Título:
Captive
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, AU, sobrenatural, crossover com Petshop os
Horrors
Pares: Kaoru x Toshiya, Kyo x Shiniya
Resumo: Um grupo de detetives sobrenaturais enfrenta o maior caso
de suas vidas: salvar
um de seus próprios companheiros
Captive
Kaline Bogard
Capítulo 01
- Potz! E agora?
Toshiya observou atentamente geladeira aberta. A mesma estava abarrotada de coisas, mas nenhuma delas lhe interessava. Simplesmente não conseguia se decidir pelo que fazer para o jantar.
Passou a mão pelos cabelos dotados de um incrível tom azul vibrante. Os olhos preocupados iam de uma coisa a outra da geladeira, sem saber o que escolher. Ele adorava cozinhar, esse era um dos seus maiores prazeres, principalmente se fossem iguarias que seu namorado gostava. E Kaoru tinha um paladar muito apurado.
A porta da cozinha se abriu, e um outro rapaz entrou. Era pouca coisa mais baixo que Toshiya, tinha longos cabelos vermelhos incandescentes. A face muito pálida se destacava ainda mais pela maquiagem sombria em volta dos olhos.
- Toshiya... Eu to com fome!
Toshiya olhou para o recém chegado. Suspirou com paciência, afinal Die era o mais agitado dos cinco. Não surpreendia que vivesse esfomeado. Energia era o que não lhe faltava.
- Eu pensava nisso agorinha mesmo. - respondeu sorrindo, de maneira distraída - Não sei o que fazer...
- Quer ajuda? - se ofereceu o de cabelos vermelhos, mostrando uma boa vontade que não lhe era costumeira.
-Talvez você possa me ajudar com o cardápio. Alguma sugestão?
Die colocou as mãos sobre a cabeça. Um sorriso maroto desenhou-se na face bonita. Toshiya estava lhe dando a chance de uma provocação e ele não perderia a oportunidade de jeito nenhum. Adorava pegar no pé do garoto mais jovem:
- He, he, he. - sorriu - O que me diz de frango assado...?
Ao ouvir a pergunta atrevida Toshiya corou muito e fechou as mãos de forma irritada:
- DE JEITO NENHUM! Nunca permitirei que vocês comam uma avezinha indefesa! Tenho horror desse crime!
O Holly Spirit descendente dos céus levava a sério sua posição. Tinha arrepios só de pensar nos diversos pratos preparados com seus primos distantes (e põe distantes nisso...), as galinhas.
Como filho dos céus, conhecido como a Fênix Azul símbolo do oeste, não podia permitir a morte de nenhuma espécie de ave...
Porém Die, representante do Tigre Vermelho, herdara os instintos carnívoros de seu título. Adorava qualquer tipo de carne.
- Toshiya, você é um chato! Deixa de ser fresco e prepara logo um frango a passarinha!
A fúria do garoto atingiu o ápice, seu rosto ficou encantadoramente escarlate. A única coisa que realmente lhe tirava do sério era que alguém fizesse mal aos seres que amava. Isso incluía seus amigos e pássaros em geral.
-DIE! Você não terá sobremesa hoje!!
O rapaz ruivo ficou surpreso:
- Mas...
Toshiya deu lhe as costas e cruzou os braços de maneira determinada:
- Mas nada! Enquanto não aprender a respeitar certas coisas não vai ganhar sobremesa.
Die mostrou os dentes de forma ameaçadora e balançou a cabeça, sacudindo os vastos cabelos vermelhos:
- Nossa, você é um fresco! Eu vou contar para o Kaoru que você está abusando de sua autoridade! E você fica horroroso de avental cor-de-rosa!
Dizendo isso o ruivo saiu correndo da cozinha, deixando Toshiya muito abalado por tanta rebeldia. Normalmente Die e Kaoru eram os que tinham gênio mais indômito, Kaoru podia até mesmo se tornar grosseiro, mas no fundo tinham bom coração.
Agora Die o surpreendera com aquela demonstração de rebeldia tão intensa...
Distraidamente fechou a porta da geladeira e começou a caminhar em direção à pia.
- Die... o avental cor-de-rosa não fica bem em mim? Puxa, pensei que combinava com o tom dos meus cabelos...
Deslizou a mão pelos fios lisos e extremamente azuis. O cabelo tinha um tom raro que combinava perfeitamente com a pele pálida e o rosto meio andrógeno. Toshiya vestia uma blusa com rendas na gola e nos pulsos e uma calça de couro preto meio justa. Completava o visual com uma bota de cano alto sem salto.
Pensativo, abriu a torneira deixando a água encher uma panela:
- Será que estou abusando de minha autoridade?
- Falando sozinho, Totchi?
