Break The Ice
Por Ulli.
Um sit-spin, era tudo que eu precisava para vencer o campeonato. Fechei os olhos me concentrando, sem parar de patinar. A coreografia havia sido executada perfeitamente. Me preparei e respirei fundo, dei um largo sorriso para o juri, levando meu olhar rapidamente para a plat�ia. O que diabos aquele patinador de rua estava fazendo ali? Quando isso acabasse, eu acabaria com ele. S� um sit-spin, s� um sit-spin, eu repetia na minha cabe�a. Era um movimento simples e r�pido. N�o era um dos meus melhores, mas n�o estava fora do meu alcan�e. S� precisava me sentar na perna de apoio, erguer a outra deixando-a reta, e girar. Senti as dores do treino do dia anterior, e me foquei somente no giro. Me apoiei na perna e realizei o movimento, mantendo o equil�brio. Os gritos das pessoas e Matt narrando meu giro no microfone se transformaram em sons abafados, como se estivessem em outro lugar pr�ximo. Era meu r�cord, nunca havia conseguido ficar tanto tempo executando esse movimento. Me levantei triunfante, pronta para fazer o movimento final. Senti novamente a dor na minha perna, mas dessa vez, como uma pontada. Meu joelho vacilou e eu cai. Me levantei rapidamente me recuperando e continuando os �ltimos segundos da sequencia.
- Esse tombo pode atrapalhar muita coisa � Minha m�e falou me dando um casaco quando eu sa� da pista. Ela era minha treinadora � Mas aquele spin... Voc� andou treinando? Foi incr�vel. Sua sequencia foi maravilhosa, voc� com certeza vai subir no p�dio hoje
- Sim m�e, vou subir no p�dio mas n�o vou ganhar o ouro � Falei me castigando. Minha medalha estava garantida, at� aquela dor idiota me atrapalhar � Halley executou uma sequencia � altura da minha � Falei olhando rapidamente para o canto que Halley estava sentada com a treinadora dela, olhando a concorrente que se apresentava. Ela tinha um largo sorriso, por saber t�o bem quanto eu, das chances que ela tinha de levar o ouro
- De fato, ela n�o caiu nenhuma vez. Mas a sequencia dela n�o foi t�o arriscada quanto a sua. Voc�s est�o na lideran�a.
- Quantos pontos? � Perguntei tomando �gua. Meu olhar foi de relan�e para a plat�ia e ele ainda estava l�. Parado na ponta de uma das enormes arquibancadas, com os patins sujos na m�o. Ele me encarava com um olhar divertido. Quase coloquei meu patins e fui at� l� dar um chute na cara dele, para ver se a l�mina do meu patins fazia um estrago aparente. Com as rodinhas do patins dele � que ele n�o se defenderia, e ele n�o ousaria brigar comigo.
- , foco � Minha m�e reclamou virando meu rosto na dire��o dela � Como eu disse, a diferen�a � pouca, mesmo com o segundo lugar, podemos recuperar na pr�xima
Eu assenti e peguei mais uma garrafa de �gua, lutando para n�o olhar o rosto dele. Se eu esbarrase com ele hoje, ele viria me provocar, e isso n�o daria certo. Estava na hora de subir ao p�dio. Antes de entrar na pista, Halley virou para mim e sorriu
- Boa sorte,
- Boa sorte � Sorri de volta. Ela era minha maior concorrente, desde que �ramos pequenas, mas isso n�o fez com que fossemos inimigas mortais. Na verdade, nossas m�es eram
Foi como eu esperei, Halley ganhou. Mesmo com a sequencia menos arriscada, ela tinha ganho muitos pontos. Fiquei em segundo. Subimos no p�dio, ela pegou minha m�o e a levantou, sorrindo para mim, retribu� o sorriso.
- Voc� foi incr�vel � Ela comentou quando estavamos saindo da pista
- Voc� tamb�m foi � Eu sorri para ela � Eu te vejo outro dia
- Sabe o que eu acho? � Minha m�e come�ou a falar. Patinar era minha vida, assim como j� foi a dela. S� que as vezes, era ela meio exagerada � Voc� n�o devia ter dado t�o duro no treino, olhe para a sua perna � Ela apontou para minha coxa que tinha pequenos hematomas. E eu os culpava pela minha queda
- Ei � Eu falei tentando acalm�-la � M�e, est� tudo bem. N�o � a primeira vez que eu me machuco treinando. Segundo lugar est� bom � N�o, n�o estava. Eu s� falava aquelas coisas para tranquilizar ela.
- Certo. Vamos pegar leve ok?
- Ok m�e. E voc� sabe que quando seus instintos maternos se acalmarem voc� vai mudar de id�ia. Ent�o amanh� eu venho treinar � Eu falei indo para o vesti�rio e ela sorriu � Voc� deve estar cansada. Vai pra casa m�e, eu vou andando, quero esticar as pernas. E n�o me venha com essa de �tudo bem eu espero� porque eu estou vendo que voc� s� precisa ver uma cama para capotar.
Tomei um banho r�pido nos chuveiros do vesti�rio, e botei minha roupa normal. Fui andando para casa por um caminho incomum. Eu evitava esse caminho sempre, era mais curto, por�m passava pela pista de skate. Que de skatistas n�o tinha nada. S� patinadores de rua. Inclusive ele.
- Belo tombo � Ele gritou quando passei pela pista. Eu me obriguei a continuar andando, mas parei antes de dar um passo completo. Me virei e o encarei. Ele estava com a mesma cara divertida de antes. Tirei uma mecha de cabelo que o vento havia soprado para o meu olho
- Cala a boca
- A rainha do gelo est� se estressando? � Ele disse ir�nicamente � Coitadinha, n�o deve estar acostumada a cair. Geralmente a gente n�o se machuca fazendo coisas f�ceis
- Se equilibrar em cima de rodinhas � f�cil, e mesmo assim voc� faz a proeza de cair. Voc� n�o conseguiria fazer o mais simples dos spins sem bater a cara no ch�o
- Ah nossa � Ele continuou sendo ir�nico � Spins, levantamentos, saltos, footwork... Poupe-me dos seus padr�es e das suas piruetas sincronizadas. Na rua, as regras do jogo s�o outras
- �. Deve ser muito dif�cil descer uma rampa e dar um salto. Muito meigo inclusive � Eu provoquei trocando a mochila com meus patins de ombro � Agora tente fazer giros se apoiando em um p� s�, e em cima de uma l�mina. Quem me dera patinar de rodinhas. Sinto falta de precisar do apoio delas para n�o perder o equilibrio
- Voc� acha que � f�cil? � Ele disse rindo. Algumas pessoas se viravam para olhar o conflito, mas voltavam a andar quando percebiam que era s� mais uma briga entre a menina do gelo e o menino da rua
- Eu posso apostar que sim � Eu sorri com deboche
- Voc� realmente acha que por estarmos em cima de rodinhas, isso torna tudo mais simples, n�o �?
- Definitivamente. Torna tudo muito mais simples � Eu dei os ombros
- Voc� n�o aguentaria a dor de uma queda aqui � Ele disse me rejeitando
- Voc� n�o sabe o que sentir dor de verdade. Voc� n�o imagina o que uma queda no gelo pode fazer � Falei me virando para evitar que aquilo passasse de discurs�o. Caminhei nervosa para casa, me arrependendo de ter tomado aquele caminho. Sim, eu estava curiosa, queria v�-lo e ter coragem de perguntar o que diabos ele fazia na minha competi��o. Mas n�o era poss�vel. Toda vez que eu via o rosto dele, eu me enchia de raiva. Nossa briga j� vinha de muitos anos. Ele sempre subestimou patinadoras. Ainda mais as que ficavam no gelo. Isso n�o era um esporte, era minha vida, e ele n�o a subestimaria dessa forma sem ouvir algumas verdades.
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- , o Steve te ligou � Minha m�e avisou quando cheguei em casa. Eu assenti e subi para o meu quarto. Joguei meu corpo de uma vez na cama e peguei o telefone, discando o n�mero de Steve
- Hey Steve
- Oi, o que voc� acha de aprender a patinar? � Ele perguntou animado
- Steve, eu sei patinar
- N�o desse jeito � Ele falou rindo � Eu n�o seria capaz de te ensinar alguma coisa que voc� n�o saiba sobre patina��o art�stica. Eu estava falando sobre hockey.
- Que tipo de gay joga hockey? � Perguntei rindo, e descartando completamente a possibilidade de aceitar
- Eu jogo � Ele disse como se fosse �bvio � Descanse hoje. Porque amanh� depois da aula, vou te levar pra jogar comigo
- Steve voc� � Come�ei a falar, quando ouvi o barulho do telefone mudo. �timo, agora at� o meu melhor amigo, o meu melhor amigo gay, me deixa falando sozinha.
Andei at� uma prateleira no meu quarto, com trof�us, medalhas e fotos. Coloquei a mochila com meus patins ao lado dela e peguei um porta-retratros. A foto do meu primeiro ouro no sub-10, eu tinha apenas 8 anos, e estava sem meus dentes da frente. Ri da minha pr�pia cara e coloquei meu novo trof�u no �ltimo lugar vago
- Vamos precisar de uma prateleira maior � Minha m�e falou me observando com um sorriso da porta do quarto
- Eu espero que sim � Sorri de lado e sentei na minha cama.
- Voc� me deixa muito orgulhosa � Ela falou me abra�ando
- Queria que o papai tamb�m pudesse estar � Encostei a cabe�a do ombro dela. Ela apertou o abra�o e passava a m�o no meu cabelo
- Onde quer que ele esteja, ele sempre vai se orgulhar de voc�
- Eu sinto falta dele � Falei sentindo as l�grimas rolarem dos meus olhos � M�e, eu te amo muito. Eu n�o quero que voc� v� embora sem saber disso, como o papai foi
- Ele sabia disso, pode ter certeza. Fique calma, o acidente foi a algum tempo, tudo ficou bem, como ele prometeu
- Tudo ficou bem � Repeti as palavras da minha m�e, me lembrando da promessa que havia escutado naquele hospital, no �ltimo dia que vi meu pai. No �ltimo dia da vida dele.
(...)
- Bom dia � Steve falou animado ao me encontrar no corredor da escola
- Bom dia � Falei esfregando os olhos, pare ver se acordava de uma vez
- Voc� est� horrivel � Ele falou fazendo uma careta � Foi dormir tarde?
