O sol? Você sai no sol e não acontece nada

- Ah, eu tenho uma ótima resistência ao sol. Na verdade, só prejudica se eu ficar exposta ao sol por muito tempo. Tempo e calor equivalentes ao necessário para um humano ficar bronzeado. Eu posso dizer que fico doente se ficar no sol por esse tempo. Fico mais pálida que isso, e perco a força, o que não é bom, porque eu precisaria de sangue.

- E na aula hoje... Você disse que ainda sentia o que eu sentia?

- Eu acho que é um novo poder meu... Digamos que eu sou tipo... A Vampira do X Man? – Eu falei rindo muito da minha comparação (n.a: essa foi pra... não sei no tópico que falou isso –Q) – A Sam pode sentir as emoções de humanos e vampiros, e esse meu novo poder, ele copia o poder de quem fica perto de mim. Então eu também sinto as emoções.

- Eu quero ser um vampiro – Ele falou sorrindo

- Cala a boca, você não vai querer uma coisa assim

---


- Qual é a melhor parte? – Ele perguntou deitando na grama. Eu fiquei sentada do lado dele

- A força, a velocidade, a imortalidade às vezes...

- E a pior?

- Basicamente, não ser humana

- O que você mais sente falta? – Ele perguntou, eu deitei do lado dele. Ficamos olhando o céu

- O calor... Não sentir medo de fazer amigos. Tenho saudade de poder ter um namorado... Quer dizer, há muito tempo atrás, quando você não pensava em nascer, eu namorei um humano, e não deu certo. Mas isso não importa. Eu sinto muita falta de ser tão humana assim

- Como era... Namorar o humano?

- Era como você namorar uma garota normal. Mas... A gente era mais cuidadoso, eu tinha medo de machucar ele

- Você o amava... De verdade?

- Já amei, mas isso tem tempo

- E você não ama mais então?

- Se você soubesse o que ele fez – Eu ri baixo, e sem nenhum humor – Não vejo como o amar de novo

- E você transformou ele? – perguntou virando o rosto para mim

- Transformei – Falei fechando os olhos, me arrependendo

- Então ele ainda ta vivo? – Ele pareceu triste ao falar isso

- Não. Graças a Deus, não

- Sabe – Ele começou a falar de novo – Eu gosto de você

- Você não tem medo?

- Eu devia ter certo? – Ele perguntou com um sorriso nos lábios – Mas eu não consigo.

Virei a cabeça pra ele e sentei. Ele sentou também e pegou minha mão. De novo, não parecendo perceber a diferença de temperatura. Eu fechei os olhos e respirei fundo. Senti o dedo dele virando meu rosto de leve na direção dele e abri os olhos

- ... Não é uma boa idéia – Falei inconscientemente me aproximando também. Minha testa encostou na dele

- Você não pode me machucar – Ele disse em um tom de voz baixo, ignorando o nariz quebrado

- Eu não quero arriscar, se alguma coisa acontecer com você eu perco o controle – Falei, e o braço dele arrepiou – Você tem medo?

- Não é medo, é ansiedade – Ele falou dando um sorriso pequeno – Eu não vejo como, alguém como você machucar alguém. Eu não posso te imaginar me machucando de verdade. A dor do meu nariz não é nada comparado a dor que eu sentiria se você fosse embora – Ele disse, com os nossos rostos ainda colados

- Eu não posso ser egoísta a ponto de me permitir te amar

- Você não pode ser egoísta a ponto de me fazer sofrer a cada dia se eu souber que não posso te ter – Ele falou baixo, eu fechei os olhos e respirei fundo mais uma vez. Ele moveu o rosto para frente, apenas alguns centímetros, e foi o preciso para nossos lábios se tocarem. Ele colocou os braços em volta de mim, fazendo eu me colar ainda mais com ele

- – Falei afastando só minha boca, ainda de olhos fechados – Eu não posso fazer isso, eu não consigo ter controle

- Eu não me importo

- Você vai se importar quando se machucar

- Eu não me importo – Ele repetiu e os lábios dele desceram até o meu pescoço. Senti meu corpo arrepiar e ele voltou a me beijar. Ele pressionava o meu corpo contra o dele, como se tivesse medo de que eu pudesse me separar,e por um minuto, me senti fraca. Como se eu fosse humana de novo, uma garota fraca, e ele tivesse força o suficiente para me proteger. Devagar, ele se inclinou e deitou, me levando delicadamente com ele. Quando me dei conta de que nenhum de nós dois conseguíamos nos controlar, eu me separei dele. Respiramos ofegantes e ele passou a mão no cabelo.

- Isso é definitivamente melhor do que beijar uma humana – Ele disse rindo

- E mais perigoso – Eu o lembrei

- Eu já disse que não me importo, eu morreria se fosse preciso

- Você não acha que esse pensamento é um pouco egoísta?

- Meus pais vão superar um dia, meus amigos também – Ele deu os ombros

- Eu não superaria, nunca. E isso não devia acontecer. Eu não devia te amar. Não devia te amar mais do que amei Andrew, não devia te colocar em perigo

- Você só me coloca em perigo se afastando de mim – Ele disse balançando a cabeça

---


Ouvi a barriga dele roncar e rimos alto.

- Ok, eu me esqueço que você precisa comer todos os dias – Eu falei me levantando

- É... Eu acho que sim – Ele sorriu envergonhado

- Vem, eu te deixo na escola pra você pegar seu carro – Falei apontando para as minhas costas

- AAH ISSO VAI SER DEMAIS – Ele gritou e sorriu. Ele subiu nas minhas costas e me abraçou forte de novo

- Eu só vou correr até o carro – Eu o lembrei

- Ah, achei que a gente ia até a escola

- Eu não posso correr muito com uma pequena baleia nas costas – Eu falei rindo e comecei a correr antes que ele rebatesse. Cheguei até meu carro e o levei para a escola. Ele me deu um beijo, um beijo rápido, e foi para casa.

- Olha só se não temos alguém apaixonado aqui – Samantha disse assim que entrei em casa

- Olha só se não temos alguém sentindo coisas até demais aqui – Dei língua para ela e sentei no sofá para ver TV

- Eu estou tentando não sentir. Principalmente você, porque eu sinto o que você sente, e o que você sente de mim. E isso é muito estranho, sentir eu mesma em dobro – Samantha começou a falar e eu sabia que ela não pararia tão cedo, me concentrei no programa idiota da TV

- Você ouviu uma palavra do que eu disse? – Ela perguntou, parando na frente da TV

- Claro que ouvi – Eu sorri – Você estava falando dos nossos poderes

- É, e eu disse que a gente devia conhecer outros vampiros para você pegar mais poderes

- Não, obrigada

- Você agüenta ficar uma semana longe do , eu sei que sim – Ela falou sentando do meu lado

- Pode até ser, mas eu não sei pra que eu vou precisar de mais poderes. E eu não quero ficar saindo descontrolada por aí soltando poderes dos outros

- Se você não praticar, nunca vai ter controle sobre isso. E acredite, nós vamos precisar dos seus poderes

- Do que você ta falando? – Perguntei olhando para ela

- Eu não queria te preocupar com isso... Mas bom, eu estava falando com os gêmeos. E você lembra que um deles comentou que havia tempo que não encontravam alguém com o seu poder? Pois é, existem alguns vampiros... Caçadores. Eles não têm regras, apenas não se expor. Eles são capazes de matar até vampiros que os impeçam de fazer o que querem... E sempre que eles encontram alguém com um bom poder, eles matam.