- Ah, Shinya! Você chegou no momento certo!
Shinya ergueu uma das sobrancelhas e olhou fixamente para o garoto. Toshiya parecia preocupado com algo...
- O que foi?
- Você é a sábia Tartaruga Prateada, representa o centro de todas as coisas... vai saber me responder: acha que estou sendo muito autoritário?
Shinya ficou aliviado. Toshiya e suas paranóias. Só podia ser culpa de Die. O ruivo mais velho saíra apressado da cozinha, com uma cara nada amigável, diga-se de passagem.
Die adorava pegar no pé do garoto de cabelos azuis. Nem precisava dizer que Toshiya também era muito infantil, o que deixava o ruivo ainda mais ansioso por perturbá-lo.
- Não, Toshiya, você não é autoritário.
- Ah! - o representante da Fênix Azul não escondeu sua alegria.
- Die é assim mesmo.
- Mas ele não era tão implicante!
- Deve ser uma fase.
Imediatamente Toshiya concordou balançando a cabeça. Ele e Shinya eram os mais jovens dos cinco, se entendiam muito bem, apesar de Shinya ser o mais recluso de todos, era o que tinha mais paciência com as criancices distraídas de Toshiya. Às vezes até mesmo Kaoru perdia a paciência.
- Está com fome, Shinya?
O representante da Tartaruga Prateada balançou a cabeça, agitando os longos cachos platinados.
- Não. O que vai fazer para o jantar?
- Ainda não sei. O que sugere?
- Que tal aquele seu prato de abóboras?
Subitamente Toshiya se animou. Aquele prato exótico que aprendera agradava não apenas a Shinya, mas sobretudo ao namorado, Kaoru. E Toshiya adorava agradar Kaoru.
- Oh! Porque não pensei nisso?! Seria perfeito!
Shinya suspirou diante da animação quase infantil. Agora tudo estava indo bem. Não tinham notícias de Kyo, que estava envolvido em uma investigação sobrenatural. Ele estava incumbido de desvendar uma certa pista que poderia ajudá-los a descobrir quem estava por trás de uma venda ilegal de seres místicos.
Kyo, fora atrás da pista sozinho, para chamar menos atenção. Porém Shinya, seu namorado, ficava preocupado com a investida, mesmo não aparentando.
A atitude de Kyo era resultado da ultima missão, onde trabalharam em conjunto com outro time de detetives sobrenaturais, mas tudo dera errado e os aliados haviam perecido em batalha. Ver seus amigos sucumbir diante dos próprios olhos fora doloroso e marcante. E Toshiya era um dos que mais se culpava, assim como Kaoru. Aos poucos podiam relaxar, esquecer o sentimento de culpa... sem diminuir a busca pelos culpados.
Shinya, não demonstrava, mas ficava tão feliz em ver seus amigos podendo superar o passado doloroso, que o alívio do jovem de cabelos platinados não podia ser medido.
- Esse avental fica bem em você. - afirmou o loirinho.
Ao ouvir aquilo a alegria de Toshiya se transformou na mais pura euforia.
- Você acha?! O Kaoru também gosta.
- É... ele gosta muito de tudo o que tem a ver com você...
Toshiya corou, adorando ouvir aquilo.
- Por falar em Kaoru, ele não voltou?
- Ainda não. - Toshiya suspirou - Kami Sama o chamou para tratar de um assunto urgente... e pelo visto demorado.
Às vezes Kami Sama, guardião dos portões do Paraíso, os chamava para tratar de assuntos relativos a missão do Dir en grey na Terra, e essas conversas geralmente eram longas e exigiam a presença constante de Hino Kaoru, o tempestuoso Dragão Dourado protetor do norte e o mais velho entre os cinco, além de ser o líder.
- Logo ele volta, Totchi. Vou tomar um banho... ou você precisa de ajuda na cozinha?
- Claro que não! Pode deixar que cuido de tudo. Minha intuição diz que Kaoru retornará hoje, então quero preparar o melhor jantar do mundo!!
Shinya piscou e balançou a cabeça.
Sem dizer mais nada retirou-se da cozinha, deixando Toshiya concentrado no que faria para o jantar dos quatro. Novamente o garoto de cabelos azuis aproximou-se da geladeira.
Seu estoque de alimentos era amplo e variado, mas percebeu que teria de comprar algumas cenouras e tomates. E a abóbora, é claro, o ingrediente mais importante do prato principal da noite. Precisaria ir ao supermercado!
Imediatamente ficou desanimado. Adorava compras. Quer dizer, comprar roupas, acessórios, sapatos... detestava supermercados...
- Supermercado! - suspirou - Eu tinha mesmo que ir até lá!
