Título: Darkness Revenge
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, cena dark, sobrenatural, AU
Pares: AyaxYohji
Resumo: Os Weiss são os caçadores de vampiros mais tenazes até que se deparam com um inusitado inimigo.

 

 

Darkness Revenge
Kaline Bogard

 

Capítulo 01
Os caçadores

 

Paris - 1692

Yohji passou as mãos pelo cabelo loiro e olhou em volta mais uma vez.  Aquela era uma noite fraca... sem dúvidas.

Estava pensando em desistir, quando a viu: era uma dama.  Trajava um vestido elegante e caro, muito rodado e decotado.  O cabelo longo e loiro fora preso em um coque no alto da cabeça.  Os olhos azuis espertos logo se prenderam em Yohji.

O loiro percebeu que era alvo do interesse da recém chegada e observou-a atentamente.  Sentiu no mesmo instante que era quem tanto procurava.  Sorriu pra ela, passando os dedos pelo cabelo de modo a prendê-lo atrás da orelha.

A loira entendeu perfeitamente as mensagens que aquele loiro magnífico lhe enviava: sexo, sexo e mais sexo.  Uma noite fabulosa lhe era prometida nas íris de jade.  Não perdeu tempo.

Aproximou-se de Yohji e sorriu cheia de entusiasmo.  Assim que ela sentou-se a mesa, o rapaz tomou a iniciativa.

(Yohji) Meu nome é Yohji.  Como se chama, beleza?

(Jordana) Jordana.

(Yohji) Quer beber alguma coisa?

(Jordana sorrindo) Você.

O loiro estreitou os olhos, sabendo que ela dizia a mais pura verdade.

(Yohji) Você não gosta de perder tempo, hein?

Jordana apenas sorriu e estendeu a mão.  Yohji entrelaçou os dedos de ambos e levantou-se da cadeira.

(Yohji) Este respeitável restaurante tem quartos para alugar no segundo andar.

(Jordana) Eu sei... já tenho um quarto com meu nome aqui.  Venha comigo.

(Yohji)...

Olhou em volta, mas todos pareciam distraídos com alguma outra coisa.  Ninguém prestava atenção neles e ele soube que teria de improvisar alguma coisa.

Subiram as escadas quase correndo.  O dono do restaurante conhecia Jordana de longa data... não criou atritos.

Mal abriram a porta do quarto, e a loira avançou sobre Yohji, colando os lábios de ambos num beijo faminto.  Caminharam desajeitadamente até a cama, sem parar de se beijar, e caíram sobre a mesma.

Jordana parecia desesperada por aquele loiro.  Ele tinha um encanto sobre ela que era inexplicável.  Nunca o vira antes, nem o conhecia, e lamentava isso profundamente.

(Yohji) Calma, calma, pequena.  Não é assim que eu gosto.

Jordana estava sobre ele, lutando contra os botões de sua blusa, tentando abri-la sem sucesso.  Parou ao ouvir a reclamação.

(Jordana) O que foi?

Num gesto rápido, Yohji inverteu as posições, sentando-se sobre a loira e imobilizando-a, prendendo-a com suas pernas em volta do quadril da garota.

(Yohji) Assim é melhor!

(Jordana sorrindo) Gosta de dominar, não é?

(Yohji) Nem faz idéia do quanto...

As mãos se moveram lentamente para as costas.  Yohji passou os dedos pelo cós da calça e encontrou o que procurava.  Uma longa e afiada estaca.

Ergueu a mão acima da cabeça e sorriu.

(Jordana)...

Os olhos azuis estavam presos na estaca, demonstrando que fora pega de surpresa.

(Yohji sorrindo) Receba o descanso em nome d...

(Jordana) MALDITO!!!!

Começou a se debater, entendendo a real intenção de Yohji.

(Yohji) Calma, garota.  Você não vai sentir nada!

Atacou-a com a estaca, mas a loira se movia tanto, que acabou acertando-a no ombro ao invés do coração.  Ao sentir a arma de prata entrando em sua carne, a garota soltou um grito horrível.  As longas presas caninas cresceram de forma ameaçadora.  Era uma vampira.