- Mas se a pessoa tem um poder, porque não se defende? – Perguntei sem entender aonde ela queria chegar com toda essa história

- Essa é a questão. Contra um deles, qualquer vampiro consegue sair intacto. Mas acontece que esses caçadores, são um bando. E contra todos eles, não há quase ninguém que sobreviveu para contar história

- E como você sabe disso?

- Porque eles já vieram atrás de mim – Ela falou mostrando o pulso e o pescoço, que tinham pequenas cicatrizes. Eu nunca havia me incomodado com isso, ela sempre lutava antes e deviam só ser marcas comuns

- Mas você disse que ninguém sobreviveu para contar história

- Eu disse que quase ninguém sobreviveu. Eu só estou aqui hoje, porque eu senti ódio entre eles. Eu poderia manipular uma briga facilmente e correr. E foi o que eu fiz. Mas Arlen, ele era... O chefe de todos, ficou sabendo do estrago que causei no bando, e veio atrás de mim. Mas para me fazer um convite. Um convite que está aberto por toda a eternidade, mas que eu recusei

- Ele queria que você fosse um deles? – Perguntei prestando atenção na história

- Queria. Mas isso foi apenas um ano antes de nos conhecermos. E eu já estava cansada de matar, então recusei

- E o que isso tem a ver com o meu poder afinal?

- O seu poder, é um poder que bom... É quase proibido. Uma pessoa que tem tamanho poder tem que ter muito controle. Arlen tem medo de que aconteça o que aconteceu há alguns anos, e simplesmente mata todos aqueles com um poder que pode causar danos para todos os vampiros

- Que danos eu posso causar? Eu só absorvo poderes, isso não tem sentido

- Foi há mais de 200 anos atrás, Melissa Brown tinha exatamente o mesmo poder que você tem. Arlen a convidou para se juntar a ele, e ela recusou. Não pelo mesmo motivo que eu, mas porque um vampiro do bando, acho que Neil, era o vampiro que havia a transformado. E ela tinha ódio total da vida que tinha, assim como você. O que não faz muito sentido, eu amo ser vampira. Mas voltando ao caso, os caçadores não são como uma família. Existem caçadores por todas as partes do mundo, mas eles são um grupo de toda forma. Se Arlen dá uma ordem, os caçadores das Américas até os caçadores da Ásia têm que obedecer cada vírgula vinda da boca dele.

- E o que aconteceu? – Perguntei ansiosa pelo fim da história

- Melissa acabou indo atrás de Neil. Ela tinha poderes suficientes para matá-lo. Neil estava em uma pequena cidade na Itália. Era pequena mesmo, acho que uma das cidades menos populosas do mundo, quase um vilarejo. Mas Neil tinha uma habilidade estranha, radioativa. Ele podia criar em suas mãos um tipo de raio que mataria qualquer um, e era radioativo. Melissa acabou copiando o poder dele, mas isso era muito perigoso. Ter aquele poder exigia muita concentração. E ela realmente tinha, mas não o bastante para controlar os raios. Neil fugia dela, e uma vez, ela estava enfurecida por ter que passar tanto tempo o caçando. E saiu pelas ruas novamente atrás dele. Suas mãos começaram a brilhar involuntariamente, e ela acabou liberando os raios sem a menor consciência. Alguns humanos viram, e ficaram abismados. Neil a matou e teve que matar as testemunhas também. Ela havia nos exposto, sem nem ter noção disso. O seu poder é muito perigoso para todos nós. E é questão de tempo para que eles descubram e venham atrás de você

- Meu Deus – Foi tudo o que consegui dizer

---


- É por isso que você precisa se preparar para lutar

- TEM UM BANDO DE CAÇADORES POR AÍ, QUERENDO ME MATAR, E VOCÊ NÃO ME FALA NADA?

- Calma . Você tem controle suficiente

- E SE EU SAIR POR AÍ SOLTANDO RAIOS PRA TODO LADO? SAMANTHA EU VOU TE MATAR. EU JÁ DEVIA ESTAR TREINANDO.

- Eu não tenho certeza se os caçadores vêm mesmo. E eles não são como os maiores vampiros do mundo. Eles não são fáceis de matar, a única coisa é que eles estão em um número realmente grande. Mas eles não são essa ameaça toda. Eles só virão atrás de você, se de alguma forma chegar aos ouvidos deles que você está se descontrolando. Se você manter a calma, você vai parar de levitar e eu vou poder te ver

Eu olhei para minhas mãos, e não vi elas. Eu tentei sentir o chão, mas estava suspensa no ar. Me concentrei e voltei ao normal

- Isso está ficando irritante – Eu bufei quando toquei o chão

- Você precisa ter controle das suas emoções. Você pode sentir o que quiser se você se esforçar, e para nós duas é mais fácil, pelo poder de sentir as emoções. Não é definitivo, mas você pode se concentrar e escolher suas próprias emoções. Você perde o controle quando fica com raiva, e você tem um temperamento difícil, então você vai ter arrumar um jeito de controlar isso

(...)

- Porque você faltou à semana toda? – perguntou assim que eu entrei na escola

- Aconteceram umas... Coisas que eu não esperava

- Coisas como as minhas coisas, ou coisas como as suas?

- Minhas coisas – Falei indo até o meu armário

- Você não vai me contar?

- alguém já te disse que você é insuportável? – Eu ri, peguei meus livros e ele estava esperando – Não é nada de muito importante. Só tem alguns caçadores por aí, e se eles se sentirem ameaçados pelo meu novo poder, vão vir me matar – Falei baixo

- Você fala como se isso acontecesse todo dia – Ele riu e foi comigo até o ginásio

- Você não tinha aula de espanhol agora? – Perguntei quando ele entrou no ginásio

- Eu mudei meu horário – Ele passou a mão no cabelo e sorriu. Ele foi para o vestiário masculino, e eu para o feminino para tirar o jeans e botar a roupa horrível de educação física.

- Vôlei – O Sr. Wine anunciou – Tirem times

Judy era capitã do time de vôlei, e Sarah era sua substituta, elas foram tirar os times como de costume. Judy me odiava, porque ela sabia do convite que eu tinha recebido para assumir o lugar dela, Sarah apesar de ser como a sombra de Judy, não tinha nada contra mim. Judy sempre queria me escolher para o time dela, mas ela gostava de se fazer de superior.

- – Judy falou o primeiro nome, com um pequeno tom de desprezo. Eu me surpreendi e fui para o lado dela da quadra Depois que os times foram formados, estava tudo balanceado. Eu realmente tentava jogar no mesmo nível que as meninas, mas era complicado.

Os meninos foram jogar basquete, e eu sentia o olhar de o tempo todo.

Depois de alguns minutos de jogo, eu entendi porque a Judy havia me escolhido. Ela queria provar que jogava melhor, ou tão bem quanto eu. Normalmente eu a deixaria ser a estrela do jogo, mas eu estava preocupada com toda aquela história de caçadores e não controlei bem minha força e velocidade.