Passou a mão pelos cabelos curtos e tirou o avental. Pensou em chamar Die para ir com ele, porém mudou de idéia. O mais velho estava de mau humor e seria uma péssima companhia.
- Vou deixar um bilhete avisando.
Pegou um papel toalha e uma caneta e escreveu rapidamente algo. Depois grudou o bilhetinho na geladeira e colocou a carteira no bolso da calça justa, saindo de casa.
Fez o trajeto rapidamente, tinha que chegar logo ao supermercado e voltar antes de Kaoru. Queria estar em casa quando o amante retornasse.
- Ah, Kaoru... como sinto sua falta!
Sentia falta da atenção, dos carinhos... dos beijos profundos e dos braços que o envolviam de modo protetor e possessivo. Como gostava de estar ao lado de Kaoru!
Distraidamente passou a mão pelos fios azuis.
Kaoru era a metade que lhe completava, sua alma gêmea, o contrapeso da balança que equilibrava sua vida.
- Quero agradá-lo essa noite! E muito!!
Felizmente naquele horário o supermercado estava praticamente vazio.
O representante da Fênix Azul rumou diretamente para a seção de hortifrutes com a cestinha na mão. Primeiro dirigiu-se a banquinha das abóboras. Olhou calmamente uma por uma. Apalpou e cheirou. Decidiu-se por uma que parecia no ponto:
- Perfeita! - agradeceu apertando e ninando a abóbora nos braços como se fosse bebezinho.
Depois partiu para cima das cenouras. Comprou tomates e rabanetes. Não resistiu ao passar em frente às berinjelas. Muito menos às maçã. Estavam lindas, grandes e vermelhinhas. Pareciam doces e suculentas. Lembrou que Shinya apreciava aquela fruta proibida.
Quando viu grandes e belas beterrabas seus olhos brilharam de pura alegria. Kaoru adorava suco de cenoura com beterraba.
- Farei um suco tão gostoso que Kaoru me encherá de elogios!
Suspirando olhou para a cesta que carregava, que estava cheia de verduras e legumes. E pesava muito...
- Porque será que eu sempre me empolgo?! - ficou desolado. Tinha compulsão por comprar. E apesar de não gostar de supermercados, sempre passava dos limites.
Estava indo embora quando passou em frente a banca de batatas. Inclinou a cabeça, observando detalhadamente cada um dos belos vegetais.
De repente teve uma súbita inspiração: Die adorava batatas fritas! Poderia fazer uma pilha imensa e deixá-lo ingerir aquela quantidade absurda de frituras sem remorso algum.
Depois disso fariam as pazes e Toshiya jurou que não seria mais tão autoritário, contanto que o ruivo também prometesse que esqueceria aquela história de frango pro jantar...
- Uma montanha de batatas fritas... e uma deliciosa sobremesa? Acho que faremos as pazes!
Sentia-se mal toda vez que brigava com Die. Afinal eram amigos e muito unidos. Tá certo que não discutia tanto com Shinya ou Kyo, mas a diferença de gênios entre Toshiya e Die era maior quando comparada aos outros dois.
Toshiya suspirou profundamente e aproximou-se das batatas, começando a escolher as melhores e mais bonitas.
Logo passava por um dos caixas. A moça que o atendeu derreteu-se em sorrisos amáveis, sendo conquistada de imediato por aquele rapaz tão bonito, de aparência andrógina.
Toshiya apenas retribuiu o sorriso sem mostrar grande interesse. Seu coração pertencia apenas a Kaoru, e ninguém mais.
- Puxa... eu devia ter convidado o Die... assim teria alguém com que dividir o peso!
À medida que avançava de volta pra casa, as inúmeras sacolas em suas mãos começavam a pesar, fazendo seus braços ficarem doloridos. Não era o mais forte dos cinco, podia ser ágil e rápido, porém se tratando de força física, Kaoru e Die eram os especialistas.
- Arf, arf... eu... ia comprar... apenas uma... abóbora! E algumas... cenouras... céus!! Acho que meus braços esticaram uns dez centímetros cada um!
Desanimado pensou em ligar para casa e chamar Die, mas mudou de idéia. O ruivo saíra correndo, e talvez não tivesse voltado ainda. Por outro lado Shinya poderia não ter finalizado o banho, afinal, o representante da Tartaruga Sábia, adorava água...
Então o Dir en grey lembrou-se de que ali próximo havia uma grande praça, o mesmo lugar onde costumava passear de mãos dadas com Kaoru nas horas de folga.
- Posso descansar ali por um minuto.
A praça era um lugar calmo e pouco freqüentado. Alguns bancos de cimento com encosto e outros sem encosto estavam espalhados entre os jardins. O Dir en grey de cabelos azuis olhou bem, e decidiu-se por sentar-se em um com encosto.
