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Rubro Barrete Frígio

         Em circunstância particularmente afeita ao discurso patrioteiro, o 20 de setembro de 1884, numa edição especial d'A Federação, repleta de exortações e profissões de fé republicanas, um exemplar Amaro (Juvenal) cronista narra a trajetória do chapéu do Visconde de camamu - "A Barretina de Camamu" - um legalista de 1835, verdadeiro representante do poder imperial que Ramiro (Barcellos) republicano de outra geração, toma como modelar do adesismo que tanto odiava. Pois Amaro escolheu esta singular peça para marcar a trivialidade da glória militar e a falência dos imperiais, em 35 como em 89: está o Visconde com sua barretina no combate da ponte da Azenha, que foi o primeiro movimento claro da primeira tentativa de tomada de Porto Alegre pelos farrapos; um farrapo admira a cobertura, e por fim consegue levá-la consigo; o chapéu chega até Jaguarão, cidade da fronteira sul do estado, onde vai parar às mãos de Chico Tição, carreteiro, que vem a morrer; a barretina por fim vai servir de embornal para amilhar um cavalo. Quer dizer: para marcar a data máxima da identidade gaúcha, o 20 de setembro, o cronista escolhe ridicularizar o poder central, cuja insígnia, a barretina, virou peça de uso ordinário.
        
       Antônio Chimango e outros textos, Ensaio e notas de Luís Augusto Fischer, Ed. Artes e Ofícios, 2000.


Los hermanos sean unidos,
porque esa es la ley primera:
tengan unión verdadera
en cualquier tiempo que sea,
porque si entre ellos pelean
los devoran los de ajuera.
Martin Fierro, José Hernández

         A luta pela união Latino-Americana é tão antiga como a formação dos estados nacionais que fazem parte do continente ibero-americano.
         O alvorecer da liberdade na América, seguindo o brado revolucionário das revoluções que espoucavam no século XVIII, cruzou como um rastilho que incendeou a América na revolução de independência, com o grito libertário da trilogia francesa: liberté, egalité, fraternité. Este foi o chamamento, não só do 14 de julho e do 20 de setembro, datas festivas recém celebradas, mas também dos primeiros gritos latinos libertários incluindo a revolução de Tupac Amarú e a epopéia de Tiradentes, esta última estampada no triângulo da bandeira mineira e no clamor abafado do dístico: Libertas quae sera tamen !
         O barrete frígio vermelho, simbolo da liberdade e do ideário revolucionário, não ornava somente a fronte dos soldados dos generais San Martin e Simón Bolívar, cujos exércitos, como pinças, depois de libertarem, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela, uniram-se no Perú na luta pela liberdade e pela união, ele também era insígnia de outros tais como o precursor de toda a luta, Francisco de Miranda, que em pról de seus ideais morreu no cárcere.
         A insígnia libertária era também o galhardão do general brasileiro, José Inácio Abreu e Lima, que juntamente com seu irmão e outros brasileiros acompanharam Bolívar em muitas batalhas, juntamente com O'Higgins, Sucre e tantos outros, conduzidos sob o pálio da Colombéia, nome dado a união Latino-americana.
         Os Estados Unidos da América do Norte, sob a mesma flama e inspiração revolucionária, construiram sua união na guerra da independencia que foi coroada pela federação retratada na constituição de 1787 de Filadélfia. Nós, entretanto, centro e sul-americanos, continuamos a ser os "Estados Desunidos do Sul".
       Sérgio Borja, O Pacto do ABC e o Mercosul.
       www.direito.ufrgs.br/sergioborja/O%20PACTO%20DO%20ABC%20E%20O%20MERCOSUL.htm

         Frígio, natural de Frígia, antigo país da Ásia.
         Segundo Jules Michelet, a Revolução Francesa resgatou não só os oprimidos, porém, principalmente, os mais oprimidos: os velhos, as mulheres e as crianças. Estes que tinham como arma apenas a coragem, a vontade de mudar e, quando muito, um simples chuço na mão, usavam como barrete frígio, símbolo da Revolução, trapos de panos vermelhos na cabeça; lutaram e deram suas vidas em inúmeros confrontos com os anti-revolucionários. Sim, velhos, mulheres e crianças se deram em holocausto pela grande causa, mostrando ao mundo que a força da opressão não é forte o bastante para destruir a força de vontade e a coragem que habita no peito dos oprimidos.
         www.vidhya-virtual.com/vidhya3/revfran.htm