- N�o � Eu falei praticamente rastejando pelos corredores � Fui dormir cedo demais, minha cara deve estar parecendo um bal�o
- E est� mesmo � Ele falou rindo � Eu sei o que voc� precisa. Depois de aprender hockey, vou te levar pro shopping. Estoure o cart�o de cr�dito da sua m�e. Seu astral vai melhorar de uma maneira absurda, sua cabe�a vai inflar de tanto ego
- Steve vai com calma � Falei rindo � Eu n�o acho que hockey seja uma boa id�ia pra mim � Eu fiz uma careta e entrei na sala
- Voc� � a rainha do gelo � Ele piscou e foi para a aula dele
- �, a rainha do gelo, fabulosa � passou por mim rindo, e gesticulando exageradamente
- Cala a boca garoto � Falei virando para ele
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- Quer briga aqui tamb�m? � Ele disse sorrindo
- Covarde a ponto de me bater? � Perguntei com um sorriso maior ainda � Voc� sabe que eu gosto de um desafio
- N�o seria covardia � Ele disse irritado � Mas sabe, minha m�e me deu educa��o
- Jura? Use-a pelo menos uma vez, quero ser testemunha do milagre
- Voc�s n�o pretendem ir parar na dire��o mais uma vez certo? � Cassie falou fazendo uma careta de t�dio � Vem , depois voc�s se resolvem
se virou e sentou na mesa dele. Fui para o outro lado da sala com a Cassie
- Voc�s precisam parar de brigar tanto � Ela falou balan�ando a cabe�a
- Acho dif�cil � Eu sorri
- Enfim. Parab�ns por ontem, queria ter visto
- Tudo bem, n�o perdeu nada de interessante � Dei os ombros e sentei ao notar a presen�a do professor. No refeit�rio, estava atr�s de mim na fila. Mal nos olh�vamos, e quando acontecia, era acompanhado de um insulto, ou um gesto inadequado
- Eu to ficando cansado do patinadorzinho de quinta � Steve falou sentando na mesa do refeit�rio
- N�o � o �nico � Eu sorri
- L� vem essa conversa de novo? A �nica diferen�a entre todos voc�s, � que o patins dele tem rodinhas e fica pelo asfalto, e o de voc�s tem uma l�mina que d� saltos no gelo � Cassie falou rolando os olhos
- Os meus patins n�o d�o saltos � Steve reclamou � Eles marcam os maiores, melhores, e mais hist�ricos pontos dos campeonatos de hockey
- D� na mesma � Ela deu os ombros
(...)
- Steeeeeve � Eu reclamei entrando no grande gin�sio onde Steve me for�aria a jogar hockey
- Voc� reclama demais sabia? � Ele falou com um sorriso c�nico, me passado um par de patins surrados
- O que diabos � isso? � Falei levantando os patins
- Se acostume � Ele deu os ombros � Voc� n�o pretendia jogar com patins de patina��o art�stca, certo?
- Na verdade � Falei rolando os olhos � Ah Steve, por favor, voc� sabe que eu sou p�ssima em esportes
- Voc� � uma das melhores patinadoras que essa cidade j� viu. Seu sobrenome � esporte, sabia disso querida?
- Steve � Eu repeti � Meu sobrenome � Patina��o Art�stica � Falei dando �nfase na palavra Art�stica
- Est� na hora de espandir os horizontes glaciais � Ele falou abrindo os bra�os e jogando a cabe�a para tr�s. Ele pegou minha m�o e me levou at� um banquinho para eu botar os patins
- Steve, porque tem um bando de brutamontes enormes jogando? � Eu perguntei olhando as pessoas que haviam entrado no gelo
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- Ah, os meninos vieram hoje � Ele disse com um sorriso no rosto � Isso vai ser divertido
- Como assim vai ser divertido? Voc� acha bonito eu cair de cara no ch�o com um monte de elefantes me olhando?
- Eu acho que eles est�o mais para hipop�tamos brutamontes � Ele disse refletindo � E sim, ser� muito divertido se voc� cair
- Steve, isso � uma p�ssima, p�ssima id�ia � Falei balan�ando a cabe�a em nega��o
- N�o � t�o ruim � Ele disse ainda sorrindo � Imagine-se caindo, e um desses brutamontes bonit�es te levantando?
- STEVE � O repreendi � S�rio, n�o estou interessada em nenhum brutamonte do gelo. N�o estou interessada em ningu�m que viva no gelo como eu.
- Porque? � Ele disse sem entender � Um garoto do gelo seria sua alma g�mea
- N�o seria n�o. � capaz de nos casarmos em uma pista de gelo, e eu morrer de hipertermia na lua de mel
- De qualquer jeito, eu te trouxe para ver como hockey � uma boa terapia, se voc� sair daqui com um brutamontes, foi o brinde do lanche
- Steve, cala a boca � Falei rindo � Eu n�o tenho op��es certo?
- Voc� sabe que n�o � Ele falou com um sorriso divertido no rosto � Pessoal, a gente pode jogar?
- Hey Steve � V�rios meninos falaram aleat�riamente
- Quem � ela? � Um menino falou tirando um capacete e passando a m�o no cabelo escuro, que dava contraste aos olhos verdes
- Voc� n�o sabe? � Um garoto que estava sem capacete falou deslizando para minha frente. Se posicionando do lado do amigo � Ela praticamente cresceu no gelo, patina��o art�stica. , certo? � Ele perguntou sorrindo. Me limitei a abaixar a cabe�a e assentir com um sorriso fraco
- E agora, ela vai aprender hockey � Steve falou olhando para mim. Eu estava parecendo uma crian�a ao lado do pai, em uma festa de fam�lia. E se tinha uma coisa que eu n�o suportava, era isso. Levantei a cabe�a e dei um sorriso c�nico para Steve
- Vamos jogar ou n�o?
- S� estava esperando voc� pedir � Ele sorriu de volta e me deu algumas instru��es � Entendeu tudo?
- Acho que sim � Falei sorrindo. Come�amos a jogar e obviamente eles estavam todos pegando leve comigo. O garoto dos olhos verdes tirou o capacete e passou para mim
- Vamos ver o que voc� sabe fazer no gol � Ele disse sorrindo. Peguei o capacete da m�o dele com um sorriso divertido e fui para o gol
- Sabe que no gol voc� at� que pode jogar com os meninos do sub-10? � O garoto dos olhos claros observou rindo, quando passou por mim. Tirei o capacete rindo, para respirar enquanto alguns meninos iam tomar �gua. Um forte fecho de luz, acompanhado de uma sombra, revelando uma silhueta, invadiu o gin�sio. Olhei com os olhos semi-serrados na dire��o da porta, e tentei ver quem era. Seja quem fosse, estava paralisado, como se estivesse assustado. Eu vi a sombra de um patins nas m�os da pessoa, e a porta atr�s dele se fechou, confirmando meu medo
- O que voc� ta fazendo ai? � Ele disse com rejei��o na voz quando me viu
- Agora voc� controla o que eu jogo ou deixo de jogar, ? � Falei deslizando at� a grade, ele se aproximou tamb�m. Ele balan�ou a cabe�a confuso e fez uma careta de desgosto
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- David � Ele gritou me ignorando. O garoto dos olhos claros deslizou at� o meu lado
- Trouxe? � Ele perguntou ao encostar na grade
- Trouxe � respondeu dando uma nota para ele � Mam�e disse pra comprar o patins e s�. Ela ficou reclamando no p� do meu ouvido que voc� anda muito consumista. E tamb�m reclamou sobre outra por��o de coisas que eu sinceramente n�o prestei aten��o � disse dando os ombros e sem olhar pra mim
- Ok pirralho, eu me cuido, pode voltar a dar suas piruetas na rampa � David riu e o olhou s�rio
- O que voc� tem contra piruetas? � Perguntei olhando o garoto dos olhos claros da cabe�a aos p�s
- Eu vou embora � falou olhando para o lado � N�o estou nem um pouco afim de ser amig�vel com ela
- Deixa de ser infantil � Falei deslizando para o outro lado, aonde Steve estava observando tudo. David continuou falando alguma coisa que parecia n�o ter import�ncia com o
- Voc� n�o d� sorte n�? � Ele falou observando a conversa comigo � Ou isso, ou � destino
- �timo destino o meu � Falei com ironia, rolando os olhos
- Sim, �timo destino � Ele falou com um sorriso divertido, se afastando de mim
- Mas o que � Come�ei a falar olhando ele ir embora, quando o garoto de olhos claros, David, deslizou at� ficar do meu lado
- N�o gostou do ? � Ele perguntou passando a m�o no cabelo escuro � Sabe, � s� a primeira impress�o. Depois ele melhora
- Eu posso te garantir que n�o melhora, n�o
- Voc� j� conhecia ele?
- Infelizmente. � seu irm�o? � Eu perguntei olhando para os olhos dele. Tinham um brilho fora do comum, e com todo o ambiente de gelo em volta... Era lindo
- Quase isso � Ele deu um sorriso torto � Meu primo. Mas eu moro com a minha tia desde que eu usava fraldas. Acidente de carro e... Enfim � Ele suspirou e olhou para o lado
- Tudo bem eu... Meio que te entendo � Dei os ombros, n�o querendo falar naquilo
- �. Mas ent�o... Porque voc�s se odeiam?
- O tem problemas mentais � Falei rindo � Ele sempre brigou comigo. Ele n�o gosta de patinadoras
- O que? � David perguntou incr�dulo � O que o mais quer, � namorar uma guria que patinasse
- Uma guria que patinasse nas rampas com ele � Eu acrescentei � E de qualquer jeito, ele � muito metidinho. N�o aguento � Falei balan�ando a cabe�a. David riu e passou a m�o no cabelo
- � mania? � Eu perguntei olhando novamente para os olhos dele
- O que?
- Passar a m�o no cabelo � Eu observei rindo
- Ah � Ele disse olhando para o ch�o, e inconscientemente, levando os dedos at� o cabelo. Ele riu com a atitude � �. Deve ser
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- Voc�s dois v�o ficar a� mesmo? � Steve perguntou pegando o taco para voltar ao jogo
- N�o � Eu sorri e voltamos a jogar. Como eu esperava, todos pegando leve comigo. Eu n�o era de vidro, n�o precisava daquilo tudo.
- Voc� at� que n�o joga mal � David falou sorrindo e sentando do meu lado para tirar os patins
- Ela � a rainha do gelo � Steve falou passando por mim e rindo alto
- Steve para com isso � Falei dando l�ngua para ele. David riu do coment�rio de Steve e sorriu pra mim
- Ent�o a gente se v� por a� � Ele falou cal�ando outro par de patins. Patins de rodinhas. Ele saiu do gin�sio andando
- As rodinhas me perseguem � Falei pra Steve, que veio sentar do meu lado
- Como eu disse, � destino � Ele piscou e me arrastou para o carro dele, assim que eu dei um la�o no t�nis. Ele dirigiu at� o shopping e parou do lado de um carro preto
- O David ta aqui � Ele observou olhando para o lado
- � o carro dele? � Eu perguntei saindo do carro de Steve
- � � Ele falou indo para a entrada � Ele ia comprar um patins ou coisa assim. E olha ele l�. Vai
- Vai pra onde Steve? � Perguntei confusa. Ele bufou e me puxou at� David
- Hey Steve � David cumprimentou � Oi � Ele sorriu
- Oi � Falei olhando para o ch�o. Sem chance de eu ficar olhando para os olhos dele outra vez
- Steve eu achei aquelas rodinhas e � falava chegando perto do primo. Ele me viu e parou de falar, me encarando � Voc�s s�o o que? Amiguinhos para sempre agora?
