UBERLÂNDIANET
                      Depoimentos dos Leitores

Conheci o meu amor numa festa da faculdade. Lembro que estava meio deprimida no dia, tinha sido aniversário de 5 anos do meu filho e ele reclamou muito da ausência do pai. Depois que meu ex-marido mudou para Rondônia, há três anos, só encontrou o menino duas vezes. Bem que minha mãe fala: pai só é pai enquanto está casado. Depois que se separa, babau...

Na festa, eu tinha bebido um pouco. O Rodrigo me chamou a atenção por seu porte e sua beleza. Elegantérrimo, conversava com umas garotas da minha turma. Ficou jogando uns olhares e nem acreditei. Tipos como esse não costumavam me dar bola. Aos 24 anos, estava tão infeliz que os homens pareciam fugir de mim. Hoje, aos 26, me sinto muito melhor. Sabe como é, mulher satisfeita na cama é outra coisa...

Por isso mesmo, os olhares dele logo levantaram minha auto-estima. Com 1,90 metro e um corpo musculoso, Rodrigo passava a impressão de dominar o ambiente e as mulheres. Fomos dançar e eu quase desmaiei quando me envolveu com seus braços fortes. Um misto de ansiedade e excitação tomou conta de mim. Num cantinho, onde paramos para conversar, Rodrigo me contou que trabalhava com publicidade. Interessado, aproximava o rosto para me escutar, pois a barulheira era infernal. Eu me segurava para não tascar um beijo naquela boca carnuda. Uma atração começou a pintar. E quem disse que íamos ficar só no beijo? Rolou ali mesmo, numa churrasqueira vazia nos fundos da casa. Estávamos os dois mortos de tesão. Foi uma das transas mais loucas e deliciosas da minha vida. Não, foi realmente a mais mais. Primeiro, porque realizei uma fantasia que sempre tive: fazer sexo numa festa, com as pessoas por perto dançando, conversando. Depois, porque nunca conhecera alguém tão talentoso e experiente. Sabe quando o homem entende de mulher e domina a arte de pegar, beijar, virar e tudo o mais? Já tive alguns bons amantes, mas nenhum que se igualasse a ele em matéria de sexo. Rodrigo é a virilidade em pessoa, me deixa louca e totalmente satisfeita depois. Naquela primeira vez, fizemos sexo rápido, mas foi alucinante. Ele me pôs sentada numa banqueta, começou a beijar meus seios e foi descendo até chegar ao clitóris. Tive um orgasmo incrível. O Rodrigo então me penetrou, enquanto fazia carinho nas minhas costas. Depois daquele delírio, deixamos a festa como se nada tivesse acontecido. Adivinhe qual foi o nosso destino? Um motel, claro, onde transamos até a manhã seguinte. Era um domingo de sol e, quando voltamos para casa, vi que a praia estava cheia. Nunca achei o Rio de Janeiro tão lindo como naquele dia. Entre suspiros, percebi que havia me apaixonado. Finalmente, pensei, iria me livrar da depressão dos últimos tempos. A falta de dinheiro e a solidão tinham se somado a alguns problemas. Meu filho, carente do pai, exigia atenção constante, e minha mãe só reclamava. Costureira, não se conformava de não conseguir ter um padrão de vida decente depois de tanta batalha. Meu pai deixou a família quando eu era criança e ela sempre segurou a barra heroicamente. Pagou minha faculdade de Economia (me formei há um ano) e nunca deixou faltar nada em casa.

Sabe quando o HOMEM, domina a ARTE de pegar, BEIJAR, virar e tudo o mais? Já tive alguns AMANTES, mas nenhum que se igualasse ao Rodrigo em matéria de SEXO."