         Na antiga Roma, os escravos eram proibidos de usar chapéus, mas quando eram libertados passavam a adotar um chapéu semelhante ao barrete frígio (boné em forma de cone, com a ponta caída para um lado), em sinal de sua liberdade. Esse tipo foi revivido durante a Revolução Francesa, chamado de “bonnett rouge”, e se tornou, na época da república, um símbolo do partido republicano. Outro tipo bastante parecido com o barrete frígio foi o capuz, unido ou não a um manto, amplamente usado na Idade Média.
         www.acordapeao.com.br/reportagens/chapeu.html

         O SACI - Um duende brasileiro
         Antes de começarmos, cabe distinguir os duendes dos gnomos, muitas vezes confundidos por muitos estudiosos. A diferença entre os dois seres, elementais da terra, refere-se à sua classificação. Os gnomos designam diversos espíritos da natureza, do elemento terra. Geralmente são vistos conforme as características das vestes do gnomo europeu e de barbas. Os duendes são seres pequenos, de orelhas pontudas, brincalhões, espertos, cuidam da relva, dos arbustos, também do reino vegetal e mineral.
         O papel dos elementais é manter o equilíbrio ecológico. As Salamandras, elementais do fogo, controlam os incêndios. O Saci, duende, elemental da terra, cuida para evitar a depredação e as matanças desordenadas de animais. A Iara, elemental da água, cuida dos rios e lagos. As fadas, presentes em relatos e contos de encantamento, são os elementais do ar, com menor incidência em relatos acerca de seu papel ecológico.
         Dentre os elementais brasileiros, presentes em nosso folclore, estaremos estudando um pouco mais o Saci-pererê, um duende brasileiro.
         O Saci-pererê é sem dúvida um dos seres dos mundos invisíveis mais populares do Brasil. De todos é provavelmente o que conseguiu se manter mais nitidamente como uma entidade benevolente, quando muito um tanto brincalhona, mas inofensiva.
         Monteiro Lobato em seu livro "O Saci" foi responsável pela popularização desse duende travesso. Em suas histórias, Lobato conta que os sacis nascem em "sacizeiros", taquaruçus que ficam na parte mais espessa das florestas. Ficam sete anos dentro dos gomos antes de poderem sair, e depois vivem no mundo por 77 anos. Depois, viram cogumelos venenosos ou orelhas-de-pau. Nos taquaruçus eles se escondem durante o dia, já que o sol é seu maior inimigo. Segundo as próprias palavras do saci para Pedrinho, no livro de Lobato, eles não precisam aprender nada, pois já nascem sabendo tudo o que precisam. Às vezes são apresentados como possuindo furos no centro da palma das mãos.

         O SACI PERERÊ
         Quando pesquisamos alguns relatos de pesquisa do Brasil colonial, não nos deparamos com a descrição do saci-pererê da mesma forma que ele foi registrado por grandes autores e no sul do país.
         O saci tem, no entanto, um domínio vasto. Está em todo o sul do Brasil e nas repúblicas vizinha. ë uma entidade real no folclore mas sem vestígios no fabulário antigo.
         No "inquérito" realizado por Monteiro Lobato, muito foi falado sobre o saci na figura do duende fantástico que todos nós conhecemos.
         Nós conhecemos, no entanto, a figura do duende com carapuça vermelha e de uma perna só e a figura de uma ave, ambos chamados de saci. O nome pertence a quem ? Esse estudo tem o intuito de apresentar algumas teorias sobre esse ser fantástico.

