Fonte: serbal.pntic.mec.es/~cmunoz11/prieto.html
Avancemos juntando muralha de
côncavos escudos, marchando em fileiras Panfilios, Hileos e Dimanes,
e brandindo nas mãos, homicidas, as lanças. Deste modo confiamos
aos eternos deuses, sem demora acatemos as ordens dos capitães,
e todos vamos ao lugar da rude refrega, levantamos firmes à frente
desses
lanceiros. Tremendo há de ser o estrépido em ambos
exércitos ao chocar entre si os redondos escudos, e ressoaram quando
bater um sobre o outro (...) Pois é lindo morrer tombando na linha
de frente como guerreiro valente que pela sua pátria peleia(...)
com coragem lutemos pela pátria e seus filhos, e morramos sem pechinchar
nesse instante nossas vidas (...) Os que se atrevem, em fila cerrada a
luta corpo a corpo e a avançar na linha de frente, em menor número
morrem e salvam a quem os seguem. Os medrosos caem sem nenhuma honra (...)
Ide todos ao corpo a corpo,
com a lança estendida ou a espada ereta e acabar com o feroz inimigo.
Colocando pé junto a pé, apertando escudo contra escudo,
penacho junto a penacho e casco contra casco, aproximado peito a peito
e lutado contra o contrário, manejando o punho da espada ou a lança
estendida(...) adiante filhos de cidadãos de Esparta, cidade dos
bravos guerreiros! Com a esquerda abraçado vosso escudo e a lança
com audácia brandida, sem preocupá-los vossa vida; que isso
não é costume de Esparta. (Tirteo, h. metade do século
VII a.C.)
O primeiro registro do toponímio
Tirteo refere-se ao poeta grego do século VII a.C. Alguns
textos sobre o poeta grego são relacionados a seguir.
a) Bartolomeu
Mitre (25/06/1821 -19/01/1906) - Mitre escrevia artigos para o jornal El
Tirteo, sob a direção de Juan Bautista Alberdi.
No jornal Otro diario Mitre publicou poesias chamadas Ecos de
mi lira.
Sobre o poeta grego Tirteo,
Mitre escreveu:
Os espartanos intencionavam
excluir a poesia do coração, e procuraram desenvolver um
molde artificial para dar uma nova forma à natureza humana. E o
que conseguiram? Acabar com o livre arbítrio, retirar da inteligência
o atributo mais belo da divindade, despojar a humanidade de suas amáveis
virtudes, sem excluir ou embargar essa poesia coletiva, a irritação
do mesmo povo que a rechaçava, que como observou Tocqueville é
o signo característico da poesia democrática. A república
de Esparta é um engenho da imaginação poética
de Licurgo, que concebeu uma associação em sua cabeça,
a formulou em um poema que chamou leis, e fanático pela sua idéia,
como Saint-Simon e Fourrier, em nossos dias, deu sua vida para ver realizada
sua teoria, filha mais de sua fantasia que da observação
da natureza humana.
Apesar de tantas precauções,
a música e a poesia tinham um culto secreto no coração
daqueles austeros cidadãos, dispostos a morrer por suas santas leis;
e a prova disso é que ali se incorporou uma corda extra à
lira, o que valeu o desterro perpétuo ao inventor, sob o pretexto
de que tais harmonias convidavam o povo à moleza. A lira se encarregou
de sua vingança.
Anos depois, os de Esparta,
em guerra com os messiânicos, pediram auxílio de Atenas. Esta
República enviou-lhes desnecessariamente um poeta armado de uma
lira. O poeta se chamava Tirteo. Seus hinos guerreiros incendiaram
o entusiasmo em todos os corações e fortaleceu a fibra viril
do povo abatido pela derrota, retornando com decisão à batalha.
Os esfarrapados esquadrões de Esparta, os dispersos, ouviram às
suas costas a voz robusta de
Tirteo, acompanhado da lira encordada
pelos espartanos, e voltando os rostos, conquistaram a láurea da
vitória, provando a seus inimigos que a poesia deixou de convidar
à moleza e sabe exaltar o que há de mais nobre e mais sublime
no coração humano. Por isto, o mesmo Licurgo se viu obrigado
a confessar que o triunfo da Lacedemônia se devia a Tirteo.
