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O Topomínio Tirteo

   Por volta de 1.100 a.C. os gregos fundaram colônias na Jônia, costa oriental do mar Egeu (atual Turquia).
     Em torno de 580 a.C, alguns gregos iniciam a ciência e a filosofia.
     A Ilíada e a Odisséia, de Homero, são as primeiras obras conhecidas.
     Na Jônia originou-se a literatura grega. Do período pré-homérico restam apenas alguns nomes: Orfeu, Lino, Anfión, Museo, Eumolpo e Sísifo.
     Cronologia grega até Aristóteles (a.C.)
     725 Copa Dypilon. Introdução do alfabeto
     700 Escrituração dos poemas homéricos
     700 Hesíodo
     680-640 Arquíloco. Calino e Tirteo
     650-600 Alcmán, Mimnermo, Semónides de Amorgos e Solón
     600 Alceo e Safo
     600-540 Pensadores jônicos: Tales, Anaximandro e Anaxímenes
     600-527 Pisístrato
     550-500 Pitágoras, Hecateo, Jenófanes, Íbico, Anacreonte e Simónides
     500 Heráclito, Parménides e Teognis
     490-480 Maratón e Salamina
     480-456 Esquilo
     498-438 Píndaro
     480-420 Heródoto
     450 Pericles, Sófocles, Anaxágoras, Demócrito e Sofistas
     440-400 Eurípides, Sócrates, Hipócrates e Tucidides
     430-404 Guerras do Peloponeso
     400 Metroon, unificação do alfabeto, escrituração do sistema judicial
     427-347 Platão
     384-322 Aristóteles

   Fonte: serbal.pntic.mec.es/~cmunoz11/prieto.html

  Avancemos juntando muralha de côncavos escudos, marchando em fileiras Panfilios, Hileos e Dimanes, e brandindo nas mãos, homicidas, as lanças. Deste modo confiamos aos eternos deuses, sem demora acatemos as ordens dos capitães, e todos vamos ao lugar da rude refrega, levantamos firmes à frente desses lanceiros. Tremendo há de ser o estrépido em ambos exércitos ao chocar entre si os redondos escudos, e ressoaram quando bater um sobre o outro (...) Pois é lindo morrer tombando na linha de frente como guerreiro valente que pela sua pátria peleia(...) com coragem lutemos pela pátria e seus filhos, e morramos sem pechinchar nesse instante nossas vidas (...) Os que se atrevem, em fila cerrada a luta corpo a corpo e a avançar na linha de frente, em menor número morrem e salvam a quem os seguem. Os medrosos caem sem nenhuma honra (...)
  Ide todos ao corpo a corpo, com a lança estendida ou a espada ereta e acabar com o feroz inimigo. Colocando pé junto a pé, apertando escudo contra escudo, penacho junto a penacho e casco contra casco, aproximado peito a peito e lutado contra o contrário, manejando o punho da espada ou a lança estendida(...) adiante filhos de cidadãos de Esparta, cidade dos bravos guerreiros! Com a esquerda abraçado vosso escudo e a lança com audácia brandida, sem preocupá-los vossa vida; que isso não é costume de Esparta. (Tirteo, h. metade do século VII a.C.)
     O primeiro registro do toponímio Tirteo refere-se ao poeta grego do século VII a.C. Alguns textos sobre o poeta grego são relacionados a seguir.