(Jordana) Caçador desgraçado!  Me enganou direitinho... mas vai pagar caro por isso!!

O pânico abandonou a mente da garota e ela começou a raciocinar direito.  Um simples humano por mais forte que fosse não teria chances contra ela.  Usando a costas da mão acertou um golpe no rosto de Yohji, jogando-o pra fora da cama.

O loiro rolou sobre si mesmo e passando por baixo da cama saiu do outro lado, pensando em atacá-la pelas costas.

Ergueu-se de um salto, mas Jordana não estava mais sobre o colchão.  Reinava o silêncio absoluto.

(Yohji) Maldição!

Sentiu quando uma sombra se aproximava atrás de si.  Sem mesmo mirar, lançou cerca de cinco pequenas estacas na direção de onde julgava que estava a loira.  As estacas menores estavam presas na parte de trás de seu cinto e também eram de prata.

Virou-se pra ver o efeito de seus arremessos.  Conseguira acertar uma estaca no braço esquerdo de Jordana.  A garota observava a parte do seu corpo que fora alvejada: o braço todo começou a entrar em decomposição e esfarelou até desaparecer.

(Jordana sorrindo) A estaca continha água benta?  Engenhoso...

(Yohji)...

Suas armas haviam se acabado... não tinha mais nada pra se defender.  Ele engoliu em seco: geralmente uma estaca com água benta era o suficiente: não importava em que parte do corpo ela penetrava a morte certa se seguia.  Se Jordana não morrera com aquele golpe era por que não se tratava de uma vampira qualquer.

(Jordana) Eu disse que queria 'beber' você... e é justamente o que farei...

Deu uma risada macabra e começou a caminhar em direção ao loiro.

Yohji calculava suas chances.  Os olhos verdes procuravam qualquer coisa que pudesse fazer de arma.  Mas nesse momento Jordana usou seus poderes, movendo-se de forma tão rápida que Yohji não pode vê-la.

Quando deu por si, estava sobre a cama, com Jordana em cima de si, exibindo as presas caninas longas e prontas para entrar em seu pescoço.

(Yohji) !!

(Jordana) Você não gosta dessa posição, não é verdade? Será a última vez que ficara desse jeito.  Vou matar você... caçador maldito!!

Yohji estava começando a achar que se ferrara nessa história, quando a porta do quarto foi arrombada e dois garotos entraram no aposento.

Jordana foi pega de surpresa e não teve tempo de reagir.  Omi mirou uma espécie de besta para as costas dela, acertando-a com vários dardos cheios de água benta.

Ken usou a luva com garras, que o moreninho chamava de bugnuk, para decepar a cabeça da vampira.

Totalmente vencida, o corpo de Jordana caiu no chão e começou a se decompor até virar pó.

Yohji suspirou aliviado.  Aquela foi por pouco.

(Yohji) Caras, vocês demoraram!

(Omi sorrindo) Desculpa, Balinese.

(Ken) Tivemos problemas com os lacaios dela.

(Yohji) Ela era mais forte do que os outros...

(Omi) Você não vai acreditar: essa garota era um vampiro de geração sete.

(Yohji surpreso) Geração sete?!

Normalmente lutavam contra vampiros de nona e décima geração.  A diferença entre as gerações era surpreendente... se Jordana era de sétima geração, e muito mais forte que os de nona... imagina os de quarta geração!!

(Ken) Dificilmente encontramos uma raridade dessas, não é?

(Yohji pensativo) É a primeira vez.

(Omi) Dizem que existem vampiros de quarta geração andando por aí... vocês imaginam isso?

(Yohji) Era justamente o que eu estava pensando.

(Ken) Ei, caras, vamos dar o fora daqui.

(Omi) A missão está completa.  Pérsia vai gostar de saber disso.

(Yohji sorrindo) Sim, pra variar: os caçadores levam a melhor mais uma vez.  Preciso de um trago.