Estava prestes a descer do carro, na porta do meu prédio, quando tive o maior choque da minha vida. Com a cara lavada, Rodrigo me informou que era garoto de programa. Disse ainda que eu precisaria pagar para sairmos dali por diante. E deixou claro que o seu elevado padrão de vida era fruto desse "trabalho". Como iria imaginar que aquele carro importado fora ganho com prostituição? Então, era assim que ele arranjava clientela? Seduzia, dava uma amostra grátis e depois passava a cobrar? Tudo bem que minha vida afetiva era um verdadeiro desastre, mas jamais iria pagar para transar! Abri a porta do carro e saí em disparada, subindo as escadas do edifício sem esperar o elevador. Minha mãe se assustou com o meu rosto pálido e contei a primeira mentira que me passou pela cabeça. Disse que tinha sofrido uma tentativa de assalto quando saí da casa de uma amiga, onde passara a noite. Trancada no quarto, só queria chorar, chorar, chorar.

Dias depois, já recuperada, quando esperava o ônibus na frente da faculdade, um carro parou perto de mim. Rodrigo abriu o vidro do carona e disse que eu havia sumido. Ficou me olhando e sorrindo, como se fôssemos amigos de infância. As cenas do nosso primeiro encontro me vieram à cabeça. Eu me senti como um viciado consciente de que a droga faz mal mas impotente para se livrar dela. Sei o que é isso porque tive pai alcoólatra, que sucumbia diante da bebida mesmo sabendo de sua condição. Confusa, tomada por mil emoções, decidi entrar no carro. Rodrigo disse que não quisera me magoar, que tinha gostado de transar comigo e que, finalmente, encontrara uma mulher divertida, inteligente e liberada. Estática, não conseguia dizer palavra. Ele não parava de falar, argumentando que eu não podia ser careta e abrir mão de um namoro só porque ele fazia sexo por dinheiro. Percebia que minha carência afetiva, somada à satisfação sexual, me deixara literalmente de quatro. Sabe o ditado "ruim com ele, pior sem ele"? Pois é, era vítima dessa situação.

Quando ele disse, olhando bem nos meus olhos, que passava por ali todas as tardes para me procurar, vi que não estava mentindo. Também jurou que havia se arrependido de sua reação naquela manhã e implorou para sair comigo outras vezes. Respondi que não sairíamos mais. Rodrigo me deixou em casa, frustrado, mas com um ar interessado. Afinal, que mulher resistiria àquele monumento? Saí do carro, sem me esquecer de deixar o telefone: não sou boba e torcia para que a história prosseguisse. Delirava pensando que iria conquistar seu coração, mesmo sendo coração de michê, que não tem dona.

Rodrigo ligava de dois em dois dias, conversávamos, mas convite para sair, que é bom, nada! Falávamos de tudo, menos do trabalho dele. Na verdade, me recusava a perguntar, por ciúme, raiva, tudo. E ele não tocava no assunto, por vergonha. No fundo, todo garoto de programa e toda prostituta têm vergonha do que fazem. Rodrigo é de origem humilde, como eu, e esse fato serviu para nos aproximar um pouco mais. O pai, motorista de uma empresa, e a mãe, professora, sustentaram os cinco filhos com dificuldade, embora não tivessem chegado a passar fome. De repente, percebi que sentia um carinho enorme por ele, além de uma certa pena, secreta, por entender que era tão infeliz quanto eu. Vi que muita coisa na história do Rodrigo o havia levado para aquela profissão, que era sozinho demais. E concluí que me via como amiga e como mulher, por quem sentia atração. O amor não é isso?

