Just For One Valentine's Day
Por Ulli.



Eu estava compondo uma música. Concentrado demais para perceber que Frankie estava jogado ao chão, chorando por ter cortado o pé brincando. Em um momento tão meu que fingi não ouvir o chamado da minha mãe para o almoço. Absorto demais para ao menos levantar e tomar um copo de água. Senti algo vibrando ao meu lado, e parei de dedilhar o violão. Encarei o celular com raiva, como se isso fosse fazer ele se calar. Pensei em deixar tocando, ou simplesmente desligar. Alguma coisa fez com que eu olhasse o visor. Um número desconhecido. O que poderia ser só mais um motivo para eu não me preocupar em parar de compor, passou a ser uma curiosidade. Rolei os olhos bufando, deixei o violão de lado e atendi o celular.
- Alô? – Perguntei jogando meu corpo para trás, deitando na cama.
- Er. Oi – Uma voz delicada, de uma garota, disse ao outro lado
- Oi – Falei estranhando – Quem é?
- A – Ela disse parecendo cautelosa com as palavras. Não conhecia nenhuma . Devia ter sido engano
- Com quem você quer falar? – Perguntei sendo educado. Mas começando a ficar irritado por ter parado minha canção por algo tão sem sentido.
- Eu não sei exatamente – A garota disse. Eu estava pronto para desligar quando a voz dela falou de novo – Eu sei que... Estou sendo idiota – Ela murmurou – Estou procurando o garoto do halloween passado, .
- Você é... A garota do celular? – Perguntei surpreso por ela ter me ligado tanto tempo depois.
- Acho que sou – Ela disse com a voz um pouco animada – É só que... Hoje é dia dos namorados e... Bom, eu odeio feriados. É só que a minha amiga vai me obrigar a sair com um amigo dela que parece um poço de ego em pessoa. E eu disse que já tinha marcado algo com um menino. Eu... Me desculpe por isso. Mas eu realmente precisava sair com qualquer pessoa que fosse para ela parar de insistir naquela história e... Eu não sei porque... Pensei que você talvez pudesse me fazer companhia hoje
Sentei na cama com uma expressão de choque. Eu havia esperado por uma ligação dela durante dias. E agora ela estava lá, me ligando como se eu tivesse deixado meu número com ela há dois dias atrás.
- Oi? – Ela perguntou com a voz arrependida – Olha... Me desculpa por isso. Eu não devia ter ligado
- Espera – Eu pedi com a voz um pouco elevada – Eu te dei meu número para você me ligar. Eu só estou surpreso que você realmente tenha ligado. Eu... É claro que eu quero sair com você hoje
- Obrigada – Ela disse com a voz doce – Mas olha eu... Eu nunca tive um namorado de verdade e... Nunca sai no dia dos namorados. É capaz que eu pareça uma estúpida durante o dia inteiro
- Ah ok – Eu disse rindo – Eu passo na sua casa daqui a uma hora?
- É. Pode ser – Ela concordou e me passou o endereço dela. Fiquei ansioso, e me arrumei preocupado com o horário
- Mãe eu... Vou sair – Falei pegando a chave do carro
- Feliz dia dos namorados – Ela gritou da cozinha. Peguei o carro sorrindo e fui até a casa dela. Buzinei e ela apareceu em uma janela do segundo andar. Sorriu e depois de alguns segundos ela estava vindo para o carro. Saí do carro sem saber o que fazer e abri a porta para ela.
- Não vai me dizer que você é um desses que abrem a porta e não deixam meninas pagarem a conta – Ela disse entrando com um sorriso no rosto
- Na verdade – Falei sentindo minhas bochechas arderem. Passei a mão pelo cabelo olhando para baixo – Eu sou.
- Ah – Ela falou ainda sorrindo – Aonde a gente vai?
- É meio que surpresa

