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Verney Ramos
  Nossa Praça
Para o Dr. Itálico Marcon

Praça Manoel Viana
Centro comarqueano assisense
Árvores gigantescas sombreantes
Umbrosidade masseguenta
Furadas à balas na Revolução vintetreseana
Outras com ninhos caturritais nas grimpas
Onde a pedra bodoquial mal alcançava
Sonoridade das cigarras entardecentes
Frente à casa Doutorthyrteusiana
Ponto florestoso do coração municipal
Onde nosso jogo de bolitas
Varava tardes verânicas escaldantes
Em partidas concorridas e tapeações
O Xandeco guarda brigadiano
Ameaçava corridões
E confisco bolital e bodoqueno
Fugíamos em grandes alaridos
Na praça restava o cantochão
Caturrital e cigarreano.
 

Ponte dos Arcos
Em Manuel Viana

Barrancoso no lado alegretense
arenal branquito assisense
Separados pelo hífen ibiqüizal
Riozào calmo e pesqueirento
Surubinesco e douradense
Até que um dia foi cabresteado
Para rolar por baixo
Da concretada ponte
Do Ibicuí
Construída a mando governança estadual
Walter Jobim
Churrascada no lado de cá
Manhã verânica ensolarada
Aquecendo autoritárias cabeças
Na inauguracional festança
Peri assou carne novilhal
Na fornalha valetal aberta
Eu colhi dúzias de figos
da sobremesa churrasquiana
 

Poço Pesqueiro
Para o Eduardo nunes, cunhado.

Poço pesqueiral inhacunhadense
De pesqueiríssimas pescarias
Sem minha sequer assistência
Mas diziam
águas negras respeitosas
Fundeando fundo inalcançado
Margens de meio mato aguacento
Nadar no pesqueiro
Desobediência periguenta
Gurizão inocente
Sem o inevitável afogamento
Só os peixes nadavam lá
Na areia sombreada
Cachaçais conversa tarde inteira
Depois o banho pesqueiral
Cabeça girando hélice etílica
Água gelada
 

Rua 13 de Janeiro
Em São Francisco de Assis, daqueles tempos

Rua 13 de Janeiro,
daquele tempo tão bom,
começavas no Inhacundá,
terminavas no seu Dumont.

   O Inhacundá era estreito,
   tinha, porém, sua ponte,
   ainda a trago no peito
   como a um sol no horizonte.

      A enchente de 41
      que alcançou até a coxilha,
      deixou a velha ponte,
      deixou a velha ponte
      no meio d'água, uma ilha!

            A casa mais lá de baixo,
            (não quero errar meu palpite)
            mas com toda a certeza
            era o bar do Walter Witt.

                   Depois a rua subia,
                   de vagarito, fazendo hora,
                   até que a gente alcançava
                   a casa de dona Castora.

.....................

Um pouco adiante, na esquina,
e a repetir não me obrigues,
estava o Grupo Escolar,
o querido Affonso Rodrigues

   O sobrado do Claro Cáceres,
   a casa do Ciso Paz,
   logo acima está a praça
   que, esquecer, não sou capaz.

      A papelaria do Diofanto,
      o velho cinema incendiado,
      depois o Clube Assisense,
      tão bom de ser lembrado.

            O banco do Comércio
            de linda arquitetura,
            passaram-se tantos anos
            mas sua beleza perdura

                   Depois uma quadra importante
                   do nosso velho São Chico,
                   frente ao Banco do Comércio
                   ficava o bar do Badico.

.....................

Mas, ali, defronte ao Banco,
nessa esquina de São Chico,
outrora foi a Casa Vianna,
só depois bar do Badico.

   A pensão da Siá Mulata,
   negrinha boa e vivida,
   vinha gente de bem longe
   saborear a sua comida.

      Ao lado a telefônica,
      tão pobre, naqueleciclo,
      telefone de manivela
      além do zera e o motociclo.