  a) Bartolomeu Mitre (25/06/1821 -19/01/1906) - Mitre escrevia artigos para o jornal El Tirteo, sob a direção de Juan Bautista Alberdi. No jornal Otro diario Mitre publicou poesias chamadas Ecos de mi lira.
     Sobre o poeta grego Tirteo, Mitre escreveu:
     Os espartanos intencionavam excluir a poesia do coração, e procuraram desenvolver um molde artificial para dar uma nova forma à natureza humana. E o que conseguiram? Acabar com o livre arbítrio, retirar da inteligência o atributo mais belo da divindade, despojar a humanidade de suas amáveis virtudes, sem excluir ou embargar essa poesia coletiva, a irritação do mesmo povo que a rechaçava, que como observou Tocqueville é o signo característico da poesia democrática. A república de Esparta é um engenho da imaginação poética de Licurgo, que concebeu uma associação em sua cabeça, a formulou em um poema que chamou leis, e fanático pela sua idéia, como Saint-Simon e Fourrier, em nossos dias, deu sua vida para ver realizada sua teoria, filha mais de sua fantasia que da observação da natureza humana.
  Apesar de tantas precauções, a música e a poesia tinham um culto secreto no coração daqueles austeros cidadãos, dispostos a morrer por suas santas leis; e a prova disso é que ali se incorporou uma corda extra à lira, o que valeu o desterro perpétuo ao inventor, sob o pretexto de que tais harmonias convidavam o povo à moleza. A lira se encarregou de sua vingança.
  Anos depois, os de Esparta, em guerra com os messiânicos, pediram auxílio de Atenas. Esta República enviou-lhes desnecessariamente um poeta armado de uma lira. O poeta se chamava Tirteo. Seus hinos guerreiros incendiaram o entusiasmo em todos os corações e fortaleceu a fibra viril do povo abatido pela derrota, retornando com decisão à batalha.   Os esfarrapados esquadrões de Esparta, os dispersos, ouviram às suas costas a voz robusta de Tirteo, acompanhado da lira encordada pelos espartanos, e voltando os rostos, conquistaram a láurea da vitória, provando a seus inimigos que a poesia deixou de convidar à moleza e sabe exaltar o que há de mais nobre e mais sublime no coração humano. Por isto, o mesmo Licurgo se viu obrigado a confessar que o triunfo da Lacedemônia se devia a Tirteo. Os lacedemônios, salvos pela poesia, que inutilmente haviam tentado banir, deram a Tirteo o título de cidadão, e promulgaram uma lei para que dali em diante suas poesias fossem reunidas em torno da tenda de campanha de seus generais.

   c) Rigas de Velestino (1757-1798) - Conforme Bádenas de la Peña:  Rigas de Velestino (1757-1798) e Francisco de Miranda (1750-1816) são precursores de caminhos emancipacionistas em escala continental: a dos povos oprimidos do império otomano e a dos povos da América hispânica.
     Don Marcos Manuel Río y Coronel na obra La insurrección de la Grecia. Publicado em Madrid, em dois volumes impressos por Ramos y Compañía em 1828. Ao expor as origens da insurreição grega, no período da guerra russo-turca de 1787, podemos ler (op. cit. vol. I, pp.83-84) :
     "O famoso grego Rigas, natural de la Morea , empregou sua habilidade poética na composição de vários hinos e canções para recordar seus compatriotas as façanhas de seus heróis passados, arrebatou-se do entusiasmo da época e compôs uma canção imitando la Marsellesa dos franceses, canto luminoso que sempre acompanhava ou precedia suas operacões revolucionárias."
     O Thourios, "hino patriótico e de combate" como o própio Rigas subtitula, não é propriamente um hino de guerra, mas um programa revolucionário perfeitamente coerente com as idéias articuladas na Constituição. O poema, de 126 versos políticos rimados, e composto na época das vitórias de Napoleão na Itália (1796), não é exatamente una jóia literária; pode ser ingênuo, mas pela sua linguagem sensível e direta, é um canto pensado para penetrar diretamente na alma do povo e imbuir-lhe, ao som de uma marcha muito popular em sua época, o essencial da nova revolução libertadora:
     Até quando, valentes, viver isolados como leões, por serras, hoces, montes?
  Habitar covas e ver apenas bosques, fugir do mundo, em miserável escravidão?
  Perder nossos irmãos, pátria e pais, amigos, filhos e todos parentes?
  Vivamos antes livres um instante que quarenta anos servos e cativos! (vv. 1-8)
     Thourios resgata assim um valor e uma finalidade análoga a de hinos como la Marsellesa de Rouget de Lisle ou os cantos alemães de Körner e Arndt.
     Rigas, homem muito culto, bem pode inspirar-se para seu famoso estribilho na versão italiana de uns versos de Catón de Addison:
      De alma Livre sempre, um momento servil
   inteira eternidade não vale.
     Rigas também pôde inspirar-se nos lemas como "Viver livre ou morrer!", que em dezembro de 1790 corriam por Paris e que, por exemplo, Schiller adaptaria para pô-la na boca dos rebeldes em seu Guillerme Tell: "antes a morte que viver escravos".
     Desta forma é clara a influência de Tirteo e Calino na invocação inicial dirigida aos heróicos jovens que hão de despertar de sua paralisia para lutar e morrer, se for preciso, por sua pátria.   Rigas denominou seu hino como Thourios (qouvrio), um adjetivo tomado de Ésquilo (Sete contra Tebas 42; Persas 72) e com ressonâncias homéricas ou'ro" se diz, por exemplo, de Ares (Ilíada 15.127, etc.). Não se dirige a todos o que mais tarde, em 1821, "suliotas, maniotas, leões gloriosos" (v. 63), "águias do Olimpo,| falcões de Agrafos", "valentes macedônios", etc., haviam de iniciar a luta pela libertação da Grécia. Entretanto, Rigas, embora patriota, não é um chovinista; convencido como está do alcance revolucionário de seu chamamento à ação, entusiasmado pelos êxitos de Napoleão na Itália, concebe ter chegado a hora da liberdade para todos os oprimidos pela tirania absolutista:
     Por uma lide gloriosa, em marcha, unidos!
  Búlgaros, albanos, armênios, gregos, moros e brancos, num comum afã, a espada levantamos pela Liberdade.(vv. 44-47)