Eu estava na defesa, quando uma garota estranha que ninguém conhece, pulou para cortar. Mesmo dando um grande salto, era quase impossível fazer a defesa, mas tentei do mesmo jeito. A ponta dos meus dedos bateram na bola, e eu ouvi o barulho dos ossos quebrando. Ainda no meu pulo, eu senti que levitei um pouco, quase dois centímetros. Me joguei para o chão antes que pudesse sair voando. Quando caí, meu corpo fez um barulho enorme, e eu botei os ossos da mão e das costas no lugar com um estalo, rápido o bastante para ninguem perceber.

- Você ta bem ? – Sarah perguntou se ajoelhando do meu lado - Acho que você quebrou alguma coisa, deu pra ouvir o barulho

---


- Eu estou bem, sério – Levantei ignorando as mãos que estavam dispostas a me ajudar e estalei novamente os dedos, fazendo um barulho um pouco alto

- Melhor você sentar – O Sr. Wind disse preocupado

- Eu estou bem, não precisa se preocupar – Repeti me preparando para voltar ao jogo

- As pessoas vão suspeitar, para de ser teimosa. Você é idiota ou o que ? – falou em sussurro, sem ter certeza se eu poderia ouvir. Eu sorri e fiz um leve movimento com a cabeça, assentindo. Me virei e fui até o professor

- Sr. Wine, eu posso ir à enfermaria? – Perguntei segurando a mão esquerda com força, fingindo que estava doendo

- É melhor que sim – Ele disse me dando a autorização – Seria uma pena se você quebrasse alguma coisa, ainda mais tão perto dos jogos oficiais

- Ah, eu não acho que eu vá jogar – Falei olhando para Judy, que me encarava com o mesmo nojo e desprezo.

- A proposta ainda está de pé, é só você aceitar

- Obrigada – Dei um sorriso fraco e fui até a enfermaria

- Sra. Goldwen? – Eu chamei quando entrei na enfermaria. Senti um cheiro diferente. Era sangue de vampiro, e não era o meu.

- Olá querida, você está passando mal? – Ela disse fazendo uma careta rápida ao perceber meu cheiro

- Na verdade não. Você deve saber por experiência própria que vampiros se regeneram rapidamente – Eu falei chutando. Se ela não soubesse do que eu estava falando, eu sentiria, e voltaria alguns minutos do tempo

- Você não deveria sair por aí falando essas coisas sem ter certeza. Pode nos expor facilmente – Ela disse ficando surpresa só por um minuto, assim como eu, pelo fato de existirem dois vampiros na mesma escola

- Eu meio que posso voltar no tempo e concertar tudo

- Ah, você controla o tempo? – Ela disse sorrindo – Conheci pessoas com o poder igual o seu, é fascinante. De qualquer jeito, você não devia arriscar tanto. Com alguém como eu por perto, seu poder pode não dar certo

- Como assim? – Perguntei sentando na cama de hospital que havia lá

- Eu reverto poderes, e os sinto. Por exemplo, eu sei que você controla o tempo e que você acaba de copiar meus poderes inconscientemente. Eu já tenho controle sob meus poderes, então não reverti nada, só senti

- Eu não entendi

- Se eu tivesse usado meu poder de reversão, você não estaria copiando meus poderes. Você estaria dando o seu dom para mim. Ele some de você enquanto estiver comigo. Quando for para longe, volta a ter seus poderes. Se você quisesse voltar o tempo e eu usasse meu poder, o tempo avançaria. E vice-versa.

- Por favor, me diz que o seu poder é fácil de controlar e me explica porque todo vampiro que eu conheço tem poderes pra eu copiar e perder o controle – Falei deixando minha cabeça encostar na parede

- Você não vai sentir dificuldade com os poderes. É questão de concentração. E a maioria dos vampiros nessa região tem poderes, é muito comum – Ela sorriu de novo

- Você não quer tirar esse negócio de cópia de mim?

- Ele só te deixaria enquanto eu estivesse por perto, não daria certo nem se eu me concentrasse ao máximo. Sim, eu já tentei – Ela falou respondendo a todas as minhas perguntas – Você vai ver que quando controlar isso, não vai mais querer fazer desaparecer. Você é uma das mais poderosas da espécie meu bem.

- Eu não quero ser uma das mais poderosas. Eu não quero ser dessa espécie, eu só queria minha adolescência de novo – Lamentei observando o cômodo pequeno e branco, com iluminação forte

- Você foi transformada em uma fase difícil não? Eu também sentiria falta se tivesse 17 anos pela eternidade. Mas é uma boa fase para um vampiro, fingir ter 17, estudar... Não deve ser tão ruim

- Por mais ridículo que vá soar estudar de novo é ótimo. Sra. Goldwen? – Eu perguntei hesitando, formulando a pergunta

- Sim?

- Como você... Se controla? Quer dizer, você é uma enfermeira. Os humanos se cortam com mais facilidade do que respiram

- Eu era enfermeira. Um vampiro estava lutando eu acho, e o encontraram na rua a beira da morte. Ele não morreria, só demoraria para se regenerar na verdade. Mas como vampirismo não é matéria escolar, e todos acreditavam que vampiros eram personagens de lendas e histórias, o levaram para o hospital. Eu estava cuidando dele, quando uma noite ele me levou do hospital e me transformou. Quando consegui me adaptar, eu resolvi que não mataria. Eu consegui viver de sangue de animais e aprendi a controlar minha sede por sangue humano. Eu não sinto mais vontade hoje em dia

- SRA. GOLDWEN, ELA CAIU TRÊS LANCES DE ESCADAS, MAL CONSEGUE ANDAR – Uma loira do 1º ano entrou desesperada com a amiga cheia de sangue. Eu saí prendendo a respiração

- Eu espero um dia ter esse controle – Sussurrei ao passar pela porta

- Você terá querida, eu sei que sim – Ela sussurrou mais baixo ainda em resposta.

---


- O que foi aquilo? – perguntou ao me encontrar no corredor

- De que parte você está falando exatamente?

- Você aparentemente quebra sua mão, e sai por aí estalando ela

- Alguém percebeu isso?

- Não, só eu. Ninguém comentou nada... Mas o que foi aquilo? – Ele perguntou de novo

- Como eu te disse, eu tenho facilidade em me curar

- Eu achei que fosse quando você levasse um tiro ou coisa parecida – Ele falou baixo

- Isso também – Eu sorri – Quer tentar?

- Não – Ele fez uma cara de assustado e eu ri – Você quer fazer alguma coisa depois da aula?

- Na verdade – Eu falei enquanto pegava a bandeja e colocava o mínimo de comida possível para ser desperdiçada – Eu preciso treinar... Só por precaução, para aquele pequeno problema

- Ah claro, com um bando querendo te matar, a última coisa que se devia esperar de você, era sair com um humano depois da aula – Ele falou rindo

- Não é tão importante assim – Eu disse quando senti a preocupação dele com um bando atrás de mim – Eu só vou treinar por precaução, não existe ameaça. Na verdade, se você quiser vir junto...

- O que? Ir treinar com você?

- É. Você quer?