Os lacedemônios, salvos pela poesia, que inutilmente haviam tentado
banir, deram a Tirteo o título de cidadão, e promulgaram
uma lei para que dali em diante suas poesias fossem reunidas em torno da
tenda de campanha de seus generais.
c)
Rigas de Velestino (1757-1798) - Conforme Bádenas de la Peña:
Rigas de Velestino (1757-1798) e Francisco de Miranda (1750-1816) são
precursores de caminhos emancipacionistas em escala continental: a dos
povos oprimidos do império otomano e a dos povos da América
hispânica.
Don Marcos Manuel Río y
Coronel na obra La insurrección de la Grecia. Publicado em
Madrid, em dois volumes impressos por Ramos y Compañía em
1828. Ao expor as origens da insurreição grega, no período
da guerra russo-turca de 1787, podemos ler (op. cit. vol. I, pp.83-84)
:
"O famoso grego Rigas, natural
de la Morea , empregou sua habilidade poética na composição
de vários hinos e canções para recordar seus compatriotas
as façanhas de seus heróis passados, arrebatou-se do entusiasmo
da época e compôs uma canção imitando la
Marsellesa dos franceses, canto luminoso que sempre acompanhava ou
precedia suas operacões revolucionárias."
O Thourios, "hino patriótico
e de combate" como o própio Rigas subtitula, não é
propriamente um hino de guerra, mas um programa revolucionário perfeitamente
coerente com as idéias articuladas na Constituição.
O poema, de 126 versos políticos rimados, e composto na época
das vitórias de Napoleão na Itália (1796), não
é exatamente una jóia literária; pode ser ingênuo,
mas pela sua linguagem sensível e direta, é um canto pensado
para penetrar diretamente na alma do povo e imbuir-lhe, ao som de uma marcha
muito popular em sua época, o essencial da nova revolução
libertadora:
Até quando, valentes,
viver isolados como leões, por serras, hoces, montes?
Habitar covas e ver apenas bosques,
fugir do mundo, em miserável escravidão?
Perder nossos irmãos,
pátria e pais, amigos, filhos e todos parentes?
Vivamos antes livres um instante
que quarenta anos servos e cativos! (vv. 1-8)
Thourios resgata assim um valor
e uma finalidade análoga a de hinos como la Marsellesa de
Rouget de Lisle ou os cantos alemães de Körner e Arndt.
Rigas, homem muito culto, bem pode
inspirar-se para seu famoso estribilho na versão italiana de uns
versos de Catón de Addison:
De alma Livre sempre,
um momento servil
inteira eternidade não
vale.
Rigas também pôde
inspirar-se nos lemas como "Viver livre ou morrer!", que em dezembro
de 1790 corriam por Paris e que, por exemplo, Schiller adaptaria para pô-la
na boca dos rebeldes em seu Guillerme Tell: "antes a morte que viver
escravos".
Desta forma é clara a influência
de Tirteo e Calino na invocação inicial dirigida aos
heróicos jovens que hão de despertar de sua paralisia para
lutar e morrer, se for preciso, por sua pátria. Rigas
denominou seu hino como Thourios (qouvrio), um adjetivo tomado
de Ésquilo (Sete contra Tebas 42; Persas 72) e com ressonâncias
homéricas
ou'ro" se diz, por exemplo, de Ares (Ilíada
15.127, etc.). Não se dirige a todos o que mais tarde, em 1821,
"suliotas, maniotas, leões gloriosos" (v. 63), "águias
do Olimpo,| falcões de Agrafos", "valentes macedônios",
etc., haviam de iniciar a luta pela libertação da Grécia.
Entretanto, Rigas, embora patriota, não é um chovinista;
convencido como está do alcance revolucionário de seu chamamento
à ação, entusiasmado pelos êxitos de Napoleão
na Itália, concebe ter chegado a hora da liberdade para todos os
oprimidos pela tirania absolutista:
Por uma lide gloriosa, em marcha,
unidos!