         O SACI-AVE
         Saci - Tapera naevia. Também chamado Sem-Fim.
         Etym. h-ã (h-ang) cy = o que é mãe das almas. (Segundo relatos, chupa a alma dos defuntos)
         Para alguns, esse mito é onomatopaico. A superstição popular faz dessa ave uma espécie de demônio, que pratica malefícios pelas estradas enganando os viandantes com as notas de seu canto e fazendo-os perder o rumo.
         Dentre os relatos do saci-ave, vemos aparecer várias espécies de pássaros com as mesmas características. Dentre os dados coletados podemos citar a Tapera naevia (Peitica / Sem-Fim - NE); o Cuculus cayanus (Mati-taperê ou Matinta-Perera). Alguns dizem que a famosa Mati-taperê ou Matinta-Perera é a própria Tapera naevia que tem, no Amazonas, o pseudônimo de "Fem-Fem", possivelmente o "Vem-Vem" do Nordeste. A Marrequita de Brejo, ou Curutié ( Sinallaxis cinnamomea ) é outro saci. O "Alma de Caboclo" ( Diplopterus naevius ) é dado como sendo o saci. É o mesmo Piaya cayana, de Linneu que, ensina Snethagle, tem mais três sinônimos: o Xicoã, a "Alma de Gato" e o Ating-aí. É ainda o Cuculus cornutus, o Ticoã ou Tincoâ, Pássaro-feiticeiro, Pássaro-pajé, uira-pajé. Guarda ele o espírito dos mortos, "chupa a alma dos defuntos". O saci estende como um pássaro, seus feitos desde a Argentina até o México.
         Localizar o saci num pássaro é tão difícil quanto a identificação do Uirapuru, a ave suprema do Amazonas, égide suprema, cheia de mistérios, reunindo derredor de si todos os pássaros seduzidos pelo seu canto irresistível.
         O que dizem os ornitologistas é a facilidade do Saci enganar pelo canto. Nunca se sabe onde realmente ele esteja. Seu assobio é antes um elemento desnorteante que de direção segura.
         Saci - casta de pequena coruja, que deve o nome ao grito que faz ouvir repetidamente durante a noite. É pássaro agourante. Contam que é a alma de um pajé, que não satisfeito de fazer mal quando deste mundo, mudado em coruja vai à noite agourando aos que lhe caem em desagrado, e que anuncia desgraças a quantos o ouvem. O nome de saci é espalhado do Amazonas ao Rio Grande do Sul. O mito, porém, já não é o mesmo. No Rio Grande é um menino de uma perna só que se diverte em atormentar à noite os viajantes, procurando fazer-lhes perder o caminho. Em São Paulo é um negrinho que traz um boné vermelho na cabeça e freqüenta os brejos, divertindo-se em fazer aos cavaleiros que por aí andam toda a sorte de diabruras, até que reconhecendo-o o cavaleiro não o enxota, chamando-o pelo nome, porque então foge dando uma grande gargalhada. ( Stradelli - Vocabulário Nheengatu-português ).

         SACI PERERÊ E MATINTA-PEREIRA
         Mas se o saci, ausente dos velhos cronistas do Brasil Colonial, não se faz notar no fabulário do norte brasileiro, fatalmente terá seu substituto. Barbosa Rodrigues escreve no Poranduba Amazonense.
         ... no Sul é Saci tapereré, no centro Caipora e no Norte Maty-taperê.
         O civilizado, que muitas vezes não entende a pronúncia do sertanejo, que é o mais perseguido por ele nas suas viagens, tem-lhe alterado o nome; já o fez Saci-pererê, Saperê, Siriri, Matim-taperê, e até já lhe deu um nome português o de Matinta-Pereira, que mais tarde, talvez, terá o sobrenome "da Silva" ou "da Mata". Para conseguir seus fins, e fazer suas proezas, sem ser visto, quase sempre vive o Saci ou Mati metamorfoseado em pássaro, que se denuncia pelo canto, cujas notas melancólicas, ora graves ora agudas, iludem o caminhante que não pode assim descobrir-lhe o pouso, porque, quando procura vê-lo pelas notas graves, que parecem indicar-lhe estar o Saci perto, ouve as agudas, que o fazem já longe. E assim iludido pelo canto se perde, leva descaminho nunca vendo o animal.

