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Aureliano de Figueiredo Pinto - Cartas para Antero

       Santa Maria, 29 de agosto de 1928.

       Antero:
       Gracias, amigo, gracias. Bem avaliaste o que foi para mim a perda, em pungentes circunstâncias, do meu mais antigo e querido amigo. Queria-o por, talvez, ser o Borba um homem inculto, e ser como eu seria se não tivesse aberto livros. Só a dor é grande, e eu me purifico na dolorosa emoção de o ter perdido.
        Mas deixa, amigo velho, que te abrace pelas altas palavras que pronunciaste na Faculdade. De todas as orações, a tua foi a de maior pensamento e mais verdade, porque as bibliotecas não apagaram em ti a visão natural das coisas e o tropel do sangue nutrido da terra do Rio Grande.
       Com muitas lembranças nossas aceita um forte abraço
                                    do Amigo velho
                                              Aureliano.
 

       Santiago, 11 de janeiro de 1936 (3 da manhã).

       Antero Marques:
       Reuni, afinal, ao fim de tantas "reculutas" (que um douto chamará recolutas) quanto tinha escrito em versos menos sofríveis, fixando flagrantes e imagens de seres e de instantes do nosso meio rio-grandense.
       Três cadernos de poemas - "trois cahiérs de poèmes", como seria grato chamá-los ao nosso João Pinto da Silva, de cuja dispepsia andaste tratando antes de seres médico.
       Estes três cadernos, nem peno publicá-los. E, se o fizesse, passariam, creio, quase despercebidos. Agora, para as gerações do motor e da asa, daqui a 20 ou 50 anos, serão como onças desenterradas.
       Digo-o, sem empáfia, ou vaidade, porque, quando tal se der, não serei mais que cinza e olvido. E mais, eles vão valer pelo que vais escrever a propósito e com o pretexto deles, a respeito das coisas destas querências.
       A tua prosa e o teu pensamento vão explicá-los àquelas gerações distantes que vão pensar de nós, que decerto fomos uns sujeitos interessantes de outro tempo, e já sem similares ou aceitáveis no ciclo em que viverem.
        Assim, mais que qualquer desejo de publicidade, ou possível fama atual, é a vontade de ler a tua prosa inédita sobre o que os três cadernos contém. Não vais escrever para o público. Vais conversar contigo mesmo, no teu estilo, sob as tuas árvores.
         Daqui a dois ou três decênios, então, aparecerá a "conversa" sobre esses poemetos campeiros que a vida dos nossos campos escreveu por minha mão.
         Isso se, depois da leitura, achares que vale a pena gastar uma boa chumbada num bando de caturritas.
        Para mim, essa prosa é que seria o poema.
        Com o abraço de sempre do amigo mais velho que o chão.

       Aureliano de Fiqueiredo Pinto
 

       Santiago, 13 de julho de 1952.

