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A Eneida de Virgílio

         Públio Virgílio Marão  (70 a.C. - 19 a. C.)  nasceu em uma aldeia chamada Andes atual Pietole, perto de Mântua, hoje Mantova, em 70 a. C. Filho de um pequeno agricultor, foi criado em um ambiente campestre, que amou por toda a vida. Foi educado em Cremona, de onde saiu primeiro para Mediolanum, hoje Milão, passou por Nápoles indo depois para Roma, onde se especializou em retórica e filosofia.
         Em Roma fez numerosos amigos, muitos deles influentes como Cornélio Galo, Asínio Pólio, e sobretudo, Mecenas, que o ajudaram a tornar-se uma espécie de poeta oficial do regime do imperador Augusto.
         Por volta de 30 a.C. começou a composição da "Eneida". Em 19 a.C. a quando a obra estava quase completa, Virgílio, desejando visitar os lugares onde se passava uma parte da ação do poema, partiu para a Grécia e Ásia Menor. Durante essa viagem adoeceu e regressou a Itália, falecendo pouco depois de chegar ao porto de Brundisium, hoje Brindisi. Por não poder dar o seu toque final na "epopéia Eneida", pediu para que o poema fosse destruído. Desejo esse que não foi concretizado porque o Imperador Augusto, mesmo sabendo do desejo do poeta, não permitiu a destruição da obra, salvando assim uma das obras-primas da poesia em todos os tempos.
         A Eneida é a epopéia nacional dos Romanos, ou seja, a glorificação da grandeza de Roma. Toda sua ação está baseada em uma lenda popular da península desde os tempos das guerras púnicas, na qual Enéias veio para a Itália e dele descendeu o povo romano.
Nessa obra Virgílio faz uma espécie de síntese das fábulas gregas e das tradições latinas. Por isso, pode-se dizer que a Eneida está "contaminada" pela Ilíada e pela Odisséia, compostas por Homero. Os seis primeiros cantos de a Eneida são uma réplica abreviada da Odisséia. Neles temos: aventuras terrestres e marítimas de Enéias, que, no caso é errante como Ulisses; um episódio amoroso; e uma ida ao inferno. Já os seis cantos finais contêm uma série de combates muito parecidos como os da Ilíada.
Em a Eneida a história romana é contada por um interessante recurso literário: quando Enéias desce ao inferno a alma de seu pai, Anquises, lhe mostra no rio Lestes uma multidão de almas que, futuramente, se encarnariam. Dentre elas estão nomes de ilustres romanos, que fariam Roma tornar-se um grande império; No canto VIII, Enéias recebe, da deusa Vênus, armas forjadas por Vulcano. No escudo estão representados os grandes feitos que, no futuro, seriam executados pelos romanos.
A Eneida, no entanto, não resume-se somente a contar a história dos romanos, Isso se dá devido a "verdade humana de seus personagens". No episódio de Dido temos uma das mais patéticas cenas da paixão amorosa.
         Além de a "Eneida" ainda destacam-se as seguintes obras compostas por Virgílio:

         Bucólicas ou Églogas - Essa obra começou a ser escrita por Virgílio quando ele ainda vivia no ambiente campestre de sua terra natal, sendo terminada em Roma quando o poeta já tinha mais de trinta anos. A obra Bucólicas é composta por dez poemas curtos. Nove deles exaltam, pela voz de pastores, a vida no campo e a paisagem tipicamente italiana. A quarta égloga é uma espécie de profecia, que anuncia a chegada de uma nova idade de ouro. Os versos dessa égloga estão impregnados por um mistério tão próximo dos livros santos, que cristãos como Santo Agostinho, viram neles uma espécie de anunciação do nascimento de Cristo.

         Geórgicas - Poema didático sobre a agricultura, dividido em quatro livros:

         A obra de Virgílio, baseada em estilos gregos, deu origem a chamada escola virgiliana, que influenciou a poesia ocidental por muitos anos, até mesmo, autores épicos dos séculos XVI e XVII como Camões, Tasso, Milton.

         www.mundocultural.com.br/literatura/latina/virgilio.htm

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