  Suliotas, maniotas, leões gloriosos,
  tigres de Montenegro, águias do Olimpo,
  falcões de Agrafos, uma alma deseja.
     Valentes macedônios, adiante! (vv. 63-67)
     ... irmãos do "Sava" e Danúbio, (v. 69)
     ...Valentes e valentes do Mar Negro, (v. 73)
     Egeorgianos invencíveis, (v. 75)
     Todos os povos do Império otomano tem seu lugar na nova República Helênica, preconizada no Novo Estatuto, capaz de conter em seu âmago várias raças e religiões: "cristãos e turcos" com "liberdade de qualquer religião, cristã, mahometana, judia...", "sem distinções de religião nem de língua" (Art. 3º dos Direitos e 1º, 2º e 7º da Constitução). Esse espírito é o que exprime o vv. 41-43 do Tourios:
     Do Nascente ao Poente, de Norte a Sul,
  um só coração à Pátria!
  Em liberdade vivam todos com sua fé.
     O hino contém todo o programa de ação que anima a Constituição da futura República Helênica, una e indivisível (exatamente como a França), mas com uma diferença essencial: a dimensão plural de seus novos cidadãos.
     A filosofia política da revolução francesa sustenta a série de artigos do Estatuto de Rigas, e seu alcance resume-se no Thourios, onde preconiza o advento de um novo regime assentado na soberania popular e o império da lei:
     um conselho de esforçados patriotas
  elejamos que em orden tudo ponham.
  A Lei seja primeira e único guia
  e caudilho da Pátria um só homem;
  que anarquia é igual a servidão. (vv. 23-27)
     A palavra chave ajrchgov" significa "caudilho, chefe, guia", é o mesmo que as palavras como "soberano, rei, reino" no texto da Constituição. Não devem confundir-nos.
     Rigas estava tratando de introduzir novos conceitos, se via obrigado a recrear uma nova terminologia que recuperara para a língua popular termos que fazia séculos eram inusitados e que deviam, agora servir para estabelecer a orden republicana. Toma assim da França as prescrições formuladas sob o triunfo da Revolução para transferir-las as necessidades de uma região, como os Balcãs, onde a diversidade étnica, cultural e religiosa é a regra. Por isso o modelo prefigurado nos escritos políticos e revolucionários de Rigas, incluindo o Thourios, é quiçá mais liberal e humano que o jacobinismo que inspira o arquétipo francês.
Pedro Bádenas de la Peña em El Programa Revolucionario del Poema Turios, C.S.I.C. Madrid.

   d) Giuseppe Gioachino Belli (1791 - 1861) - O poeta italiano adotou o codinome de Tirteo Lacedemonio em 1811.

  e) Napoleão Bonaparte - O famoso imperador francês lembrou Rigas, Tirteo da Grécia, no poema Aos Povos da Europa, escrito em Santa Helena.
     De sua sangrenta terra natal
  triunfante me parece que viu-lhe
  alçar-se e destroçar a meia lua.
  Esse canto de guerra é de Tirteo?
  É o mesmo Demóstenes que clama:115
  Ás armas, gregos, que a pátria os chama!
  E aquele brilhante jovem estrangeiro
  que celebra a lide; és um guerreiro?
  Vê-lo como, expira a sonora
  arpa sua voz sublime acompanhando,120
  em favor da Grécia ao céu implora!
  Ai!, pela Grécia chora,
  e o cisne de Albión morre cantando.