         O SACI-PERERÊ - FOLCLORE
         Dentre os mitos , o saci foi sempre o que mais me encantou; o ser mágico que podia sumir, virar pé-de-vento (redemoinho). O saci nasce e vive nos bambuzais mas, não se pode olhar no oco do bambu para vê-lo pois ele pode soprar a brasa do seu pito no olho e cegar o curioso.
         Em nosso folclore , o saci é um negrinho de uma perna só que usa um gorro vermelho e fuma no pito. À noite , o saci cavalga, dando nós e trançando a crina dos cavalos , que sob ele relincham o galopam desabaladamente no pasto.
         Segundo Câmara Cascudo, o uso do fumo é bem brasileiro. O Yací Yaterê paraguaio, uruguaio, argentino, não pede fumo e sim fogo ou alimentos.
         Dentre os estudos , encontramos várias versões para o saci e ainda, registros sobre o saci-ave.
         Existem três espécies de saci: trique , saçurá e o pererê . O saci-trique emite um ruído característico ( "Trique"); o saçura é um negrinho de olhos vermelhos e o saci-pererê é o mais comum e corresponde às descrições por nós conhecidas.
         Segundo as superstições, quando se perde algum objeto, pega-se uma palha e dá-se três nós, pois se está amarrando o "pinto" (pênis) do saci. Enquanto ele não achar o objeto desfaz os nós. Ele logo faz a gente encontrar o que perdeu porque fica com vontade de mijar. (Informação de Amaro de Oliveira Monteiro - São Luís de Paraitinga).
         O saci-ave é um pássaro que tem a capacidade de imitar o canto das outras aves confundindo as pessoas e impedindo-as de saber onde ele se encontra. Na tradição indígena, o saci era um mito ornitológico, na forma de um pássaro encantado conhecido por Martim Tapirera. Mais tarde, no sul da Amazonas, ele adquiriu a forma de um menino de uma perna só, fumante inveterado e, como todos os meninos do mundo, praticante de mil travessuras. Com esta figura o saci irradiou-se para todo o Brasil, onde é conhecido por vários outros nomes com os de Martim-Tapirê, Martim-Pereira ou Saci-Cererê. Quando os portugueses vieram ao Brasil, a fama desse mito era grande e ele acabou sendo adotado nas crenças e superstições dos colonizadores, os quais adicionaram um barrete vermelho, tornando-o, também, um negrinho.

         O SACI E SUAS CONVERGÊNCIAS PELO MUNDO
         Em Portugal o Fradinho da Mão Furada e o Pesadelo têm coberturas idênticas. O Saci brasileiro tem a mão furada com o símile português.
         "O Fradinho da Mão Furada entra por alta noite nas alcovas, e pelo buraco da fechadura da porta. Tem na cabeça um barrete encarnado, escarrancha-se à vontade em cima das pessoas e a ele são atribuídos os grandes pesadelos. Só quando a pessoa acorda, é que ele vai embora... O pesadelo é o Diabo que vem com uma carapuça e com uma mão muito pesada. Quando a gente dorme com a barriga para o ar, o pesadelo põe a mão no peito de dorme e não deixa gritar. Se alguém lhe pudesse agarrar na carapaça, ele fugia para o telhado, e era obrigado a dar quando dinheiro lhe pedissem, enquanto não lhe restituíssem a carapuça." (Tradições Populares de Portugal)..
         O Pretinho do Barrete Encarnado, possível convergência, costuma aparecer à hora da maior calma; entidade graciosa, fazendo figas e pirraças às crianças para as enraivecer.
         Ainda em Portugal encontram-se registros de "um molequinho de bota vermelha", extremamente vivo, irrequieto e malicioso.
         No Paraguai encontramos o Yacy-Yaterê que é um homenzinho de cabelos dourados, com as duas pernas, que aparece na hora da "sesta" quando as crianças deveriam estar em casa. Tinha o ofício de fazer se perder as pessoas para levá-las à seu irmão Aó-Aó que era canibal. Ambrosetti informa que o Yacy-Yaterê rapta também as moças e as leva para os montes. O filho desses amores será Yacy-Yaterê também.
         O Kobolde é uma espécie de saci alemão, de Curilo da Bretanha, diabinho irrequieto, buliçoso, agitado, atrapalhador do sossego doméstico nas residências onde ele se fixa. Quando é agradado pelos donos da casa, ajuda-os, mas zanga-se com facilidade tornando um inferno essa habitação. Quebra os pratos, queima a comida, abre as torneiras, suja as gavetas de roupa, emporcalha as salas, faz cair, nas horas de servir à mesa, os criados. E o Kobolde ri, deliciado, como o Saci paulista ou mineiro.
         Um característica do Saci é ter uma perna só e agilidade surpreendente. Era um elemento que anunciava o velho Ciapodo, Também unípede e velocíssimo. Diziam que o Ciapodo (Skia-podos, sombra-pé) tinha um pé alargado e tão amplo que deitado de costas e erguida a extremidade contra a luz, adormecia à sombra.
         Embora com várias convergências com os demais mitos do imaginário popular internacional, o Saci constitui-se um mito pertencente ao imaginário popular brasileiro com características únicas, produto do processo de aculturação o qual passou nosso povo. O Saci, embora com ramificações e elementos culturais internacionais é um mito bem brasileiro pois não podemos nos esquecer da influência das crendices e superstições de nosso povo.