Os outros balançaram a cabeça concordando e foram embora dali.

oOo

Quando chegaram em casa, notaram que havia luz num ponto que julgaram ser a sala.  Alguém entrara no local.

(Omi) Temos visitas, rapazes.

(Ken) Atenção...

Os três se aproximaram devagar, cheios de precauções.  No momento em que Omi estendeu a mão em direção a maçaneta, a porta foi aberta pelo lado de dentro.

(Omi) !!

(Yohji) Cuidado!!

Mas quem surgiu foi uma ruiva, de cabelos cacheados e rosto muito pintado.

(Manx) Boa noite, garotos.  Vocês demoraram...

Os três assassinos relaxaram.

(Ken) Porra, Manx.  Quase que a gente te ataca.

(Yohji) Tome mais cuidado da próxima vez.

(Omi) Vamos entrar... está frio aqui fora.

(Yohji) Ótima idéia.  Eu estou precisando mesmo beber alguma coisa bem forte.  Manx, você não vai acreditar no que temos pra contar...

Os quatro entraram na casa.  A animação do loiro estava no auge, ao narrar a ameaça que haviam enfrentado.

(Manx sorrindo) O que foi?

(Yohji) Pegamos um geração sete!  Você consegue acred...

Calou-se ao entrar na sala e notar que não estavam sozinhos ali.  Sentado num dos sofás estava um jovem desconhecido, de cabelos ruivos e muito bonito.  Tão bonito que Yohji teve que se segurar pra não soltar um “wauu”.

(Manx) Garotos, quero apresentar-lhes Aya Fujimiya.

(Yohji) Oh...

(Ken) Aya... o que?!

(Omi) Ele...

(Manx) Ele vai fazer parte da Weiss Kreuz.  Aya é um jovem muito promissor que foi encontrado eliminando vampiros de décima e nona geração na cidade de Marselha.

O ruivo abriu os olhos, fitando os três Weiss com profundas íris ametistas.  Analisou friamente cada um deles.

Durante um segundo Yohji julgou detectar um brilho de satisfação nos olhos de Aya, mas foi tão rápido, que o loiro acabou achando que era sua imaginação.

(Yohji) Muito simpático...

(Manx) Aya é excelente estrategista.  Será um ótimo líder

Os garotos olharam surpresos para Manx.

(Ken) Líder?  Esse cara vai ser o nosso líder?

(Manx) Sim.  Algo contra?

(Ken)...

(Yohji) Bom, pelo menos teremos mais ajuda pra matar esses malditos demônios.

(Omi) Seja bem vindo, Aya.

(Manx) Vou indo embora.  Não temos mais nenhuma missão pros próximos dias.  Aproveitem esse tempo para se conhecerem melhor.  Adeus.

Com a saída de Manx, seis pares de olhos fixaram-se sobre o novo companheiro, cheios de curiosidade e indagação.  Yohji sentou-se ao lado de Aya, na mesma poltrona, enquanto Ken e Omi sentaram-se na outra.

(Yohji) Então, você já matou vampiros antes?

(Aya) Já.

(Ken) Muitos?

(Aya) Muitos.

(Omi) Porque entrou pra Weiss?

(Aya) Estou sendo interrogado?

(Yohji) Pô, relaxa cara, é só pra conhecer você melhor.

(Aya) Isso é desnecessário.

(Ken) Ih, que nervosinho.

Aya olhou para o moreninho de maneira fria e meio irritada, fazendo o garoto se sentir desconfortável.

(Yohji) Manx já te disse como as coisas funcionam?

(Aya) Já.

(Omi) Ela mostrou seu quarto?

(Aya) Não.

Os três se entreolharam.  Um deles teria de servir de guia para o novo companheiro, mas nenhum deles queria se candidatar.  Ken forneceu a solução do problema.

(Ken sorrindo) Ótimo.  Yohji terá muito prazer em mostrar-lhe a casa.

(Yohji) !!