Búlgaros, albanos, armênios,
gregos, moros e brancos, num comum afã, a espada levantamos pela
Liberdade.(vv. 44-47)
Suliotas, maniotas, leões
gloriosos,
tigres de Montenegro, águias
do Olimpo,
falcões de Agrafos, uma
alma deseja.
Valentes macedônios, adiante!
(vv. 63-67)
... irmãos do "Sava"
e Danúbio, (v. 69)
...Valentes e valentes do Mar
Negro, (v. 73)
Egeorgianos invencíveis,
(v. 75)
Todos os povos do Império
otomano tem seu lugar na nova República Helênica, preconizada
no Novo Estatuto, capaz de conter em seu âmago várias raças
e religiões: "cristãos e turcos" com "liberdade de qualquer
religião, cristã, mahometana, judia...", "sem distinções
de religião nem de língua" (Art. 3º dos Direitos e 1º,
2º e 7º da Constitução). Esse espírito é
o que exprime o vv. 41-43 do Tourios:
Do Nascente ao Poente, de Norte
a Sul,
um só coração
à Pátria!
Em liberdade vivam todos com
sua fé.
O hino contém todo o programa
de ação que anima a Constituição da futura
República Helênica, una e indivisível (exatamente como
a França), mas com uma diferença essencial: a dimensão
plural de seus novos cidadãos.
A filosofia política da
revolução francesa sustenta a série de artigos do
Estatuto de Rigas, e seu alcance resume-se no Thourios, onde preconiza
o advento de um novo regime assentado na soberania popular e o império
da lei:
um conselho de esforçados
patriotas
elejamos que em orden tudo ponham.
A Lei seja primeira e único
guia
e caudilho da Pátria
um só homem;
que anarquia é igual
a servidão. (vv. 23-27)
A palavra chave ajrchgov"
significa "caudilho, chefe, guia", é o mesmo que as palavras como
"soberano, rei, reino" no texto da Constituição. Não
devem confundir-nos.
Rigas estava tratando de introduzir
novos conceitos, se via obrigado a recrear uma nova terminologia que recuperara
para a língua popular termos que fazia séculos eram inusitados
e que deviam, agora servir para estabelecer a orden republicana. Toma assim
da França as prescrições formuladas sob o triunfo
da Revolução para transferir-las as necessidades de uma região,
como os Balcãs, onde a diversidade étnica, cultural e religiosa
é a regra. Por isso o modelo prefigurado nos escritos políticos
e revolucionários de Rigas, incluindo o Thourios, é
quiçá mais liberal e humano que o jacobinismo que inspira
o arquétipo francês.
Pedro Bádenas de la Peña
em El Programa Revolucionario del Poema Turios, C.S.I.C. Madrid.
d) Giuseppe Gioachino Belli (1791 - 1861) - O poeta italiano adotou o codinome de Tirteo Lacedemonio em 1811.
e) Napoleão
Bonaparte - O famoso imperador francês lembrou Rigas, Tirteo
da Grécia, no poema Aos Povos da Europa, escrito em Santa
Helena.
De sua sangrenta terra natal
triunfante me parece que viu-lhe
alçar-se e destroçar
a meia lua.
Esse canto de guerra é
de Tirteo?
É o mesmo Demóstenes
que clama:115
Ás armas, gregos, que
a pátria os chama!
E aquele brilhante jovem estrangeiro
que celebra a lide; és
um guerreiro?
Vê-lo como, expira a sonora
arpa sua voz sublime acompanhando,120
em favor da Grécia ao
céu implora!
Ai!, pela Grécia chora,
e o cisne de Albión morre
cantando.