- Só se a gente for correr

- Você quer dizer, só se eu for correr com uma pequena baleia nas costas certo? – Eu falei rindo

- Ei, eu não estou tão gordo. A dieta da lua funciona que é uma beleza – Ele disse passando a mão bela barriga, e rindo – Me desculpa se eu não sou um vampiro e sou a coisa mais bonita do mundo ta?

Judy estava ouvindo a conversa e nos encarou desconfiada. percebeu e engoliu seco

- , eu vou te matar- Falei no tom normal, que todos por perto ouviriam

- Cala a boca, pelo menos disfarça – Ele disse me alertando

- Não se preocupa com isso – Eu falei voltando alguns minutos do tempo – Você nunca é afetado pelo controle de tempo – Eu falei observando que ele, assim como eu, não havia voltado as ações alguns minutos

- Isso foi legal – Ele disse sorrindo

- Não, eu não vou fazer de novo – Eu falei respondendo a pergunta que ele queria fazer

- Não sei do que você reclama, esse negócio é demais

- Você quer ser como eu então? – Perguntei dando um sorriso malicioso

---


- É lógico - Ele respondeu

- Ok então – Falei sentando na mesa do refeitório

- O que você quer dizer com tudo isso afinal? – Ele perguntou confuso

- Você quer ser transformado não quer?

- Você vai fazer isso? – Ele perguntou ansioso

- Claro – Eu sorri e dei os ombros – Só se você tiver certeza de que vai perder toda sua família, estudos e sua felicidade. Quando você tiver certeza de que quer arruinar sua vida e perder todas as oportunidades únicas que eu nuca tive, eu vou te transformar

- Mas eu tenho certeza – Ele disse

- Não, você não tem

- Claro que tenho – Ele insistiu

- Não, não tem

- Como você pode saber?

- Eu estou sentindo. Você está mentindo, está só ansioso. Você só viu o lado bom disso tudo, e tem medo do lado que você não conhece ainda

- Você não sentiu tudo isso

- E do mesmo jeito eu estou certa. Não estou? – Falei sorrindo vitoriosa

- Não, não está – ele respondeu olhando nos meus olhos

- E você está mentindo de novo – Eu dei uma risada um pouco alta. Algumas pessoas olharam, e eu senti aqueles corações acelerados que eu havia parado de sentir a algumas semanas

- Oi gente – Peter falou sentando em nossa mesa. Algumas vezes ele sentava com a gente, e geralmente eram péssimos momentos. Mas a chegada dele agora só afastaria aquele assunto idiota da transformação do

- Hey Pet – Falei sorrindo

- Peter – deu um sorriso fraco

- O que ta rolando? – Ele perguntou

- Nada de interessante na verdade. E como está aquela garota lá? Aquela do baile?

- Ah. Ela meio que me deu um fora – Ele deu os ombros

- Isso é... Ruim cara – falou

- É – Ele riu – Mas não daria certo. Eu sou mais o tipo da

o encarou sério e eu segurei o riso, assim como Peter

- Cala a boca – silabou ainda sério. Eu e Peter começamos a rir – Qual é a graça?

- Ah , você é muito ciumento – Eu falei rindo

- E ela nem é sua namorada de qualquer jeito – Peter deu os ombros. A respiração e o coração de aceleraram ao ouvir a frase e eu corei – Reações exageradas – Peter comentou baixo, depois de perceber o modo que ficamos

- Enfim. Vai ter uma festa lá em casa amanhã à noite – Falei entregando o endereço para eles – Peter, você é um anjo, e vai me ajudar a avisar pra todo mundo

- Vai caber todo mundo na sua casa?- perguntou

- , ela é a garota do porsche. Aposto 10 pratas que a casa dela é enorme e decorada

- Podem parar de falar do meu carro e da minha casa. Vocês vão ver que não tem nada de mais lá

(...)

- Ei , te vejo mais tarde- Sarah falou quando eu estava indo para o meu carro no fim da aula

- Até lá então

- Você está morando na antiga casa de Eric Sony, certo? – Ela perguntou

- Eu não sei – Falei dando os ombros – Eu não cheguei a ficar sabendo dos detalhes, foi minha irmã quem cuidou de tudo

- Ah – Ela disse com o olhar vago – Existem algumas histórias sobre ele. Dizem que depois que ele foi assassinado pela esposa, o espírito dele vagava por aí e matava as pessoas. Você sabe, lendas urbanas

- Muito irônico – Falei baixo

- O que é irônico? – Ela perguntou e percebi que não havia falado tão baixo

- Sam, minha irmã, ela ama essas lendas – Eu menti rápido – Sarah, eu já vou. Preciso terminar de arrumar a festa Ela acenou e eu entrei no carro. Cheguei em casa ansiosa, e para completar, sentindo a Sam nervosa.

---


- Sam dá pra se acalmar? – Perguntei quando entrei em casa

- Ah claro, eu devia estar acostumada com milhões de humanos ligando para confirmar presença para a festa, sendo que não está nada pronto – Ela disse andando de um lado para o outro

- Nada pronto? – Perguntei assustada – Sam, olha pra sala

Ela olhou rapidamente para a sala decorada e pronta para uma festa

- Como eu disse, não está nada pronto – Ela voltou a andar

- SAM PARA COM ISSO, SEU NERVOSISMO TA ME AFETANDO

- O que você ta fazendo?

- Nada – Respondi confusa

- Eu não consigo sentir nada. É como se fosse o contrário, eu só estou sentindo o que você permite que eu sinta. Agora você também controla meus poderes é? – Ela perguntou calma. Mas ela estaria nervosa se não fosse pelo novo poder que eu havia copiado da Sra. Goldwen

- Poder novo – Dei os ombros

- Tem outro vampiro por aqui?

- A enfermeira da escola. Ela reverte poderes e sente eles. Então ao invés de você sentir o que eu sinto, eu faço você sentir

- Isso é irritante – Ela disse rindo – Para de brincar com os meus sentimentos – Ela falou irritada quando eu parei de controlar ela

- Desculpa, eu não evitei – Sorri – Então o que falta arrumar?

- Muita coisa – Ela disse correndo com velocidade pela sala e arrumado tudo

Resolvi não me intrometer e corri para fora de casa. Fui até a pequena floresta ali perto e voei para o meio dela. O lugar aberto, onde eu havia levado .



- Sabe – Ele começou a falar de novo – Eu gosto de você

- Você não tem medo?

- Eu devia ter certo? – Ele perguntou com um sorriso nos lábios – Mas eu não consigo.”




Me lembrei das palavras dele ao tocar o chão e sorri, sentindo necessidade de respirar mais forte, para não perder o ar

Ele não tinha medo. Ele não se importava. Ele me amava. Isso me fez sorrir, mas o sorriso sumiu rapidamente, ao me lembrar que tudo isso só o colocava em perigo.

Eu estava decidida que não o transformaria. Eu sabia que o perderia um dia, mesmo que ele não fosse meu de qualquer forma.

- Uma garota como você não devia ficar andando sozinha pela floresta – Ouvi uma voz familiar se aproximando

- Você sabe que eu não sou uma garota qualquer – Eu disse ainda sentada e com os olhos fechados

- Um vampiro perigoso, como eu, pode querer te matar. Você sabe... Pelo seu novo poder

- Você sabe que não quer, e não vai me matar. E você não é tão perigoso assim – Falei calma, sem me preocupar em abrir os olhos para checar quem conversava comigo. Aquela voz era inconfundível, mesmo se você ficasse algumas décadas sem a ouvir

- Eu não mataria – Ele concordou – Mas você já é assunto de murmúrios entre vampiros em todos os seis continentes.