(Omi) Enquanto isso Ken e eu cuidaremos do jantar!!

Os dois escapuliram mais que depressa, deixando os assassinos mais velhos sozinhos.  Yohji fixou os olhos de jade sobre Aya, analisando-o detalhadamente.

Por sua vez, o novo líder da Weiss notou que era observado tão profundamente que até mesmo se divertiu.  Mas essa sensação logo se dissipou, quando o ruivo lembrou-se de qual motivo o levara a entrar pra equipe de assassinos: tinha que achar o cara que matara sua irmã, e essa era a maneira mais fácil, visto que o desgraçado era um...

(Yohji) Ei, Aya?

O ruivo pareceu despertar de um sonho, ao ter os pensamentos cortados pela frase meio emburrada.  Deixara Yohji falando sozinho ao se perder em pensamentos confusos de vingança.

Yohji estava em pé, com as mãos na cintura e o ar levemente irritado.

(Aya)...

(Yohji) Vem, vou mostrar seu quarto.

(Aya) Hn.

Pegou suas malas e seguiu o loiro em silêncio, enquanto ele apresentava todos os cômodos da casa, do primeiro e do segundo andar.

(Yohji sorrindo) E esse é o seu quarto, tem outro vago, mas esse é melhor.  Aquele é o meu.

Aya notou que um quarto ficava ao lado do outro.  Não comentou nada.

(Yohji) Fique a vontade.  Essa agora é sua casa, e você é bem vindo aqui, mesmo que não goste de falar muito...

(Aya) Hn.

Abriu a porta do quarto e entrou, fechando a porta sem se preocupar em desejar boa noite ou qualquer outra coisa.

(Yohji) Caramba!  Bonito, mas difícil... he, he, he... faltava um desses pra equipe.

Deu as costas e afastou-se.

No quarto, Aya largou a mala no chão e encostou-se na porta.  Observou bem o aposento.  Não havia nada demais nele, era apenas mais um quarto comum.

Fechou os olhos com força.  Podia sentir que despertara a atenção daqueles garotos, mais especificadamente do loiro.  Talvez nem Yohji soubesse disso, mas o interesse estava cintilando nas belas íris de jade.

(Aya) Você é exatamente como os boatos diziam, loiro.

Abriu os olhos sentindo raiva de si mesmo.  Não deveria se distrair.  A missão pessoal era mais importante: jurara vingar a morte de sua irmã, e era isso o que faria... nada nem ninguém lhe desviaria de seu caminho.

(Aya) Estou perto, muito perto de realizar meus objetivos.

Sentia seu sangue correr mais rápido nas veias devido a emoção.  Logo teria a paz de saborear sua doce vingança.

oOo

Aya entrou na cozinha e encontrou seus três companheiros conversando animadamente sobre quem deveria ir chamá-lo para jantar...

(Omi sorrindo) Oh, que bom que está aqui!!

(Ken) O Yohji já ia atrás de você, não é verdade, Yohji?

(Yohji)...

Pelo visto teria que bancar a babá do ruivo até que ele estivesse bem integrado à rotina.  Era um complô contra sua pessoa, mas depois se vingaria daqueles dois garotos atrevidos.

(Aya) Não era preciso.

Os quatro sentaram-se a mesa e serviram-se.

(Yohji surpreso) Vai comer só isso?

(Aya)...

(Omi) Yohji!!  Vai começar a implicar?

(Yohji)... não estou implicando...

(Ken) O coitado nem bem entrou pra equipe e você já quer se intrometer?

O loiro arregalou os olhos de modo ofendido.

(Yohji) Hunf, vocês estão me chamando de ‘implicante’ e ‘intrometido’?!

(Ken) Sim.

(Omi sorrindo) Pelo menos um pouquinho assim...

Yohji virou-se para Aya e apontou o dedos para os caçadores mais jovens.

(Yohji) Viu só como eles me respeitam?

O ruivo fez um esforço para não rir da cara de ofendido de Yohji, mas não pode evitar que um leve sorriso pairasse sobre seus lábios.