José Fernández Madrid
f) Rafael Pombo (07/11/1833 - 05/05/1912) - O poeta, tradutor e jornalista nascido em Bogotá usou pseudônimos para registrar suas obras, tais como: Edda, Máximo, Ascanio, Bemo, Elo, Exótico Faraelio, Florencio, Justicia, Lutin, Vencapavenca, Werti, Yo e Tirteo.
g) Em 1830 Castillo y Ayensa publica sua tradução comentada (grego-espanhol) de Anacreonte, Tirteo e Safo em verso e prosa.
h) Felice Cavallotti em 1878 traduziu para o italiano Canti e frammenti di Tirteo. Com texto e notas. Precedido de uma ode à Giosué Carducci.
i)
Julio Herrera y Reyssig - No poema publicado em 1875 no Uruguai, Las
Pascuas del Tiempo, recorre a Tirteo:
Todos despertam e riam:
O grande salão se ilumina
com mil resplendores brancos;
Barba Azul corre em suas pernas;
Raras macabras harmônicas
os instrumentos desatam,
E sim que haja espirítistas
saltam as mesas e bancos.
Byron, Tirteo e Quevedo
se olvidam de que são coxos,
Rabelais e o grande Leopardi
já não saben seus defeitos;
Homero e Milton se mostran,
ambos, com grandes lentes;
Os "cuerdos" se voltam loucos
e arlequins os projetos.
(Por bailar "a misia" Parca
também lhe vão os olhos.)
j)
Agustín Cuenca - Publicou na Revista Universal do México
em 27 de agosto de 1876 o drama Cadena de Hierro.
Há gênio de beleza
e de grandeza, como há crítica de envidia e de lealdade.
Um arroio é belo, e um mar é belo, com sua distinta a independente
classe de formosura. O vale tem o gênio da grandeza.
É capaz de um grande
extravío e de uma grande revelação. Guiar-lo será
perde-lo: o gênio tem nos conselhos seus incômodos, en seus
defeitos sua alteza, en suas incorreções sua amplitude. Viva
a vida ardente dos filhos da natureza americana: pinte paixões sãs,
refresque-se em amores puros, eduque seu alto espírito na contemplação
da virtude. Os cadáveres não servem mais que para abono da
terra; os engendros franceses, o bizantinismo moral, a imitação
servil de um povo enfermo, não convén a uma pátria
nascente, sem causa nem rumo fixos, que duplamente fala corretamente e
balbucia, onde há homens "pansofos" e homens bestas, onde há
paixões primitivas e refinamentos da paixão, onde em caótica
mescla, a terra natal dos índios tem ingerido seus membros nos ligamentos
do madero corrompido que a maneira do sepulcro espera uma civilização
cansada e decadente.
É necessário levantar,
não poetizar as quedas. O poeta deve ser Tirteo, não
Tíbulo.
Os prazeres romanos ameaçam
a vida moral da pátria; os primitivos poetas gregos devem dar-lhe
o conceito moral.
A doutrina da virtude é
mais nobre que o exame inútil das fundas chagas sociais.
Lamartine fará um anjo
de uma meretriz: Sandeau e Belot converteram em meretriz um anjo.
Que prazer digno, que satisfação
gloriosa poderá produzir a um poeta nobre a repugnante psicologia,
a inútil fisiologia moral do vício? Se é melhor por
saber a maneira com que são maus os demais?
Não, robusto poeta; não,
pensador potente; não, irmão queridíssimo.
O gênio não
é a escola: a independência não é o incômodo:
a preocupação não é a verdade. Fortifica teu
ânimo e expande-o; recolhe tua inteligência e faça-a
tua; não escrevas nunca pensando tibiamente; escreve estremecendo-te
e chorando; canta, escreve, chora, quando sentir bater teu coração.
Tu não ames no teu drama mais que o filho admirável que tenhas
criado; "ou ames em tua potente inteligência mais que tuas horas
de comoção e de irritação. A inspiração
é a antecipação do futuro; apenas antecipando-se a
ele se vive nele. A grandeza está na verdade e a verdade na virtude.