- Eu não me descontrolei. E não vou. Eu sou capaz de ter esse poder sem nos expor

- Por enquanto – Ele disse com a voz vaga. Eu o ouvi chegar mais perto. Ainda não havia me incomodado em levantar e o olhar. Permaneci sentada, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados

- Pare com isso. Você sabe que eu tenho controle – Falei finalmente abrindo os olhos e encarando o rosto pálido dele – O que te traz aqui afinal, Nate?

- Vejo que sua educação continua a mesma – Ele observou – Você corre perigo

- Eu já sei sobre os caçadores

- Sim. Só tome cuidado. Na Europa, existe um vampiro, que foi transformado com apenas 12 anos. Ele é mais experiente que eu, e é muito respeitado. Ele tem um poder...

- Chega de vampiros com poderes, pelo amor de Deus – Falei agradecendo por Nate não ter nenhuma habilidade

- Fique calma. Ele tem um poder fascinante. Ele sonha com o futuro. Eu estava o visitando, e ele comentou que havia sonhado com uma pequena vampira, e um poder peculiar surgindo nela. Ele disse que esse poder a dominaria, chegaria a um ponto tão grande que ela seria incapaz de controlar tantos poderes de uma vez, e mataria todos a sua volta. Eu pedi detalhes, e ele te descreveu perfeitamente. Viajei para caçar, e ouvi sobre seu novo poder. , se essa sobrecarga de poderes acontecer, você irá morrer e matar quem quer que esteja perto.

- Vampiros não sonham. Vampiros não dormem

- É complicado. Quando ele se sente cansado, o que acontece com facilidade por ele fingir ser uma criança, ele se deita e fecha os olhos. Enquanto ele descansa as visões chegam. Ele gosta de chamar de sonho

- E ele acerta sempre? - Perguntei

- Ele acerta em 90% das vezes

- Eu espero estar entre os 10% que ele erra

- É difícil, mas vou torcer por isso. Eu preciso caçar, foi bom te ver de novo - Ele diss recuando

- Você não vai caçar aqui

- Por quê? – Ele perguntou confuso – Aqui tem humanos com um cheiro delicioso

- Nathaniel, me prometa que você vai ficar longe dos humanos de Seattle

- Não acredito que você já se apaixonou por um humano. Não basta o Andrew? O que você vê neles afinal? Tão vulneráveis, tão fracos e tão... Mortais. O que eles têm que eu não?

- Nate para com essa história. Pelo amor de Deus, você sabe que eu não sinto nada por você

- Você está mais delicada a cada segundo

- Me prometa – Eu falei pelos dentes com raiva

- Me diga quem é o garoto que eu não o caço

- Nate, você não se controlaria. Ele é raro, é muito chamativo. Vá embora, cace em outro lugar

- Pare com essa besteira, – Ele disse rolando os olhos

- Nathaniel – Eu falei séria – Eu não vou deixar você caçar aqui

- Ah – Ele deu um sorriso – Você quer dizer que vai lutar?

-Não se eu puder evitar

- Eu gosto de lutar com você,

- Nós lutávamos por diversão. Eu não quero ter que fazer isso – Falei entrando na defensiva

- Você não precisa... Mas eu vou caçar – Ele disse desafiador. Deixei meus joelhos perderem a força e caí no chão, com lágrimas nos olhos

- Me desculpe Nate – Eu pedi com o olhar suplicante – Eu sou tão idiota. Mate logo o garoto, eu não vou correr o risco de transformar ele.

- Você está blefando – Ele disse inseguro

- Por favor. Mate o por mim. Você sentirá o cheiro dele assim que chegar ao centro. Ele mora lá e o cheiro dele é muito forte. Nate, não me deixe cometer o erro que cometi com Andrew de novo, mate ele antes que seja tarde e eu mesma faça isso.

- Você tem noção do que está me pedindo? – Senti as emoções dele vacilando. Ele estava confuso, e comovido com o meu desespero

- Eu sei o que estou fazendo. Eu o amo, será melhor pra ele

- eu não vou...

- NATE, VÁ – Eu gritei e ele se assustou – Eu não vou te impedir. É a última coisa que te peço

- Se você quer tanto isso – Ele disse dando alguns passos para trás – Eu te verei em breve

---


Nate se virou e começou a entrar na floresta. Ele não corria. Andava rápido

Eu fui silenciosa, me levantei e passei as costas da mão no rosto para limpar as lágrimas. Me curvei e dei um salto. Ele se virou ouvindo o barulho e entrou na defensiva. Ele não teve reflexo suficiente, e consegui o atacar, mordendo o rosto dele.

- VOCÊ... FINGIU – Ele gritou tentando se defender dos meus ataques, e tentando revidar

- Você até que não é burro – Falei dando um soco no rosto dele. Se fosse em um humano, ele provavelmente estaria morto, ou com a cabeça partida no meio. Eu não sei, nunca tentei uma coisa assim. Ele conseguiu tirar vantagem do meu cansaço, e me atacou. Nós começamos a brigar com todas as nossas forças, aquela seria uma luta até a morte. Eu o empurrei com força em direção as árvores, e as que estavam no caminho dele caíram. Árvores realmente grandes

- O QUE É ISSO? – Ouvi Sam gritando ao chegar no local da briga – PAREM VOCÊS DOIS, AGORA. DÁ PRA OUVIR O BARULHO DE LONGE.

Como ninguém desistiu, Sam correu para o meio de nós dois e deu um chute forte na barriga de Nate. Samantha era muito mais forte que eu, e provavelmente mais forte que ele também

- Parem – Ela repetiu segurando meus braços para trás. Eu rosnei e fiz força para avançar e arrancar os dentes de Nate. Ele ergueu as mãos pedindo trégua

- Eu vou embora. Desculpe-me – Ele disse com educação e eu senti a sinceridade – , eu não vou caçar aqui

- É melhor que não vá mesmo – Eu falei com raiva, sentindo Samantha me soltar aos poucos

Ela me soltou o quando viu correndo pelas árvores, na direção da saída da cidade.

- O que estava acontecendo? – Ela perguntou correndo para casa. Eu a segui

- Nate queria caçar aqui

- O que ele fazia por aqui?

- Queria me avisar algumas coisas – Contei toda a história para ela. E quando eu havia terminado, já estávamos em casa, sentadas no sofá.

- É perigoso amar humanos – Ela disse – Mas eu acho a coisa mais linda do mundo. É como... Romeu e Julieta

- Samantha, como você consegue ficar toda sonhadora diante do que acabou de acontecer – Eu disse relaxando

- Se eu fosse deixar cada coisa ruim que acontece me afetar, eu estaria morta. Agora vamos nos arrumar, os humanos vão chegar em aproximadamente cinco minutos.