            Em frente, o Posto de Higiene,
            na casa do finado Otávio;
            a fármacia do seu Walter,
            as receitas do dr. Fábio

                   A loja do seu Caco
                   em diagonal à Casa Aguiar
                   O Banco do rio Grande
                   com dinheiro a emprestar...

.....................

A casa do Paulo Pereira,
depois do dentista Agrício:
o consultório do dr. Fábio,
cheios de gente, um comício!

   Acima a velha padaria,
   depois Dr. Fraga, tia Corina,
   parteira das assisenses,
   sempre alegre, boa sina.

      Minha boa professora,
      ensinando-nos conta exata,
      a casa ajardinada
      da querida mestra anunciata.

            Já no outro quarteirão,
            o terreno, uma excelência,
            está a Praça Nova com o
            monumento à Independência.

                   Mais adiante, já lá em cima,
                   o cemitério abandonado;
                   frente ao Colégio das Irmãs
                   e o seu Dumont, ali, do lado.

.....................

Rua 13 de Janeiro,
do meu coração eu arrisco:
és a rua mais saudosa
do querido São Francisco.

   Rua 13 de Janeiro!
   onde se sobe ou se desce,
   trago-te em meu coração...
   rezo por ti minha prece!
 
 

São Francisco de Assis
Para Carmem Conceição, minha irmã

São Francisco de Assis,
nascido João Bernardone,
por escolha de tua mãe,
mas, por capricho de teu pai,
ficaste sendo"François"
em homenagem à França.
onde te levou na esperamça,
de fazer-te um comerciante.

Foste um farrista pedante
que passou noites insone
em farras descomunais,
gastando o ouro dos Bernardsone.
Foste soldado, preso, humilhado,
depois, por teu pai, resgatado.
Voltaste à casa tubercoloso.
Mais tarde, já homem feito,
teu pai te compra armadura,
cavalo e lança, de jeito
que partas para a Cruzada.
Mas ao chegar a Spoletto
adoeces e daí retornas,
como a um santo convém:
sem teres matado ninguém.
.....................

Quando, de novo saudável,
retornavas de uma festa,
à noite, com teus amigos,
tens a santa revelação:
Deus te quer a seu lado
em obra, fé e apostolado

No interior de uma caverna,
revendo teu pérfido passado,
choraste lágrimas sentidas
porque eras presa do pecado.

Francisco de Assis,
foste um grande pregador.
Tiveste amor às aves
que te escutavam atentas
e até batiam "palmas"
com as asas pequeninas
em sinal de aprovação.

Francisco de Assis,
como pudeste fazer
o feroz lobo de Gubio,
acalmar-se e, de assassino,
tornar-se manso cordeiro?

.....................

Um dia, numa cavalgada,
viste um leproso na estrada,
sacudindo o seu badalo.
Francisco, tu apeiaste
e, sem repugnância, beijaste
a face excruciante do doente.
Depois, voltando à montaria,
ao volver, procurando o leproso
para dar-lhe a despedida
nimguém mais estava alí...

Numa noite escura, as pessoas
viram o topo do monte La verna,
iluminado como se o sol nascera,
tamanha era a luz externa.
estavás lá, bom Francisco,
e o relatou que se contou
diz que recebeste ali,
os estigmas da paixão
de cristo, em tuas mãos,
nos pés e no peito.

Meu caro Francisco de Assis,
teu mais benfazejo milagre,
contudo, foi teres dado teu nome
a um misérrimo povoado,
no interior do Rio Grande,
em 1812.
.....................

Hoje a cidade está lá,
Francisco de Assis,
às margens do Inhacundá.

Então, te rogo, meu Santo,
que abençoes os assisenses,
que cuides a natureza
daquele lindo lugar
e, sobretudo, se puderes,
preserva nos meus pensamentos,
os agradáveis momentos,
da minha infância por lá!

Só Agora Tu...
Paulo Augusto Verney Ramos,  

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