Tipos díspares:
o jagunço e o gaúcho
O gaúcho do
Sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado.
O vaqueiro do Norte
é a sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole
e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro,
filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos
pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição
mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o
caráter selvagem da dos sertões do Norte. Não conhece
os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada.
Não o entristecem as cenas periódicas da devastação
e da miséria, o quadro assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado,
exaurido pela adustão dos sóis bravios do Equador. Não
tem, no meio das horas tranqüilas da felicidade, a preocupação
do futuro, que é sempre uma ameaça, tornando aquela instável
e fugitiva. Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa;
e passa pela vida, aventureiro, jovial, diserto, valente e fanfarrão,
despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite
as disparadas, domando distancias, nas pastagens planas, tendo aos ombros,
palpitando aos ventos o pala inseparável, como uma flâmula
festivamente desdobrada.
As suas vestes são
um traje de festa, ante a vestimenta rústica do vaqueiro. As amplas
bombachas, adrede talhadas para a movimentação fácil
sobre os baguaís, no galope fechado ou no corcovear raivoso, não
se estragam em espinhos dilaceradores de caatingas. O seu poncho vistoso
jamais fica perdido, embaraçado nos esgalhos das árvores
garranchentas. E, rompendo pelas coxilhas, arrebatadamente na marcha do
redomão desensofrido, calçando as largas botas russilhonas,
em que retinem as rosetas das esporas de prata; lenço de seda encarnado,
ao pescoço; coberto pelo sombreiro de enormes abas flexíveis,
e tendo à cinta, rebrilhando, presas pela guaiaca, a pistola e a
faca — é um vitorioso jovial e forte. O cavalo, sócio inseparável
desta existência algo romanesca, é quase objeto de luxo. Demonstra-o
o arreamento complicado e espetaculoso. O gaúcho andrajoso sobre
um "pingo" bem aperado está decente, está corretíssimo.
Pode atravessar sem vexames os vilarejos em festa.
O vaqueiro
O vaqueiro, porém,
criou-se em condições opostas, em uma intermitência,
raro perturbada, de horas felizes e horas cruéis, de abastança
e misérias — tendo sobre a cabeça, como ameaça perene,
o sol, arrastando de envolta, no volver das estações, períodos
sucessivos de devastações e desgraças.
Atravessou a mocidade
numa intercadência de catástrofes. Fez-se homem, quase sem
ter sido criança. Salteou-o, logo, intercalando-lhe agruras nas
horas festivas da infância, o espantalho das secas no sertão.
Cedo encarou a existência pela sua face tormentosa. É um condenado
à vida. Compreendeu-se envolvido em combate sem tréguas,
exigindo-lhe imperiosamente a convergência de todas as energias.
Fez-se forte, esperto,
resignado e prático.
Aprestou-se, cedo,
para a luta.
O seu aspecto recorda,
vagamente, à primeira vista, o de guerreiro antigo exausto da refrega.
As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido,
de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçando
as perneiras, de couro curtido ainda, muito justas, cosidas às pernas
e subindo até as virilhas, articuladas em joelheiras de sola; e
resguardados os pés e as mãos pelas luvas e guarda-pés
de pele de veado — é como a forma grosseira de um campeador medieval
desgarrado em nosso tempo.
Esta armadura, porém,
de um vermelho pardo, como se fosse de bronze flexível, não
tem cintilações, não rebrilha ferida pelo sol. É
fosca e poenta. Envolve ao combatente de uma batalha sem vitórias..
.
A sela da montaria,
feita por ele mesmo, imita o lombilho rio-grandense, mas é mais
curta e cavada, sem os apetrechos luxuosos daquele. São acessórios
uma manta de pele de bode, um couro resistente, cobrindo as ancas do animal,
peitorais que lhe resguardam o peito, e as joelheiras apresilhadas às
juntas.
Este equipamento do
homem e do cavalo talha-se à feição do meio. Vestidos
doutro modo não romperiam, incólumes, as caatingas e os pedregais
cortantes.
Nada mais monótono
e feio, entretanto, do que esta vestimenta original, de uma só cor
— o pardo avermelhado do couro curtido — sem uma variante, sem uma lista
sequer diversamente colorida. Apenas, de longe em longe, nas raras encamisadas
em que aos descantes da viola o matuto deslembra as horas fatigadas, surge
uma novidade — um colete vistoso de pele de gato do mato ou de suçuarana,
com o pelo mosqueado virado para fora, ou uma bromélia rubra e álacre
fincada no chapéu de couro.
Isto, porém,
é incidente passageiro e raro.