Nós duas subimos as escadas e nos arrumamos. Na nossa velocidade, cinco minutos eram mais que suficientes para tomar banho, botar uma roupa e arrumar o cabelo. Samara terminou primeiro, e foi me ajudar

- Só mais dois minutos. Já escuto os carros – Ela disse penteando meu cabelo – Isso vai ser demais

- Eu espero que sim – Eu sorri e desci as escadas

Os primeiros começaram a chegar no tempo previsto, e a música já tocava alto. Peter estava em um monólogo. Ele estava tagarelando sobre alguma coisa, e eu só assentia quando achava necessário. Eu estava muito longe para prestar atenção nele. Estava focada na porta

- – Peter disse estalando os dedos na frente do meu rosto. Eu virei a cabeça na direção dele e sorri

- Desculpa. O que você disse?

- A sua irmã. Ela é linda – Ele disse dando ênfase na palavra linda

- A Sam? Ela está... Namorando. Um garoto da faculdade dela - Eu menti

- Não, eu não queria nada. Ela é muita coisa pra mim. Toda a sua família deve ser – Ele disse rindo – Só estava comentando. Sabe... – Ele ia começar a falar de novo. Mas estava chegando, eu podia sentir o cheiro

- Pet, eu tenho que ir ali, é só um minuto ok?

- Ah tudo bem – Ele sorriu e foi dançar

- Hey – Eu acenei para ele quando ele entrou na casa

- – Ele sorriu e veio na minha direção. Eu olhei para o lado, e Sam estava trocando o CD. Eu estranhei, e ouvi uma música lenta tocando, eu olhei para ela, e ela fingiu não saber o que acontecia. abaixou a cabeça e passou a mão no cabelo. Ele deu um sorriso de lado

- Eu não danço muito bem, mas... – Ele disse estendendo a mão para mim. Eu sorri e peguei na mão dele

- Relaxa, eu te conduzo – Eu sorri e passei os braços em volta do pescoço dele. Ele abraçou minha cintura e acompanhou hesitante meus passos

- E pra completar, você ainda sabe dançar – Ele sorriu – Eu sou um fracasso

- Cala a boca – Eu ri – Você não é um fracasso

Nós dançávamos e conversávamos. Quando olhei para o lado, só havia mais dois casais no meio da sala. Depois de um tempo, só havia sobrado eu e o . Samantha colocou a música agitada de novo

- Eu preciso falar com você – disse pegando minha mão

- Lá em cima, aqui tem muito barulho – Eu falei e ele assentiu. Subimos as escadas e fomos até o meu quarto

---


Sentamos na beira da minha cama sem utilidade. Ele começou a rir

- Qual é a graça? – Eu perguntei

- Você tem uma cama?

- Tenho – Falei dando os ombros – Encare ela como um enfeite do quarto

- A sua casa não é uma casa de vampiros – Ele comentou olhando o quarto todo

- Claro que é – Eu sorri – Vampiros podem viver como humanos sim, só temos uma alimentação um pouco diferente. Mas você não quer falar comigo sobre isso...

- Agora você lê mentes também? – Ele perguntou confuso

- Não, mas seria uma boa conhecer um vampiro que pudesse fazer isso – Falei sentindo meu estomago virar ao me lembrar da possível sobrecarga.

- Bom... É que... Eu gosto de você. Gosto muito de você. E... Eu te amo – Ele disse com a voz em um tom baixo, quase como um sussurro.

- Eu sei , eu também te amo e você sabe disso

- Eu acho que eu só precisava dizer... Eu não sei, pra garantir

Ficamos em silencio por um tempo, encarando o chão.

- Então eu sou tipo... Seu namorado? – Ele disse mordendo o lábio

- É. Eu acho que é isso – Eu falei corando. E nós rimos de nós mesmos. foi chegando mais perto de mim, e me beijou. Abraçou minha cintura com um pouco de força, me prendendo ao corpo dele, e fazendo a distância entre nós acabar. A intensidade só aumentava, e nenhum de nós se atreveu a parar para tomar fôlego. Meus braços estavam ao redor da nuca dele, e meus dedos brincavam em seu cabelo.
Ele se inclinou, como da última vez, com cuidado para não me machucar, e ficou em cima de mim. Ele me tratava como se eu fosse humana. Isso fez com que eu me esquecesse de qualquer limite que eu teria que impor em uma situação dessas. Nós continuávamos nos beijando, e sem cautela nenhuma. Acabamos rolando para o chão. Quando percebi o que aconteceria, eu o virei, fazendo com que apenas eu batesse no tapete. Eu ri e ele também. Ele estava vermelho, com o cabelo bagunçado, e os primeiros botões da blusa abertos. Ele respirava ofegante, assim como eu. Passei a mão no meu cabelo, e ele estava embaraçado. Nossas roupas estavam amarrotadas e desarrumadas

- Você também podia ter um pouco de controle sabe – Eu comentei respirando com força

- Impossível – Ele disse sorrindo. Eu sorri para ele, e a distância entre nós acabou de novo.

Exatamente como tinha acabado de acontecer, ninguém se atreveu a separar o beijo. Estávamos deitados, ainda sob o tapete. Eu perdi meu chão, aquilo era uma coisa única. Era só nossa. Depois de conseguir pensar um pouco, me dei conta de que havia mesmo perdido o chão, literalmente. Eu parei de beijá-lo e ele abriu os olhos

- Como... Você voa? – Ele disse sorrindo. Eu voltei para o chão, e ele saiu de cima de mim, sentando do meu lado.

- Foi um poder que eu copiei de uma amiga. Eu acho que precisamos nos controlar mesmo

- Se você voar, o máximo que pode acontecer, é bater as costas no teto – Ele deu os ombros

- Eu não falava sobre o controle de poderes. Isso eu posso conseguir. Eu estava falando de controlar esse impulso

- Que impulso?

- Esse impulso. Que me faz querer ir além do que é seguro

- Você não precisa ficar me protegendo

- Pode acreditar, eu preciso. Sabe, hoje mesmo, eu quase matei um vampiro, para ele não caçar aqui em Seattle. Você não sabe o quando seu cheiro chama atenção

- Tinha um vampiro atrás de mim? – Ele perguntou assustado

- Não exatamente. Mas ele poderia ir

- Isso não é bom – Ele falou

- Vampiros não caçam muito por aqui. Mesmo que esses dias, eu esteja encontrando mais vampiros que o normal nessa região

- Não me preocupo com os vampiros – Ele falou, me surpreendendo – É o fato de que você me protege. E não o contrário

---


- O que aconteceu quando você sumiu àquela hora? – Sam perguntou enquanto arrumávamos a casa.

- Nada – Falei dando os ombros

- Ah. Porque sabe, o também tinha sumido

- Sério?

- Fala logo,

- Sam, você é extremamente curiosa, chega a ser irritante

- É que seja. O que vocês estavam fazendo?

- SAMANTHA – Eu a repreendi – Não fizemos nada disso que você está pensando

- Menos mal. Pretendem fazer?

- Não – Falei de imediato – Agora chega disso

- Reações exageradas – Ela assobiou e continuou a arrumar as coisas. Eu ignorei

(...)

- Acho melhor você não ir para a aula hoje – Ela disse olhando a janela

- Eu tenho resistência ao sol

- Melhor não arriscar – Ela disse me chamando para ver. O sol estava mesmo forte

- É. O que quer fazer hoje então?

- Morrer de tédio? – Ela sugeriu – eu posso te perguntar uma coisa?