(Aya) Hn.

(Omi) Você disse que Manx já o colocou a par das atividades que fazemos como Weiss, mas ela comentou sobre nossos trabalhos a parte?

(Aya) Não.

(Ken) De vez em quando saímos por aí, caçando vampiros por nossa conta.

(Yohji) E temos mais sorte assim, como free lancers do que recebendo as missões.

(Aya) E como vocês fazem?

(Omi) Trabalhamos em uma floricultura durante o dia.  Pessoas que querem contratar nossos serviços por fora deixam os contratos nessa loja.

(Ken) Você pode nos ajudar se quiser.

(Aya) Está bem, ajudo com os contratos, mas não na floricultura.

(Yohji) Porquê?!

(Aya)...

Lançou um olhar meio hostil na direção do loiro curioso.  Yohji entendeu a mensagem e achou melhor não insistir.

(Ken sorrindo) Depois não quer que a gente o chame de intrometido...

(Yohji) Ei!!

(Omi) Independente da situação, sempre usamos a mesma estratégia.  Você vai querer mudar isso, Aya?

(Aya)...

Observou a face de Omi e Ken.  Ambos olhavam ansiosos em sua direção.  Depois o novo líder fixou os olhos de ametista em Yohji.  Sabia que a ‘estratégia’ atual da Weiss tinha a ver com o loiro... mais especificadamente com uma ‘isca’ loira...

(Ken) Se você tiver outras idéias tudo bem, mas o modo como atuamos tem funcionado.

(Aya) Yohji age atraindo os vampiros e levando-os para uma armadilha.

(Yohji) Basicamente é isso mesmo.  Incrível como esses demônios pensam em sexo... eles não podem ver uma ‘vítima’ dando sopa...

(Omi) E o Yohji pra fazer papel de desesperado por sexo é perfeito!!

(Yohji)... acho que isso não foi um elogio...

(Ken sorrindo) E não é que é verdade?

(Omi) Brincadeirinha, Yohji!!

(Yohji) Mas Aya não respondeu...

(Aya) Vamos manter as coisas do mesmo jeito.

O ruivo estava doido pra ver a ‘isca’ em ação.  Se todos os boatos fossem verdadeiros... seria bem interessante ver o poder que a forte atração sexual do loiro exercia sobre os vampiros.

(Yohji)...

(Omi sorrindo) Ótimo!  Temos um contrato que pode ser executado dentro de alguns dias.

(Aya) Do que se trata?

(Omi) Um vampiro está chegando na cidade depois de amanhã.  Nosso contratante diz que esse cara destruiu sua fazenda e matou todos que moravam lá.

(Ken suspirando) A velha vingança de sempre.

(Aya) Vamos estudar os detalhes.

(Omi) Certo.

E enquanto Omi e Aya iam estudar tudo sobre o assunto, Yohji e Ken cuidavam de arrumar as louças do jantar.

oOo

Aya logo mostrou que podia adaptar-se bem a função de líder, coordenando não apenas os trabalhos da Weiss, mas também, as tarefas domésticas e da Koneko, apesar de não aparecer na floricultura durante o dia.

Yohji sentia-se um tanto incomodado com o jeito do ruivo agir.  Às vezes Aya se perdia em um silêncio de morte, ficando horas sem falar com ninguém, nem responder as perguntas que eram feitas a ele.  E Yohji já flagrara olhares em sua direção que variavam da mais infantil curiosidade à mais profunda raiva.

Não sabia porque o ruivo lhe dirigia tais sentimentos, e inconscientemente o loiro tratou de se afastar do líder da Weiss, confuso com o que estava acontecendo.

Na noite anterior a que colocariam o plano contra o vampiro recém chegado em prática, ocorreu uma cena que confundiu ainda mais a mente do loiro.

Yohji não estava conseguindo dormir direito.  Além de estar um calor infernal, ele se questionava, tentando entender o porque das atitudes de Aya.

(Yohji) Não faltava mais nada!