        Amigo velho Antero:
        Com dona Branca, aceitem os nossos cumprimentos e votos de um feliz inverno nas comodidades da capital de nossa querida Província.
        Grato pelo teu cartão com o endereço da residência.
        Por aqui, inverno velho no duro. E ainda médico-assistencial. Ontem uma octogenaria com pneumonia. Uma criança com Köerning positivo. Uma epidemia de varicela. E hoje uma peritonite fatal. O cirurgião, com um escafandro, mergulhou abdome a dentro. Mas nem ele, nem Sua Majestade o Antibiótico conseguiram salvar esta vida.
         E chuva e barro. E barro e chuva. Todo o dia. À noite sim, hoje, por exemplo, é permitido ao forçado de hipócrates um pouco de lâmpada e de rádio, do convívio em casa e da lembrança dos amigos.
         Em teu cartão, te mostras surpreso no limiar dos 50 anos! Como eu também surpreso de termos atingido esse marco de idade. Também nunca admiti essa hipótese. E para tanto, não diligenciamos muito, ou melhor,
nada dispendemos de esforço para tal. Desde adolescentes, em lances coletivos ou episódios individuais, estivemos sempre à disposição da hora que mata. Última necat . . . Ela passou por nós, inexorável e cega, de foice ao ombro para a sua trágica vindima em outros inesperados setores. E nós, sobramos amigo!
         Para alguma cousa há de ser. Não avalio bem para o que seja. Para continuar a agir anônima e obscuramente, ou quem sabe se para escrever alguma cousa. A mim me falta materialmente o tempo. Estou coagido ao estafetamento de Monteiro Lobato, na variante da atividade clínica. Mas e tu, compadre! Afia essa pena. E escreve! Escreve o teu depoimento sobre a vida que te coube desempenhar. Para alguma coisa, por certo, nos foi dado atingir o alto da montanha, na plenitude filosófica dos cinqüenta anos. Dentro de dois anos, penso poder dispor de algum vagar para lidar com as palavras. Se o conseguir, vais ver como debulho pena como pata de égua chucra debulha trigo na eira. Se me increparem por tanta e tão má abundância, me escusarei, dizendo que a culpa é a de ter chegado aos cinqüenta anos. Aquele símbolo do Blau e a Teiniaguá na porta da Salamanca, não adivinhaste? É pura sabedoria cinqüentenária. Ainda, aliás, um pouco inferior à oriental, que é milenária.
        Assim, amigo Antero, que temos que escrever alguma cousa. Vai abrindo cancha por aí. As aventuras de nossa formação intelectual é um bom romance. O heroísmo de 23, um belo ensaio.
 

      Santiago, 9 de junho de 1956.