- Se eu dissesse não você perguntaria do mesmo jeito – Falei sentando no sofá

- Aquele Nate... Qual é a dele?

- O conheci enquanto viajava com Andrew para caçar. Por quê?

- Não me sinto bem em relação a ele. Os sentimentos dele são confusos, e você deve ter sentido, ele te ama

- Eu sei disso. Mas ele respeita meu espaço – Eu garanti

- Não duvido. É só que... Eu não sei. Ele não me parece confiável

- Estranho – Comentei – Ele nunca me deu motivos. O que você sabe?

- Não é nada – Ela disse. Eu sabia que era mentira, mas não insisti

- Sam, nós podíamos ir até a Europa hoje

- Claro, eu preciso correr um pouco pra não perder o jeito

- E podíamos visitar aquele garoto, que viu meu futuro

---


- Você quer passar quanto tempo lá? – Ela perguntou

- Tempo suficiente para entender tudo

- Quer se despedir do ?

- Não. É melhor eu ir sem ele ficar sabendo. É mais seguro

- Você não corre riscos,

- Ainda não. Eu prefiro não botar ele em perigo – Falei subindo e pegando algumas roupas

- Você já o bota em perigo deixando ele saber o que você é – Samantha falou do quarto dela. Eu ignorei.

Samantha foi correndo e eu voei até Liverpool, a cidade onde o tal menino estava. Nos encontramos e fomos até o lugar que Nate havia me indicado para encontrar o garoto.

- Vocês demoraram – Um pequeno menino com olhos verdes e cabelo preto, sorriu ao abrir a porta – Prazer, me chamo Chuck (n.a: Chuck e Nate, qualquer semelhança com Gossip Girl é mera coincidência)

- Oi Chuck – Samantha sorriu – Eu sou a Sam, ela é a

- Ah eu sei – Ele sorriu de novo e nos convidou para entrar. A casa dele não era como a nossa. Era muito bonita, com um ar antigo, mas com pouca luminosidade.

- Chuck, o que é aquela história toda da sobrecarga que eu terei? – Eu perguntei

-A sua situação é mais complicada do que aparentava ser – Ele falou

- Como assim?

- Bom. O humano não é afetado por alguns poderes certo? Os únicos poderes que funcionam com ele, são os que não o afetam. Sei que você nunca tentou, mas você não pode manipular os sentimentos dele, como você pode com a Samantha. Você apenas os sente. Nenhum poder que possa atingi-lo funciona. E isso tem uma razão. Na noite em que o seu vampiro, Andrew, seqüestrou o garoto, eu tive alguns flashes dessa época. E a partir do momento em que aquela criança teve o primeiro contato com vampiros, a vida dele ficou destinada a uma só coisa

- Que coisa? – Samantha perguntou

- A sobrecarga. Ele é o único que pode te impedir

- Ele é só um humano – Eu falei confusa

- Sim. Mas ele é um humano destinado a viver no meio de vampiros

- Como ele pode me parar?

- Essa é a parte complicada do seu futuro – Ele falou – Se ele viver, todos ao seu redor morrem. Se ele morrer, todos sobrevivem.

- O QUE? – Perguntei sem acreditar no que ele estava dizendo

- A sobrecarga só não vai acontecer, se ele estiver com você. Se esse garoto for transformado, ele terá o poder de absorver os poderes. Parecido com você. Mas ele poderá tirar os poderes dos outros. Como humano, ele tem parte desse poder. Mas ainda não tem força para suportá-lo. Ele pode te salvar, e salvar quem quer que esteja ao seu redor quando a sobrecarga acontecer, mas ele não terá força para viver

- Ele vai... Absorver todos os meus poderes? Ele não vai viver

- É impossível que ele sobreviva – Samantha falou – Mas e se... Se ele for um vampiro?

---


- NÃO – eu gritei

- Se ele fosse um vampiro, ele ainda correria um risco. Porque a sobrecarga está se aproximando, e o humano precisaria de tempo para controlar seu poder. Isso podia fazer ele ter uma sobrecarga. Mas essa é uma chance em um milhão. Assim como a chance de ele morrer, assim como chance de ele sobreviver. Todas as possibilidades são mínimas. Qualquer coisa pode acontecer – Chuck falou

- , você prefere a morte dele? – Samantha perguntou incrédula

- Eu não posso repetir o mesmo erro. Eu prometi a mim mesma. Depois do Andrew, não – Falei confusa

- Você já quebrou promessas antes – Samantha falou

- E vai quebrar mais no futuro – Chuck disse sorrindo

- O que eu vou fazer? – Perguntei para o garoto

- Você sabe o que vai fazer. Só que ainda não se deu conta disso – Ele disse percebendo que havia sido confuso. Eu não insisti. Ouvir mais metáforas só me colocaria em uma situação pior

- Não posso escolher entre deixá-lo morrer e tirar a vida dele, eu mesma.

- Você não precisa escolher. Mas lembre-se: Alguém terá que morrer – Chuck falou sério. As palavras dele ecoavam em minha cabeça. “Alguém terá que morrer”

Levantei e corri com velocidade para fora da casa. Não me preocupei com os humanos ao meu redor. Eu estava invisível, e do jeito que corria, seria só o vento. Continuei correndo e tirei meus pés do chão. Observei aqueles humanos tão frágeis ficando menores a cada segundo. Eu voava invisível e mais devagar do que quando corria. Continuei subindo, até passar por duas camadas de nuvens. Eu estava sem o menor senso de direção. Desci um pouco, vendo o topo de uma montanha. Deixei meus pés encostarem na grama meio acinzentada daquela montanha deserta e coberta por nuvens finas, deixando-a nublada. “Alguém terá que morrer”. Sem pensar duas vezes eu daria minha vida para salvá-lo de qualquer sofrimento. Mas quem estaria ao meu redor quando tudo acontecesse? Sim, eu o amo acima de qualquer outra coisa. A ponto de esquecer o que é justo. Mas eu não podia deixar de pensar nisso. Quantas pessoas seriam mortas comigo? E se eu não pudesse evitar a presença dele na hora que tudo acontecer? Sam conseguiria levar ele para longe, e conseguiria salvar os outros? Sam estaria lá na hora? Chuck viu que estava lá para me salvar, e a quem estivesse perto o bastante para ser atingido. Mas Chuck também me viu tendo a sobrecarga, e matando sabe-se lá quantas pessoas. O quão perto essas pessoas estariam? Por quantos metros essa explosão se expandiria? E se a visão em que , o humano , está comigo para me salvar e sacrificar a própria vida, acontecer? Eu iria sobreviver, mas ele ia carregar poderes que ele não era capaz de carregar. Ele morreria. E a exposição? Teríamos que recomeçar, se ele me salvasse. Se alguém visse, e com certeza veria, um de nós explodindo. Qual seria a desculpa? Para onde eu fugiria? Eu iria viver sem ele? E a pergunta mais torturante de todas: E se ele fosse um vampiro? Um vampiro recente, mas com treinamento? E se eu tentasse? Ele poderia sobreviver, assim como eu. Mas e se não fosse necessária a transformação? Eu tiraria a vida dele por nada? De uma coisa eu já estava certa: Se continuasse comigo, ele morreria, eu só tinha que escolher como. Ele morreria sofrendo uma sobrecarga no meu lugar, ou teria sua vida tirada e substituída por imortalidade? Então eu cheguei á conclusão de que a pergunta que era realmente a mais torturante, ainda não havia sido feita. Seria melhor para ele ficar longe de mim para sempre?