         O BARRETE DO SACI
         Um traço característico entre todos os estudos feitos sobre o saci é sem dúvida a presença da carapuça vermelha. Essa carapuça é encantada,, faz o saci ficar invisível e todas as suas "forças" vêm dessa carapuça.
         A carapuça do saci é o chamado "Pileus Romano". O pileus era uma carapuça de forma oblonga, de cor vermelha. Era o legítimo e mais tradicional símbolo popular de liberdade. E a origem do barrete frígio, tornando posteriormente a imagem da liberdade individual e coletiva, materialização do governo republicano. O Pileus posto na cabeça de um escravo era a libertação. Para o saci, o pileus significaria que ele é livre para importunar a paciência alheia ligado a idéia de encantamento, da força misteriosa dos talismãs. Converge ainda a cor vermelha, sugestionadora e com séculos de significação sagrada.

         DUENDE DE UMA PERNA SÓ
         Várias tradições sul-americanas apresentam o saci com uma perna só. Seria aleijado o nosso saci ? Comparando com outros mitos de outros povos, encontramos a presença de vários seres unípedes e poderosos do continente. Os Maias da Guatemala (Quiches) tinham o deus Hunrakan e os antigos mexicanos veneravam Tezcatlipoca, ambos com uma perna só. Os dois seriam para Lehmann-Nitsche representados pela constelação de Ursa Maior, origem astral de nosso mito. Crêem que os negros hajam contribuído para a formação atual do Saci, enrolando-o com as semelhanças o Gunucô, fantasma protetor das matas. Mas Gunucô lembra, e muito vagamente, o Curupira. É o responsável, em percentagem séria, pelas aparições noturnas que crescem e minguam o tamanho, surgindo como crianças e como gigantes. Demais, Gunucô é um negro com ambas as pernas, sólidas e velozes.
         A perna única do Saci Pererê, de cuja ausência parece lamentar-se muito raramente, é recordação clássica do fabulário europeu, dos seres estranhos como Ciapodos e Trolls.

         BIBLIOGRAFIA

CASCUDO, Luís da Câmara - Superstição no Brasil 1985 - Ed. Itatiaia - Ed. da Universidade de São Paulo - SP
CASCUDO, Luís da Câmara - Geografia dos Mitos Brasileiros 1976 - 2ª Edição - Livraria José Olympio Editora - RJ
SCHOEREDER, Gilberto - Fadas, Duendes e Gnomos - O Mundo Invisível 2ª Edição - Ed. Hemus - SP
MAGALHÃES, Cristina - O Encontro com os Elementais 1994 - 4ª Edição - Ed. Objetiva - RJ
Revista Lendas e Fantasias nº 1 - Gnomos e Duendes Ed. Pen - SP
Planeta Especial - Gnomos, Fadas e Duendes Ed. Três - SP
ALVES, Maria Alzira Pereira - Apostila Os Quatro Elementos da Natureza
         Profº Robson A. Santos - Folclorista
         www.folclore.art.br/saci.htm
 

