A hora da estrela voltar a brilhar
[Fonte - TV Press]
Maria Fernanda C�ndido respirou aliviada quando terminou de gravar "Terra Nostra". Atordoada com o sucesso de Paola, ela s� pensava em tirar f�rias e rever a fam�lia em S�o Paulo. Quando menos esperava, recebeu um convite do diretor Jayme Monjardim para interpretar Isa Galv�o em "Aquarela do Brasil". Mesmo inclinada a n�o desgastar a imagem, resolveu voltar ao batente. Para ela, o papel da mo�a que sonha em cantar na R�dio Nacional � uma boa oportunidade para questionar a tese dos 15 minutos de fama, idealizada pelo artista pl�stico Andy Warhol. "N�o esperava que meu sucesso fosse instant�neo. Quero fazer o poss�vel para torn�-lo duradouro", ambiciona.
De fato, o ano 2000 n�o poderia ter sido mais generoso para essa bela paranaense de olhos azuis e l�bios convidativos. Em "Terra Nostra", ela conseguiu a proeza de ofuscar o brilho de outra estrela igualmente cintilante, Ana Paula Ar�sio. Em seguida, foi eleita a musa do s�culo atrav�s de um concurso promovido pelo "Fant�stico". Como j� era de esperar, Maria Fernanda C�ndido passou a ser disputada por ag�ncias de publicidade, organizadores de eventos e, principalmente, editores de revistas masculinas. No entanto, o mais novo fetiche brasileiro n�o quer nem ouvir falar em posar nua. "N�o topei e nunca vou topar. Posar nua est� totalmente fora dos meus planos", garante. Por enquanto, as aten��es da atriz est�o voltadas para "Aquarela do Brasil". Para estar bem afinada com a personagem, Maria Fernanda decidiu unir o �til ao agrad�vel. O �til fica por conta das aulas di�rias de imposta��o de voz, express�o corporal e Hist�ria da M�sica Popular Brasileira. J� o agrad�vel diz respeito � necessidade de ouvir os grandes compositores dos anos 40, a �poca de ouro da R�dio Nacional, como Ary Barroso e Pixinguinha. Aos 26 anos, Maria Fernanda procura manter um olhar cr�tico sobre o trabalho e, principalmente, n�o se dar por satisfeita. "A minha filosofia � a de continuar dando o melhor de mim. S� n�o d� para achar que vou virar uma ex�mia cantora em um curto espa�o de tempo", ressalva. P - Voc� n�o ficou receosa de emendar um trabalho no outro? R - � claro que fiquei, mas o que eu podia fazer? N�o podia recusar um convite do Jayme. O ideal seria que um trabalho n�o fosse t�o perto do outro. Mesmo assim, estou feliz por t�-lo aceito. Al�m disso, um papel desses n�o � todo dia que aparece e n�o podia simplesmente recus�-lo. Continuo naquela filosofia de fazer o melhor poss�vel. Desde que terminei de gravar "Terra Nostra", n�o tive tempo para nada. Descansei uns 20 dias, matei saudade dos meus pais, dei uma viajada. Mas tudo muito r�pido. N�o deu nem para aproveitar direito. P - Qual foi a maior preocupa��o na hora de compor a Isa? R - Foi justamente a falta de tempo. Tive apenas um m�s para me preparar para o papel. Um m�s � muito pouco. Fiz aulas de canto, como sempre fa�o. Gosto de estar sempre trabalhando o meu principal instrumento de trabalho. Ali�s, sempre gostei muito de cantar. E de ouvir m�sica tamb�m. S� n�o d� para achar que vou virar uma ex�mia cantora depois de um m�s de prepara��o. Na medida do poss�vel, vou dar o melhor de mim. P - Voc� j� sabe as m�sicas que vai cantar em "Aquarela"? R - Sei. J� ensaiei tr�s m�sicas. Eu e o Lauro C�sar Muniz combinamos o seguinte: na medida em que eu for recebendo os cap�tulos, gravo aquelas m�sicas especificamente. Ou seja: optei por priorizar o repert�rio da macross�rie e trabalhar as m�sicas escolhidas pelo Lauro. Deste jeito, j� ensaiei "Carinhoso", do Pixinguinha, "Ave