Título:
Darkness Revenge
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, cena dark, sobrenatural, AU
Pares: AyaxYohji
Resumo: Os Weiss são os caçadores de vampiros mais tenazes até que
se deparam com um inusitado inimigo.
Darkness
Revenge
Kaline Bogard
Capítulo 04
E já não é mais primavera...
(Yohji) Será que aconteceu alguma coisa?
O loiro estava uma pilha de nervos. Aya simplesmente desaparecera desde o dia anterior. Não retornara para casa depois das investigações rotineiras.
Os Weiss fecharam a Koneko, e ao chegar em casa encontraram tudo as escuras, e vazio. Não estranharam no começo, por que as vezes o líder da Weiss se demorava mais para chegar mesmo. Mas a noite dera lugar a madrugada e assim se rompera um novo dia.
(Omi) Tenha calma, Yohji. Não deve ter acontecido nada grave.
(Ken) Aya não se importa muito em nos avisar do que está fazendo...
(Yohji) Mas...
(Omi) Tenho certeza de que está tudo bem. Por que não toma café?
(Yohji) Tsc. Não tenho fome.
(Ken) De qualquer jeito precisamos abrir a Koneko.
(Yohji pensativo) Será que ele passou a noite em algum bordel?
Os três se entreolharam e depois balançaram as cabeças, descartando a idéia. Aya não parecia ser do tipo que buscava diversão em casas suspeitas.
(Omi) Coma alguma coisa, Yohji, por favor.
(Yohji) Está bem, Omi. Acho que estou sendo meio paranóico. Só por que Aya passou a noite fora de casa não é motivo pra entrar em pânico...
“E eu nem sou dono dele, porque Aya me daria explicações?”
Pensar desse jeito não o animava em nada, pelo contrário...
(Omi) Agora só nos resta esperar...
O dia passou, longo e tedioso. A noite nenhum dos três conseguiu dormir: dois dias sem receber notícias de Aya... talvez tivesse acontecido mesmo alguma coisa.
oOo
Ao fim do terceiro dia Manx apareceu na Koneko, se mostrando surpresa e ao mesmo tempo aliviada. Trazia uma caixa de bom tamanho nas mãos.
(Manx) Vocês estão atrasados. Já deveriam ter ido viajar.
Os três se entreolharam e não disseram nada.
(Manx) Por outro lado fico feliz em saber que não partiram. Pérsia mandou que lhes trouxesse essas armas novas.
(Omi surpreso) Armas?
(Manx sorrindo) Sim. Afinal, vocês vão precisar.
Abriu a caixa, e tirou lá de dentro uma luva com garras maiores que o normal.
(Manx) Essa é pra Ken. Um padre costurou um saquinho com água benta no couro da palma da luva. Toda vez que você perfurar o corpo de algum vampiro e pressionar de leve, ele vai injetar a água na carne do inimigo.
Os olhos do moreninho brilharam e ele pegou a bugnuk, encaixando nas mãos.
(Ken sorrindo) Perfeito!!
Manx balançou a cabeça e depois voltou sua atenção para Omi.
(Manx) Essa é a sua. Uma nova besta. O corpo da arma foi feito de modo a ser preenchido com água benta, cada vez que você encaixa uma flecha ela é embebida em um pouco da água. Também trouxe algumas flechas especiais: elas são ocas por dentro e podem ser cheias com água benta.
O loirinho pegou a besta e balanceou-a nas mãos, depois testou a mira e o gatilho, terminando por sorrir satisfeito.
(Omi) Obrigado. São incríveis!
Finalmente Manx voltou-se para o Weiss mais velho.
(Manx) Pra você eu trouxe um novo garrote. Na verdade a linha foi costurada na própria luva, e dentro da luva existe um compartimento com água benta. Cada vez que você puxa o fio ele sai totalmente molhado pela água.
(Yohji) He, he... muito bom mesmo.
A ruiva sorriu e tirou uma espada japonesa da caixa.