- , cala a boca � Eu e David falamos juntos
- Ah tudo bem � Ele rolou os olhos � Eu posso deixar o tri�ngulo amoroso em paz. Se bem que... a porpurina cintilante a� n�o conta � Ele falou apontando com a cabe�a para Steve e se virando. Antes que ele pudesse dar um passo, eu fui para frente e segurei o bra�o dele
- O que voc� disse? � Perguntei entre os dentes
- Olha s�, ela acha que tem for�a pra me segurar � Ele falou com um sorriso c�nico no rosto. Ele tentou puxar o bra�o mas eu apertei com for�a
- O que voc� disse? � Eu repeti olhando com raiva para ele. Ele levou o olhar at� a minha m�o, que apertava o bra�o dele com for�a
- N�o gosta quando a gente meche com o seu amiguinho ali?- Ele perguntou sorrindo � Eu disse que ia deixar o tri�ngulo amoroso em paz, sendo que a porpurina ali n�o contava � falou com calma, duvidando que eu faria alguma coisa. Fechei minha m�o que estava livre e apertei com for�a, olhando para o lado. Ele riu
- Voc� vai me bater? � Ele falou rindo mais alto. Eu olhei para ele incr�dula, e acertei um soco no canto da boca dele. Ele levou a m�o para o rosto e me encarou s�rio
- Voc� n�o tem no��o do que faz n�? � Ele falou em tom de amea�a. David pegou o bra�o dele e puxou para fora do shopping. Steve me encarava boquiaberto
- Desculpa Steve � Eu falei mordendo o l�bio � Aquele menino me tira do s�rio
- N�o eu � Ele falava ainda boquiaberto � Garoooota voc� arrasou. O que foi aquilo? Bem na cara dele, a-do-rei. Minha diva � Ele falou pegando minha m�o e me rodando
- Steve � Eu falei rindo � � s�rio, voc� n�o pode me deixar sair por a� descendo a porrada nos outros
- Ok. Nos outros n�o. Mas o n�o � gente � Ele falou bufando � Agora vamos �s compras, sua cabe�a ainda est� longe de inflar com ego
- Ok Steve, ok � Falei desistindo � O David tamb�m...
- Se ele tamb�m patina na rua? Sim � Steve falou sorrindo � Ele ensinou tudo que o sabe fazer. E eu estou com uma teoria sobre voc� e rodinhas
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- Teoria? � Perguntei olhando as vitrines sem muito interesse
- Eu estava errado � Ele deu os ombros � Sua alma g�mea n�o � um cara que vive no gelo como voc�. Sua alma g�mea � um deles.
- Tipo, os opostos se atraem? � Falei rindo
- Os opostos j� se atrairam. E eu sinceramente n�o gostei disso � Steve falou baixo
- O que? Pode ficar com o David pra voc�, n�o se preocupe. Eu n�o tenho o menor interesse nele � Falei ainda rindo
- �... A quest�o � que eu n�o estava falando do David
- De quem voc� estava falando ent�o?
- Voc� sabe muito bem � Ele falou parando de andar, olhando uma vitrine � E eu acho que sei bem como ser a fada madrinha dessa hist�ria
- O que? � Perguntei olhando a vitrine da qual ele n�o tirava os olhos. Olhei o nome da loja, e pude perceber o interior dela � N�o Steve, nem pense nisso.
( narrando)
- Porque voc� me tirou de l�? � Perguntei observando a leve marca que ela havia deixado no meu bra�o, e levando os dedos at� meu l�bio, que parecia estar inxado
- Eu n�o ia te deixar bater nela � Steve falou colocando o novo par de patins dele no carro e entrando. Eu bati a porta o encarando incr�dulo
- O que? Agora voc� ama ela? � Perguntei ir�nico. Ele n�o respondeu e come�ou a dirigir � �timo, voc� ama ela.
- N�o . N�o sou eu quem a ama, e voc� sabe bem disso � Ele falou me olhando s�rio
- Voc� est� insinuando que...
- � , eu to dizendo que voc� ta afim dela. Eu to dizendo que voc� sempre esteve. E eu to dizendo que voc� � um idiota por continuar tratando ela do jeito que voc� trata � David praticamente cuspiu as palavras, aumento um pouco o tom da voz. Eu o encarei incr�dulo
- Voc� n�o entende � Falei dando os ombros e virando o rosto para a janela
- O que eu n�o entendo ? N�o entendo que voc� � um idiota? E que isso n�o passa de uma guerrinha de grupos diferentes? Eu sei bem que esses dois mundos podem se misturar
- N�o, n�o podem � Falei elevando o tom de voz � Olha, ela n�o � uma patinadora qualquer. Fica claro nos olhos dela que patinar � a vida dela. Acima de qualquer coisa. E acima de qualquer pessoa. Se eu supostamente estivesse apaixonado por ela, n�o adiantaria. Ela nunca deixaria de ir treinar todos os dias por algu�m, ela nunca faltaria um campeonato. � como se o cora��o dela fosse de gelo
- Ent�o eu acho que voc� vai ter que quebrar o gelo � Ele falou com um sorriso no rosto. Talvez ele estivesse certo. Talvez estivesse na hora de algu�m quebrar o gelo, antes que fosse tarde demais.
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( narrando)
- Steve desiste disso � Falei colocando novamente meu t�nis
- Voc� entrou aqui, experimentou, agora compre e v� fazer o que est� planejado � Ele falou batendo o p�
- Aqui est�o seus patins � A vendedora sorriu e me entregou uma sacola. Paguei e arrastei Steve para fora da loja
- Vou me matar quando eu me der conta de que acabei de sair de uma loja de patinadores e skatistas, e que ainda por cima, estou saindo dela com um par de patins. Um par de patins com rodinhas
- Voc� vai se matar quando se der conta do quanto voc� � bipolar. Voc� muda de id�ia muito f�cil � Steve falou rindo de mim
- Eu sou emocionalmente inst�vel e vulner�vel ok?
- �. Eu tenho outro nome pra isso, voc� � emo.
- Voc� � h�tero
- Pegou pesado � Ele falou com cara de quem tinha se ofendido. Eu ri da cara dele
- Eu estou exausta � Reclamei puxando o bra�o dele � Me leva para casa
- Pera l� menina � Ele disse me soltando � Eu sou gay. E vai com calma, h�teros tamb�m n�o d�o muito valor para o tipo que j� chega pedindo pra levar pra casa
- Steve � Eu o repreendi rolando os olhos � Vamos logo
Ele riu e andamos at� o estacionamente do shopping. Entramos no carro dele, comentando o tal plano dele at� chegarmos na minha casa
- Steve, e se n�o der certo? � Perguntei mordendo o l�bio, saindo do carro
- Vai dar certo � Ele garantiu e esperou eu entrar em casa para ir embora. Eu subi os degraus quase me arrastando, joguei as sacolas no ch�o. Uma caixa caiu de dentro de uma delas. Me abaixei para peg�-la, sabendo o que eu encontraria dentro. Sentei no ch�o e fiquei rodando aquelas rodinhas, e olhando para o patins.
- Ok � Falei sozinha � Vamos come�ar logo com isso � Eu suspirei e peguei o telefone, discando o n�mero que Steve havia me dado
- Al�? � A voz do outro lado falou confusa
- David?
- Sim. Quem �? � Ele perguntou
- � a
- Ah oi � Ele disse parecendo cauteloso. Uma outra voz perguntou quem era. estava com ele
- Olha, eu sei que eu pareci uma descontrolada hoje e...
- N�o � Ele me interrompeu rindo � Foi demais
- Ok � Eu ri sem gra�a � Mas ent�o. Eu preciso da sua ajuda. Mas n�o posso te falar agora com o a�. Tem como voc� ligar nesse n�mero quando ele n�o estiver perto?
- Tem sim. E eu j� tenho uma id�ia do que voc� queira � Ele falou rindo � Eu te ligo ent�o, tchau.
Levantei do ch�o e fui at� a prateleira do meu quarto. Olhei cada trof�u, cada foto, e meu par de patins encostados no ch�o. Eram dois mundos diferentes. N�o. Os mundos n�o eram diferentes. Eu era, ele era. N�s dois pertenciamos aos nossos pr�prios mundos, e esses sim, n�o tinham muito em comum. Eu n�o podia mais culpar o fato de sermos opostos, o fato de patinarmos de um jeito diferente. Eu s� podia me culpar, e talvez ele, por termos criado nossos pr�prios mundos, e termos criado eles t�o distantes.
- , seu celular ta tocando tem meia hora � Minha m�e falou me acordando. Eu estava sentada com a cabe�a encostada na parede. Pensar me faz dormir, deve ter sido isso. Peguei meu celular na m�o dela, e vi no visor que haviam duas liga��es perdidas. Ambas do David
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- David voc� pode vir aqui? � Perguntei ao ligar para ele
- Posso. Pra que?
- � uma longa hist�ria. O Steve j� est� vindo e... Traga os seus patins
- Mas o gin�sio ta fechado hoje � Ele falou do outro lado da linha
- �, eu n�o estava me referindo aos seus patins de gelo � Falei mordendo o l�bio e olhando para o meu novo par de patins
- Ok, ent�o eu acho que estava enganado sobre saber o que voc� queria � Ele falou parecendo confuso � Mas tudo bem. Eu j� estou indo ok?
- Ok � Desliguei o telefone e suspirei, fechando os olhos. Era melhor aquilo dar certo mesmo. Andei inquieta por todos os c�modos da casa, esperando ouvir Steve chegando. Eu estava na cozinha tentando tomar �gua, quando a campainha tocou. Derrubei o copo no ch�o com o susto e os cacos fizeram um pequeno corte na lateral do meu p�.
- Droga � Murmurei me abaixando para limpar a bagun�a � Entra Steve, to aqui na cozinha � Eu gritei e voltei a catar os cacos maiores. Ouvi os passos se aproximando e olhei pra cima. David estava encostado na geladeira me observando
- Quer ajuda? � Ele perguntou com um sorriso. Eu assenti e ele se abaixou, olhando meu p� descal�o � Entrou algum caco dentro?
- N�o deve ter entrado n�o � Dei os ombros e levantei para jogar os cacos maiores do lixo. Peguei a vassoura mancando. David pegou a vassoura da minha m�o, e me botou no colo
- David o que voc� ta fazendo? � Eu gritei me mechendo inquieta nos bra�os dele
- Voc� vai ficar com uma infec��o se tiver algum caco no seu p�. Para de ser teimosa � Ele falou me botando no sof�. Ele perguntou onde tinham curativos e eu apontei para o banheiro. Bufei balan�ando os p�s, quando ele voltou com a pequena caixa de primeiros socorros. Ele se agachou na minha frente, e pegou meu p� com cuidado, limpando todo o sangue. Eu ouvi o barulho de algu�m batendo ritmadamente na porta e gritei para entrar. Steve veio at� a sala e nos encarou por um segundo. David ainda estava limpando meu machucado
- Eu n�o sei se eu deveria perguntar mas... O que � isso? � Steve apontou com a cabe�a para a minha dire��o e do David
- Eu deixei um copo cair, cortei meu p�, e o David ta implicando e falando alguma besteira sobre poder ter entrado algum caco no meu p� e eu morrer infeccionada � Falei dando os ombros.
- Como eu disse, infec��o � David falou tirando um pequeno peda�o de vidro do meu p�. Ele limpou mais uma vez o sangue, e colocou um curativo
- Isso n�o vai te ajudar muito � Steve falou olhando meu p�
- Eu sei que n�o
- Porque? � David perguntou � Qual � a hist�ria afinal?