  José Fernández Madrid

   f) Rafael Pombo (07/11/1833 - 05/05/1912) - O poeta, tradutor e jornalista nascido em Bogotá usou pseudônimos para registrar suas obras, tais como: Edda, Máximo, Ascanio, Bemo, Elo, Exótico Faraelio, Florencio, Justicia, Lutin, Vencapavenca, Werti, Yo e Tirteo.

  g) Em 1830 Castillo y Ayensa publica sua tradução comentada (grego-espanhol) de Anacreonte, Tirteo e Safo em verso e prosa.

  h) Felice Cavallotti em 1878 traduziu para o italiano Canti e frammenti di Tirteo. Com texto e notas. Precedido de uma ode à Giosué Carducci.

   i) Julio Herrera y Reyssig - No poema publicado em 1875 no Uruguai, Las Pascuas del Tiempo, recorre a Tirteo:
     Todos despertam e riam:
  O grande salão se ilumina com mil resplendores brancos;
  Barba Azul corre em suas pernas;
  Raras macabras harmônicas os instrumentos desatam,
  E sim que haja espirítistas saltam as mesas e bancos.

  Byron, Tirteo e Quevedo se olvidam de que são coxos,
  Rabelais e o grande Leopardi já não saben seus defeitos;
  Homero e Milton se mostran, ambos, com grandes lentes;
  Os "cuerdos" se voltam loucos e arlequins os projetos.
  (Por bailar "a misia" Parca também lhe vão os olhos.)

   j) Agustín Cuenca - Publicou na Revista Universal do México em 27 de agosto de 1876 o drama Cadena de Hierro.
     Há gênio de beleza e de grandeza, como há crítica de envidia e de lealdade. Um arroio é belo, e um mar é belo, com sua distinta a independente classe de formosura. O vale tem o gênio da grandeza.
  É capaz de um grande extravío e de uma grande revelação. Guiar-lo será perde-lo: o gênio tem nos conselhos seus incômodos, en seus defeitos sua alteza, en suas incorreções sua amplitude. Viva a vida ardente dos filhos da natureza americana: pinte paixões sãs, refresque-se em amores puros, eduque seu alto espírito na contemplação da virtude. Os cadáveres não servem mais que para abono da terra; os engendros franceses, o bizantinismo moral, a imitação servil de um povo enfermo, não convén a uma pátria nascente, sem causa nem rumo fixos, que duplamente fala corretamente e balbucia, onde há homens "pansofos" e homens bestas, onde há paixões primitivas e refinamentos da paixão, onde em caótica mescla, a terra natal dos índios tem ingerido seus membros nos ligamentos do madero corrompido que a maneira do sepulcro espera uma civilização cansada e decadente.
  É necessário levantar, não poetizar as quedas. O poeta deve ser Tirteo, não Tíbulo.
  Os prazeres romanos ameaçam a vida moral da pátria; os primitivos poetas gregos devem dar-lhe o conceito moral.
  A doutrina da virtude é mais nobre que o exame inútil das fundas chagas sociais.
  Lamartine fará um anjo de uma meretriz: Sandeau e Belot converteram em meretriz um anjo.
  Que prazer digno, que satisfação gloriosa poderá produzir a um poeta nobre a repugnante psicologia, a inútil fisiologia moral do vício? Se é melhor por saber a maneira com que são maus os demais?
  Não, robusto poeta; não, pensador potente; não, irmão queridíssimo.
   O gênio não é a escola: a independência não é o incômodo: a preocupação não é a verdade. Fortifica teu ânimo e expande-o; recolhe tua inteligência e faça-a tua; não escrevas nunca pensando tibiamente; escreve estremecendo-te e chorando; canta, escreve, chora, quando sentir bater teu coração. Tu não ames no teu drama mais que o filho admirável que tenhas criado; "ou ames em tua potente inteligência mais que tuas horas de comoção e de irritação. A inspiração é a antecipação do futuro; apenas antecipando-se a ele se vive nele. A grandeza está na verdade e a verdade na virtude.
  Um abraço estreitíssimo.