(Manx) Esse é pro Aya. Vejo que ele não voltou ainda. Vocês lhe entregam. Sei que devem estar nervosos essa noite, e é por isso que trouxemos novas armas. Não vai ser fácil, e não esperamos que todos sobrevivam mas... por favor, garotos, se esforcem...
A ruiva estava quase chorando. Procurava não demonstrar sentimentos pelos caçadores contratados pela Kritiker, mas gostava daqueles três.
(Yohji confuso) Ei, Manx, do que você está falando?
(Manx) Da missão de hoje a noite.
(Omi) Missão? Que missão?
Foi a vez da ruiva se surpreender.
(Manx) Aya não lhes passou os detalhes?
(Ken) Não. Aya está desaparecido desde antes de ontem.
(Manx) !!
(Yohji) Não temos notícias dele.
(Manx) Mas o que aquele garoto está pensando?
(Omi) Que missão é essa?
(Manx) Recebemos confirmações da localização da Grande Casa da Europa. Eu trouxe todos os detalhes para o ataque.
(Yohji) Ataque? A Grande Casa?!!
(Ken) Mas porque Aya escondeu isso de nós? E por que ele sumiu? Será que ele ficou com medo de lutar?
(Omi) Acho que não foi isso não...
O loirinho fixou os olhos azuis em Yohji, notando que caçador mais velho empalidecia muito, e buscava sentar-se em uma cadeira, tamanha a fraqueza que tomou conta de suas pernas.
(Yohji) Aya... ele foi... sozinho?
(Ken) ELE ENLOUQUECEU??
(Manx) Não pode ser...
(Omi) Céus... Aya fez isso pra nos proteger?
(Ken) Ele vai morrer... lutar sozinho contra vampiros de quarta e segunda geração... acho que ele já deve ter morrido...
Ao ouvir isso Yohji deu um pequeno salto, erguendo-se da cadeira.
(Yohji) Manx, onde diabos fica a Grande Casa da Europa?
(Manx) Na cidade de Ostrava, na Polônia.
(Ken) Ostrava?
(Omi) Fica quase na fronteira com a...
(Yohji) Ei, não é nessa cidade que tem um castelo?
(Omi) Sim, foi construído no fim do século IX depois de Cristo, e pertencia a um conde inglês a serviço do rei na Polônia.
(Manx) Pois a Grande Casa fica nesse castelo.
(Ken) Não é hora de aula de história! Temos que ir atrás de Aya!
(Omi) O caminho mais fácil é atravessarmos a Alemanha e fazermos a volta pela cidade de Hraddec.
(Yohji pensativo) Sempre achei que essa casa ficava na Itália...
(Omi) Em um país quente, cheio de sol?
(Yohji) Seria impossível, não é?
(Ken) Eu achava que devia ficar na Romênia...
(Yohji) Ah, que horrível... bem no quintal do Conde Dracula?
(Ken)...
(Yohji) Só faltou falar naquele país tropical que Portugal descobriu... como é mesmo o nome dele?
(Omi suspirando) Seria Brasil?
(Yohji sorrindo) Isso! Um país tropical... de sol quente. Seria perfeito para a Grande Casa, não acham? Porque será que não construíram a Grande Casa da Europa lá?
(Omi) Talvez por que o Brasil fique na América do Sul?
O loiro mais velho ficou meio sem graça pelo deslize, e fez uma cara tão estranha que os outros acabaram rindo dele.
Mas o minuto de descontração logo se passou e eles recordaram da urgência da situação: a vida de Aya estava em perigo.
(Yohji) Céus, são dois dias a cavalo daqui. Não podemos perder tempo!
Saiu correndo, pensando em trocar de roupas, e foi seguido pelos outros Weiss.
Nunca Yohji se trocara tão rápido antes.
Logo os três se reuniam na sala outra vez, e despediam-se de Manx, ouvindo as várias recomendações que a garota fazia e prometendo que teriam cuidado.
Manx observou-os montar e partir. Tinha uma sensação estranha a respeito daquela missão... queria acreditar que tudo ficaria bem... mas quatro garotos humanos (talvez três, afinal, Aya sozinho não daria conta dos vampiros, e era muito provável que tivesse problemas) não seriam capazes de enfrentar vampiros de quarta e segunda geração.