- Bom � Steve sentou do meu lado e come�ou a falar � A hist�ria � que a est� apaixonada pelo � Steve fez uma pausa para ver a rea��o de David. Ele pareceu surpreso e me olhou com um sorriso, eu corei e abaixei a cabe�a. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas hesitou e s� assentiu, ainda sorrindo. Steve tamb�m percebeu que ele estava sabendo de alguma coisa, mas ele ignorou e continuou
- O plano � o seguinte: N�s temos duas semanas para ensinar ela a andar de patins. Eu tenho um amigo que � um dos organizadores do pr�ximo campeonato de patins que vai ter, e ele falou que se a estivesse patinando bem, ela abriria o campeonato. Acontece que ele simplesmente n�o saberia de nada. E n�o descobriria nem quando ela estivesse na pista � Steve falou com um sorriso. Se sentindo orgulhoso pelo plano
- Mas como ele n�o saberia que � ela? Mesmo que n�o anunciem o nome, ele ia reconhecer ela � David perguntou confuso. Ele j� tinha feito o curativo no meu p�, e estava sentado do meu outro lado. Ele estava inclinado para frente, para poder ver Steve, e com um bra�o apoiado na minha perna, para manter a posi��o
- Como ele n�o vai reconhecer ela? � Steve repetiu a pergunta de David, rindo � Ah, essa � a melhor parte do meu plano.
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- Eu ainda n�o entendi � David falou confuso depois de ouvir o plano de Steve. Eu ri da cara confusa dele, e Steve bufou, jogando uma almofada na cabe�a dele
- Da pra usar a cabe�a de cima e pensar? � Steve perguntou batendo de leve com o indicador na pr�pria cabe�a (n/a: qualquer semelhan�a com supernatural n�o foi mera coincid�ncia)
- Eu n�o estava usando a cabe�a de baixo � David falou mais confuso ainda. Steve explodiu de tanto rir e quando se acalmou, explicou tudo de novo
- Ela vai aprender a patinar, e vai abrir o campeonato. Mas ela vai estar usando roupas diferentes, e ningu�m vai conseguir ver o rosto dela. E a� voc� entra no plano
- �, a minha parte eu entendi. Mas pra que � isso afinal? � David perguntou olhando pra mim. Eu n�o falava nada, s� estava observando tudo. Steve bufou de novo e rolou os olhos, batendo o p� impaciente
- Voc� � lezado n� garoto? � Steve falou olhando para David. Eu ri de novo e depois abaixei a cabe�a, corando pela resposta que Steve daria- Tudo isso, � pra fazer o e a ficarem juntos
- Porque ela simplesmente n�o vai l� falar com ele?
- Voc� � lezado � Steve falou dando �nfase nas palavras � Se ela simplesmente for falar com ele, vai perder a gra�a. N�o vai ser uma hist�ria decente pra eu sair contando, e eu n�o teria o que fazer nas pr�ximas duas semanas. Agora vamos logo com isso
Levantei e fui at� meu quarto pegar meu novo par de patins. Steve disse que tinha que ir para casa, mas que nos encontraria na pista de skate depois. Eu e David est�vamos em sil�ncio e faltavam menos de cinco minutos para chegarmos na pista
- P�ssimo gosto � Ele falou olhando pra frente
- O que?
- Voc� tem p�ssimo gosto � Ele falou com um sorriso. Um sorriso que j� etava ficando familiar
- Voc� e o n�o se d�o muito bem n�? � Eu perguntei tamb�m sorrindo
- Voc� e ele tamb�m nunca foram muito amigos � Ele comentou � Ainda assim, eu n�o estou surpreso com isso. Era quest�o de tempo pra um de voc�s dois abrir os olhos
- Eu n�o sei aonde voc� quer chegar, mas esse tipo de conversa � constrangedora � Falei com um sorriso torto. Ele olhou pra mim sorrindo malicioso
Ele continuou sorrindo e correu at� um parquinho de crian�as que estava vazio atr�s dele. Eu recuei um passo e observei ele abaixando e enchendo a m�o de areia. Ele continuava sorrindo e correu na minha dire��o. Eu corri dele, gritando e rindo descontroladamente
- N�o David. Joga essa areia pra longe � Eu gritei ainda correndo. Ele conseguiu se aproximar e jogou a areia, que n�o pegou nas minhas costas por pouco. Continuamos brincando e falando idiotices, quando ele parou e olhou para um ponto fixo
- O que foi? � Perguntei parando de rir e acompanhando o olhar dele. S� consegui ver um vulto correndo para longe � Quem era?
- Esquece � David falou ainda olhando para o lugar onde a tal pessoa estava � N�o era ningu�m. � melhor a gente ir pra pista, o Steve deve estar chegando
- Ta bom � Dei os ombros e o encarei confusa. Come�amos a andar e eu dei uma olhada r�pida para tras, mesmo sabendo que quem quer que estivesse l�, j� estava longe
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- Como estamos indo? � Steve perguntou se aproximando. Ele levou os olhos at� David, que sorria. �, aquele sorriso incans�vel. E depois baixou o olhar, me encarando � O que diabos voc� est� fazendo no ch�o?
- Caindo � Falei tentando me levantar sozinha. As rodinhas deslizaram me fazendo cair novamente. N�o era t�o
- David, porque voc� n�o toma vergonha na cara e vai ajudar ela? � Steve perguntou se aproximando. Estendeu a m�o e eu ignorei o gesto, ainda tentando me levantar
- Ela se recusa a me deixar ajudar � David falou olhando para mim. Eu dei um sorriso c�nico e consegui me levantar, com dificuldade para manter o equil�brio depois da queda. Fiquei por poucos segundos tentando ficar na postura correta, e quando consegui, suspirei aliviada
- Eu n�o preciso da sua ajuda. Eu me viro � Falei sorrindo de novo. Ele deu um riso curto e baixo, olhando para o ch�o. Seu rosto ficou com um tom mais avermelhado, que destacavam as bochechas.
- O que voc� j� conseguiu fazer? � Steve perguntou mordendo o l�bio inferior. Ah, a mordida no l�bio. Era um gesto cl�ssico dele para demonstrar nervosismo. Por mais que ele odiasse, era quase como um impulso. Quando ele ca�a por si, j� estava mordendo o l�bio, deixando qualquer um que o conhecesse o bastante perceber suas emo��es t�o bem disfar�adas. Eu sorri do gesto, e Steve tamb�m, ao perceber o que fazia. Olhei apreensiva para David, ele apontou com a cabe�a para uma rampa de tamanho m�dio, e sorriu, me incentivando. Patinei cautelosa at� l�, e subi na rampa aceitando a ajuda de David. Eu me virava sozinha, mas aquelas rampas estavam me deixando irritada. Senti um frio na barriga que eu n�o sentia h� muito tempo, e o medo. Sensa��es que eu havia aprendido a controlar depois de meses sob o gelo. Coisas que n�o me afetavam mais, e que agora estavam l� de novo, fazendo com que eu me sentisse incapaz daquilo.
- Voc� consegue � David falou com um tom alto o bastante para me fazer acordar dos meus pensamentos � Voc� sabe que consegue
- Eu n�o consigo fazer de novo. David n�o d� � Falei me lembrando da sensa��o ao descer aquela rampa. Era horr�vel, e tentadora ao mesmo tempo. Eu me perguntava se o medo de descer, e o medo de cair, eram maiores e mais fortes do que a adrenalina e vontade de fazer de novo que eu sentia. Era uma pena que essa vontade de ir de novo desaparecesse no momento em que eu botava meus p�s na rampa
- Voc� sabe que consegue. Voc� n�o vai se machucar se cair � David falou calmo. Eu me lembrei de uma briga que tive com o . �Voc� n�o aguentaria a dor de uma queda aqui�
- Eu n�o aguentaria a dor de uma queda aqui � Repeti as palavras, ouvindo a voz dele na minha mente. Eu ainda n�o tinha ca�do, mas com o Steve ali, tudo parecia ter voltado a ser real. O familiar sorriso de David j� n�o me dava mais coragem, e aqueles pequenos gestos inconscientes que Steve fazia quando estava com medo, nervoso... Nada daquilo ajudava. Era meu melhor amigo que estava ali. O garoto que cresceu comigo e que sempre me ouviu. Era o �nico que fazia eu me sentir confi�vel. Mas o efeito dele comigo havia come�ado a sumir quando David sorriu. Era muito confuso, era estranho e parecia inevit�vel
- Claro que voc� aguenta � Steve falou com uma cara estranha. Como se eu falasse alguma coisa extremamente boba � Voc� aguentou coisa pior. Voc� consegue � Ele falou conseguindo me tranq�ilizar. Talvez Steve ainda tivesse o mesmo efeito comigo, at� quando David estava por perto. Contei at� tr�s, hesitando. Depois do tr�s, eu n�o fui. Respirei fundo e contei de novo, dessa vez at� dez, e me inclinei, descendo a pista. Na outra ponta dela, eu joguei meu corpo pra tr�s, enquanto estava no ar. Dei um mortal e n�o consegui achar o ch�o. Senti uma pancada forte na testa e minha cabe�a ficando pesada.
- , , acorda � Ouvi a voz de Steve. Minha cabe�a ainda pesava, e do�a. Eu conseguia sentir cheiro de sangue. Senti algu�m me chacoalhando, fazendo minha cabe�a girar � acorda
Abri os olhos devagar, me adaptando com a luz do dia. Eu estava com a cabe�a apoiada no colo de Steve, e sentada em um banquinho perto da pista de skate. David estava abaixado do lado do banco, me olhando
- Voc� est� bem? � David perguntou dando um sorriso torto
- Estou � Falei de imediato, sem ter certeza. Levei a m�o at� minha testa, e senti um pequeno corte. Meus dedos estavam vermelhos de sangue e eu sentia uma dor aguda na minha perna. No mesmo lugar que h� alguns dias atr�s, haviam hematomas causados pelos meus treinos. Tentei levantar e minha cabe�a girou. Steve segurou meu bra�o, para evitar que eu ca�sse se eu perdesse o equil�brio. Eu ainda estava de patins. �timo, eu levo uma pancada e nem pra me ajudar com o pr�prio equil�brio aqueles dois serviam
- Voc� quer ir pra casa? � Steve falou ainda me segurando
- N�o, eu ainda n�o terminei aqui
- Voc� n�o precisa disso tudo � David falou calmo. Eu olhei pra ele e depois para Steve. Minhas m�os ardiam e a dor na minha perna come�ava a ficar insuport�vel
- Voc� n�o vai treinar mais � Steve falou me repreendendo � Olha o seu estado. Voc� vai ficar em casa at� que n�o tenha mais nenhuma marca dessa queda no seu corpo. N�o vou deixar voc� treinar desse jeito
- Eu quero treinar � Falei me sentando
- Mas n�o vai � Steve rebateu. Tirei os patins, e David me ajudou a levantar. Fui para o carro de Steve
- Eu posso ir andando � Falei irritada com toda aquela preocupa��o desnecess�ria
- Mas n�o vai
- Caramba Steve. Eu n�o tenho mais sete anos
- Voc� est� agindo como se tivesse � Ele falou entrando no carro � Para de ser teimosa. Eu n�o vou deixar voc� se machucar mais
- , � para o seu bem. Quando voc� estiver em condi��es, voc� volta a treinar. Voc� tem tempo, calma � David falou na janela do carro
- V�o � merda voc�s dois � Murmurei com raiva. Eles sorriram um para o outro e David foi embora. Steve ligou o carro e foi na dire��o da minha casa
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- Droga � murmurei tentando levantar da cama. A dor na minha perna s� aumentava, e j� estava dif�cil eu me movimentar. Manquei at� o telefone, e disquei o n�mero de David. Ele atendeu no segundo toque.
