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Nat�lia do Valle

Atriz - Novembro 2000

Um Toque de Classe

Aos 47 anos, Nat�lia do Valle n�o p�ra de emprestar seu estilo elegante para pap�is como a matriarca Dulce, de "Aquarela do Brasil"

[Fonte - TV Press]

Duas d�cadas ap�s seu primeiro personagem marcante, a M�rcia de "�gua Viva", o tempo parece correr a favor de Nat�lia do Valle. Aos 47 anos, Nat�lia n�o p�ra de emprestar seu estilo elegante para pap�is sensuais. Como a matriarca Dulce na miniss�rie "Aquarela do Brasil", da Globo. "Felizmente os autores perceberam que mulheres nesta faixa et�ria tamb�m podem ser importantes numa trama. Antigamente, n�o era assim", explica a atriz, sem tra�os de saudosismo. O maior reflexo de que a personagem de Nat�lia na trama de Lauro C�sar Muniz vem funcionando � o retorno junto ao p�blico. Principalmente depois que Dulce soube que estava sendo tra�da pelo marido Armando (Odilon Wagner). "Ela demonstrou dignidade ao dar um basta no casamento. Muitas mulheres me disseram nas ruas que se identificaram com a atitude dela", garante Nat�lia. At� o final de "Aquarela do Brasil", a personagem promete uma nova virada. "Ele vai acabar assumindo a dire��o da R�dio Carioca", antecipa a atriz. Outra raz�o que motiva Nat�lia ao participar desta miniss�rie � o fato da produ��o reviver um pouco da hist�ria do r�dio e tamb�m da Segunda Guerra Mundial. "Este trabalho est� servindo como um resgate, principalmente para os mais jovens, que est�o tendo a oportunidade de conhecer um pouco de nossa Hist�ria", acredita a atriz, que n�o perde o entusiasmo nem na hora de falar da audi�ncia da miniss�rie. "Aquarela do Brasil" vem mantendo uma m�dia de 25 pontos no Ibope, bem abaixo dos 35 esperados pela dire��o. "� imposs�vel uma produ��o atingir uma m�dia como esta depois das 23 horas", minimiza a atriz, que vem conciliando as grava��es da miniss�rie com a pe�a "A Vida Passa", de Miguel Falabella, no Teatro Vanucci, no Rio de Janeiro. O espet�culo � uma continua��o da pe�a "A Partilha", tamb�m de Falabella, que ficou cinco anos em cartaz.

P - Interpretar uma mulher que reage � trai��o do marido desperta empatia nas ruas?

R - N�o h� um lugar que eu v�, independentemente do segmento cultural, social ou econ�mico, que as pessoas n�o falem da decis�o dela, que foi a de ter largado o marido depois que soube que estava sendo tra�da. H� quem diga que a Dulce era submissa ao marido. N�o � verdade. Ela � uma mulher chique, com boa forma��o e que foi educada dentro dos padr�es da �poca. Ela tamb�m exerce uma fun��o social, o que era confort�vel para os maridos da �poca. Ent�o, na sua forma, ela aparenta quase uma submiss�o. Mas na sua ess�ncia, ela � uma mulher moderna. Ela � bem arrojada e que sabe o quer. S� que por ser uma mulher tradicional, a gente hoje em dia acha que tem de partir para o confronto. Foi para um caminho diferente, mas atingiu seu objetivo que era desmascarar o marido. Muitas mulheres acabam se identificando com as atitudes dela, que apesar da trai��o do marido, n�o se tornou uma mulher amargurada.

P - Voc� se identifica com a Dulce?

R - O que tenho de em comum com ela � o otimismo de ver a vida. Ela nunca perdeu a esperan�a de ser feliz, sem renegar seu passado que foi importante. Ela guarda boas recorda��es do casamento com Armando, vivido pelo Odilon Wagner. Acho importante que as pessoas saibam guardar bons momentos de seu passado. Mas nos cap�tulos finais da miniss�rie, a Dulce vai dar uma grande virada. Vai se colocar � frente daquela �poca ao assumir a dire��o da R�dio Carioca. Nos anos 40, era um avan�o uma mulher assumir um posto t�o importante como a de ser diretora de uma r�dio.

P - Com 25 anos de carreira, est� � a primeira miniss�rie que voc� participa. Voc� acha que os autores est�o reservando pap�is de destaque para mulheres acima dos 40 anos?

R - Com certeza, mas esta conquista � m�rito de n�s, mulheres. Hoje em dia, as mulheres nesta faixa et�ria s�o mais arrojadas, e consequentemente s�o reconhecidas e valorizadas. Temos como exemplo recente a Marta Suplicy, que acaba de ser eleita prefeita de S�o Paulo. A mulher mais velha vem conquistando espa�o na nossa sociedade. Isto � muito importante. E em se tratando de televis�o, os autores perceberam que as mulheres acima dos 40 t�m uma fun��o importante no nosso cotidiano.

P - Nunca houve a preocupa��o de n�o ser devidamente reconhecida com o passar dos anos?

R - Eu nunca penso em ser a protagonista. Penso no que o papel pode me dar de bom e me acrescentar profissionalmente. Na miniss�rie, por exemplo, a protagonista � a Maria Fernanda C�ndido. Mas estou satisfeita com a minha participa��o. Gosto de pap�is que t�m a dizer numa hist�ria. E com a Dulce acho que est� acontecendo isto. Ele n�o passa despercebida e tem algo a dizer. Isto que � o grande barato.

P - "Aquarela do Brasil" tem como pano de fundo a era do r�dio no Brasil e a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho na miniss�rie fez com que voc� mudasse sua vis�o sobre alguns fatos de nossa Hist�ria?