(Manx) Tentamos dar um golpe na estrutura dos vampiros, mas arriscando a vida desses quatro. Eles são descartáveis diante da segurança de toda a humanidade.
Ela tinha que acreditar nisso, ou seu coração se partiria de remorsos, por enviar os Weiss para o que provavelmente seria a morte certa.
oOo
Os três cavalgaram sem trégua até a exaustão dos cavalos. Quando a noite ia alta, acharam melhor dar uma parada, ou acabariam ficando sem condução, matando os alazões de cansaço.
Armaram um acampamento em uma pequena clareira, acendendo uma fogueira e ficando próximos a ela.
Pelo que sabiam, ali não ficava próximo do reduto de nenhum vampiro, mas precaução nunca era demais... poderia haver um ou mais desses seres malditos perdidos transitando pela floresta...
(Omi) Já percorremos mais da metade do caminho.
O loirinho e Yohji analisavam um mapa, enquanto Ken permanecia deitado sobre a manta que estendera no chão.
(Yohji) Deixamos Dresden para trás. Agora não existe mais nenhuma cidade de grande porte até a fronteira.
(Omi) Veja, podemos cortar caminho por aqui. Economizaremos algumas horas.
(Yohji preocupado) Será que Aya está bem?
(Omi) Tenha pensamentos positivos, Yohji.
O loiro mais velho abaixou a cabeça e suspirou.
(Yohji) Só peço uma coisa: que ele não tenha sido abraçado. Eu preferia vê-lo morto a ter que enfrentar Aya...
(Ken) Caralho! Nem tinha pensado nisso... esses vampiros não podem ver um homem bonito que já ficam todos arrepiados.
(Omi) Ter que enfrentar Aya seria desastroso.
Disse isso olhando para Yohji. O caçador mais velho apresentava um semblante desanimado e tristonho.
(Ken) Temos que nos preocupar é conosco mesmo.
(Omi)...
(Yohji) Você tem razão.
(Ken) Essa é uma missão suicida. Que chances temos contra um castelo cheio de vampiros de quarta geração?
(Omi) Pelo menos um dos mestres está desaparecido e o outro está dormindo...
(Yohji) Se ele acorda... estamos fe-rra-dos...
(Ken) Não vamos voltar vivos, não é pessoal?
(Omi) Você ainda pode desistir, Ken.
(Ken) Eu, hein! Até parece mesmo. Antes de morrer quero dar o troco em alguns desses desgraçados de quarta geração. E se não for a gente, será um outro grupo qualquer mesmo.
(Yohji) Tem razão. Podemos iniciar e deixar o caminho livre para os Weiss que vierem em seguida.
(Omi) Gostaria de pedir uma coisa a vocês...
(Yohji) O que, pequeno?
(Omi) Se por acaso algum vampiro tentar me abraçar, não tenham receio em me matar!
(Yohji) !!
(Ken)...
(Omi) Prefiro morrer pelas mãos de vocês, a correr o risco de ser um escravo das trevas pro resto da eternidade.
(Yohji) Entendo. É uma promessa, pode confiar em mim, e eu peço o mesmo.
(Ken) De acordo! Nenhum de nós vai se tornar um vampiro. É a promessa dos Weiss.
(Omi sorrindo) Obrigado, amigos.
Yohji virou os olhos verdes para sua esquerda, olhando a espada de Aya, que estava enrolada em uma manta depositada sobre a grama macia.
(Yohji pensando) Espero ter a chance de te entregar essa katana, Aya...
oOo
O sol veio recepcioná-los já em plena cavalgada. Haviam desmanchado o acampamento tão logo os cavalos se mostraram descansados, iniciando a jornada em direção a cidade de Ostrava, local onde estava localizada a Grande Casa da Europa.
Sabiam que chegariam lá ao anoitecer, e isso diminuía suas chances, mas não se importavam. As chances já eram mínimas mesmo... não faria tanta diferença assim, o horário do ataque.