Extintas as horas do
folguedo, o sertanejo perde o desgarre folgazão — largamente expandido
nos sapateados, em que o estalo seco das alpercatas sobre o chão
se perde nos tinidos das esporas e soalhas dos pandeiros, acompanhando
a cadência das violas vibrando nos rasgados — e cai na postura habitual,
tosco, deselegante e anguloso, num estranho manifestar de desnervamento
e cansaço extraordinários.
Ora, nada mais explicável
do que este permanente contraste entre extremas manifestações
de força e agilidade e longos intervalos de apatia.
Perfeita tradução
moral dos agentes físicos da sua terra, o sertanejo do norte teve
uma árdua aprendizagem de reveses. Afez-se, cedo, a encontrá-los,
de chofre, e a reagir, de pronto.
Atravessa a vida entre
ciladas, surpresas repentinas de uma natureza incompreensível, e
não perde um minuto de tréguas. É o batalhador perenemente
combalido e exausto, perenemente audacioso e forte; preparando-se sempre
para um rencontro que não vence e em que se não deixa vencer;
passando da máxima quietude à máxima agitação;
da rede preguiçosa e cômoda para o lombilho duro, que o arrebata
como um raio pelos arrastadores estreitos, em busca das malhadas. Reflete,
nestas aparências que se contrabatem, a própria natureza que
o rodeia — passiva ante o jogo dos elementos e passando, sem transição
sensível, de uma estação à outra, da maior
exuberância à penúria dos desertos incendidos, sob
o reverberar dos estios abrasantes.
É inconstante
como ela. É natural que o seja. Viver é adaptar-se. Ela talhou-o
à sua imagem: bárbaro, impetuoso, abrupto. . .
O gaúcho
O gaúcho, o
pealador valente, é, certo, inimitável, numa carga guerreira;
precipitando-se, ao ressoar estrídulo dos clarins vibrantes, pelos
pampas, com o conto da lança enristada, firme no estribo; atufando-se
loucamente nos entreveros; desaparecendo, com um grito triunfal, na voragem
do combate, onde espadanam cintilações de espadas; transmudando
o cavalo em projétil e varanda quadrados e levando de rojo o adversário
no rompão das ferraduras, ou tombando, prestes, na luta, em que
entra com despreocupação soberana pela vida.
O jagunço
O jagunço
é menos teatralmente heróico; é mais tenaz; é
mais resistente; é mais perigoso; é mais forte; é
mais duro.
Raro assume esta feição
romanesca e gloriosa. Procura o adversário com o propósito
firme de o destruir, seja como for.
Está afeiçoado
aos prélios obscuros e longos, sem expansões entusiásticas.
A sua vida é uma conquista arduamente feita, em faina diuturna.
Guarda-a como capital precioso. Não esperdiça a mais ligeira
contração muscular, a mais leve vibração nervosa
sem a certeza do resultado. Calcula friamente o pugilato. Ao "riscar da
faca" não dá um golpe em falso. Ao apontar a lazarina longa
ou o trabuco pesado, dorme na pontaria. . .
Se, ineficaz o arremesso
fulminante, contrário enterreirado não baqueia, o gaúcho,
vencido ou pulseado, é fragílimo nas aperturas de uma situação
inferior ou ind cisa.
O jagunço, não.
Recua. Mas, no recuar é mais temeroso ainda. É um negacear
demoníaco. O adversário tem, daquela hora em diante, visando-o
pelo cano da espingarda, um ódio inextinguível, oculto no
sombreado das tocaias...
Os vaqueiros
Esta oposição
de caracteres acentua-se nas quadras normais.
Assim todo sertanejo
é vaqueiro. À parte a agricultura rudimentar das plantações
da vazante pela beira dos rios, para a aquisição de cereais
de primeira necessidade, a criação de gado é, ali,
a sorte de trabalho menos impropriada ao homem e à terra.
Entretanto não
há vislumbrar nas fazendas do sertão a azáfama festiva
das estâncias do Sul.
"Parar o rodeio" é
para o gaúcho uma festa diária, de que as cavalhadas espetaculosas
são ampliações apenas. No âmbito estreito das
mangueiras ou em pleno campo, ajuntando o gado costeado ou encalçando
os bois esquivos pelas sangas e banhados, os pealadores, capatazes e peões,
preando à ilhapa dos laços o potro bravio, ou fazendo tombar,
fulminado pelas bolas silvantes, o touro alçado, nas evoluções
rápidas das carreiras, como se tirassem "argolinhas", seguem no
alarido e na alacridade de uma diversão tumultuosa. Nos trabalhos
mais calmos, quando nos rodeios marcam o gado, curam-lhe as feridas, apartam
os que se destinam às charqueadas, separam os novilhos tambeiros
ou escolhem os baguais condenados às chilenas do domador — o mesmo
fogo, que encandesce as marcas, dá as brasas para os ágapes
rudes de assados com couro ou ferve a água para o chimarrão
amargo.