- Ta melhor? � Ele perguntou antes que eu pudesse falar alguma coisa
- N�o. Por isso eu liguei � Falei com esfor�o. N�o era nada f�cil admitir em voz alta que eu n�o era capaz de fazer alguma coisa � A dor na perna piorou, ainda n�o consigo treinar. David isso n�o vai dar certo, faltam tr�s dias para o campeonato. Eu desisto
- Voc� o que? � Ele perguntou elevando o tom da voz � Voc� n�o tem no��o do quanto isso vai deixar o Steve mal
- Eu sei disso. Eu tenho no��o at� demais do qu�o triste ele vai ficar por n�o ver o brilhante plano em a��o � Falei me sentando na cama e encostando a cabe�a na parede � Mas olha, eu n�o posso fazer isso. Eu n�o posso tentar. Gostar do foi a maior estupidez da minha vida e eu n�o posso continuar com isso. Eu desisto
- Olha eu realmente acho que voc� pode achar outro jeito. Voc� n�o precisar desistir do... Dele � David falou obviamente escolhendo bem as palavras
- O ta ai perto?
- �
- Depois eu falo com voc�. Tchau Dave
Desliguei o telefone, criando coragem para ligar para o Steve. Eu o deixaria muito mal e conseq�entemente, ficaria mal tamb�m.
- Steve?
- , voc� n�o vai fazer. Voc� n�o pode continuar com o meu plano � Ele disse assim que me ouviu. Eu n�o tentei insistir. Ele apenas havia tornado tudo mais f�cil. Tudo estava f�cil demais. Finalmente a sorte estava ao meu lado.
Peguei meu novo par de patins, que j� estava arranhado pelas minhas quedas no asfalto, e os joguei dentro do arm�rio com for�a, esperando que quebrassem.
Deitei na minha cama e fechei os olhos. Ainda estava de tarde, e eu sabia que acordaria de madrugada se dormisse a essa hora. Mas com a falta do que fazer, dormir parecia uma op��o v�lida.
- Voc� n�o ag�enta a dor de uma queda aqui � Ouvi a voz dele. Olhei em volta e n�o o encontrei em lugar algum na pista de skate.
- ? � Perguntei olhando em volta
- Voc� sabia que n�o conseguiria. Porque tentou afinal? � A voz dele veio por tr�s de mim. Me assustei e me virei o encarando. Ele estava com as roupas de sempre. Um bon� escondendo o cabelo, bermudas e camisetas largas
- Por voc� � Murmurei o vendo andar at� o meu lado. se inclinou e encostou a boca no meu ouvido
- Voc� n�o me ama
Acordei assustada. Respirando ofegante. O quarto girou em volta de mim, me deixando tonta. Senti a dor na minha perna aumentar e ouvi passos se aproximando do quarto
- voc� est� bem? Estava gritando � Minha m�e disse na soleira da porta. Me olhando preocupada. Eu olhei pela janela e estava escuro. O rel�gio marcava uma e meia da manh�
- Estou bem � Falei passando a m�o no cabelo, que estava embara�ado � S� tive um pesadelo. E m�e, voc� se importa de marcar consulta pra mim amanh� em algum m�dio? minha perna s� piora - Pedi sonolenta, e ela assentiu, saindo do quarto.
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- Voc� devia ter me procurado antes � O doutor disse observando um raio x � V� isso aqui? � Ele apontou para um osso da minha perna
- Est� quebrado? � Minha m�e perguntou nervosa
- Quebrado n�o. Mas foi uma queda feia. Est� bem inchado e vou precisar imobilizar. N�o ser� preciso um gesso. Apenas uma tala por duas semanas � Ele falou com toda a calma do mundo.
Eu assenti e olhei apreensiva para minha m�e. Eu precisava estar livre para qualquer campeonato. E eu precisava treinar. Ainda mais naquela �poca do ano. Uma tala atrapalharia muita coisa. Minha m�e manteve a express�o calma, obviamente fazendo papel materno. Me perguntava se quando a treinadora viesse a tona, seria t�o simples assim.
Fui para outra ala do hospital, onde coloquei a tala. Insisti em andar sem ajuda da minha m�e at� o carro. Ela estacionou na porta de casa e foi trabalhar. O carro de Steve estava parado do lado.
- Voc� ta melhor? � Ele perguntou se oferecendo para me ajudar a entrar. Eu recusei e assenti � Sabe do que voc� precisa? � Ele perguntou com um sorriso e os olhos brilhando.
- Dormir e ser mimada pelo meu melhor amigo? � Perguntei sentando no sof�
- Tamb�m � Ele disse sentando do meu lado � Mas sabe... O que � melhor do que compras pra encher sua cabe�a de ego e auto-estima?
- Voc� n�o cansa dessa hist�ria de inflar a cabe�a de ego e auto-estima? � Perguntei levantando
- Que tipo de gay eu seria se me cansasse de compras? � Ele perguntou levantando tamb�m � Aonde voc� pensa que vai com a perna nesse estado?
- Vou fazer pipoca. Vai passar um desses romancezinhos e eles n�o s�o absolutamente nada sem pipoca e o melhor amigo gay pra comentar como o protagonista � bonit�o e bombado demais para ser real � Falei rindo do quadro que havia sido pintado em minha cabe�a imaginando a cena. Steve me deu l�ngua e apontou para o sof�
- Senta. Deixa que eu fa�o � Ele se ofereceu. N�o discuti e deixei que ele fosse preparar tudo
- Voc� sabe que eu n�o gosto quando voc� me trata como se eu fosse uma crian�a com todos os ossos quebrados � Falei cruzando os bra�os
- Voc� � bem capaz de quebrar todos os ossos. N�o sei como pode ter tanto equil�brio no gelo e tanta falta no ch�o. � Ele comentou da cozinha, que era ao lado. O barulho da pipoca invadiu o ambiente, junto do cheiro.
- Steve a pipoca vai queimar seu in�til � Gritei depois de um minuto e meio. J� podia sentir o cheiro mais forte
- Gosto de pipoca queimada � Ele riu. Ouvi o barulho do microondas sendo aberto, e estalos. Barulho de pipoca sendo despejada em um pote. Depois, barulho de g�s ao abrir uma garrafa de refrigerante. Steve apareceu segundos depois com dois copos e uma bacia de pipoca em uma bandeja.
- N�o sou t�o in�til assim � Ele sorriu e sentou ao meu lado, deixando a bandeja na mesa de centro na nossa frente
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- Os peitos dessa mulher n�o podem ser reais � Steve comentou boquiaberto, olhando para a televis�o
- Voc� devia estar reparando no cara sem camisa ali, n�o nos peitos dela � Falei rindo
- �. Ele tamb�m � bonitinho � Steve comentou � Mas os peitos falsos daquela mulher chamam a aten��o
- Desconfio que voc� seja h�tero
- Desconfio que voc� esteja certa
- O que? � Perguntei elevando o tom da voz � Voc� � h�tero?
- N�o � Ele disse com uma cara �bvia � Eu estava brincando. Se eu fosse h�tero j� teria te agarrado
- Aposto que voc� seria um galinha � Falei com um sorriso no rosto
- � � Ele falou rindo da minha cara. Ouvimos um barulho no andar de cima. Como gotas fortes batendo no vidro. Mas n�o chovia. Subimos as escadas curiosos e abri a porta do meu quarto. N�o ouvimos o barulho novamente. Dei os ombros
- A gente deve estar ficando doido
- Ou n�o � Steve disse olhando para minha janela, ouvi o estalo de novo. Me virei. Outro estalo. Uma pedra batendo no meu vidro. Olhei confusa para ele, me perguntando quem diabos joga tantas pedras na minha janela. Algu�m querendo quebrar o vidro, capaz.
- Voc� n�o vai ir ver quem �? � Ele estalou os dedos na frente do meu rosto, apontando com o outro dedo para a janela. Eu assenti, saindo do transe. Andei at� a janela e abri. David estava l� me olhando da grama. Ele abriu um sorriso e inconsciente, eu sorri daquele gesto t�pico dele.
- O senhor mil sorrisos n�o sai mais da sua casa? � Steve perguntou observando ele por cima do meu ombro. Eu joguei a m�o para tr�s. Com intuito de acertar a barriga dele
- Ai. Meu. Deus � Ele silabou. Eu olhei para tr�s e ele se inclinava, com as m�os entre as pernas
- Ai Steve. Desculpa. Desculpa. Pelo amor de Deus, me desculpa Steve � Falei levando a m�o at� a boca, abafando um riso.
- Vai abrir a porta pro seu pr�ncipe encantado � Ele falou ainda se contorcendo � E se controla pra n�o atingir as partes baixas dele tamb�m
- Desculpa � Eu repeti descendo as escadas com pressa. Abri a porta e ele estava encarando os pr�prios p�s
- Oi � Ele sorriu t�mido. Steve parou a alguns passos atr�s de mim e acenou. David retribuiu
- Cuidado com as suas bolas � Steve comentou sorridente e foi at� a cozinha. Eu o encarei com raiva e sorri t�mida
- O que tem as... Minhas bolas? � David perguntou t�mido, passando a m�o pelos cabelos.
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- � uma... Longa hist�ria � Falei lan�ando um olhar amea�ador para a porta da cozinha, onde eu esperava encontrar Steve. Ele estava l� e mandou um beijo, rindo � Entra David
- Na verdade eu... Vim te seq�estrar � Ele disse com um sorriso de crian�a
- Eu devo gritar?
- � melhor n�o � Ele amea�ou rindo
- Seq�estra logo � Steve se intrometeu ficando ao meu lado � N�o faz falta
- Cala a boca, vadia � Dei um tapa de leve no ombro dele
- Feriu meu cora��o � Steve fez cara de diva e riu � Bom, eu j� ia embora mesmo. Seja seq�estrada � Ele disse com uma cara maliciosa
- STEVE COLLIN, CALA A BOCA � Eu gritei o repreendendo, rindo.
- Outra longa hist�ria? � David perguntou quando Steve j� estava no carro, indo embora. Entrei no carro dele com um sorriso
- Na verdade n�o. Ele s� estava insinuando coisas � Falei sem gra�a
- Ah � Ele soltou sem gra�a e depois deu o mesmo sorriso de sempre. Parecia um carimbo estampado na cara dele
- Porque voc� sorri tanto? � Perguntei sem pensar. N�o havia me dado conta de que eu realmente havia feito a pergunta, at� ouvir uma resposta
- Eu gosto de sorrir � Ele deu os ombros, sorrindo � � meio que um jeito meu de achar que est� tudo bem.
- E est� tudo bem?
- Agora? Agora sim. E s� vai ficar melhor � Ele disse com um sorriso novo. Malicioso
- Pra onde diabos voc� vai me levar?
- Um lugar familiar para voc�. A prop�sito, um lugar que te traz p�ssimas lembran�as... Que s�o capazes de ficarem piores depois de hoje. Mas enfim. Vai ser bom pra voc� passar por isso. Chegamos
- A... Pista de skate? � Perguntei saindo do carro. Um grupo de garotos estava sentado em uma rodinha, no meio de uma rampa. Eles riam alto ao som da m�sica do celular de algu�m. Quase todos usavam bon�s na cabe�a e t�nis enormes. Era um estilo tentador para mim, eu gostava.