Depois de acomodar-se, Toshiya depositou as sacolas ao seu lado e esticou os braços, alongando os músculos doloridos. Fez massagem no próprio pescoço tentando relaxar.
- Juro que não vou mais ao supermercado sozinho...
Olhou desanimado para as sacolas. Ainda tinha metade do caminho a percorrer...
Foi então que ouviu um som baixinho, muito parecido com choro infantil. Os olhos preocupados percorreram a praça, até que percebeu uma garotinha loira agachada, meio escondida atrás de uns quatro bancos imediatamente a sua esquerda.
- Ei! O que aconteceu?
A criança não respondeu.
- Menininha...? O que houve?
A garota descobriu a face e levantou a cabeça. Tinha grandes olhos verdes, e os mesmos estavam entristecidos e marejados por lágrimas.
- Está perdida?
Os olhos se arregalaram, e Toshiya detectou um traço de medo nas íris verdes. No entanto o que chamou a atenção do representante da Fênix Azul foi uma ‘sensação’ que o acometeu...
- Isso é... aura?
Aquela criança que aparentemente estava perdida não se tratava de uma humana comum! Toshiya sentiu uma aura sobrenatural emanando dela! Poderia ser um demônio desgarrado?! Era óbvio que a criança se tratava de um ser místico.
- Garotinha! Você é um Shugotenshi(1)?!
A menina estremeceu visivelmente e ergueu-se. Assustada, começou a se afastar correndo, como se tivesse medo de Toshiya.
O jovem surpreendeu-se. Apressado, pegou as sacolas e escondeu-as debaixo do banco de cimento, então se ergueu e saiu correndo atrás da menina de cabelos loiros.
Apesar da pouca idade a menina era veloz, e tal fato deu a Toshiya a certeza de que era mesmo um ser sobrenatural.
O rapaz de cabelos azuis começou a mover-se mais rápido: a blusa de rendas e a calça preta se transformaram na roupa que ele costumava usar como Dir en grey: uma blusa branca muito justa e curta com mangas largas que chegavam ao meio das mãos, uma calça preta meio folgada e botas de cano longo, cheia de fivelas. O rosto andrógeno ficou mais sombrio quando uma maquiagem sobrenatural contornou-lhe os olhos, e baton azul cobriu-lhe os lábios, deixando a pele ainda mais pálido com o belo contraste.
- Espere!
Ao invés de parar, a criança acelerou, virando a direita entre algumas árvores ornamentais. Por um segundo Toshiya a perdeu de vista, mas logo ele também fazia a curva.
Foi então que estacou surpreso. A fugitiva parara com a desembestada carreira e surpreendentemente estava meio escondida trás das pernas de um homem. Ela segurava-lhe a perna, enquanto inclinava a cabeça para olhar na direção de Toshiya.
Observou aquele homem. Tratava-se de um belo rapaz, com cabelos curtos negros e lisos. Os olhos estreitos eram perspicazes, e um deles estava encoberto pela franja. Usava roupas largas, mas de aparência cara.
Apesar de sorrir, aquele desconhecido exalava uma sensação profunda e desagradável.
- Sorano Toshiya?
- Quem é você?
- Me chamam de Doutor. Vejo que você veio atrás do meu bichinho de estimação...
- O que? - o Dir en grey perguntou surpreso.
Os olhos arregalados caíram sobre a garota. Então a pequenina sorriu e seu corpo começou a se metamorfosear. Ela foi encolhendo, e sua pele escurecendo. Finalmente assumiu a forma de um morcego, para o choque do detetive.
- Esse é um morcego de Atlântida. - explicou Doutor - São excelentes ilusionistas.
O garoto de cabelos azuis não soube o que dizer. Ficou confuso com o que presenciou. Claro que conhecia a fama dos morcegos do antigo Reino perdido de Atlântida, mas a sua surpresa estava no fato de encontrar um deles (tão raro) com um ser humano.
- Posso ver a confusão em seus olhos... na verdade estou fazendo um favor para um antigo amigo, e ele acabou me dando esse adorável bichinho como presente.
- Porque está usando esse animal em um lugar público?
- Sou apenas o mensageiro de uma pessoa que se sente atraída por coisas belas e sobrenaturais...
O Dir en grey recuou um passo. Aquele homem começava a assustá-lo. Olhou discretamente para os lados, apenas pro caso de precisar de uma fuga estratégica.
- Na verdade uma pessoa que lhe tem em alta consideração lhe manda lembranças... e diz que gostaria muito de revê-lo.
- De quem está falando? - o garoto perguntou desconfiado.
- Lady E.
continua...
(1) Anjo da guarda.