R - Com certeza. Al�m disso, "Aquarela do Brasil" tamb�m motiva os mais jovens a conhecer melhor nosso passado. E o Lauro est� contando muito bem esta hist�ria aliada a uma fic��o dramat�rgica. O Lauro � um excelente pesquisador. A miniss�rie tamb�m est� servindo para os mais velhos, como ex-combatentes do ex�rcito e cantoras, que est�o tendo a oportunidade de reviver seu passado nesta produ��o.

P - Nesta miniss�rie voc� est� trabalhando com atores jovens como Maria Fernanda, Thiago Lacerda e Fernanda Rodrigues. Que tal esta nova safra de atores na televis�o?

R - Acho que tem muita oferta, por�m, muita gente boa no mercado. Acho apenas que a tev� tem que tomar mais cuidado na hora de selecionar os atores. Existem muitos pretendentes a atores que n�o est�o preparados. A televis�o deve investir mais na forma��o. Seria interessante ampliar mais ainda a Oficina de Atores. Fazer uma prepara��o mais detalhada. N�o fazer um curso r�pido de interpreta��o ou imposta��o de voz e depois de dois meses coloca o jovem aspirante de ator no ar. Mas quem consegue se destacar com toda esta oferta � porque � bom e tem talento.

P - Com tantos anos de carreira, voc� tem predile��o por algum personagem?

R - Esta � uma pergunta dif�cil de responder. Tenho carinho por todos. "�gua Viva", por exemplo, foi um trabalho marcante porque foi minha estr�ia na televis�o. J� "Baila Comigo" foi a novela onde conheci Tony Ramos, um grande ator com quem voltei a trabalhar em "A Pr�xima V�tima" e depois em "Torre de Babel".

P - Ao final de "Aquarela do Brasil", voc� j� tem outros projetos?

R - Na televis�o, quero descansar e s� voltar daqui um ou dois anos. Em 2001, pretendo viajar com a pe�a "A Vida Passa" por todo pa�s.


Sob as luzes da ribalta

Durante cinco anos, Nat�lia do Valle integrou ao lado das atrizes Susana Vieira, Arlete Salles e Tereza P�ffer a festejada pe�a "A Partilha". Na pe�a de Miguel Falabella, as quatro irm�s "brigavam" pela heran�a deixada pelo pai durante o vel�rio. Na pele da intransigente Selma, Nat�lia interpretava a mais arrogante das irm�s. Dez anos depois, o autor da pe�a resolveu dar sequ�ncia ao espet�culo com o t�tulo "A Vida Passa". Nesta nova hist�ria, o autor mostra o que mudou na vida das quatro irm�s depois de uma d�cada. "De todas produ��es que j� participei em minha carreira, esta pe�a � um dos trabalhos mais aguardados pelo p�blico", acredita Nat�lia.

A atriz, no entanto, tinha um certo receio quanto ao sucesso do novo espet�culo. Principalmente por causa da cobran�a. Em 1990, quando foi feita a montagem no Rio, ela lembra que Miguel Falabella n�o era um autor reconhecido do p�blico e da cr�tica. "Tinha medo que muitos acusassem o Miguel de estar pegando carona no sucesso da 'A Partilha'. Mas ele consegui, com toda sua intelig�ncia e brilhantismo, fazer um trabalho totalmente diferente", imagina Nat�lia. Mas, mesmo com o sucesso de "A Partilha", Nat�lia e toda equipe � que est�o financiando "A Vida Passa".

A id�ia de fazer "A Partilha", segundo Nat�lia, come�ou quando ela e a pr�pria Arlete Salles trabalharam com Falabella na novela "O Outro", de Aguinaldo Silva, exibida em 1987. "Ele prometeu que iria fazer uma pe�a especialmente para gente. Desde ent�o, passei a cobr�-lo com freq��ncia", conta Nat�lia. Ela reconhece que foi justamente na "A Partilha" que foi reconhecida como uma atriz de teatro. Justamente pela paix�o de atuar nos palcos que Nat�lia sempre prefere fazer contratos curtos na Globo. "� uma maneira de me dedicar nos palcos. Mas adoro fazer televis�o e por isso, n�o abro m�o de fazer", avisa a atriz.


Estr�ia discreta

O nome da atriz Nat�lia do Valle ganhou destaque nacional na novela "�gua Viva", em 1980. Mas poucas pessoas sabem que sua estr�ia na tev� ocorreu em 1975, na bem sucedida "Gabriela". Nesta produ��o, ela fez uma ponta na pele de Aurora. "Foi uma participa��o, r�pida de apenas dez cap�tulos, por�m, marcante porque tive a oportunidade de ser dirigida por Walter Avancini", recorda a atriz.

Nesta �poca, Nat�lia ainda n�o havia decidido seguir a carreira de atriz. Ela j� havia feito teatro amador no Rio de Janeiro, mas n�o sabia se iria ser aceita pela classe art�stica. Por isso, resolveu se mudar para S�o Paulo para fazer a Faculdade de Filosofia. "Quando entrei na faculdade foi mais com objetivo de ter um curso superior. Naquela, �poca tamb�m n�o sabia o que queria", reconhece.

Depois de ganhar proje��o com a novela "�gua Viva", ela participou de produ��es como "Transas e Caretas", "Baila Comigo", "Final Feliz", "Cambalacho", "Olho no Olho", "A Pr�xima V�tima" e "Torre de Babel", entre outras. Nat�lia tamb�m participou de alguns epis�dios do "Voc� Decide", mas a estr�ia em miniss�rie s� est� acontecendo agora em "Aquarela do Brasil". "Estou gostando do ritmo de trabalho. D� para fazer uma produ��o mais elaborada", acredita.



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