         La República francesa y sus símbolos
         La vieja nación denominada Francia se designa hoy oficialmente mediante el término "República francesa", de ahí el uso frecuente del monograma RF, empleado como una especie de logotipo.
         El régimen republicano cuenta con el acuerdo casi unánime de la opinión pública, pero no siempre ha sido así. En el siglo XIX, en línea con el espíritu de la Revolución francesa, los símbolos de la República - cuya enumeración incluimos aquí junto con un breve comentario - fueron los símbolos de la Francia revolucionaria y luego liberal (o, si así se desea, la Francia de izquierdas) frente a la Francia monárquica y conservadora. Hubo que esperar al siglo XX para que dichos símbolos se convirtieran en símbolos de una República francesa aceptada, consensual, en definitiva, en símbolos de Francia, sencillamente.
         Solamente un símbolo visual se ha consagrado oficialmente mediante su inscripción en la Constitución. Se trata de la bandera tricolor: azul, blanca y roja, en este orden, comenzando desde el asta. Su origen se remonta a 1789. Estuvo estrechamente ligada a la Francia revolucionaria y posteriormente a la imperial. Fue violentamente rechazada y sustituida por una bandera blanca desde 1814 hasta 1830. La revolución de 1830, llamada Revolución de Julio, la rescató del ostracismo. La derecha monárquica y católica intransigente transfirió poco a poco su devoción por la bandera blanca hacia la bandera tricolor. La extrema izquierda revolucionaria quien, a finales del siglo XIX profesaba un culto subversivo a la bandera roja, se adhirió, a su vez, a la bandera tricolor (en el periodo del Frente popular y luego durante la Segunda Guerra Mundial). Hoy en día, la bandera tricolor es reconocida unánimemente como símbolo de Francia.
         Existe cierta tendencia a relativizar la bandera tricolor elevando casi hasta su nivel las banderas de otros conjuntos territoriales. No es extraño observar tres banderas en la fachada de un ayuntamiento: la tricolor en el centro, la bandera (oficiosa) de la región a un lado y la bandera azul estrellada de Europa al otro.
         El mismo debate se produce en torno a otro símbolo nacional oficial, la Marsellesa. Creado en 1792, este himno fue considerado revolucionario durante casi un siglo y a continuación pasó a tomarse como partidista. La Tercera República lo consagrará como himno nacional legal en 1880. La oposición de derechas fue aceptándolo del mismo modo que aceptaba la bandera tricolor dentro de un progreso hacia el nacionalismo. En cuanto a la oposición de extrema izquierda, ésta aceptará el himno durante la época del antifascismo y de la Segunda Guerra Mundial.
         Hoy en día, la Marsellesa sigue siendo oficial en el ámbito de celebraciones nacionales y militares, pero su popularidad "ya no es lo que era", víctima del pacifismo difuso y del antinacionalismo implícito de una sociedad que busca a ciegas nuevas referencias. Aquí se detiene, además, el paralelismo con la historia de la bandera: si bien la bandera europea ya se ha dado a conocer y se ha popularizado, como hemos dicho anteriormente, ésta no cuenta con un equivalente musical, al menos no con el mismo nivel de notoriedad.
         La representación de la República francesa mediante la figura alegórica de una mujer, generalmente con un gorro frigio, no se encuentra incluida en la Constitución, pero no podemos negarle cierto carácter oficial dado que figura en el sello del Estado, así como en monedas y en sellos postales, símbolos de actividad y de responsabilidad públicas. Este símbolo también se remonta a la Revolución francesa que, al rechazar la Monarquía, sus escudos de armas y sus emblemas con flores de lis, se veía así obligada a sustituirlos. La Convención celebrada a finales de septiembre de 1792 decretó que el sello del Estado incluiría una "figura de Libertad". Además, los tratados de iconología clásicos identificaban el gorro frigio como atributo característico de la Libertad desde hacía ya varios siglos. En 1792 se decidió convertir este tocado en el emblema principal de la República francesa, con lo que éste quedaba vinculado para siempre a la historia de Francia. Desde que la República se ha ido imponiendo e identificando con Francia, la alegoría de Francia lleva un gorro frigio, haciendo que dicho gorro se encuentre hoy de algún modo afrancesado. Esta nacionalización francesa del gorro frigio fue evidente a partir de finales del siglo XIX, por lo que la Libertad universal tuvo que buscar otros tocados (el más célebre de los cuales sería el de la Estatua de la Libertad de Nueva York, del escultor Bartholdi).
         Durante la complicada historia del siglo XIX, los republicanos consideraron que el gorro frigio era demasiado revolucionario y que una República legalista y pacífica debía estar representada con un tocado diferente (con laureles, por ejemplo). A este breve paréntesis de la historia francesa debe la simbología republicana algunas creaciones notorias aún hoy: el primer sello francés de 1849, llamado de Ceres, la República sentada y coronada por el sol en el sello del Estado y las placas notariales, e incluso la cabeza que figura en la medalla de la Legión de Honor.
         Con o sin gorro, pero a menudo con él, lo cierto es existe una gran variedad de distintos tipos de República francesa alegórica, que las monedas y los sellos han convertido en oficiales. La más célebre por su originalidad (figura en pie y en formato pequeño), por su sobrecarga simbólica y, simplemente, por su encanto es la Sembradora (creación de O. Roty en 1897).
         La representación de la República revolucionaria como mujer, de la sensata "República francesa" y, posteriormente, de Francia, ha conocido otros usos y soportes distintos a los símbolos nacionales que acabamos de presentar: estatuas en plazas públicas, bustos como ornamento interior de distintos edificios, obras libres de pintores, escultores o grabadores, alegorías vivas en escenarios y calles, figuritas para colecciones y domicilios privados, y sobre todo caricaturas de prensa. Todo ello de forma libre, oficiosa y contestataria.
         La misma libertad, aunque fuera de toda prescripción legal, puede observarse en el empleo desde 1792 del sobrenombre de "Marianne" para designar este símbolo. Actualmente, parece que el uso del busto de la República en forma de mujer con gorro frigio y con el nombre de "Marianne" se reduce a las instituciones municipales (más que a la política nacional) y se presta, a veces, a juegos folclóricos y mediáticos bastante alejados de la gravedad republicana oficial.
         por Maurice Agulhon*
         www.ambafrance.es/Espanol/presse/actudiplo/sig/repu.htm
 