Resolveu descer a cozinha e beber um pouco de água.

Fez o caminho no escuro, desviando dos móveis conhecidos.  Chegou a cozinha e tratou de acender uma lamparina a óleo.  Depois pegou uma pequena jarra que estava sobre a pia e encheu uma caneca com a água.

Pegou a caneca e ia levá-la aos lábios quando teve a impressão de que não estava sozinho na cozinha.  Virou-se e deu de cara com o líder da Weiss, olhando fixamente em sua direção.

O loiro tomou um grande susto, quase derrubando a caneca com água.

(Yohji) !!

O ruivo não fez nada.  Permaneceu parado embaixo do batente da porta, cravando os olhos de ametista na face de Yohji.  O belo rosto parcialmente encoberto pelas sombras.  Yohji sentiu um arrepio, e tratou de disfarçar.

(Yohji irritado) Aya, seu... quer que eu tenha um treco do coração?!

(Aya)...

O silêncio do outro começava a incomodar.  Yohji franziu as sobrancelhas estranhando o comportamento do ruivo.

(Yohji preocupado) Você está bem?

(Aya)...

(Yohji) Vim beber água.  Você quer um pouco também?

(Aya) Hn.

Finalmente um resmungo.  Yohji ficou satisfeito por ver que conseguira arrancar um som daquele cara tão estranho.  Mais que depressa pegou uma segunda caneca e encheu-a, estendendo-a para o líder da Weiss.

(Yohji) Não está muito gelada... esse maldito calor ainda vai acabar com a gente.

Aya aproximou-se e tomou a caneca das mãos do loiro, deu as costas e se afastou, sem agradecer ou comentar qualquer outra coisa.

(Yohji suspirando) Céus... o que foi isso?

Voltou pra cama, mas a verdade é que não conseguiu mais dormir.

oOo

Chegou o dia em que a Weiss entraria em ação, e Aya mostraria seu modo de atuação pela primeira vez na equipe.

O novo alvo estava hospedado em um dos hotéis de Paris.  Havia acabado de se registrar, e provavelmente sairia logo em seguida atrás de algo que o distraísse e alimentasse.

A equipe de assassinos estava rodeando o local, pronta pra colocar o plano em prática: Yohji se mantinha em alerta, preparado para entrar no hotel a qualquer momento.  Omi e Ken vigiariam os prováveis capangas do alvo, enquanto Aya ficava de olho no companheiro loiro.

Tal esquema deixava os quatro sossegados, pois se Ken e Omi encontrassem obstáculos ao eliminar os seguidores do vampiro, Yohji não ficaria sem cobertura, já que Aya entraria em ação.

Geralmente tinham que improvisar nos planos, pois sempre surgiam imprevistos... a participação de Aya era uma tranqüilidade a mais.

De onde Omi estava, ele percebeu que o vampiro vinha em direção a porta e sairia em seguida.  O chibi fez um sinal pro companheiro mais velho.

Como se fosse mera coincidência, Yohji avançou e adentrou o hall do hotel, esbarrando ‘sem querer’ no homem que vinha em sentido contrário.

(Yohji) Ops, sinto muito!!

Curvou-se um pouco, exibindo seu melhor sorriso.  As lamparinas da entrada desenhavam contornos em seu rosto, deixando-o com ar levemente misterioso.

O vampiro estreitou os olhos, observando-o atentamente.  Era um homem de mais ou menos trinta anos, com cabelos negros e olhos negros profundos e frios.  A aparência sóbria reforçava uma beleza seria e distinta.

Olhos de jade se encontraram com as perolas negras.  O interesse cintilou nas íris escuras.  Yohji soube no mesmo instante que aquele cara estava no papo.  Saber disso apenas aumentou sua felicidade, fazendo o grande sorriso se alargar.

Com um gesto para seus acompanhantes, o vampiro dispensou-os.

(Vitório[1]) Vão na frente, nos encontramos depois.