Decorre-lhes a vida
variada e farta.
Servidão inconsciente
O mesmo não
acontece ao Norte. Ao contrário do entancieiro, o fazendeiro dos
sertões vive no litoral, longe dos dilatados domínios que
nunca viu, às vezes. Herdaram velho vício histórico.
Como os opulentos sesmeiros da colônia, usufruem, parasitariamente,
as rendas das suas terras, sem divisas fixas. Os vaqueiros são-lhes
servos submissos.
Graças a um
contrato pelo qual percebem certa percentagem dos produtos, ali ficam,
anônimos — nascendo, vivendo e morrendo na mesma quadra de terra
— perdidos nos arrastadores e mocambos; e cuidando, a vida inteira, fielmente,
dos rebanhos que Ihes não pertencem.
O verdadeiro dono,
ausente, conhece-lhes a fidelidade sem par. Não os fiscaliza. Sabe-lhes,
quando muito, os nomes.
Envoltos, então,
no traje característico, os sertanejos encourados erguem a choupana
de pau-a-pique à borda das cacimbas, rapidamente, como se armassem
tendas; e entregam-se, abnegados, à servidão que não
avaliam.
A primeira coisa que
fazem é aprender o a b c e, afinal, toda a exigência da arte
em que são eméritos: conhecer os "ferros" das suas fazendas
e os das circunvizinhas. Chamam-se assim os sinais de todos os feitios,
ou letras, ou desenhos caprichosos como siglas, impressos, por tatuagem
a fogo, nas ancas do animal, completados pelos cortes, em pequenos ângulos,
nas orelhas. Ferrado o boi, está garantido. Pode romper tranqueiras
e tresmalhar-se. Leva, indelével, a indicação que
o reporá na "solta" primitiva. Porque o vaqueiro não se contentando
com ter de cor os ferros de sua fazenda, aprende os das demais. Chega,
às vezes por extraordinário esforço de memória,
a conhecer, uma por uma, não só as reses de que cuida, como
as dos vizinhos, incluindo-lhes a genealogia e hábitos característicos,
e os nomes, e as idades etc. Deste modo, quando surge no seu logrador um
animal alheio, cuja marca conhece, o restitui de pronto. No caso contrário,
conserva o intruso, tratando-o como aos demais. Mas não o leva à
feira anual, nem o aplica em trabalho algum; deixa-o morrer de velho. Não
lhe pertence.
Se é uma vaca
e dá cria, ferra a esta com o mesmo sinal desconhecido, que reproduz
com perfeição admirável; e assim pratica com toda
a descendência daquela. De quatro em quatro bezerros, porém,
separa um, para si. É a sua paga. Estabelece com o patrão
desconhecido o mesmo convênio que tem com o outro. E cumpre estritamente,
sem juízes e sem testemunhas, o estranho contrato, que ninguém
escrev u ou sugeriu.
Sucede muitas vezes
ser decifrada, afinal, uma marca somente depois de muitos anos, e o criador
feliz receber, ao invés da peça única que lhe fugira
e da qual se deslembrara, numa ponta de gado, todos os produtos dela.
Parece fantasia este
fato, vulgar, entretanto, nos sertões.
Indicamo-lo como traço
encantador da probidade dos matutos. Os grandes proprietários da
terra e dos rebanhos a conhecem. Têm, todos, com o vaqueiro o mesmo
trato de parceria, resumido na cláusula única de lhe darem,
em troca dos cuidados que ele despende, um quarto dos produtos da fazenda.
E sabem que nunca se violará a percentagem.
O ajuste de contas
faz-se no fim do inverno e realiza-se, ordinariamente, sem que esteja presente
a parte mais interessada. É formalidade dispensável. O vaqueiro
separa escrupulosamente a grande maioria de novas cabeças pertencentes
ao patrão (nas quais imprime o sinal da fazenda) das poucas, um
quarto, que lhe couberam por sorte. Grava nestas o seu sinal particular;
e conserva-as ou vende-as. Escreve ao patrão, dando-lhe conta minuciosa
de todo o movimento do sítio, alongando-se aos mínimos pormenores;
e continua na faina ininterrupta.
Esta, ainda que,
em dadas ocasiões, fatigante, é a mais rudimentar possível.