 

         Escudo Nacional da Colômbia
         El cóndor es la imagen de la soberanía que sostiene en el pico la victoria simbolizada en la corona de laureles; los cuernos de la abundancia hablan de la feracidad de nuestras tierras y su riqueza de oro en su suelo; el gorro frigio y la lanza son símbolos de la libertad adquirida por las armas, y su campo de plata o platino cuenta la abundancia del precioso metal característico de Colombia; el campo inferior de la cartela muestra la extensión de los mares que bañan nuestras costas.
         La ley 9ª de l934 ordenó el escudo de armas para la República de Colombia.
         www.colombia.com.co/SimbolosPatrios/nota.asp?nrc=24&can=37&nprt=1

         Escudo Nacional de El Salvador
         El escudo nacional fue creado por el caligrafo salvadoreno Rafael Barraza Rodriguez,quien triunfo sobre treinta competidores en un concurso promovido por el entonces Ministerio de Guerra y Marina, en 1912; el actual escudo de El Salvador ha sido motivo de inspiracion para muchos escritores y poetas, que han dado en el correr de los anos distintas interpretaciones de su simbologia.
         El triangulo equilatero,han dicho ellos, es el simbolo del viejo lema trinitario de la Libertad,la Igualdad y la Fraternidad.Los dos mares abiertos,el espiritu de un Pueblo en constante y solidaria comunion con los demas naciones libres.
Los cincos colosos volcanes,surgidos en una fragosa entrana, significa la bravura de la raza,las disgregadas parcelas de la Patria Grande y el principio de nuestra nacionalidad,enfatizado en la leyenda que circunda el dibujo.
         El cielo lleno de luminosa transparencia, representa la gloria, el heroismo y el sacrificio por la Libertad.El gorro frigio coronado por la leyenda que consagro nuestra soberania, el simbolo de la liberacion del yugo extranjero.El iris de paz, el sendero por el cual debe marchar Centro America hacia la consecucion de su elevado destino.Las cinco banderas, en las que se conservan los colores de la ensena federal,la herencia de nuestros proceres y el sueno de Morazan.
         Los catorce gajos de los ramos de laurel representan a los 14 departamentos de la Republica y son una exaltacion de la gloria que aspiran por el camino de la paz, el trabajo y el progreso.Sobre la base que une los ramos,aparece la leyenda "DIOS,UNION,LIBERTAD" que concreta nuestra creencia en un Poder Superior que todo lo gobierna, la unidad y armonia que exije la marcha de la familia salvadorena hacia un destino mejor y el indomable espirittu libertario del pueblo, que ha preferido la lucha desigual y la muerte, a la subyugacion extranjera.
         Raul Barrientos
         www.abest.com/~rlba1/Spanish.htm