  k) Gustave Moreau - Pintor francês, iniciou a execução da obra Tirteo em 1882, representante do simbolismo movimento literário e artístico surgido na França após Jean Moréas publicar seu manifesto Le Figaro em 18 de setembro de 1886.

   l) Lola Rodríguez de Tió - (14/09/1843 - 10/11/1924) Sua vida e sua obra representa o destino dos patriotas porto-riquenhos que se opõem ao regime colonial. A perseguição e o exílio. Foi exilada do país e viveu en Caracas, Nova York e Habana. Esta poetisa foi a precursora dos Versos Sencillos (1891) de José Martí, autor cubano. A poesía de Lola aborda temas de profundidade na filosofia e na moral. Ela é a autora da versão revolucionária La Borinqueña, hino nacional de Porto Rico.

   m) Yazigi - Em 1905 Najib Azuri fundou a "Liga dos Países Árabes"; e o hino patriótico de Yaziji (o Tirteo árabe) inflamou corações e mentes.

   n) Alessandro Consani - 'Tirteo 200' codinome de um terrorista anarquista italiano. Participou de atentados na França e Itália entre 1928 e 1931.

  o) Marguerite Yourcenar - Foi a primeira mulher a integrar a Academia de Letras da França, Marguerite Yourcenar para escrever sua grande obra Memórias de Adriano, conforme Martha Robles: Chegou a esse "mar calmo" muito depois de abundar numa cultura que a inclinava e outra que a ascendia sob o signo monoteísta que alcançou nossos dias. Havia compreendido que Adriano, desde sua peculiar realidade imperial, era este homem só e ao mesmo tempo vinculado com todo - mando, política, amor, guerra, beleza, diversão, sofrimento, línguas e também com a extravagância oriental, que tanto lhe seduziu, em cuja diversidade se congregavam as vozes do tempo, o poder da razão e a razão do poder: três referências que, enriquecidas pela força do mito e a dupla ação criadora do histórico e imaginário, haviam de situá-la numa fascinante travessia literária.
   Repensou e definitivamente vislumbrou o personagem ao traduzir as canções de guerra de Tirteo, das quais sobram fragmentos. O poema de Tirteo, na realidade, é um discurso dirigido aos soldados; não há gritos nem encantamentos, senão palavras racionais. Sua fala está organizada de modo quase impessoal: exatamente o tom que Marguerite exigia em sua evocação intimista e histórica, ao mesmo tempo, que a preservava de eleger conversações que de todas maneiras haviam sido falsas.
      MARTHA ROBLES Sábado 04 de Septiembre de 1999 Yourcenar, Espiral Asida al Pensamiento Mítico file:///C|/saco/tirteu/tirteuyourcenarExcelsior Primera plana.htm

   p) Werner Jaeger - Sua obra prima foi Paidéia, obra em três volumes acabados respectivamente em 1933 na Alemanha (país que Jaeger imediatamente deixou devido ao nazismo) e de 1944 à 1947 nos Estados Unidos, com o que Jaeger reconstruiu a história da educação na Grécia de Homero a Platão. No prefácio, que é o manifesto do humanismo filológico alemão, o autor explica que a Grécia inventou a educação, ou precisamente a paidéia,... Educação significa formação, ou seja, realização de uma forma, de uma idéia, de um modelo: O herói de Homero, o soldado que morre pela pátria de Tirteo e Calino, o bom cidadão de Solón, o orador pelo sofista (inventor da pedagogia, a reflexão racional sobre educação),o filósofo de Platão. A maior parte da obra é dedicada a Platão cuja filosofia inteira Jaeger interpreta como fundamental sua idéia do homem e tende essencialmente formar o homem. file:///C|/sem101/tyrteu/La filosofia e la cultura classica.htm
      Tirteo é individualidade poética no sentido atual. É a expressão do sentir universal.
     Revela a convicção certa de todo cidadão consciente. Daí se expressa freqüentemente na primeira pessoa do plural: "Lutemos!" "Morramos!" Não se trata do seu eu subjetivo; mas do eu universal, "da voz pública da pátria", como disse Demóstenes. Quer criar um povo, um estado de heróis. Desenvolve, do modo mais penetrante, a essência da areté espartana. Surge, de pronto, o guia espiritual adequado. A nova areté cidadã, que as circunstâncias exigem, fala pela primeira vez sua forma artística.
     O mundo é uma idéia, como a poesia, que gira entre o posto, o imposto, o proposto, o sobreposto, o reposto e o disposto. A poesia é um ato de fé (Pablo Mora). Se alguém põe nele (no poema) suas próprias esperanças, voltara a achá-la (Valery).