O Weiss mais velho estava inconformado pela tentativa de Aya, de protegê-los. O que passava pela cabeça do companheiro? Talvez ele achasse que poderia dar conta de um tanto bom de vampiros antes dos três chegarem... talvez ele não quisesse que se arriscassem na Polônia.
Eram tantas suposições, e não teriam certeza nunca da resposta correta, a menos que chegassem a tempo de salvar Aya.
(Yohji pensando) Esteja bem, Aya... me espere por favor...
Não podia sequer imaginar perder o ruivo, logo agora que as coisas entre eles estavam começando a dar certo, tudo ia tão bem!
(Yohji pensando) Merda de vida injusta!
Sempre perderia as pessoas que amava? E seria sempre pelas mãos dos vampiros? Maldita raça desgraçada. Mas o que esperar de seres sem alma? Monstros que haviam vendido a alma ao diabo não podiam mesmo compreender sentimentos humanos, apesar de um dia já terem sido pessoas comuns.
(Omi) Vejam, vamos pegar esse desvio.
Haviam atravessado a fronteira entre a Alemanha e a Polônia a muitas horas atrás. O ar daquele país já com uma temperatura mais baixa... as noites sempre tomadas por sombrios e misteriosos nevoeiros. Era o cenário perfeito para a ação de vampiros.
Sabiam que estavam cada vez mais perto do castelo onde estavam escondidos os mais fortes vampiros europeus... o lugar onde encontrariam seus destinos e talvez algo infinitamente mais funesto: a própria morte.
(Ken) Melhor ter precaução. Precisamos fazer um barco...
(Yohji)...?
(Omi)...
(Ken) Pra atravessar o fosso.
(Omi) Fosso? Que fosso, Ken?
(Ken surpreso) Ora, todos os castelos são cercados por fossos cheios de crocodilos, não é verdade?
(Yohji rindo) Acho que Ken está lendo muitos contos de fadas...
(Omi) Nem todos os castelos são protegidos por fossos e crocodilos, Ken...
(Yohji sorrindo) Nem por dragões.
Ken fechou a cara, irritado por ser alvo das piadinhas de Yohji, ainda mais depois de tentar dar uma dica para ajudá-los a socorrer o ruivo.
(Ken irritado) Desculpem pela sugestão.
(Omi) Oh, sinto muito, Ken. Mas foi engraçado, você disse isso de modo tão serio!
(Yohji) He, he, he...
Logo se aproximaram de uma densa floresta. A noite fria era mais escura ainda, devido o nevoeiro que tomava conta de todo o ar.
(Ken) Aqui é bem frio, né?
(Yohji) Esse ar úmido vai acabar com meu cabelo!
(Omi)...
(Ken) Seu mapa descreve o caminho para o castelo, Omi?
(Omi) Não. Sinto muito.
(Yohji) Vamos seguir em linha reta. Sempre é possível esbarrar em algo, mas se isso não acontecer é mais fácil na hora de voltar e não corremos o risco de nos perder.
Os outros dois concordaram com o pensamento tosco, mas lógico. Fizeram os cavalos avançarem em um trote lento e quase silencioso. As ferraduras batiam no chão coberto de folhas marrons apodrecidas que abafavam sons dos cascos.
As copas altas cercavam e encobriam tudo ao redor. Se os Weiss olhassem pra cima veriam apenas a mata cerrada, que ocultava o céu enegrecido.
Depois de caminhar por algum tempo começavam a desanimar, achando que não encontrariam o castelo. Omi pensou em sugerir que fizessem o caminho de volta, quando a floresta se encerrou abruptadamente, revelando um extenso campo gramado, e no centro do mesmo, um magnífico castelo.
(Ken) Grande!
(Omi) Majestoso.
(Yohji) Assustador...
Ouviram o que parecia ser o som de um grande rio enquanto observavam a construção escondidos atrás das últimas árvores da floresta. Decidiram rodear o castelo, tentando analisá-lo de todos os ângulos.