         Este símbolo patrio fue adoptado el 15 de septiembre de 1912. El calígrafo salvadoreño Rafael Barraza Rodríguez fue el responsable de su diseño. Este es un triángulo equilátero (el cual representa justicia e igualdad) en cuya base aparece una cordillera con cinco volcanes (representando los cinco paises de centroamerica), bañados por los océanos Pacífico y Atlántico. En la parte superior emerge un gorro frigio (el cual simboliza libertad), del cual parten rayos de luz. Del triángulo emanan cinco banderas que nacen en la parte media de su base. Los ramos de laurel simbolizan la gloria y triunfo de los salvadoreños para honrar la patria. Finalmente, los 14 gajos de cada ramo representan los 14 departamentos de El Salvador.
         www.salvatour.com.sv/cgibin/paginador.cgi?cod=ZBA-104

         Que Marianne est jolie!
         Avec ce livre, Maurice Agulhon clôt sa trilogie consacrée à l'allégorie féminine, coiffée du bonnet phrygien, symbole de la Liberté. Dans Marianne au combat, il suivait ses apparitions, tantôt officielles (la Ire République l'adopte comme symbole d'Etat le 25 septembre 1792) ; tantôt à ce point subversives que les Républicains de 1848 et de 1870, tout comme la croix de la Légion d'honneur d'ailleurs, lui préfèrent une Cérès couronnée d'épis.
         Cette Liberté au bonnet phrygien va à ce point se confondre avec la République - la République française dite Marianne -, la France, l'Etat, La Marseillaise même, que pour représenter la Liberté universelle, Bartholdi couronnera sa statue de rayons solaires...
         Avec Marianne au pouvoir, la République française, à partir de 1880, est officiellement installée. « Son image, bonnet phrygien en tête, est partout (monnaies et timbres, statues sur les places publiques et bustes de mairies, allégories dans le dessin de presse, laudateur ou hostile, etc.). » Jusqu'en 1940, l'entre-deux-guerres prolonge ce temps, que ce soit dans l'iconographie de la Grande Guerre, la statuaire de l'après-guerre ou la caricature de presse si virulente dans les années 1930.
         Mais Marianne « tend à changer de sens, glissant de la République "élan de gauche" à la République visage-présent-de-la-France » ce qu'on retrouvera largement après la Seconde Guerre mondiale, après la parenthèse de Vichy, temps de malheur pour Marianne, pourchassée et persécutée : Pétain la remplace sur les timbres et les monnaies ; ses bustes disparaissent des mairies ; ses statues sont fondues...
         La Libération et la IVe République font retrouver l'ordre républicain habituel. Mais depuis la Ve, l'allégorie de Marianne s'affaiblit. Maurice Agulhon a pu consulter le médailler inédit créé pour les présidents de la République selon leurs indications. Dans l'ordre des symboles, Marianne est supplantée par la croix de Lorraine bien sûr, puis par une sorte de roue/hélice (Pompidou), par une carte de France rayonnante (Giscard), enfin par un arbre (Mitterrand). Bientôt l'euro va la faire disparaître définitivement des monnaies. Ainsi Marianne cesse d'être l'unique symbole de l'Etat souverain. Sa symbolique n'est-elle plus alors que municipale ? Mais là encore, elle perd son universalité pour prendre le visage de l'une ou l'autre star du moment.
         De Brigitte Bardot à Lætitia Casta, qu'est devenue notre République à l'esthétique conventionnelle mais majestueuse ? Notre idéal politique suprême s'est banalisé et l'on est passé du subversif au simple substantif. Cette dérive commence en 1958. Est-elle fortuite ? Et Agulhon de se demander s'il s'agit de la mort des symboles arrivés à épuisement ou de la mort des réalités.
         Gabrielle Cadier-Rey.
         Les Métamorphoses de Marianne. L'imagerie et la symbolique républicaine de 1914 à nos jours de Maurice Agulhon Flammarion, 320 p., 159 F.

www.historia.presse.fr/data/mag/655/65508901.html

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