Maria no Morro", do Herivelto Martins, e, � claro, "Aquarela do Brasil", do Ary Barroso. Ali�s, � com essa m�sica que a Isa vai ganhar o festival... P - Voc� se baseou em alguma cantora do r�dio em especial, como Marlene ou Emilinha Borba, para compor a Isa? R - Das muitas pessoas que me ajudaram na prepara��o, a T�nia Amorim foi uma delas. Foi ela quem me deu algumas aulas sobre a Hist�ria da M�sica Popular Brasileira. Eu precisava me sentir inserida no contexto daquela �poca. Por conta disso, dei uma olhada tamb�m em algumas biografias, como as da Emilinha, Marlene, Dircinha Batista, entre outras. Queria conhecer um pouco mais da vida delas. O que mais me impressionou � que todas elas, sem exce��o, come�aram cantando no coral da igreja. Pois �. Foi no coral da igreja de uma cidadezinha do interior que elas descobriam que tinham aquele vozeir�o todo e a�, pronto... Resolviam arriscar a carreira no r�dio. P - Fora os dotes vocais da Isa, o que mais chamou a sua aten��o na personagem? R - A Isa � uma personagem dif�cil, complexa. Ela � sonhadora, batalha pelo que acredita e sofre ao ter de deixar a fam�lia para tr�s. A exemplo da Paola, ela tamb�m � muito esperta. Ali�s, s�o dois tipos diferentes de esperteza. Para mim, isso � legal. Porque d� para variar sobre um mesmo tema. Al�m disso, ela possui v�rias nuances. Num primeiro momento, ela � uma menina do interior que sonha em cantar na R�dio Nacional. Em outro momento, ela j� � uma mulher que se alista como enfermeira durante a Segunda Guerra. � uma personagem muito rica que tenho pela frente. Infelizmente, tive pouco tempo para prepar�-la. P - Voc� n�o est� confiante em repetir o sucesso da Paola? R - Tomara. Afinal, o "feedback" da Paola foi maravilhoso. Eu sinto que as pessoas v�o gostar da miniss�rie. Eu tenho essa sensa��o. Mas n�o posso garantir com certeza. Quando leio os cap�tulos em casa, adoro a miniss�rie. N�o consigo desgrudar os olhos do texto do Lauro. Fico aflita para saber o que vai acontecer nos cap�tulos seguintes. A hist�ria prende muito a minha aten��o. Esse � um ponto a favor. A�, pega o texto do Lauro e junta � dire��o do Jayme, j� imaginou? Essa dupla � genial. H� v�rios elementos que conspiram para o sucesso da miniss�rie. S� quero contribuir um pouquinho para esse sucesso. P - Desde que come�ou a fazer "Terra Nostra", voc� ficou em evid�ncia na m�dia. Qual � o lado ruim da fama? R - Desde que comecei a fazer "Terra Nostra", num espa�o de seis meses, por exemplo, me arranjaram uns dez namorados. D� uma m�dia de quase dois namorados por m�s. J� imaginou? Pois �. N�o d� para levar a s�rio. Chega uma hora em que come�o a rir quando leio esse tipo de coisa no jornal. Mas, brincadeiras � parte, n�o me deixo incomodar por esse tipo de coisa. Nem poderia. Procuro fazer a minha parte da melhor maneira poss�vel. O meu trabalho est� l� para quem quiser ver. Agora, n�o posso responder pelo trabalho dos outros. S� lamento um pouco certas inverdades que saem no jornal. Mas isso j� foge da minha al�ada. P - Mas voc� j� aprendeu a lidar com o ass�dio da imprensa? R - J�. Sabe como? Passei a sair menos de casa. N�o, estou brincando... Sempre fui caseira mesmo. Olha que sorte a minha! N�o gosto de badala��o. Gosto de reunir os amigos para ouvir m�sica. Sou ecl�tica � be�a. Adoro MPB, jazz, m�sica cl�ssica, Billy Holliday, Cole Porter, etc. As m�sicas de "Aquarela do Brasil" tamb�m s�o maravilhosas. Era uma �poca muito rom�ntica. Al�m de m�sica, tamb�m gosto de fazer uma comidinha. S� n�o posso � ouvir falar em macarronada pelos pr�ximos sete meses.