Os três carinhas sorriram cheios de malícia.  Sabiam muito bem o que o mestre tinha em mente.  Vitório estava doido atrás de diversão desde que chegaram em Paris.  Haviam ido para a capital do prazer justamente em busca do que aquele loiro parecia oferecer.

(Vitório) No restaurante de Lucios.  Daqui a duas...

Olhou para Yohji de alto a baixo.  Sorriu satisfeito.

(Vitório) Ou melhor... daqui a três horas.

Yohji permanecera parado no mesmo lugar, apenas assistindo.  Ficaria lisonjeado por tamanho interesse se não soubesse que aquele cara era um vampiro disposto a beber todo o seu sangue, depois que se divertisse com seu corpo...

(Yohji sorrindo) Desculpe trombar em você.  Preciso ir me registrar...

(Vitório) Porque a pressa?  Meu nome é Vitório.  O seu é...

(Yohji) Yohji.

(Vitório) Tem belos olhos, Yohji.

(Yohji) Obrigado.

(Vitório) Eu gostaria de... conhecê-lo melhor.  Você... viria ao meu quarto para que pudéssemos conversar?

Yohji fez de conta que analisava a proposta.  Depois passou os dedos pelo cabelo, colocando-os atrás da orelha.  Era um gesto simples, mas que o loiro descobrira ter muito efeito sobre outras pessoas.

Satisfeito percebeu a hora em que Vitório passou a língua sobre os lábios.

(Yohji) Ora, porque não?

(Vitório) Ótimo.  Vamos nos divertir muito...

Segurou no braço do caçador e o puxou em direção as escadas localizadas no hall de entrada do hotel.  Elas levavam direto aos quartos.

Vitório sentira algo diferente em relação aquele loiro.  Talvez fosse uma boa idéia abraçá-lo e torná-lo um vampiro... precisava apenas pedir a opinião daquele que estava em seu quarto...

oOo

(Omi) Ele conseguiu!

(Ken) Vamos atrás daqueles três carinhas!

(Aya) Assim que acabarem com eles vocês voltam imediatamente pra cá.

(Omi) Certo!  Cuide-se!

(Ken) Entendido!  E cuide do Yohji!!

Os dois se afastaram e perseguiram os lacaios de Vitório.

Assim que se viu sozinho, Aya dirigiu-se ao hotel.

(Aya) Vitório... o que você estará aprontando?

Chegou até o balcão e tocou a sineta, esperando que alguém viesse atendê-lo.

(Aya pensando) Ele nunca viaja sem aquele cara... droga.  Se ambos estiverem juntos Yohji vai ter problemas!!

Sem esperar mais, o ruivo pegou o livro de registros do hotel e começou a virar as páginas atrás do número do quarto em que Vitório estava hospedado.

oOo

(Vitório) Seja bem vindo ao meu aposento.

Yohji entrou na frente, observando bem o quarto.  Era uma suíte muito bonita, com uma enorme cama de casal.

(Yohji) !!

Percebeu que alguém estava deitado sobre a mesma.  Um rapaz pra ser mais exato.

(Vitório sorrindo) Quero que conheça um... amigo...

O rapaz virou-se na cama e sentou-se sobre o colchão.  Fitou Yohji e Vitório com olhos azuis muito claros.

(Yohji) Er...

(Vitório) O que acha dele, Hugo?  Não lhe agrada?  É um presente.

(Hugo) Um presente?

O loiro pensava rápido.  Tinha armas suficientes para lutar contra aqueles dois, mas não podia cometer erros.  Achou melhor esperar a cobertura de Aya antes de cometer um ato impensado.

(Vitório) Sim.  Não gostou?

Pegou uma das mechas loiras de Yohji e passou-a por entre os dedos de modo pensativo.

(Hugo) Ele é bonito.  Mas não sei se quero abraçá-lo.

(Vitório) Experimenta.  Se o gosto dele não o agradar, não o abrace.

(Hugo pensativo) Ele tem olhos magníficos.  Tá bom!!  Agradeço muito pelo presente, Vitório... você sabe do que eu gosto.