Dois meses depois, na véspera do Natal, Rodrigo apareceu em casa com presentes para a família toda. Foi uma festa, todos se encantaram com ele. Ficamos tomando vinho na sala, depois fomos passear na praia e acabamos nos braços um do outro. Passamos a nos ver todos os dias. Temos um código: quando vira para mim e diz "work", não pergunto mais nada. Ele sai, volta horas depois. Não vou dizer que seja fácil aceitar isso. Claro que não é. Sinto uma onda de ciúme subindo pelo corpo só em pensar que faz com outras mulheres tudo o que faz comigo. Quer dizer, "tudo" acho que não faz, não. Mas imaginá-lo tendo prazer com outras é duro demais. Dando prazer, então, nem se fala. Imagine: sexo oral... Às vezes tenho ataques de ódio sem que o Rodrigo saiba. Já tentei fazê-lo mudar de profissão, listando uma série de coisas que pode ser: modelo, garçom, personal trainer, salva-vidas. Meu amor dá risada, tira um sarro e depois explica, sério, que nunca vai conseguir manter o mesmo padrão com outro trabalho. Quando digo que tem vida fácil, Rodrigo reclama, responde que não é simples ficar com o pênis ereto tanto tempo para satisfazer as clientes. Argumenta que precisa se concentrar muito para que tudo saia bem. Eu fico cabreiríssima e engulo a desculpa. Sei que antes trabalhou como segurança de boate e fez umas pontas como modelo. No fundo, acho que a situação é confortável, sei lá. Coleciono muitas neuras, mas a maior de todas é a de que Rodrigo saia também com homens. Tenho calafrios só de pensar. Ele jura que jamais tocou em um homem. Quanto às mulheres, cerca de uma dúzia por semana, que precisa atender e satisfazer, repete sempre que não dispensa a camisinha. Por causa desse medo da aids, nós nos submetemos a exames de sangue a cada três meses. Quis fazer e acabei convencendo-o da importância. É hipocondria, loucura? Pode ser, é que não sou doida de arriscar.

Coleciono NEURAS, mas a maior é de que ele saia também com HOMENS. Quanto às MULHERES, cerca de uma dúzia, que precisa atender e SATISFAZER, jura que não dispensa a CAMISINHA."

Estou falando só das coisas chatas, existem as boas também. O talento sexual de Rodrigo é de se aplaudir. Ele sabe me dominar física e mentalmente na cama e me ensinou muita coisa nessa área. Conduz tudo com magnetismo e me sinto como uma adolescente apaixonada. Sempre inventa algo novo para a gente fazer: vibrador, acessórios, é uma festa. Propõe umas posições malucas, que adoro, e conseguiu me fazer gostar de sexo anal, que antes rejeitava. Ficou dias me seduzindo com a proposta, até que armou uma cilada erótica da qual não pude escapar. Rodrigo preparou um jantar romântico, comprou óleos aromáticos e começou a me massagear. Quando vi, havia conseguido o que queria. No final, adorei.

Nunca fiz terapia, mas imagino que seria um prato cheio para análise. Afinal, quanta coisa para questionar. Joguei uma pá de cal sobre qualquer pensamento que me leve a imaginar o que Rodrigo faz quando não está comigo, e levo uma vida mentirosa. Família, amigos, ninguém sabe que namoro um garoto de programa. Minto que ele é modelo. No banco, onde trabalho como caixa, digo que estou noiva e vou casar. As minhas colegas vêem a foto do Rodrigo e o imaginam um príncipe. Na verdade, é o meu príncipe. Torto, promíscuo, canalha, mas é meu.

Também é muito chato ter que me adaptar aos horários absurdos que a profissão impõe. É como se eu fosse mulher de médico. O celular sempre toca nas horas mais impróprias: já voltei para casa da fila do cinema e já fiquei sozinha com a garrafa de vinho em casa, esperando por três horas enquanto ia atender uma cliente. Às vezes, quando chega comentando sobre alguma delas, tento não ficar mal. Outro dia me contou de uma mulher que adora apanhar, tem outra também que só gosta de sexo enquanto assiste ao vídeo do próprio casamento.

Apesar dessa loucura toda, pensamos em morar juntos, casar. Afinal, namoramos há dois anos. Meu filho já disse que gostaria. O problema é minha mãe, que vai ficar sozinha. Sou filha única e ela é muito apegada a mim e ao neto. De qualquer jeito, acho que vamos formar o nosso ninho. Um lado que conta é o dinheiro. É bom estar com um homem que pode dar segurança e qualidade de vida a você. Rodrigo tira em média 8 000 reais por mês e está sempre pronto a ajudar. Vou dizer que isso não significa nada para mim? É claro que importa. Mas o que me mantém nessa é sentir que sou importante para ele e que de mim não cobra nada. As outras ligam, procuram e pagam caro para transar com meu namorado. E, no final das contas, só têm migalhas. Eu, não. Tenho o melhor, e sem pagar. Sei que esse não é o conto de fadas perfeito. Mas nada é perfeito na vida. Espero que seja para sempre e acho que ele também deseja isso. De verdade".


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