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- Não duvido nada que seja uma praia deserta – Ela disse brincando com a ponta do cabelo
- Acho que vou ter que mudar de planos – Falei mordendo o lábio
- A gente... Ia pra uma praia? – Ela perguntou – Eu não queria falar nada. Por mim qualquer coisa está boa, ok?
- Eu estava brincando – Falei com um sorriso divertido – Metade dos garotos dessa cidade tem falta de criatividade o suficiente para levar as namoradas em alguma praia deserta. Que obviamente, não fica tão deserta assim. Acho que eu pensei em algo mais divertido – Falei sem tomar cuidado com as palavras. Pela expressão dela, percebi que havia falado alguma coisa errada.
- Você... Pode repetir? – Ela perguntou confusa
- Eu pensei em algo mais divertido – Falei sem entender
- Não. Não isso. A parte da falta de criatividade.
- Eu disse que a maioria dos meninos são sem criatividade o suficiente para levarem as... Namoradas – Falei parando na palavra que tinha a surpreendido.
- Eu não pensei muito nisso – Ela admitiu – Quer dizer... Chamar alguém para sair no dia dos namorados é meio... Eu devia...
- Não – Eu falei com um sorriso torto – Não se preocupa com isso. Eu... Não pensei em nada –Menti estacionando na frente de um parque de diversões. O mesmo estava decorado com corações e casais por toda parte
- Parque de diversões? – Ela perguntou com um brilho leve nos olhos
- Eu... Eu gosto – Falei passando a mão nos cabelos
- Eu amo parques de diversão – Ela silabou saindo do carro animada. Pegou minha mão e praticamente correu para dentro do parque comigo. Eu sorri e tentei acompanhar o passo dela.
- Você tem medo de fantasma? – Ela perguntou com um sorriso cheio de malícia. Parada na frente da casa do terror
- Não – Falei sem muita certeza. Odiava casas de terror. Mas ela parecia animada demais para eu admitir isso
- Vamos – Ela disse animada. Entramos na fila, e acompanhamos um grupo de casais, todos animados com a idéia. As portas da casa assustadora se abriram fazendo barulho. Um homem alto, com uma maquiagem que o deixava pálido e com olheiras profundas, apontou para dentro. Ele tinha roupas que davam medo e uma voz de dar arrepios
- Bem vindos ao terror – Ele disse dando passagem para todos nós. Ele nos encarava com um sorriso que me deu medo. Ela pegou na minha mão, não por medo, mais por animação, e começamos a andar pelo caminho da casa. Algumas pessoas estavam jogadas no chão, com sangue no corpo e pálidas como mortos. Eram atores, e me convenceram muito bem. Entramos no primeiro quarto, onde estava tudo vazio. Quando um homem com uma serra elétrica apareceu. Todos corremos para fora. Ela explodia de tanto rir.

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- Eu adoro isso – Ela silabou baixo, ouvindo gritos em outro quarto – Vamos – Ela me puxou até a próxima porta. Uma mulher estava amarrada em uma cama, ensanguentada e gritando. Ela olhou para nós e sorriu, dizendo que morreríamos. Me lembrou a cena do Exorcista. Mordi o lábio começando a odiar aquilo. Me chamem de covarde se quiserem, mas casas de terror não me divertem.
Passamos por todos os quartos. Cada um mais assustador que o outro. Um homem vestido de vampiro nos guiou para o fim. Demorei um pouco para me adaptar a luz do dia.
- ?- Ela perguntou. Eu olhei para ela com os olhos serrados – Você está bem?
- Sim – Eu menti
- Você está pálido. E minha mão vai ficar roxa – Ela disse olhando para nossas mão entrelaçadas. Eu apertava a dela com força. Soltei ao poucos e suspirei
- Desculpa
- Você é um covarde – Ela disse rindo. Eu ri junto e a levei para uma montanha russa. Passamos o dia naquele parque. Estava escurecendo e ela dividia um algodão doce comigo. Andamos até o carro, e eu parei na porta da casa dela.
- Obrigada por hoje – Ela disse sorrindo e eu retribui
- Tem alguma chance de eu te ver de novo? - Perguntei cauteloso
Ela sorriu e se inclinou, se apoiando no banco do carro para se aproximar de mim. Ela encostou nossos rostos e tocou meus lábios. Eu passei as mãos pela cintura dela, e ela abraçou meu pescoço. Aprofundei o beijo, sentindo arrepios quando ela passava os dedos na minha nuca. Ela sorriu e separou nossos lábios
- Quem sabe no próximo feriado – Ela respondeu minha pergunta anterior sorrindo.

N/A: FIM Q Como eu disse: romancezinho idiota pra matar o tédio. Eu gostei dessa, minhas shorts são meus mini orgulhos. umbeijo :*

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