Não existe no Norte uma indústria pastoril. O gado vive e
multiplica-se à gandaia. Ferrados em junho, os garrotes novos perdem-se
nas caatingas, com o resto das malhadas. Ali os rareiam epizootias intensas,
em que se sobrelevam o "rengue" e o "mal triste". Os vaqueiros mal procuram
atenuá-las. Restinguem a atividade às corridas desabaladas
pelos arrastadores. Se a bicheira devasta a tropa, sabem de específico
mais eficaz que o mercúrio: a reza. Não precisam de ver o
animal doente. Voltam-se apenas na direção em que ele se
acha e rezam, tracejando no chão inextricáveis linhas cabalísticas.
Ou então, o que é ainda mais transcendente, curam-no pelo
rastro.
E assim passam
numa agitação estéril.
Raro, um incidente,
uma variante alegre, quebra a sua vida monótona.
Solidário todos,
auxiliam-se incondicionalmente em todas as conjunturas. Se foge a algum
boi levantadiço, toma da "guiada", põe pernas ao campeão.
e ei-lo escanchado no rastro, jogado pelas veredas tiradas a facão.
Se não pode levar avante a empresa, "pede campo", frase característica
daquela cavalaria rústica, aos companheiros mais vizinhos, e lá
seguem todos, aos dez, aos vinte, rápidos, ruidosos, amigos — "campeando",
voando pelos tombadores e esquadrinhando as caatingas até que o
bruto, "desautorizado" dê a venta no termo da corrida, ou tombe,
de rijo, mancornado às mãos possantes que se lhe aferram
aos chifres.
A vaquejada
Esta solidariedade
de esforços evidencia-se melhor na "vaquejada", trabalho consistindo
essencialmente no reunir, e discriminar depois, os gados de diferentes
fazendas convizinhas, que por ali vivem em comum, de mistura, em um compáscuo
único e enorme, sem cercas e sem valos.
Realizam-na de junho
a julho.
Escolhido um lugar
mais ou menos central, as mais das vezes uma várzea complanada e
limpa, o "rodeador", congrega-se a vaqueirama das vizinhanças. Concertam
nos dispositivos da empresa. Distribuem-se as funções que
a cada um caberão na lide. E para logo, irradiantes pela superfície
da arena, arremetem com as caatingas que a envolvem os encourados atléticos.
O quadro tem
a movimentação selvagem e assombrosa de uma corrida de tártaros.
Desaparecem em
minutos os sertanejos, perdendo-se no matagal circundante. O rodeio permanece
por algum tempo deserto. . .
De repente estruge
ao lado um estrídulo tropel de cascos sobre pedras, um estrépido
de galhos estalando, um estalar de chifres embatendo; tufa nos ares, em
novelos, uma nuvem de pó; rompe, a súbitas, na clareira,
embolada, uma ponta de gado; e, logo após, sobre o cavalo que estaca
esbarrado, o vaqueiro, teso nos estribos...
Traz apenas exígua
parte do rebanho. Entrega-a aos companheiros que ali ficam, `'de esteira";
e volve em galope desabalado, renovando a pesquisa. Enquanto outros repontam
além, mais outros, sucessivamente, por toda a banda, por todo o
âmbito do rodeio, que se anima, e tumultua em disparos: bois às
marradas ou escarvando o chão, cavalos curveteando, confundidos
e embaralhados sobre os plainos vibrantes num prolongado rumor de terremoto.
Aos lados, na caatinga, os menos felizes se agitam às voltas com
os marruás recalcitrantes. O touro largado ou o garrote vadio em
geral refoge à revista. Afunda na caatinga. Segue-o o vaqueiro.
Cose-se-lhe no rastro. Vai com ele às últimas bibocas. Não
o larga; até que surja o ensejo para um ato decisivo: alcançar
repentinamente o fugitivo, de arranco; cair logo para o lado da sela, suspenso
num estribo e uma das mãos presa às crinas do cavalo; agarrar
com a outra a cauda do boi em disparada e com um rapelão fortíssimo,
de banda, derribá-lo pesadamente em terra... Põe-lhe depois
a pela ou a máscara de couro, levando-o jugulado ou vendado para
o rodeador.
Ali o recebem
ruidosamente os companheiros. Conta-lhes a façanha. Contam-lhe outras
idênticas, e trocam-se as impressões heróicas numa
adjetivação ad boc, que vai num crescendo do "destalado"
ríspido ao "temero" pronunciado num trêmulo enrouquecido e
longo.
Depois, ao findar
do dia, a última tarefa: contam as cabeças reunidas. Apartam-nas.
Separam-se, seguindo cada um para sua fazenda tangendo por diante as reses
respectivas. E pelos ermos ecoam melancolicamente as notas do "aboiado"
. . .
Os Sertões, de
Euclides da Cunha
Cunha, Euclides da.
Os Sertões. São Paulo: Três, 1984
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