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Giuseppe Garibaldi

       Biografia de Giuseppe Garibaldi
       Político e militar italiano (1807-1882). Um dos principais líderes da unificação e independência da Itália. Nasce em Nice, na época pertencente à Itália. Prega a revolução popular para unificar o país. Em 1834, após uma tentativa frustrada, é obrigado a exilar-se. Em 1835, foge para o Rio de Janeiro. Vai para o Sul do Brasil e luta ao lado dos farroupilhas na Revolta dos Farrapos. Em Santa Catarina, conhece Ana Maria Ribeiro da Silva, que deixa o marido para segui-lo e fica conhecida como Anita Garibaldi. Ela participa a seu lado das campanhas no Brasil, no Uruguai e na Europa. Em 1841, Garibaldi lidera a defesa de Montevidéu contra Oribe, ex-presidente da República. Volta à Itália e participa da Revolução de 1848, que coincide com uma das guerras contra a Áustria. Derrotado, refugia-se nos EUA. Volta à Europa em 1854 e luta pela unificação italiana, liderando um exército de voluntários conhecidos como “camisas vermelhas”. Em 1862, tenta fazer de Roma a capital italiana, mas é derrotado. Luta de novo em 1867 e perde para os franceses. Em 1874, é eleito deputado em Roma e recebe uma pensão vitalícia pelos serviços prestados à nação.
       Menina de origem humilde, sem nenhuma instrução, calça seu primeiro sapato já moça. Porém, possui uma tenacidade e um amor à liberdadesó reservada aos grandes vencedores. Assim Garibaldi refere-se a Anita, quando dita sua biografia a Alexandre Dumas: "Era Anita a mãe dos meus filhos, a companheira da minha vida nas boas e nas más horas, a mulher cuja coragem tantas vezes desejei fosse minha". Foi dentro desta cumplicidade, só existente entre quem vive um grande amor, como o que viveram Anita e Garibaldi.
       Anita participa das lutas em Imbituba, na tomada de Laguna, e em Curitibanos, onde foi capturada. Consegue fugir e em Lages, às margens do Rio Pelotas, cuida dos poucos sobreviventes feridos. Seus gestos de bravura e coragem, quando em defesa de seus ideais de liberdade, lhe renderam o título de "Heroína dos Dois Mundos" (recebe este título em função de ter lutado primeiramente aqui na América e morrer lutando na Europa, mais precisamente na Itália, por seus ideais).
       Na atitude natural dessa heroína simples existe a força convincente de um símbolo. E é cultivando nossos heróis que assumimos os compromissos do presente, dos quais resultarão as realizações do futuro.

       Introdução
       Em meados de 1836, Bento Gonçalves instaura o governo da Nova República Rio-Grandense. Nessa época, Ana de Jesus Ribeiro, ou simplesmente Anita, deixa para trás sua adolescência, firmando-se com um caráter independente e resoluto, e Giuseppe Garibaldi desembarca no Rio de Janeiro, iniciando um exílio que durou 10 anos.
       Nessa cidade Garibaldi conhece Lívio Zambeccari, Secretário de Bento Gonçalves e Luiggi Rosseti, que lhe falam do Movimento Farroupilha. Alista-se a este Movimento como corso, recebendo a patente de Capitão-Tenente a serviço da República rio-grandense. Ele luta com tanta bravura e idealismo, incorporando de tal maneira a figura do gaúcho, que já velho, na Itália, aparece vestindo o poncho e o lenço vermelho, símbolos da Revolução Farroupilha.
       Com a abdicação de D. Pedro I, quem governa é a Regência, e com ela reaparece no povo brasileiro, encorajado pelas idéias liberais e pelas medidas tomadas que só traziam insatisfação às Províncias, o sentimento nativista e de independência.
       A eclosão do Movimento Farroupilha no Rio Grande do Sul e as agitações com as idéias liberais estimulam, em Laguna, as idéias mudacionistas. O comércio da cidade é estimulado com a venda de pólvora, alimentos e vestuários aos rebeldes gaúchos. Mas surge o bloqueio marítimo, imposto pela Regência, para sufocar a Revolução, pois o controle de Laguna é vital, já que é caminho para se chegar a Porto Alegre. Assim, com o corte das fontes de abastecimento, Laguna e os rebeldes são severamente prejudicados.
       Em 1836, forças imperiais estacionadas em Laguna recusam-se a obedecer as ordens, ou seja, a lutarem contra os rio-grandenses alegando falta de armas, fardamento e suprimento de guerra. Desta data em diante aparecem panfletos conclamando novas idéias separatistas e o povo para a rebelião.