Um abraço estreitíssimo.
k) Gustave Moreau - Pintor francês, iniciou a execução da obra Tirteo em 1882, representante do simbolismo movimento literário e artístico surgido na França após Jean Moréas publicar seu manifesto Le Figaro em 18 de setembro de 1886.
l) Lola Rodríguez de Tió - (14/09/1843 - 10/11/1924) Sua vida e sua obra representa o destino dos patriotas porto-riquenhos que se opõem ao regime colonial. A perseguição e o exílio. Foi exilada do país e viveu en Caracas, Nova York e Habana. Esta poetisa foi a precursora dos Versos Sencillos (1891) de José Martí, autor cubano. A poesía de Lola aborda temas de profundidade na filosofia e na moral. Ela é a autora da versão revolucionária La Borinqueña, hino nacional de Porto Rico.
m) Yazigi - Em 1905 Najib Azuri fundou a "Liga dos Países Árabes"; e o hino patriótico de Yaziji (o Tirteo árabe) inflamou corações e mentes.
n) Alessandro Consani - 'Tirteo 200' codinome de um terrorista anarquista italiano. Participou de atentados na França e Itália entre 1928 e 1931.
o) Marguerite
Yourcenar - Foi a primeira mulher a integrar a Academia de Letras da França,
Marguerite Yourcenar para escrever sua grande obra Memórias de Adriano,
conforme Martha Robles: Chegou a esse "mar calmo" muito depois de abundar
numa cultura que a inclinava e outra que a ascendia sob o signo monoteísta
que alcançou nossos dias. Havia compreendido que Adriano, desde
sua peculiar realidade imperial, era este homem só e ao mesmo tempo
vinculado com todo - mando, política, amor, guerra, beleza, diversão,
sofrimento, línguas e também com a extravagância oriental,
que tanto lhe seduziu, em cuja diversidade se congregavam as vozes do tempo,
o poder da razão e a razão do poder: três referências
que, enriquecidas pela força do mito e a dupla ação
criadora do histórico e imaginário, haviam de situá-la
numa fascinante travessia literária.
Repensou e definitivamente
vislumbrou o personagem ao traduzir as canções de guerra
de Tirteo, das quais sobram fragmentos. O poema de Tirteo,
na realidade, é um discurso dirigido aos soldados; não há
gritos nem encantamentos, senão palavras racionais. Sua fala está
organizada de modo quase impessoal: exatamente o tom que Marguerite exigia
em sua evocação intimista e histórica, ao mesmo tempo,
que a preservava de eleger conversações que de todas maneiras
haviam sido falsas.
MARTHA ROBLES Sábado
04 de Septiembre de 1999 Yourcenar, Espiral Asida al Pensamiento Mítico
file:///C|/saco/tirteu/tirteuyourcenarExcelsior Primera plana.htm
p)
Werner Jaeger - Sua obra prima foi Paidéia, obra em três volumes
acabados respectivamente em 1933 na Alemanha (país que Jaeger imediatamente
deixou devido ao nazismo) e de 1944 à 1947 nos Estados Unidos, com
o que Jaeger reconstruiu a história da educação na
Grécia de Homero a Platão. No prefácio, que é
o manifesto do humanismo filológico alemão, o autor explica
que a Grécia inventou a educação, ou precisamente
a paidéia,... Educação significa formação,
ou seja, realização de uma forma, de uma idéia, de
um modelo: O herói de Homero, o soldado que morre pela pátria
de Tirteo e Calino, o bom cidadão de Solón, o orador
pelo sofista (inventor da pedagogia, a reflexão racional sobre educação),o
filósofo de Platão. A maior parte da obra é dedicada
a Platão cuja filosofia inteira Jaeger interpreta como fundamental
sua idéia do homem e tende essencialmente formar o homem. file:///C|/sem101/tyrteu/La
filosofia e la cultura classica.htm
Tirteo é individualidade
poética no sentido atual. É a expressão do sentir
universal.
Revela a convicção
certa de todo cidadão consciente. Daí se expressa freqüentemente
na primeira pessoa do plural: "Lutemos!" "Morramos!" Não se trata
do seu eu subjetivo; mas do eu universal, "da voz pública da pátria",
como disse Demóstenes. Quer criar um povo, um estado de heróis.
Desenvolve, do modo mais penetrante, a essência da areté espartana.