David me levou at� a rodinha, onde reconheci apenas um rosto. Apenas o dele. n�o falou nada. N�o me olhou feio. Apenas olhou para o lado quando nossos olhos se encontraram. David me apresentou a todos os outros. E um deles, bom, um deles na verdade era ela. Uma menina de cabelos enrolados pretos e olhos cor de mel. O nariz fino e totalmente proporcional ao resto do rosto. Era definitivamente linda. De dar golpes na auto-estima. Fez com que eu sentisse uma pontada de ci�me. Ela parecia t�o situada. No estilo deles, andando com eles e... Linda, atraindo os olhares deles.
Continuar vendo filmes idiotas com a Carmen Electra e a Pamela Anderson parecia uma id�ia muito melhor do que tentar me situar no meio do grupo completamente oposto ao meu.
A garota se levantou antes que David a apresentasse. O sorriso dela era infantil e os olhos brilhavam de um jeito inacredit�vel.
- Oi. Eu me chamo Holly. Quer jogar?
- O que voc�s est�o jogando? � Perguntei com cautela
- Voc� vai gostar � Ela disse com um par de dados na m�o. Ela os jogava para cima e repetia a a��o quando eles pousavam na m�o dela de novo. Ela sorria. Reconheci aqueles dados e n�o pensei duas vezes em sentar na roda. Seria mesmo divertido.
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Aquele jogo era... Interessante. Um dos dados indicava uma a��o. Um beijo, uma mordida ou qualquer outra coisa. O outro, indicava um local para a a��o ser realizada. Eu podia garantir que morreria de rir com as coisas que viriam daquele jogo.
- Ok. Eu come�o � Holly disse com os dados � Leonard, voc� vai... � Ela jogou o primeiro dado. O dado que indicava a a��o � Vai beijar... � Depois jogou o segundo dado. O que indicava o lugar � Que meigo. Vai dar beijinho no pesco�o do Chris.
- Porque do Chris? � Ele perguntou fazendo uma cara de nojo
- Porque eu quero que seja assim � Holly sorriu vitoriosa, com os dados na m�o � � a minha vez, eu escolho.
- Voc� vai pagar caro por isso � Ele falou e deu um beijo estalado no pesco�o do tal Chris. Que imitava uma garota
- Minha vez � Leonard pegou os dados � Ent�o a � Ele disse meu nome surpreendendo a todos, que estavam decididos de que ele escolheria a Holly. Ele jogou os dois dados de uma vez � Isso � nojento. Que seja. Vai morder o joelho do
- EU VOU O QUE?
- ELA VAI O QUE? � Eu e ele perguntamos na mesma hora. Eu desabei de rir e ele me encarava com uma sobrancelha erguida � Voc� n�o vai mesmo fazer isso, certo? � Ele perguntou
- � a minha vez � Leonard lembrou � E eu digo que sim. Ela vai fazer isso
- Voc� vai se dar mal depois disso � Falei encarando o loiro que ria da minha cara. Eu fui at� o lado do , e ele dobrou o joelho, de modo que ficasse ao meu alcance. Me inclinei e mordi com for�a, para deixar marca mesmo.
- SUA CANIBAL � Ele gritou depois que voltei para meu lugar. Eu e todo o resto da rodinha riamos descontroladamente � ISSO VAI DEIXAR MARCA � Ele reclamou e eu continuei rindo
Continuamos jogando, e eu ria cada vez mais. massageava o joelho uma vez ou outra, e me encarava com um olhar mortal. J� estava escuro e David se ofereceu para me deixar em casa
- O gostinho do joelho do � bom? � Ele perguntou ao entrar no carro, rindo.
- Foi nojento � Falei botando a l�ngua pra fora � Porque voc� me trouxe aqui?
- Por que... A maioria prefere que voc� e o d�em certo. Tentei aproximar voc�s dois.
- E quem � a minoria? � Perguntei olhando pra ele. Ele desviou o olhar da estrada e me encarou por um segundo.
- A minoria n�o importa. N�o faz diferen�a.
- Eu quero saber. � Insisti
- N�o � nada. Vai por mim, voc� n�o vai querer saber � Ele disse parando na porta da minha casa
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- David, quantos anos voc� tem? � Perguntei mudando de assunto
- Eu vou fazer 19 m�s que vem. Por qu�? � Ele perguntou provavelmente sem entender o motivo daquilo.
- Ent�o voc� j� fez o terceiro ano.
- Sim.
- Voc� pode me ajudar com uma mat�ria de matem�tica?
- Qual � a mat�ria? � Ele perguntou
- Algoritmos.
- Eu era bom nisso � Ele disse sorrindo. Sai do carro e ele foi comigo.
- Ent�o... Voc� vai ou n�o me falar sobre a minoria � Perguntei abrindo a porta do meu quarto. O mesmo tinha livros e folhas espalhadas por todos os lados.
- Voc� realmente quer saber?
- Quero.
- Depois dos algoritmos.
- Eu ainda n�o sei quem � mais chato, voc� ou o Steve � Falei bufando. Puxei uma cadeira e coloquei ao lado da minha na mesa que eu estava estudando.
- O � Ele disse com um sorriso. Folheou meus livros e cadernos, vendo a mat�ria � Bonita sua letra.
- Obrigada � Sorri com vergonha. Ele come�ou a me explicar de um jeito mais simples, e podia jurar que por um segundo me senti confiante com matem�tica. Coisa que n�o acontecia h� alguns anos, j� que essa mat�ria me traumatizava desde a s�tima s�rie.
- Entendeu? � Ele perguntou depois da explica��o
- Entendi. Minoria.
- O que? � Ele perguntou confuso
- Eu disse mi-no-ri-a. Quem � a minoria?
- � uma minoria bem m�nima sabe. E bom... � Ele come�ou a falar
- David � Eu interrompi � Direto ao ponto � Silabei antes que ele come�asse a me enrolar
- Voc� quem pediu � Ele deu os ombros e eu fiquei confusa. Ia perguntar o que ele quis dizer, mas David havia chegado mais perto de mim. Ele aproximou nossos rostos e eu n�o consegui emitir som. S� fiquei parada, olhando os olhos claros dele. Est�vamos t�o juntos que senti o cora��o dele acelerando. N�o duvido que o meu tenha ficado da mesma forma. Ele encostou nossos l�bios e me beijou. Est�vamos agora de p�, ele abra�ando minha cintura e eu o pesco�o dele. David deu passos para tr�s, me levando junto e nunca parando de me beijar. Ele me inclinou com cuidado e me deitou na cama, de modo que ele ficasse em cima de mim, sem me deixar sentir o peso dele. Ele parou e saiu de cima de mim, vermelho e passando a m�o no cabelo. Respirei ofegante e me sentei na cama, boquiaberta.
- O que foi... Isso? � Perguntei sentindo minhas bochechas queimarem. Tentei controlar, mas um sorriso apareceu no meu rosto, contra a minha vontade. Ele me olhou cauteloso, e o mesmo sorriso apareceu no rosto dele. Come�amos a rir sem entender nada do que havia acontecido.
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- Desculpa � Pedi rindo baixo. Sem olhar para ele. Obviamente meu rosto estava t�o vermelho quanto o dele. Isso se n�o estava mais.
- Desculpa � Ele tamb�m pediu me olhando � Mas n�o por isso. E sim porque eu n�o vou me desculpar pelo que aconteceu.
- � uma o��o v�lida � Falei levantando a cabe�a e olhando pra ele � Mas... N�o foi nada s�rio. Certo?
- Absolutamente. N�o vamos ter que nos casar ou coisa do tipo � Ele falou passando a m�o no cabelo. Uma tentativa falha de botar os fios no lugar.
- Eu n�o estava brincando � Falei cautelosa. Esperando que ele entendesse que aquilo n�o havia significado mais que apenas um beijo.
- Eu sei � Ele sorriu � N�o se preocupe.
Depois de alguns minutos, David foi embora. Fiquei entediada novamente at� minha m�e chegar. Desci as escadas para conversar com ela e tentar me ocupar, mas a cara dela estava horr�vel. A deixei deitar cedo e liguei para Steve.
- Se voc� est� cogitando a hip�tese de que eu vou para a sua casa em plenas 21:00 pm, voc� est� muito enganada. Eu estou exausto e n�o saio mais de casa hoje � Steve disse ao atender o telefone no terceiro toque.
- Eu n�o ia pedir � Falei rindo � S� preciso... Conversar.
- Como foi com o David? Ah, �timo. Eu realmente queria ouvir sua vers�o da hist�ria. A dele � muito sem m�gica e sem detalhes.
- Voc� ja sabe?
- Digamos que eu tenho minhas chantagens emocionais e que o David tem um cora��o de gelatina. E digamos que eu sabia que esses tais estudos teriam alguma divers�o. Ent�o digamos que talvez eu tenha o for�ado a me falar antes que voc� ligasse. Mas eu n�o imaginava que voc�s eram t�o apressadinhos.
- Foi t�o... Foi indiscrit�vel. Meu Deus. Steve, foi de uma hora para outra... � Comecei a contar tudo. N�o escondendo nenhum detalhe que fosse
- De fato a sua vers�o � mais m�gica e detalhada. Mas e o ? � Steve perguntou
- O deve estar indo muito bem, obrigada
- � s�rio � Ele reclamou
- O ... Eu n�o sei Steve. Eu n�o sei.
- E como est� sua perna? Quer dizer, n�o que essa tala alguma vez tenha a impedido de descer escadas correndo e tudo mais que tem direito.
- Apesar de estar contrariando ordens m�dicas � Eu falei cautelosa- Tirei a tala eu mesma hoje de manh�. Estava dormente e eu estava ficando irritada com aquilo. Minha perna ficou inchada por algum tempo, mas agora est� �tima. Inclusive, vou treinar amanh�. Sinto falta do gelo
- Vou com voc� � Steve falou rindo da minha desobedi�ncia � Amanh� depois da aula?
- Amanh� depois da aula. At� daqui a pouco Steve � Falei pronta para desligar.
- Como assim at� daqui a pouco? J� disse que eu n�o vou na sua casa hoje
- Voc� disse isso quando eram 21:00 pm. Agora j� passa da meia noite. Logo, daqui a pouco eu te vejo na escola
- N�o creio que ainda estou acordado � Ele surtou � Vou ficar com a cara inchada amanh�. Droga. Um beijo, preciso salvar meu rosto.
- Tchau Steve.
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- Olhe o que voc� fez comigo � Steve disse apontando para o olho
- Eu... Fiz seu olho?
- N�o � Ele disse decepcionado � Abaixo dele.
- Suas bochechas?
- Uma olheira � Ele silabou
- Er... Desculpa? � Perguntei rindo do pequeno surto
- Que seja � Ele disse irritado. Um segundo depois me abra�ou � Ok. E como v�o as coisas com o David?
- N�o v�o � Dei os ombros �Foi s� um beijo, Steve.
- �. De qualquer jeito, acho que voc�s dariam certo. T�o bem quanto eu e o Christiano Ronaldo.
- � como dizem. Amor Plat�nico.
- Quem disse isso? � Steve perguntou indo para a sala onde ter�amos aula juntos
- Plat�o � Falei com uma cara �bvia
- Ah - Ele disse sem parecer se importar - � como dizem... O Christiano me faz escravo dele.
- Quem disse isso? � Perguntei estranhando.
- Britney Spears.