       Os bandeirantes portugueses oriundos de Laguna e os indígenas foram os principais elementos que se miscigenaram para moldar o perfil e a cultura do povo gaúcho.

       Lages
       O dia 9 de março de 1838 marca a tomada de Lages pelos revolucionários farroupilhas - na primeira invasão do território catarinense -, capitaneados pelo Major José Mariano de Matos (segundo a cronologia de Wolfgang Ludwig Rau).

       Revolução de 22/junho/1839
       David Canabarro vem à frente de uma força de 150 homens e Garibaldi segue por mar. Sofre um naufrágio, mas encontra-se com o navio "Seival", conduzido pelo lagunense João
Henrique, que o traz através de canaletes pelo Rio Tubarão e pela Lagoa da Garopaba do Sul, surpreendendo os imperiais.
       Por terra, Canabarro encontra-se com Felipe Capote e Serafin do Moura, e no amanhecer do dia 22 de julho de 1839 iniciam-se os combates, com a vitória para os revoltosos, o que causou pesadas baixas para os imperiais, segundo alguns autores.

       Proclamação da República Juliana
       Em 29 de julho de 1839, a Câmara Municipal declarou o Estado Catarinense livre e independente, que, segundo Oswaldo Cabral, não foi um estado federado, mas sim uma outra república.
       Para a presidência da República Juliana foi eleito o Coronel Joaquim Xavier Neves, de São José. Empossaram Padre Vicente na qualidade de vice-presidente até a chegada do Coronel. Na impossibilidade de resistir, Vilas Boas ordena a retirada.
       O avanço continua. Sob o comando de Teixeira Nunes, sai de Laguna um pelotão rumo ao norte e toma Imbituba, Vila Nova e Imaruí com o objetivo de chegar à Ilha.

       Laguna repercute em Desterro
       As notícias abatem o prestígio do governo, deixando-os apavorados. Famílias em etado de medo põem-se em fuga com a notícia de que as forças revolucionárias, comandadas por Teixeira Nunes, estão se deslocando em direção à Desterro.

       Derrota Política
       O General José de Souza Soares de Andréas chega a 15 de agosto, junta-se a uma força de 20 navios e 3000 homens e assume a Província de Santa Catarina, imbuído do propósito de esmagar a ferro e fogo a República Juliana, recém instaurada.
       Inicia seu governo obrigando Xavier Neves a aceitar a nomeação de comandante das forças militares imperiais, ficando os rebeldes sem o seu presidente e Xavier Neves totalmente desmoralizado.
       O cerco imperial ao Porto de Laguna e a conseqüente paralização do comércio leva os comerciantes a questionarem o apoio aos revolucionários, levando junto quase toda a vila.
       Canabarro se enfurece e começam as prisões. Com isso, uma simples requisição de guerra pareciam-lhes ofensas brutais aos seus direitos de propriedade. A República perde suas basas de sustentação política e econômica. Imaruí é entregue a Garibaldi, a mando de Canabarro, para o saque da soldadesca. Os que escaparam à morte, acabaram presos em navios-prisões.
       Neste contexto, são atacados e diante da luta ninguém mais dava ou recebia ordens. Laguna delira de pavor. Termina a República Juliana no dia 15 de novembro de 1839.
       A República Juliana foi efêmera, durando somente 106 dias. A Revolução Farroupilha terminou oficialmente no dia 28 de fevereiro de 1845, com a assinatura do Tratado de Poncho Verde por Duque de Caxias e pelo General David Canabarro.
       O Governo não quis compreender os rebeldes e, por um decênio, foram preseguidos como inimigos da Pátria. Duque de Caxias percebeu que se achava diante de homens imbuídos de um ideal e que só desejavam justiça nas suas províncias. As condições do acordo foram as mais honrosas possíveis para os revolucionários.
       Nacionalmente encerra-se um ciclo revolucionário, porém abre caminho para a conseqüente Abolição da Escravatura e instauração da República em 1889.

Texto: Lígia Stoeterau - Historiadora
Organização: Assessoria Cultural da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Fotos e Pinturas: Retiradas do livro Anita - A guerreira das Repúblicas - Adílcio Cadorin
www.culturaraiz.hpg.ig.com.br/anita.htm
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