      Amigo velho Antero:
      Nossa recomendações a Dona Branca e outro vasto abração para ti. Um abração daqueles que te fez temer um enfarto, o que a mim foi, por certo, a causa adjuvante e premonitória de uma trombose da retiniana direita. Não faço por menos. Se a trombose não acontecesse na periferia, talvez a esta hora eu estaria mateando no galpão do velho São Pedro - um barbudo cavalheiraço que recebe todo o andante que chega com o mesmo acolhedor sorriso sob a barba milenar. Por hora, a conseqüencia mais grave é a abstinência da cabeça do matambre, da fralda da costela, do trago de canha, da leitura madrugada a dentro. Enfim, um regime de matungo de campo metido em "compusturas" para parelheiro.
      No mais, tudo sem novidade. Cheguei  ontem de Santa Maria, onde fui pelo affaire ocular, e encontrei aqui a tua carta.
       Estou radiante por te dar serviço. Andas de lombo mui liso, percisando serviço. Como os pingos de bom sangue e ótimo estado que dão para correr só porque um passarinho voa ou passa uma avestruz, a propósitos de umas pobres rimas campeiras, vêm as admiráveis variações sobre música e poema. Sobre Beethoven-Bilac e Schubert-Leoni.
         Até me acanho, eu, um pobre homem, como aquele de Portugal, de Entre-as-Pontas do Toropy e Jaguary, dando pretexto a um rodeio morrucutudo, onde chegam berrando com ecos de eternidade os músicos e poetas máximos à nossa sensível vibratilidade. Compreendo, porém. Voou o passarinho . . . E dele o parelheiro a correr pensamento à fora, fixando as linhas superiores da raça e da estampa. E digo comigo: esse pingaço precisa serviço! Se não, ainda se atira num alambrado.
        Pois estão essas toradas dos cadernos, para arrastar na cincha cerro acima.
         Não foram datilografadas na Globo. O Salgado levou um pedaço do manuscrito. Mandou o seu datilógrafo bater. Dessa parte deu cópia ao Nogueira. Mas corrigi muito e eliminei muita coisa. Pede essa cópia ao Nogueira e mete no fogo. No Salgado ainda há uns originais de alguns dos quais não possuo nada. Requesita e vê ali o que pode caber nos cadernos. Creio que só esses dois amigos leram aí o tareco, aqui, a não ser meus filhos, ninguém leu. Dos 2.º e 3.º cadernos, o Tulio Piva me bateu uns poeminhas e guardou cópia. Mas hoje tudo está refundido aí nos cadernos. O Salgado falou-me que a Globo queria publicá-los na Coleção Província, sem ônus para o autor. Falaram-me de uma Livraria Sulina interessada nesses assuntos. O menos interessado no best seller sou eu. O que nos cadernos se contém são, a seu modo, um registro de instantes e vida de campo. Flagrantes esses campeiros. Isso o que procurei traduzir, A fama, a "glória" - estou com o grande Lobato - tudo é lata. Assim é que esses pedaços de couro estão contigo. Como bom guasqueiro, pega, olha-os, palpa-os revira-os. Laço . . . laço mesmo . . . não dão! Talvez de um maniador, tanoeiro, látegos . . . ou quem sabe de um soveo! Afinal, jovem sempre serve, ao menos para corda de arrastar.
       Zilah ficou encantada com dona Branca, dona Alany e tua fazenda. Temos veraneado nas fazendas dos primos, próximo a Tupanceretã. Mas a cidade está de mui alta escrapecência. é (é maiuscúlo) se obrigado a toilette à tarde sempre na iminência de uma visita para o chá ou o churrasco. Gente que vem da cidade, dos vizinhos que passam e chegam. Sofremos a visita de um velho amigo de infância e mocidade, cuja a senhora nos apareceu de casaco de pele, salto alto, carteira, luvas e jóias granditas como monte de sal em rodeio grande em manhã de verão. A gente se dá para os diabos com esses requififes quase diários. As Palmeiras são uma mansão na coxilha. Tão à vontade. Tão tempo antigo. Tão natural. Convite ao descanso e à prosa velha sem programa.
       Laura Maria ficou radiante com a gentileza de dona Branca. O Nuno diz que nunca viu o pai tão alegre. Enfim, para nós, um domingo memorável.
       Em tempo: Nos cadernos marcarás o que deve ser eliminado. Com franqueza. Nos originais que estão com o Salgado também procederás a rigoroso refugo.
        Na minha, "carta-testamento", que encontraste ( a indiscreta que caiu da pasta) não exijo um prefácio.
        Gostaria de ver as tuas reações em face do que ali se contém.
        Vou dar uma busca na tua carta-prefácio. Está no gavetão. Devo achá-la.
        Creio que já estarás instalado em novo apartamento e alguns metros de altitude acima do nível da pensão Caçapava. Da tua janela, cada manhã, manda, por nós dois, uma saudação ao Guaíba.
        Penso que ainda havemos de caminhar na rua Duque até a Praça da Matriz como antigamente, numa serena e tranqüila volta ao ponto de partida. Mais ou menos como aquela do navegador "al levante por el poniente . . ." Isto se o meu Polígono de Wilis não virar o polígono de tiro para estourar.
        Bem. Já charlamos um rato. Aí vai um longo abraço do amigo velho

                            Aureliano de Figueiredo Pinto.

Outro pós-escrito:

      Deves ir ver o "Não te assusta Zacaria". Fui vê-lo e vivi a alta emoção da música e dos ritmos de dança da antiga campanha - cujas deixas ainda verifiquei na meninice. A peça, em si, deixa a desejar. O enredo, ficou no pitoresco, com um pouco de transigência com a platéia. Falta, a meu ver, um terceiro ato que fixasse o drama do campeiro na luta de constituir família. Agora, o 2.º ato é puro Rio Grande. Aquelas cousas da Ibéria - luso, hispânico e árabe - estão na música e no ritmo. Ritmo e música que chegaram a Colônia do Sacramento. E se foram esparramando por essas campanhas como um colorido de arte na sociabilidade primitiva e vária dos povoadores. Por isso, o trabalho do moço rio-grandense Barbosa Lessa é notável.
      Já está em disco Danças Gaúchas, fonte de infinitas sugestões sobre os grandes nadas eternos da raça e dos pagos. O canto do Anu, por exemplo, com melopéia de mar e lonjuras de pampa, é autêntica toada de ronda, o que eu ouvi menino e moço, vindo das tropas rondando na chapada acima do açude, e enchendo a noite com aqueles ais! que parece a interjeição criada pelo gênio luso.
       E a mensagem do General, evocando o velho Honório, faz mossa na sensibilidade gaúcha. Temos homens. O ganhamos no voto . . . ou voltaremos a São Paulo!
        A gavilha do crédito oficial é que não pode voltar para construir novas senzalas.
        A atitude do Meneghetti ultrapassa, em varonibilidade civil, o que não seria lícito esperar de um calmo engenheiro. O velhito tem raça. Estamos em pleno 1929, com gente de outra classe no comando. Isto nos consola das lutas e dos ostracismos a que nos forçou aquela gente que se apossou (pastou e digeriu até o empantarramento final) da Revolução de 30.
        Bem outro dia, devo?
        Um grande abraço para ti e nossas recomendações a tua senhora, votos de saúde e de alegria.
        Recado do amigo velho

                               Aureliano
 
 

       Santiago, 23 de novembro de 1956.

       Amigo velho Antero Marques:
       Nossas atenciosas recomendações a dona Branca e mensagens de feliz chegada e feliz veraneio na tua mansão de campanha.
        Ontem chegou tua carta de 20. Comecei a ler. E, como potro clinudo correndo em volta, fui sentido o aperto da argola do laço no fino do pescoço, apertando, apertando entre o queixo e a garganta e obrigando quase a perder o fôlego. Emoção velha de erguer basteira na alma, muito por mim muito por ti. Pois cheguei a ver-te naquela torcida das bancas de exames quando, a lidar com os velhos, escorria os olhos na assistência dos colegas e encontrava o teu rosto contrafeito de contida e emoção, a amadrinhar o amigo que quase sempre ia bem, mas que, também, às vezes, ia indo meio pelas caronas.
        Assim, te vi na livraria, entre os líderes categorizados de nossas letras, quando o tema e o motivo em jogo era ainda o velho companheiro que se submetia a essa necessária prova de suficiência. Pelo que uns dizem, conseguiu nota plena o amigo velho de tanto sonho, tanto chimarrão e tanta charla.
        De fato, era uma defesa de tese. E o Meyer comportou-se como aqueles bons lentes de que temos saudades - compreensivo, otimista, encorajador e indulgente.
        Como sempre afirmo, esses poemazinhos não são criação do autor. Foram garimpados na vida e na emoção esparsa de nosso povo.
        O relance de vida surpreendido num flagrante de alta intensidade emocional, passando depois na batéia e no carumbé seletivo da forma. Estou contente pelo que eles possam guardar de conteúdo coletivo e popular.
         O que é verdade, é que tiveram sorte. Sorte de encontrar esses amigos a quem um quarto de século de existência teve o condão de unir cada vez mais no respeito e na afetividade.
          Quando o Salgado levou o primeiro lote para datilografar, pensei comigo em termos de pecuarista: - este tropeiro vai ser despedido do saladero por apartar tão desparelho e tão magro.
          Ele e o Nogueira, bons campeiros, gostaram do aparte.
          Então, mergulhei a fundo nas gavetas a ver velhas notas e refazê-las desalinhadamente: saíram os cadernos. Então, t'os fui entregar pessoalmente, como os invernadores que levam os seus bois a balança.
          Agora, tua carta dá-me o resultado do debate e do negócio - a tese aprovada e a tropa não abaixou da média exigida. Estou feliz da vida e abençoando este retiro cerril de 24 anos, de contato diário com esses motivos de sofrimento . . . e de poemas.
          Fim da próxima semana, 6 a 8, estarei ausente.
          Vou busca minha negrita em Santa Maria, onde termina o 2.º ano do 2.º ciclo. O guri demorará mais uns dias.
         De modo que, de 8 de dezembro em diante, estou ao teu dispor com enorme prazer - ou para ir até aí, ou para recebê-los aqui. Ou para as duas cousas sucessivamente. Faz-se uma madrugada, vai-se matear aí, voltando à tardinha. E depois virás subindo a picada que subiu Aparício Saraiva, com as facas de Firmino de Paula a degolar os cansados e exaustos da retaguarda.
         Em todo o caso tu és quem mandas. Como achares melhor, assim se fará.
         Ao prazer de prosearmos, soma-se, desta feita, a alegria de rever o Meyer que volta a esses magníficos pagos, certamente a reverdecer o coração. Quando ele for, poderá vir por aqui. Se tiver caracu para 25 léguas de calcanha, o ponho em Tupanciretã, em cujo solo de móveis areias ainda persiste o rasto de Raul Bopp. E ele conhecerá um pouco do "Ruri Nostrum" missioneiro, onde as arrastadas carretas, subindo e descendo garupas de coxilhões, se aprazem em ir negaceando o horizonte . . .
        Afora esta próxima opotunidade, queremos ter-te aqui com dona Branca para saborearem uns cachos "del parral de mi patio". Estas parreiras que plantei fiapos de planta, e que já dão rácimos de todas as vitaminas imagináveis.
         O rancho é pobretão, mas fiel ao estilo do João Barreiro, que fica alegre, como bom gaúcho, mesmo depois que casou.
         Bem, amigo velho: ou lá, ou cá, depois de 8 de dezembro, como dizia o coronel Hortêncio, "havemos de nos encontrarmos."
Forte abraço do

