Cresce debate sobre normas contábeis
Depois dos problemas de empresas como Enron e WorldCom, assunto ganhou importância
SERGIO LAMUCCI

O esforço pela padronização de normas contábeis ganha força no mundo, principalmente depois dos escândalos envolvendo empresas como a Enron e a WorldCom. Para discutir esse assunto com representantes do governo, instituições de classe, analistas e investidores, os principais dirigentes do Conselho de Normas de Contabilidade Internacional (IASB, na sigla em inglês) vieram ao Brasil nesta semana. Em evento ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o presidente do IASB, David Tweenie, ressaltou que a harmonização contábil, além de contribuir para melhorar a qualidade da administração das empresas, permite também redução de custos de capital e aumenta a confiança dos investidores estrangeiros em apostar no País.

 

O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Roberto Teixeira da Costa, membro do conselho curador do IASB, disse que a receptividade de integrantes do governo à convergência para as normas contábeis internacionais foi positiva, embora não haja um prazo definido para que o País adote essas regras. A cúpula do IASB se encontrou, entre outras pessoas, com o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o secretário do Tesouro, Joaquim Levy. Para Teixeira da Costa, que é vice-presidente do Conselho de Administração do grupo Sul América, a adoção das normas do IASB seria importante para revitalizar o mercado de capitais no Brasil.

 

Com mais transparência e com padrões aceitos no mundo todo, o fluxo de capitais para o País tenderia a aumentar. Tweedie destacou que, quando se adotam normas internacionais contábeis, diminuem-se as incertezas, o que faz os investidores estrangeiros se sentirem mais seguros ao aplicar seus recursos no País. O custo de capital para as empresas tende a diminuir.

 

Nelson Carvalho, membro do conselho consultivo do IASB, disse que, para que o País possa adotar as regras do IASB, o primeiro passo é a aprovação de um projeto de lei, hoje em tramitação no Congresso, que prevê, entre outros pontos, a criação de um organismo normatizador contábil não governalmental, financiado pelo setor privado. Hoje, a normatização está nas mãos de vários órgãos, como o BC, a CVM e a Superitendência de Seguros Privados (Susep).

 

Tweedie disse ainda que, em 2005, os 15 países da União Européia vão aderir às normas do IASB. Ele acredita que, daqui a dois anos, 91 países do mundo todo já estarão adotando essas regras. Tweedie acrescentou que as normas contábeis do IASB e dos EUA deverão ter um mesmo padrão em 2007.

 

O IASB, fundado há dois anos para padronizar normais contábeis no mundo, conta com apoio financeiro de 170 instituições privadas, das quais seis brasileiras - Bradesco, Itaú, Unibanco, Petrobrás, Companhia Vale do Rio Doce e Pão de Açúcar.

 

Hosted by www.Geocities.ws

1