O tal castelo era construído com inúmeros blocos de pedra, retangulares e uniformes, de aparência fria e úmida. Havia um muro cercando-o, e um grande portão à frente, rodeado por dois menores. Atrás dos muros aparentemente intransponíveis estava o castelo, um quadrado perfeito, domado por uma cúpula arredondada também de pedra e quatro torres simetricamente iguais.
(Omi sorrindo) E nada de fosso...
(Ken)...
(Yohji) Nem de guardas...
(Ken) Mas parece que tem um rio...
(Yohji) Ponto pra você!
Apesar de não poder ver o tal rio, o barulho que ele fazia era muito obvio, o que dava a certeza de ser um rio bem extenso. Deixaram-no de lado, por hora.
A parte de trás do muro possuía apenas uma pequena porta de acesso, que não combinava com o estilo do castelo. Parecia que aquela portinha havia sido adicionada em uma reforma posterior.
(Ken) Será que poderíamos invadir por ali?
(Yohji) Nhe, seria muita sorte!
(Omi) De qualquer jeito eles vão sentir nosso cheiro tão logo passemos pelo muro.
(Ken) Merda.
(Yohji) Preparados?
Não havia tempo a perder! Cada segundo era fundamental.
Ken e Omi se entreolharam. Eram jovens e sempre arriscavam a vida, mas agora... essa missão os jogaria de cabeça nas mais incríveis dificuldades. Claro que não eram homens de voltar atrás diante do perigo.
(Omi) Certo.
(Ken) Vamos amarrar os animais nas árvores e partir para a ação.
(Yohji) Er... a prioridade é encontrarmos Aya... ok?
(Omi sorrindo) Claro! Vamos atrás de nosso líder destemido.
(Ken) Salvamos Aya primeiro e depois pensamos em algo para matar o mestre desses vampiros malditos.
Yohji ficou tão aliviado que não teve palavras. Queria agradecer seus companheiros, mas faria isso depois, quando todos estivessem a salvo da investida.
Silenciosamente abandonaram os animais entre as folhagens, protegidos das vistas de algum provável vampiro que estivesse de vigia. Depois jogaram-se no chão, e foram rastejando por entre a grama alta, praticamente ocultos com uma perfeita camuflagem.
Atingiram a porta sem nenhum contratempo.
Ken ergueu-se de um salto e colou as costas ao muro, sendo encoberto pelas sombras. Felizmente não havia lua aquela noite.
Vendo que podiam seguir em frente, Omi e Yohji imitaram o moreninho, colando-se ao muro. Agora era um dos momentos mais perigosos: abrir a porta e atravessar o muro sem serem descobertos.
Yohji testou a maçaneta. Estava trancada. Parecia que não era usada a tempos, e quando o loiro tentou forçá-la, a mesma mostrou-se emperrada. Teriam que arrombar.
(Ken sussurrando) Isso significa que essa parte não é freqüentada.
Os dois concordaram com o moreninho. Decidindo-se a arriscar tudo em uma única cartada, Yohji ergueu o pé direito, e arrombou a porta de madeira, fazendo a mesma se escancarar.
Invadiram correndo, e procurando ocultar-se nas sombras, mas não foi preciso: aquela porta dava acesso a um escuro corredor, e o mesmo estava todo na penumbra, mal podiam divisar uns aos outros.
(Ken sussurrando) E a gora? Pra direita ou pra esquerda?
Omi julgou ver um vislumbre de luz no fim do corredor, do lado esquerdo, fora rápido demais para ter certeza, mas o chibi resolveu arriscar.
(Omi sussurrando) Esquerda...
Seguiram colados as paredes frias, procurando manter-se o mais silenciosos possível.
Depois de caminhar alguns minutos, os Weiss perceberam que o corredor acabava em uma grande cozinha, e parecia haver vampiros nela. Muito cuidadosamente procuraram observar os inimigos, confiando na segurança das sombras, tentando descobrir algo mais.