         Aureliano

         P.S. Perdoa o corago: Hoje recebi telegrama de meu casalsito - Português 9,5 cada um. Belo empate.
 
 
 
 
 

       Santiago, 21 de setembro de 1956.

       Amigo velho João Octavio:

      Nossas recomendações muitas atenciosas à tua esposa.
      Aqui a tua carta - afetuosa mensagem  de um amigo que traz a este remoto ultramar as boas notícias da metrópole.
      Não te penentecies de retardatário na resposta à correspondência. Sou grande pecador nesse gênero. As nossas horas são como cordeiros mortos onde vêm bicar um mundo de preocupações miúdas e impertinentes como bicudos. Só sustentar o equilíbrio dos nervos já é um problema do dia.
      Quanto ao livro, o principal malgré moi, era enquadrilhar e aquerenciar no rincão do caderno esses redomões extraviados na distância e no tempo. Se o beriva Globo não quiser ficar aí, entropilhaditos, que era o mais difícil. Não se afobem, nem forcem a mão, nem se aborreçam. Hão de convir que algum dia hão de valer como curiosidade bibliográfica.
      Gostei do teu último poema. E se bem a corrigenda coubesse ao Spalding, vou metendo a mão, porque é, creio, a segunda vez que incides no engano, nestes dois pontos escuríssimos da nossa História - o Rio Negro e o Boi Preto. Aquele se deu em 28 de novembro de 1893, o festim oribesco dos Tavares. E, em revide, em 1894 a fera da Cruz Alta fazia soar as chairas de Facundo Guiroga no Capão da Palmeira.
       Só compreendi bem aquele célebre telegrama do Gaspar ao Joca - brasileiro peço, rio-grandense suplico, etc. - depois que melhor conheci o episódio Rio Negro. O Gaspar conhecia por certo o coração peludo dos homens da Estância do Barão de Cerro Alegre . . . Aliás, a crônica farrapa não poupa elogios ao velho tronco legalista.
       Junto vai uma cartinha ao Antero. Peço-te que a faças chegar a ele. Duas que lhe mandei não recebeu. Parece que não há boa acessibilidade ao carteiro lá no cerrito do Thomé Loreto.
       A saúde apertadita com calma para não comer mio, mio . . .
       Dá um forte abraço ao Reverbel.
       E outro a ti, do velho amigo
                                         Aureliano.

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