Vitório sorriu satisfeito.  Tudo o que mais apreciava na vida era agradar aquele jovem que estava deitado em sua cama.

Yohji achou que já era hora de reagir.  Moveu uma das mãos muito lentamente em direção a estaca que estava presa atrás do cinto, mas antes que realizasse seu intento sentiu uma ‘presença’ invadindo sua mente e tomando conta de seus pensamentos.

Percebeu na mesma hora que não se tratava de vampiros quaisquer.  Aqueles caras deveriam ser no mínimo de sexta geração.  Yohji conseguia fechar sua mente ao domínio de vampiros de sétima geração... mas aquele Hugo estava conseguindo subjugá-lo sem nenhuma dificuldade.

Antes que pudesse reagir caiu sem sentidos nos braços de Vitório.

(Vitório sorrindo) Esse garoto será uma bela aquisição mesmo...

oOo

Aya subiu as escadas correndo, saltando de dois em dois degraus.  Achara aquele loiro muito interessante e na verdade não permitiria que ele morresse nas mãos de um vampiro como Vitório.

Conhecia Vitório de suas andanças em Marselha.  Sabia que o vampiro de olhos negros era de sexta geração, e muito forte por assim dizer.  A despeito de seu amante, chamado de Hugo, e também um geração seis...

(Aya) Maldição.

Dois vampiros tão poderosos juntos... Yohji não seria páreo para esse desafio!

Com certo alívio visualizou o quarto em que os inimigos estavam hospedados.

Arrombou a porta com um potente chute, já sacando a espada japonesa afiada.  Seus olhos scanearam o dormitório.  Viu que Hugo estava sentado sobre a cama, olhando distraído para o amante, que levava o Weiss inconsciente nos braços.

(Vitório) Ei!!

Aya não respondeu.  Saltou, caindo sobre a cama, e acertando a espada direto no peito de Hugo.

A lâmina da katana fora lavada com água benta.  O vampiro caiu fulminado, virando pó.

Ao ver a cena, Vitório se inflamou de ódio.  Seu amante fora dizimado com facilidade por aquele garoto ruivo, e bem diante de seus olhos!!!!

Furioso, largou Yohji, que caiu no chão sem despertar.

(Aya) Maldito.

Cegado pela fúria, Vitório praticamente voou pra cima do Weiss, mas acabou sendo vencido: com uma agilidade surpreendente, Aya usou a espada para decapitar o ser das trevas.

Vitório foi derrotado, seu corpo se transformando em pó, caindo e se misturando as cinzas de Hugo sobre a cama.

Aya respirou fundo por um segundo.  Depois os olhos de ametistas fixaram-se no companheiro caído no chão.

Desceu da cama, indo verificar se estava tudo bem com ele.  Foi com certo alivio que percebeu que ele não estava ferido, nem recebera nenhuma mordida.  Logo logo Yohji despertaria.

(Aya)...

Não entendia a súbita preocupação que se apossara de si.  Por que aquele loiro era importante... de um momento para o outro... pensar que ele poderia ter sido ferido lhe incomodava a extremos.

Fechou os olhos de modo irritado.  Tudo começava a ganhar tons diferentes... o que parecia fácil e rápido ia se complicando e agora tinha mais esse obstáculo: porque aquele loiro tinha que ser tão interessante?!

(Aya) Tenho que me concentrar em minha vingança!

Abriu os olhos e fixou-os no companheiro caído.  Suspirou conformado e abaixou-se, pegando-o nos braços sem qualquer dificuldade.

Nada iria atrapalhar sua vingança, mas... nesse momento era mais importante cuidar do Weiss inconsciente.

Voltaria a vingança após ter certeza de que estava tudo bem...

(Aya) Ninguém vai tirá-lo de mim, loiro...

 

 

 

Continua...

 

 

[1] Uma pequena homenagem a tia Anne Rice.  Simplesmente amo os livros dela.

 

anterior    home    próximo

Hosted by www.Geocities.ws

1