O esforço pela padronização de normas contábeis ganha força no mundo,
principalmente depois dos escândalos envolvendo empresas como a Enron e a
WorldCom. Para discutir esse assunto com representantes do governo, instituições
de classe, analistas e investidores, os principais dirigentes do Conselho de
Normas de Contabilidade Internacional (IASB, na sigla em inglês) vieram ao
Brasil nesta semana. Em evento ontem na Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa), o presidente do IASB, David Tweenie, ressaltou que a harmonização
contábil, além de contribuir para melhorar a qualidade da administração das
empresas, permite também redução de custos de capital e aumenta a confiança
dos investidores estrangeiros em apostar no País.
- O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Roberto
Teixeira da Costa, membro do conselho curador do IASB, disse que a
receptividade de integrantes do governo à convergência para as normas contábeis
internacionais foi positiva, embora não haja um prazo definido para que o
País adote essas regras. A cúpula do IASB se encontrou, entre outras
pessoas, com o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o
secretário do Tesouro, Joaquim Levy. Para Teixeira da Costa, que é
vice-presidente do Conselho de Administração do grupo Sul América, a adoção
das normas do IASB seria importante para revitalizar o mercado de capitais
no Brasil.
- Com mais transparência e com padrões aceitos no mundo todo, o fluxo de
capitais para o País tenderia a aumentar. Tweedie destacou que, quando se
adotam normas internacionais contábeis, diminuem-se as incertezas, o que
faz os investidores estrangeiros se sentirem mais seguros ao aplicar seus
recursos no País. O custo de capital para as empresas tende a diminuir.
- Nelson Carvalho, membro do conselho consultivo do IASB, disse que, para
que o País possa adotar as regras do IASB, o primeiro passo é a aprovação
de um projeto de lei, hoje em tramitação no Congresso, que prevê, entre
outros pontos, a criação de um organismo normatizador contábil não
governalmental, financiado pelo setor privado. Hoje, a normatização está
nas mãos de vários órgãos, como o BC, a CVM e a Superitendência de
Seguros Privados (Susep).
- Tweedie disse ainda que, em 2005, os 15 países da União Européia vão
aderir às normas do IASB. Ele acredita que, daqui a dois anos, 91 países
do mundo todo já estarão adotando essas regras. Tweedie acrescentou que as
normas contábeis do IASB e dos EUA deverão ter um mesmo padrão em 2007.
- O IASB, fundado há dois anos para padronizar normais contábeis no mundo,
conta com apoio financeiro de 170 instituições privadas, das quais seis
brasileiras - Bradesco, Itaú, Unibanco, Petrobrás, Companhia Vale do Rio
Doce e Pão de Açúcar.