Surge, de pronto, o guia espiritual adequado. A nova areté cidadã,
que as circunstâncias exigem, fala pela primeira vez sua forma artística.
O mundo é uma idéia,
como a poesia, que gira entre o posto, o imposto, o proposto, o sobreposto,
o reposto e o disposto. A poesia é um ato de fé (Pablo Mora).
Se alguém põe nele (no poema) suas próprias esperanças,
voltara a achá-la (Valery).
q) Emiliano R. Fernández - Músico paraguaio se caracterizou por mesclar o guarani com o castelhano. Teve uma grande atuação na Guerra do Chaco (1932 - 1935), entre Bolívia e Paraguai, com suas músicas e narrações levantava o espírito do exército paraguaio.
r)
José Martí - Poeta cubano autor do patriótico Dever
Sincero (1958)
Tirteo, Lamartine, Quintana,
Hugo...
nomes preclaros pelo esquecimento
não superados,
cantaram a guerra, chamaram
ao combate,
aos déspotas fundiram
em incessante lodo,
com flamejante ferro marcaram
a história:
e têm seus nomes sobre
nossas "marchitas frentes".
Porém nós, homens
de um século enloquecido
escravo de suas máquinas,
escravo de seu ouro,
temos um dever mais sincero,
mais triste e mais obscuro:
caíram nossos nomes como
folhas vencidas
por implacáveis outonos
cortadas,
não restará no
ar sinal de sua queda,
de seu vôo a estampa na
terra molhada.
Cantaremos a paz, edificando
sonhos;
será nossa palavra de
fogo ou inflamado
escárnio, a ofensa do
vendedor de armas,
do "negrero" de indefesas nações,
cantaremos, poetas obscuros
e indefesos,
o trabalho e o pão que
a luz acrescenta,
não a pouco nobre matança
e a insidiosa intriga
não teremos mármore
nem lauréis,
clarins nem aplausos de mulheres,
nossa dita será o fogo
do lugar tranqüilo,
O sorriso inocente das crianças,
A alegria estalante das espigas
nas eras,
a confusa atividade de rio das
cidades,
e o sereno afã de pensadoras
frentes.
Nosso dever obscuro é
cantar a paz,
a harmonia, ao fraternal abraço
de comunnhão de sonhos
dos homens!
Como laurel nem renome aspiraremos,
recompensa sem preço
nem mudança
será para os nossos ignorar
o temor,
levar ao homem, e a nosso coração,
a liberdade.
s) José de Arriaca - José de Arriaca em 1967 permanece "inatingível ao desânimo" (no dizer da terminologia nacionalsindicalista); para ele, "a Falange foi a flauta de Tirteo da nova Espanha"; a Canção teve uma intencionalidade claramente construtiva, de unidade e ressurgimento por e para a "Revolução Nacional": Afirmação, alienação, catarsis, veículo de unidade e disciplina..... O que é indiscutível, como disse Arriaca: a Falange Espanhola e sua organização de Juventude tem sido as instituições modernas, e quiçá as únicas en toda a história da Espanha, que tem alentado e promovido com maior efetividade que os espamhóis cantem à Pátria e seus heróis.
t)
MARROU, H. I. - Na obra
Historia de la educación en la antigüedad
(1985), Marrou, cita Tirteo, a quem compara os ideais: Não
julgaria a um homem digno de memória, nem faria caso algum dele
apenas por seu valor na carreira comum ou na guerra, assim fora tão
grande e forte como os cíclopes, mais veloz que o trácio
de Bórea, mais formoso que Títono, mais rico que Midas ou
Ciniras, mais poderoso que o rei Pélope, filho de Tântalo,
assim foi sua língua mais doce que a de Adrasto e possuíra
toda sorte de glória, se carecesse de valor militar, se não
fora um homem capaz de aguentar de pé firme a batalha... que este
é o valor verdadeiro, o mais alto prêmio que um homem pode
obter entre os homens; é um bem comunitário, útil
a cidade e ao povo inteiro, que cada qual, bem plantado sobre suas duas
pernas, se mantenha firme na primeira linha, apartando de seu coração
toda idéia de fuga.