Havia duas garotas ali: uma delas era muito jovem, de cabelos loiros e olhos verdes, aparência vulgar e desleixada, apesar de extremamente bela. A outra parecia mais velha, tinha cabelos castanhos e olhos verdes, aparência bem cuidada e também era muito bela.
(Loira) He, he, he... você acredita mesmo que o mestre voltou?
(Morena) Sim, o lugar dele é aqui.
(Loira) Ele chegou bem a tempo... você soube das últimas novidades?
(Morena) Você fala do humano que tentou invadir o castelo?
(Loira) Aquele fracote idiota?! Claro que não!!
Os três Weiss sentiram um calafrio. Só podia ser Aya!
(Morena) Ainda bem que ele foi capturado. Hunf... esses caçadores humanos são mesmo atrevidos. Onde já se viu, invadir a nossa Grande Casa?
(Loira) Eu e você somos de geração seis, mas a mestra Lilik é de geração quatro, e muito poderosa.
(Morena) Ela acabou com a raça do infeliz.
(Loira) Buahahahaha.... que nada... Lilik entregou o caçador nas mãos de Farfarello.
A morena arregalou os olhos e quase derrubou o prato que levava nas mãos.
(Morena) Farfarello... infernos. Por isso o humano foi reduzido a farrapos...
(Loira) Eu ouvi os berros dele durante a seção de tortura. Foi maravilhoso!
(Morena) Farfie sabe o que faz com as facas.
(Loira) Mas tudo isso foi ordens do nosso mestre. Ele voltou completamente insano. Mandou que a Grande Casa fosse mudada de lugar.
(Morena) Essa parte eu não entendi... a maioria dos nossos companheiros vampiros já foi embora, para um novo castelo, e nossa adorada mestra Evil, também foi levada.
(Loira) O caixão dela, você quer dizer, não é?
(Morena) Que seja. Aqui ficaram apenas uns dez vampiros de quinta geração, mestra Lilik e nosso mestre atual.
(Loira) Ei... eu não queria dizer isso, mas... você não está sentindo um cheiro delicioso de sangue humano...?
(Morena) Na verdade já faz alguns minutos que sinto esse cheiro...
Os três Weiss acharam que era hora da ação. Yohji fez um sinal para Omi, que mirou a besta em direção da loira e disparou, alvejando-a em pleno peito. Apesar do vampiro ser de sexta geração não teve chances, pois seu corpo foi inundado com água benta. A mesma caiu no chão, virando pó. A morena acompanhou a cena com olhos arregalados sem entender o que havia acontecido. Mal olhou na direção das sombras de onde surgiram as pequenas flechas e também foi alvejada em pleno peito, caindo fulminada no chão, virando pó.
(Yohji) Conseguimos!
(Omi animado) Essas armas são mesmo eficientes!!
(Ken) Mas...
Os três se entreolharam. Pelo pouco que ouviram da conversa não havia mais esperanças para o líder da Weiss. Ele supostamente caíra nas mãos de um vampiro chamado Farfarello e... fora impiedosamente torturado...
O Weiss mais velho sentiu uma vertigem ao simples pensamento de seu adorado ruivo sentindo dor... sendo machucado por um maldito ser das trevas.
Omi colocou uma mão sobre o ombro do amigo, tentando transmitir alguma confiança.
(Omi) Ainda podemos nos vingar.
(Ken) Pelo que essas duas disseram os vampiros estão de mudança.
(Yohji) Devem ter se assustado com a invasão de Aya...
(Omi) Vamos ver o que ainda dá pra fazer: a tal Evil foi levada, mas ainda sobra o mestre atual. Podemos tentar destruí-lo. Por Aya...
(Yohji) Por Aya.
(Ken) Por Aya!
Os três concordaram, e decidiram o que fazer. Restara ainda cerca de dez vampiros de quinta geração. A tal Lilik, que era de quarta geração e... o mestre, de segunda e quase invencível geração.
Apesar disso não se intimidariam, iriam até o fim, dispostos a tentar vingar a dor sofrida pelo espadachim, nem que perdessem a vida no processo.