O professor entrou em sala e paramos de falar. O resto do dia passou devagar, ainda mais quando eu n�o tinha aulas com Steve para passar bilhetes. Meu �ltimo tempo seria com . Todos os dias na escola ele me evitava, ao inv�s de provocar.
Cheguei � sala antes de todos e sentei em uma cadeira no canto da sala. foi o segundo a chegar. Pensei ter o visto dar um sorriso torto ao perceber que n�o havia mais ningu�m na sala. E pensei ter reparado que ele acenou de leve com a cabe�a. Balancei a cabe�a afastando esses pensamentos e me concentrei no ritmo que estava batucando na mesa.
- Soube que voc� ia ao campeonato � disse. Eu olhei para o lado e percebi que ainda n�o havia ningu�m na sala. Ele estava de fato falando comigo. Do outro lado da sala, respondi me sentindo estranha.
- Talvez
- E soube que voc� aprendeu a patinar � Ele continuou, mordendo o l�bio
- Eu sempre soube patinar � Falei me perguntando o porqu� de todos estarem demorando tanto. Ouvi uivos e gritos do lado de fora, e reconheci como uma briga. Ent�o era esse o motivo da sala vazia.
- Digo... Patinar como eu � Ele falou me olhando. Olhei para o lado e percebi que o sorriso torto havia ficado largo.
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- Talvez � Eu repeti desviando o olhar
- E por qu�?
- N�o se pode mais aprender outras coisas? � Perguntei ainda sem o olhar. Ele levantou da mesa e atravessou a sala. Ficou na frente da minha mesa, se apoiando nela e se curvando para perto de mim
- Voc� nunca gostou desse tipo de patina��o � Ele disse a poucos cent�metros. Parando para realmente ouvir, e sem gritar, a voz dele era linda. E o perfume dele me fazia respirar fundo para senti-lo.
- Eu nunca gostei de voc�. � diferente � Falei ainda evitando o olhar dele. Percebi que ele mordia o l�bio
- TODOS PARA AS SALAS AGORA. BOURNE E WILLS ME ACOMPANHEM. � Ouvi a voz do diretor no corredor e os passos apressados. me olhou com um sorriso torto e caminhou at� sua mesa, do outro lado da sala.
O professor entrou na sala, seguido dos alunos euf�ricos, comentando sobre a briga.
- Foi uma bela briga � O professor de f�sica comentou � Se o Sr. Bourne estudasse com a for�a e motiva��o que ele soca, seria meu melhor aluno � O professor riu. Nunca entendi o porqu�, mas em geral, professores de f�sica e qu�mica me davam medo. Escrevi um bilhete apressada e botei no bolso. Pedi ao professor para ir ao banheiro, e ele autorizou. Fui at� o gin�sio, onde Steve estava tendo aula. Bati na porta e a professora com cara de tirana abriu perguntando o que eu queria.
- Professora Jen, pode entregar isso � Steve, por favor? � Entreguei uma folha do meu caderno com anota��es da aula passada. Atr�s dele estava o bilhete que eu havia escrito.
- O que � isso?
- As anota��es que ele pediu. Eu ia me esquecer de novo.
- Tudo bem � Ela fechou a porta e deu a folha para Steve, que n�o teve tempo de me alcan�ar.
�Steve. Eu juro que o mundo vai acabar. conversou comigo. Digo... Civilizadamente. Estou com medo, �
Voltei para a sala e me sentei. Continuava com meu plano de n�o o olhar. Era tentador. Quando eu havia entrado, ele sorriu como se soubesse o que eu tinha feito. Me concentrei ao m�ximo na tarefa e o sinal tocou me fazendo suspirar de al�vio. Ou n�o.
- � Ouvi gritarem. Estremeci. N�o estava pronta para conversar com ele de novo. Parei de andar e continuei de costas para quem quer que estivesse me chamando. Me virei cautelosa.
- Steve � Suspirei aliviada.
- O que diabos aconteceu? � Ele perguntou andando at� o estacionamento.
- Est�vamos sozinhos na sala. Por causa da briga. E ele simplesmente falou comigo. Conversou. Perguntou por que eu havia aprendido a patinar como ele. Chegou realmente perto de mim. Eu estou com medo Steve. Pessoas v�o come�ar a ser abduzidas. � o apocalipse. Meu Deus.
- Como ele sabia disso tudo? � Steve perguntou entrando no carro. Coloquei minhas coisas no banco traseiro e entrei no do carona. Me fiz a mesma pergunta, e sem saber por quando tempo eu fiquei pensando, respondi com um sorriso.
- A minoria � Eu murmurei
- Quem diabos tem o nome de Minoria? Meu Deus. Que coisa horrorosa.
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- N�o Steve. Quem contou para ele. Foi a minoria. A minoria que n�o acha que eu e o devemos ficar juntos. A minoria que me beijou ontem.
- DAVID? � Ele gritou boquiaberto � Mas por qu�? Se ele n�o concorda com isso, porque diabos ele fez? � um mais est�pido que o outro.
- Eu vou ligar pra ele hoje. Depois te ligo
- N�o liga n�o � Steve falou de imediato � Deixa que eu vou pra sua casa mais tarde. N�o vou correr o risco de voc� esquecer de me ligar, e quando lembrar for tarde o bastante para me deixar com mais uma olheira.
Eu ri dos coment�rios de Steve e encostei a cabe�a no banco. Fechando os olhos.
- . acorda. Meu carro n�o � cama de hotel. Levanta da� � Steve falou me chacoalhando
- Que � Steve? � Perguntei abrindo o olho devagar
- A gente j� chegou na sua casa. Para de dormir e vai. Voc� tem que ligar pro David
- Vai � merda � Murmurei fechando os olhos de novo. Dopada de sono. Steve bufou e eu senti algu�m me pegando no colo. Steve pegou as chaves na minha bolsa e abriu a porta, com dificuldade em me carregar. Ele subiu as escadas e me deitou na cama.
- Voc� parece uma crian�a. Daqui a pouco ta me pedindo papinha � Ele disse ao me deitar na cama
- Idiota � Murmurei sem ter muita consci�ncia. Ouvi ele rindo e a porta fechando. Depois o carro dele indo embora.
Acordei com o toque do meu celular. Tonta, levantei da cama e atendi, ainda sem saber se estava sonhando.
- Al�?
- , � o David. O Steve disse que voc� queria falar comigo. E que se voc� n�o ligasse at� nove horas, era pra eu te acordar.
- J� s�o nove horas? � Perguntei ficando consciente de novo
- S�o. O que voc� queria perguntar?
- Eu... N�o me lembro � Falei reparando minha voz
- Voc� ta se drogando? � Ele perguntou assustado
- Claro que n�o � Eu ri me espregui�ando � Eu estava dormindo. Era... Alguma coisa sobre o e... Ah! � Exclamei finalmente acordando
- voc� ta se drogando sim.
- N�o estou. Eu acordo com defici�ncia mental mesmo � Falei levantando � Olha, porque voc� disse todas aquelas coisas para o ? Sobre eu ter aprendido a andar de patins e tudo mais?
- Eu... N�o disse nada � Ele pareceu confuso.
- Tem certeza?
- Tenho. Eu nunca toquei no seu nome em uma conversa com o . Por qu�?
- Nada � Falei estranhando. Se David n�o havia falado nada, eu n�o tinha mais pistas � N�o � nada.
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Desliguei o celular e olhei pela janela. Estava escuro e eu me sentia estranha. Havia dormido a tarde toda e sabia que n�o ia conseguir pegar no sono t�o cedo. Liguei para Steve, para contar sobre a conversa com David.
- , eu me recuso a falar com voc� agora. Voc� vai me deixar com olheiras de novo � Steve falou assim que atendeu
- O que as pessoas tem contra falar Al�? E voc� vai dizer que n�o quer saber da minha conversa com o David?
- Amanh� voc� me conta
- Voc� vai conseguir ag�entar at� amanh�? � Perguntei sorridente
- Voc� vai se arrepender amanh�. Conta r�pido, ainda posso evitar dormir muito tarde e acordar com olheiras.
- Ainda s�o nove e meia, Steve.
- �. Mas voc� � muito enrolada. At� terminar j� deu mais de uma hora da manh�.
(...)
- Ent�o quem voc� acha que contou tudo para ele? � Steve perguntou enquanto �amos para a sala � Ontem eu n�o prestei muita aten��o no que voc� disse quando me ligou. Eu estava quase dormindo. E olha, sem olheiras hoje.
- Parab�ns. Eu vou precisar contar tudo de novo? � Perguntei entrando na sala. Steve foi comigo, apesar de n�o ter a mesma aula que eu.
- N�o. Eu sei de tudo. S� n�o raciocinei. Se n�o foi o David quem contou, voc� vai ter que perguntar pra ele.
- Perguntar o que?! � Perguntei deixando meu material na mesa
- Perguntar para o � Steve disse sentando em uma mesa
- N�o vou perguntar nada para o � Falei me virando para minha bolsa, procurando meu celular.
- Porque n�o? � Algu�m perguntou. E n�o era o Steve. Me virei assustada e encarei se aproximando de mim
- Voc� tem sempre que ser t�o intrometido? � Perguntei irritada. Fui para longe dele e sa� da sala, mesmo que faltassem poucos minutos para a aula come�ar. Steve veio atr�s de mim. Andei apressada pelo corredor e sentei na ponta da escada
- Eu vou para a minha aula, at� eu chegar no terceiro andar o professor j� deu a prova � Steve disse subindo apressado. Eu assenti e afundei o rosto nas m�os.
- Eu realmente acho que voc� devia tentar falar comigo � estava sentado do meu lado, com uma m�o no meu ombro.
- Porque eu deveria fazer isso logo agora? � Perguntei com raiva, ouvindo o sinal. Me levantei com pressa � Tchau.
- Espera � Ele disse apressando o passo e se colocando na minha frente, impedindo que eu passasse
- O que � ? Eu vou ter a mesma aula que voc� agora, e voc� sabe que vamos ter prova. D� pra sair da minha frente?
- Assim que acabar a prova, me encontra na escada � Ele falou me deixando ir - E , por favor. Vai � Ele disse correndo na dire��o oposta. N�o falei nada e andei apressada at� a sala
- Est� atrasada � A professora de matem�tica disse quando entrei em sala. Me desculpei e sentei para fazer a prova. Cinco minutos depois, apareceu.
- Desculpa professora � Ele falou � Eu estava... Estava na enfermaria. Fui levar uma menina que havia se machucado. Posso entrar?
- Tudo bem � A professora disse entregando uma prova para ele. Ele se sentou no lado oposto ao meu e vi ele sorrindo ao passar pelo meu lado.
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A pr�xima aula seria educa��o f�sica, e pelo visto sabia disso. Nem morta eu mataria uma aula decente pra encontrar com ele. N�o assim, t�o do nada.
Eu estava andando em dire��o ao gin�sio, decidida de que n�o perderia meu tempo para ouvir o que quer que ele tivesse para dizer. Provavelmente acabar�amos brigando e eu n�o estava com temperamento para isso. Eu ja estava no corredor do gin�sio quando meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem de um n�mero desconhecido.
�Eu vou te esperar na escada do terceiro andar at� o sinal para a pr�xima aula tocar. Por favor. Eu sei que voc� quer falar comigo tanto quanto eu preciso falar com voc�. �
Agora ele tamb�m tinha conseguido meu n�mero. Isso estava ficando cada vez mais estranho. Ja me arrependendo, dei meia volta e subi at� a escada do terceiro andar.