---


Samantha me encontrou andando pelas ruas de Londres e me levou para um hotel.

- Quantos vampiros eu teria que conhecer para ter poderes suficientes e explodir? – Perguntei para Sam

- Eu falei com Chuck. E você não vai conhecer mais nenhum vampiro. A menos que transforme o claro. Mas o que eu quero dizer, é que o seu poder é tão grande, que ele está pegando poderes de quem está muito longe mesmo. Como em outras cidades da Europa por exemplo. O que explica o fato de que você está fazendo nascerem flores das paredes, e que você acabou de derreter seu celular - Sam falou e eu olhei para o aparelho que estava nas minhas mãos. Estava derretido, só havia um líquido meio sólido cinza entre meus dedos. As paredes tinham flores por todos os lados

- Está tão poderoso assim? E quem diabos tem o poder de fazer flores nascerem?! – Perguntei fazendo Samantha rir. O sorriso desapareceu quando ela se deu conta de que estava chegando a hora.

- O que vamos fazer? – Ela perguntou em um tom muito baixo

- Eu não sei – Respondi

- O que você não sabe? – Ela perguntou confusa

- Não sei o que vamos fazer. Você acabou de me perguntar isso Sam

- Não. Eu acabei de pensar nisso

- Meu Deus – Silabei ao perceber que estava aumentando a cada minuto

- Você vai transformar ele? – Samantha perguntou, ou pensou. Eu não sabia

- Eu preciso falar com ele antes. Não vou decidir nada sobre isso

- Mas você sabe que ele quer isso – Ela disse

- Ele é muito confuso

Voltamos para casa, e eu pedi para nos encontrar lá

- Lembra o que eu te disse sobre meus poderes? E sobre os caçadores? – Falei quando ele havia chegado

- Sim – Ele respondeu curioso

- Tinha uma parte que eu não tinha te contado. Eu só sou uma ameaça para os caçadores, porque eu estou absorvendo poderes com tanta freqüência, que eu vou explodir. Literalmente

- Ah claro – Ele disse sarcástico, boquiaberto – Você vai explodir e não me contou nada, imagino que isso também acontece todos os dias

- Calma . Eu não sabia que estava tão perto. Mas o problema é que eu vou morrer com essa sobrecarga, e será tão poderosa, que eu vou matar quem estiver perto. O único que pode impedir isso é você

- Como? – Ele perguntou disposto a aceitar qualquer coisa

- Você tem um poder

- Mas eu sou humano

- Sim. E esse poder só seria forte e obvio se você fosse um vampiro. Mas de qualquer jeito, esse poder já está aí. Em você. Você absorve poderes, mesmo humano. Mas não é como eu. Eu copio os poderes e você tira das pessoas. Se você tirar meus poderes na hora da minha sobrecarga, tudo ficará bem

- Tudo bem então. Eu posso fazer isso

- Não, não pode – Eu falei – O meu problema estaria resolvido. Mas aí, eu teria que dar um jeito e rápido para te salvar. Porque quem teria uma sobrecarga, seria você. Como humano você não teria força para suportar nem dois poderes

- E se eu fosse um vampiro?

- Você teria força, mas precisaria de treinamento para segurar todos os poderes. Você não precisa fazer nada disso. A opção mais sensata é eu ir embora, para longe, e nunca mais voltar

- Isso não é nada sensato – Ele falou – Me transforme então

- , vá para casa, e pense. Decida o que você quer. Eu vou sair de Seattle amanhã á noite. Se você for fazer essa idiotice, se for sacrificar sua vida por mim, e saiba que eu não quero isso, então me encontre aqui. Eu vou sentir sua falta

- Não vai – Ele falou indo para a porta – Eu vou voltar

- Pense antes. Pense em tudo que você vai perder fazendo isso, e nos riscos. Na dor, na sua família. Pense na sua vida,

- Eu vou pensar – Ele disse sem certeza

- Prometa

- Eu prometo – Ele falou e se virou para o carro.

---


( narrando)

Fui para casa pensando, como eu havia prometido. Eu estava decidido a salvá-la, inverter a situação pelo menos uma vez. Sentei na mesa e peguei uma folha de caderno.

Mãe,

Eu sei que isso vai parecer coisa de adolescente idiota, e admito que possa ser, mas

Eu não sei bem o que dizer, mas eu te amo, e vou sentir saudade

Você já fez loucuras por amar alguém certo? Eu espero que me entenda, na verdade...

Por favor, entenda que você é uma das coisas mais importantes para mim, e vou sentir muito sua falta. Talvez eu volte, eu te amo

Quando você ler isso, eu já vou estar longe, muito longe. Isso vai parecer muito confuso, porque nem eu sei direito o que fazer. Eu não sei ao certo para onde vou, e também não sei o que acontecerá comigo. Mas eu não conseguiria partir sem ao menos dizer adeus. Se o que está programado para acontecer comigo, de fato acontecer, então eu te verei logo. Talvez dentro de anos, meses, eu não sei ao certo. Se tudo correr conforme o planejado, eu prometo que voltarei para te ver. Por favor, não perca a cabeça, não vá atrás de mim e espere. Apenas espere por notícias. Eu não sei o que vai acontecer comigo, e por isso vou ser sincero. Se o pior acontecer, e eu não tiver como voltar para você, alguém virá te avisar. Não a culpe, ela tentou me convencer a não fazer isso, mas eu vou, porque a amo. Se for ter raiva de alguém, tenha raiva de mim. Você e a são as pessoas que eu mais amo, então se eu for para sempre, me perdoe, e não culpe ela por nada. Vai ser difícil te deixar sem saber por quanto tempo, mas eu te amo, mãe. Vou sentir saudade.
P.s: Você acreditaria em vampiros?


Fim
-------------------------------------------------


n.a:² Antes que alguém venha me perguntar como é possível a vampira ter corado, essa fic não é igual a crepúsculo, ou a série moonlight. Ela é inspirada nelas, e em alguns fatos. Ou seja: sim, os vampiros aqui tem sangue circulando, eles são capazes de chorar e etc. O contrário do que acontece em Crepúsculo. Até porque, nessa fic, pra se transformar alguém, não basta só morder. Tem que drenar o sangue e alimentar com gotas do sangue de vampiro. Logo, os vampiros aqui tem que ter sangue. De novo: isso só foi inspirado em crepúsculo, não comparem todos os fatos (:

Vou repetir uma coisa que eu sempre falo no tópico: A gente não morde lá (sentiu a piadinha? fic de vampiros, a gente não morde...? HAHAHA, foi ótima, eu ri alto :'D meignora). Então depois de ler, vocês podem ir lá, nem que seja pra dizer: "Olha, eu vi uma vaca azul voando na banheira". Eu me sinto mais amada que a Oprah quando tem gente nova lá -Q e me dá mais motivação pra escrever (profundo isso :'D). Acho que só (H)
amo vocês :*

Coisas para você clicar:
- Minhas fics
- Fanfics Jonas Brothers
Hosted by www.Geocities.ws

1