Silenciosamente rumaram para a porta da cozinha e saíram. Não havia mais nenhum vampiro a vista. Caminharam até sair em um grande salão, provavelmente usado para receber convidados e oferecer festas. O local era decorado com extremo bom gosto, possuía uma mesa enorme, com lugar para aproximadamente cinqüenta pessoas a esquerda e pista de danças a direita. O teto era todo dominado por um belíssimo lustre bem trabalhado.
Havia uma ampla escadaria, que dava acesso ao segundo andar e as sacadas internas, de onde era possível, observar todo o salão.
(Yohji sussurrando) Grande...
(Ken sussurrando) Não dá pra negar que eles têm bom gosto...
(Lilik) Ora, vejam só... parece que temos visitas...
Os Weiss se arrepiaram de susto, ao serem pegos de surpresa. Olharam pra cima, deparando-se com um vampiro muito interessante. Ela era alta, magra, trajava um belíssimo vestido de madrepérola e possuía olhos verdes. Os cabelos castanhos estavam presos no alto da cabeça.
(Omi) Oh...
(Ken) Merda!!
(Yohji) Maldita falta de sorte.
(Ken) Quem é você?
(Lilik) Meu nome é Lilik. Sou a comandante mor da Grande Casa da Europa.
Os Weiss se entreolharam, sentindo um calafrio. Então aquela era a tal Lilik, e um vampiro de quarta geração?! Era muito bonita, não podiam negar, mas ainda assim transmitia uma periculosidade fria, quase impossível de ser descrita em palavras. Estavam fritos.
Como se seguissem uma ordem mental, cerca de dez ou doze vampiros surgiram praticamente do nada, cercando os três Weiss no meio do salão.
Lilik se debruçou no parapeito da sacada, cruzando os braços sobre a madeira, e observando os invasores com certa ironia.
(Lilik) Vieram atrás do outro caçador? Nesse caso é meio tarde... a não ser que queiram fazer companhia a ele... pena que Farfarello já se foi...
Os Weiss apenas ficaram em guarda. Cercados do jeito que estavam não podiam fazer muita coisa além de esperar o que aconteceria.
Foi nesse instante que os três sentiram uma energia extremante forte, algo ao mesmo tempo sórdido e nefasto, mas atraente e envolvente. Se entreolharam mais uma vez, enquanto ouviam Lilik gargalhar de modo insano.
(Lilik) Vocês têm sorte. Nosso mestre vem até aqui, apenas para... ‘cumprimentá-los’...
Os caçadores se aproximaram uns dos outros buscando uma frágil cobertura. A energia de um vampiro de segunda geração era algo inimaginável e indescritível. Sentiam medo e curiosidade, e acima de tudo a certeza de que não teriam chance.
Perceberam que os vampiros que os cercavam caíram de joelhos no chão, saudando o mestre que surgia. Não era todo dia que tal criatura permitia que o vissem. Geralmente ele ficava trancado na vasta biblioteca do castelo e poucos vampiros tinham permissão de vê-lo, além de Lilik, é claro.
Lilik também curvou-se de leve, assumindo uma postura respeitosa, enquanto levava a mão ao peito num gesto de fidelidade.
Finalmente o atual mestre surgiu, revelando-se aos olhos dos preocupados Weiss. Num primeiro instante, Yohji não entendeu nada. Mas a medida que a descoberta tomava conta de sua mente, ele sentiu que estava prestes a desmaiar.
Ken e Omi arregalaram os olhos e abriram muito as bocas. Não podiam acreditar: era Aya que surgia.
(Lilik) Seja bem vindo, mestre Ran.
(Yohji) A...ya...
(Ken) Caralho!! O que o Aya ta fazendo lá em cima?
Aya não disse nada, apenas fixou os olhos violetas sobre os antigos companheiros, fitando-os com frieza nunca vista antes.
(Yohji) Você... é o mestre... da Grande Casa?!
Sem poder agüentar mais o loiro caiu de joelhos no chão. Com certeza não era o que esperava... aquilo só podia ser um pesadelo!
Continua...