- O que foi? � Perguntei para o garoto que estava sentado na escada, me esperando.
- Voc� est� progredindo � sorriu e levantou da escada � Duas semanas atr�s voc� mandaria eu ir para a merda.
- Estou considerando isso � Falei cruzando os bra�os
- �. Eu imaginei � Ele continuou sorrindo. Aquilo estava me irritando � Eu n�o quero brigar com voc�.
- Por favor . Me poupe.
- Voc� quer parar de se comportar como uma crian�a? � Ele perguntou irritado
- Voc� quer parar de se comportar como se a gente fosse amigo? Como se a gente se gostasse?
- Mas a gente gosta, droga!
- O que? � Perguntei confusa
- A gente gosta um do outro. Merda. Era isso que voc� queria ouvir? � Ele perguntou passando por mim � Eu n�o sei porque ainda tento ter uma conversa racional com voc� � murmurou e andou com passos largos para longe. Fiquei parada no mesmo lugar, sem mover um dedo ou falar uma palavra, quando uma m�o pousou em meu ombro.
- Acho melhor voc� voltar para a sua aula antes que algum monitor passe por aqui � Halley falou sorrindo � Eu te vejo hoje no treino?
- Claro � Murmurei com um sorriso fraco e corri at� o gin�sio. Eu n�o via a Halley desde o �ltimo campeonato, o que ela havia ficado em primeiro. Ela estava diferente. Havia mudado o cabelo e parecia maior. Havia muito tempo que eu n�o dava tudo de mim no gelo. Havia muito tempo que as coisas come�aram a mudar.
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- o que voc� tem? � Steve perguntou no almo�o � Eu te ofereci chocolate e voc� recusou. Voc� recusou. Chocolate sagrado e divino. O que voc� tem? Quer fazer terapia de compras mais tarde?
- Steve se acalma t�? � Pedi com um sorriso fraco. Decidi que n�o falaria com ele sobre o que acontecimento na escada. Pelo menos n�o agora. Durante todo o hor�rio do almo�o, olhei para a porta, esperando ele entrar. Foi em v�o.
Steve continuou insistindo no porque da minha falta de aten��o, que s� aumentou no �ltimo tempo, quando n�o apareceu na aula que tinha no mesmo hor�rio que eu.
Meu celular vibrou no bolso, me assustando. A professora tirana n�o notou quando eu o peguei e li rapidamente a mensagem sem remetente.
�Biblioteca, assim que acabar a aula de espanhol�
N�o pude deixar de sorrir com a mensagem. Tudo parecia mais confuso a cada dia. Parecia um quebra-cabe�as maior a cada segundo. Era quase um crime n�o tentar resolve-lo.
O pouco de aten��o que eu ainda tinha naquela aula, havia sido substituida por pensamentos, expectativas. O sinal mal havia tocado e eu j� estava com todo o material na bolsa. Sa� da sala com passos r�pidos at� a biblioteca. Botei minha bolsa em uma das mesas e olhei em volta o procurando.
- Achei que voc� n�o viria � Senti arrepios ao sussurrarem no meu ouvido.
- Porque eu n�o viria, David? - Perguntei me virando e encarando o respons�vel pela mensagem que eu havia recebido na aula.
- Como sabia que era eu? � Ele perguntou sentando.
- estava puto demais pra ceder t�o f�cil. Foi um chute
- Ele estava puto �? � David perguntou interessado
- Estava. Ah merda � Murmurei procurando meu celular pela bolsa � Preciso ligar pro Steve. Ele deve estar me esperando l� fora. Eu esqueci de avisar pra ele que n�o pegaria carona hoje. Droga.
- Relaxa � David sorriu � Eu j� falei com ele. Hoje eu vou te levar pra almo�ar. Eu preciso conversar com voc�.
- Sobre?
- N�o estou muito certo sobre voc� querer falar disso. � sobre... Bom. � um assunto que cairia muito bem com fritas e um hamburger.
- Refrigerante? Vai me levar pra almo�ar pra falar de refrigerante? � Perguntei pegando minha bolsa, rindo � Francamente David. Sou uma pessoa ocupada. Voc� acha que pode me tirar de meus neg�cios assim, pra me levar pra comer hamburger?
- Acho � Ele deu os ombros mordendo o l�bio
- Estava certo. Vamos, estou faminta.
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Fomos at� o carro dele no estacionamento. Havia poucos carros l�, e os que ainda permaneciam parados nas vagas, tinham os donos e amigos bebendo e conversando encostados neles.
O carro de David chamou a aten��o de alguns meninos. Obviamente n�o era t�o f�cil comprar um carro como aquele antes de terminar o ensino m�dio. E obviamente David j� n�o tinha esse problema.
- David, tem muita coisa sobre voc� que eu n�o sei � Falei entrando no carro dele.
- Tem muita coisa sobre mim que eu poderia te contar � Ele sorriu e ligou o carro. Come�ou a dirigir para algum lugar.
- Voc� tem quantos anos?
- Voc� � muito indiscreta sabia? Isso � pergunta que se fa�a? � Ele disse tirando os olhos da estrada rapidamente.
- Achei que isso s� valia com mulheres � Comentei rindo.
- Exatamente. � Ele disse com a voz fina � E voc� j� me perguntou isso. Eu tenho 19.
- Eu esque�o. Voc� terminou o ensino m�dio h� dois anos ent�o?
- N�o. Terminei ano passado. Eu repeti o primeiro.
- E voc� vai fazer faculdade? � Perguntei sentindo a fome aumentar
- Ano que vem. Esse ano eu tirei pra campeonatos e patins.
- Eu tinha muito mais coisa pra perguntar, mas eu n�o penso de barriga vazia. Depois que a gente comer eu continuo meu interrogat�rio.
Ele estacionou na frente de uma lanchonete. Parecia muito com a de um desenho que eu via quando era pequena. Eu n�o lembrava o nome do personagem ou do desenho. Mas eu chamava o menininho, o protagonista, de Godolfo. N�o tentem perguntar.
- Parece com aquele desenho animado n�? � David perguntou abrindo a porta da lanchonete e segurando para mim.
- Ainda melhor � Falei olhando para o interior do lugar. Provavelmente aquele lugar tinha todas as cores e tons do mundo. Tinha v�rios quadros divertidos e m�sica. As gar�onetes usavam roupas t�o coloridas quanto o resto do lugar, e seus patins n�o escapavam.
Nos sentamos e pedimos nossos hamb�rgueres.
- Almo�o mais que nutritivo � Comentei rindo � Afinal, qual foi o motivo do meu seq�estro?
- � o .
-Imaginei � Bufei impaciente
- Ele ta diferente.
- Isso � meio obvio considerando que ele veio conversar comigo. Conversar como um cidad�o, n�o um macaco.
- �. E ele... Perguntou de voc�.
- O que? � Quis saber sem entender.
- Ontem no almo�o ele perguntou como voc� estava... Foi estranho.
- E voc� contou todas aquelas coisas pra ele? Que eu estava andando de patins nas rampas, deu meu n�mero pra ele?
- N�o. Eu n�o fiz nada disso. Acho que voc� devia ir falar com ele.
- Ele ta meio puto comigo � Falei tomando meu refrigerante.
- Ele esquece f�cil.
- Espero que sim.
- �. Mas n�o foi s� pra isso que eu te seq�estrei hoje � David disse sorrindo malicioso.
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- Ok. Ent�o pra que foi?
- Eu vi uma garota na biblioteca. Ela saiu pouco antes de voc� entrar. E ela era linda.
- N�o to vendo aonde voc� quer chegar Dave.
- Eu achei que talvez voc� conhecesse ela... Eu posso estar doido, mas eu acho que vi um par de patins na bolsa dela. � David disse mordendo o l�bio
- Patins? De que tipo voc� est� falando?
- O nosso tipo � Ele respondeu ansioso
- David, eu n�o sei se voc� est� ciente disso... Mas sabe, eu e voc� patinamos no gelo e na rua.
- Verdade. Eu tinha me esquecido. Tem muito tempo que a gente n�o anda de patins. Mas �, eram patins de gelo � Ele disse passando a m�o no cabelo.
- Tinha tanto tempo que voc� n�o fazia isso � Comentei com um sorriso fraco
- Isso? � Ele perguntou confuso
- Passar a m�o no cabelo � Eu ri olhando para baixo � J� entendi qual � sua. Uma queda por patinadoras?
- Acho que sim � Ele falou desviando o olhar e suspirando. Me lembrei do dia em que beijei ele. O dia em que ele havia admitido que era a minoria. A minoria que era contra meu relacionamento com . N�o havia tanto tempo que ele havia me dito isso. � Algumas delas s�o dif�ceis de superar sabe? � Ele perguntou mordendo o l�bio e me olhando. Me perdi nos olhos claros dele como h� muito tempo eu n�o me perdia.
- David eu... Eu n�o sei se � certo � Falei receosa
- Nem eu � Ele deu os ombros e suspirou. Ele se apoiou na mesa que estava entre n�s e se inclinou na minha dire��o. Nossos rostos estavam perigosamente pr�ximos e n�o demorou muito para que ele me beijasse.
- Voc� n�o sente nada por mim certo? � Ele perguntou parando o beijo e voltando a se sentar normalmente. Ele tinha um sorriso nos l�bios que deixava a pergunta confusa
- Voc� sabe que n�o.
- Voc� promete que n�o vai se sentir mal pelo que vou dizer agora?
- Vou tentar � Disse ainda sem entender.
- Eu consegui � David falou ainda sorrindo � Eu consegui. Eu a encontrei. Assim como voc� encontrou o . Eu... Eu sei, eu posso ver que eu e voc� nunca dar�amos certo. Eu... Eu n�o senti a mesma coisa que senti quando te beijei aquele dia. Eu s� senti divers�o. Foi... Diferente. Eu n�o sinto mais a mesma coisa por voc�
- David... Isso � �timo � Falei com um sorriso no rosto, surpresa � Caramba. Isso � �timo.
- Isso n�o � estranho? � Ele perguntou mordendo o l�bio � Digo... Voc� n�o deveria estar triste e eu desiludido? N�o � assim que normalmente acontece?
- Acho que n�o somos t�o normais. A prop�sito, a garota que voc� achou, � a da biblioteca?
- �
- Halley. � o nome dela. � a �nica naquela escola que tamb�m patina no gelo.
N/A: Ok. Eu tenho pensado seriamente em parar de escrever essa fic. Mas est� t�o perto do fim e sei l�... J� disse mil vezes que voc�s s�o as melhores leitoras que algu�m pode querer, e eu n�o vou desapontar voc�s assim. Eu sei que n�o vou conseguir cumprir com isso, mas eu pretendo dar um tempo de postar depois da Break. Vou continuar na comunidade sempre, mas acho que parar um pouco. Vou parar s� de postar, porque eu tenho cinco ou seis fics em andamento no meu pc. Mas s� depois do fim � que eu vou pensar em colocar na comunidade. Se eu realmente conseguir fazer isso, ficar um tempo sem postar, eu vou sentir falta. Mas eu realmente acho que n�o vou conseguir. Enfim, eu sou confusa.
Coisas para voc� clicar:
- Minhas fics
- Fanfics Jonas Brothers