   q) Emiliano R. Fernández - Músico paraguaio se caracterizou por mesclar o guarani com o castelhano. Teve uma grande atuação na Guerra do Chaco (1932 - 1935), entre Bolívia e Paraguai, com suas músicas e narrações levantava o espírito do exército paraguaio.

   r) José Martí - Poeta cubano autor do patriótico Dever Sincero (1958)
     Tirteo, Lamartine, Quintana, Hugo...
  nomes preclaros pelo esquecimento não superados,
  cantaram a guerra, chamaram ao combate,
  aos déspotas fundiram em incessante lodo,
  com flamejante ferro marcaram a história:
  e têm seus nomes sobre nossas "marchitas frentes".

  Porém nós, homens de um século enloquecido
  escravo de suas máquinas, escravo de seu ouro,
  temos um dever mais sincero, mais triste e mais obscuro:
  caíram nossos nomes como folhas vencidas
  por implacáveis outonos cortadas,
  não restará no ar sinal de sua queda,
  de seu vôo a estampa na terra molhada.

  Cantaremos a paz, edificando sonhos;
  será nossa palavra de fogo ou inflamado
  escárnio, a ofensa do vendedor de armas,
  do "negrero" de indefesas nações,
  cantaremos, poetas obscuros e indefesos,
  o trabalho e o pão que a luz acrescenta,
  não a pouco nobre matança e a insidiosa intriga
  não teremos mármore nem lauréis,
  clarins nem aplausos de mulheres,
  nossa dita será o fogo do lugar tranqüilo,
  O sorriso inocente das crianças,
  A alegria estalante das espigas nas eras,
  a confusa atividade de rio das cidades,
  e o sereno afã de pensadoras frentes.

  Nosso dever obscuro é cantar a paz,
  a harmonia, ao fraternal abraço
  de comunnhão de sonhos dos homens!
  Como laurel nem renome aspiraremos,
  recompensa sem preço nem mudança
  será para os nossos ignorar o temor,
  levar ao homem, e a nosso coração, a liberdade.

   s) José de Arriaca - José de Arriaca em 1967 permanece "inatingível ao desânimo" (no dizer da terminologia nacionalsindicalista); para ele, "a Falange foi a flauta de Tirteo da nova Espanha"; a Canção teve uma intencionalidade claramente construtiva, de unidade e ressurgimento por e para a "Revolução Nacional": Afirmação, alienação, catarsis, veículo de unidade e disciplina..... O que é indiscutível, como disse Arriaca: a Falange Espanhola e sua organização de Juventude tem sido as instituições modernas, e quiçá as únicas en toda a história da Espanha, que tem alentado e promovido com maior efetividade que os espamhóis cantem à Pátria e seus heróis.

   t) MARROU, H. I. - Na obra Historia de la educación en la antigüedad (1985), Marrou, cita Tirteo, a quem compara os ideais: Não julgaria a um homem digno de memória, nem faria caso algum dele apenas por seu valor na carreira comum ou na guerra, assim fora tão grande e forte como os cíclopes, mais veloz que o trácio de Bórea, mais formoso que Títono, mais rico que Midas ou Ciniras, mais poderoso que o rei Pélope, filho de Tântalo, assim foi sua língua mais doce que a de Adrasto e possuíra toda sorte de glória, se carecesse de valor militar, se não fora um homem capaz de aguentar de pé firme a batalha... que este é o valor verdadeiro, o mais alto prêmio que um homem pode obter entre os homens; é um bem comunitário, útil a cidade e ao povo inteiro, que cada qual, bem plantado sobre suas duas pernas, se mantenha firme na primeira linha, apartando de seu coração toda idéia de fuga.
 


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