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Luigi Baricelli

Ator - Julho 2001

Romantismo incorrig�vel

Luigi Baricelli n�o esconde a alegria que est� sentindo por interpretar Valentim, de �A Padroeira�, o primeiro protagonista de sua carreira

[Fonte - TV Press]

Luigi Baricelli definitivamente n�o tem jeito de vil�o. Seu rosto de tra�os delicados e os olhos entre a cor verde e azul d�o o tom prop�cio para o ator viver tipos francos e generosos. O discurso politicamente correto, o tratamento refinado e a postura mais do que polida tamb�m ajudam a fazer do paulistano de 29 anos o tipo ideal para interpretar o protagonista de �A Padroeira�, o intr�pido Valentim Coimbra. "Ele � um rom�ntico. Um doce guerreiro", define com a voz aveludada. Luigi, na verdade, n�o esconde a alegria que est� sentindo por interpretar o primeiro protagonista de sua carreira. Principalmente porque foi o diretor Walter Avancini quem o convocou para a empreitada. Para o ator, que tem o diretor como o "mestre dos mestres", a proposta foi irrecus�vel. "At� agora estou de bobeira por ter ganho um protagonista em uma novela com o Avancini", afirma Luigi.

Na verdade, � dif�cil n�o notar a euforia do ator em protagonizar a novela de Walcyr Carrasco. H� poucos anos, encabe�ar o elenco de uma produ��o global parecia um sonho distante para Luigi. Antes de voltar a se destacar na profiss�o como o rom�ntico Fred de �La�os de Fam�lia�, o ator chegou a ficar um ano parado e pensando se realmente valia a pena insistir na profiss�o. O marasmo aconteceu ap�s viver por quase cinco anos o professor de jiu-jitsu Rom�o, personagem da primeira leva de �Malha��o�. Nesta �poca, tamb�m chegou a participar do quadro Caminh�o do Faust�o, do �Doming�o do Faust�o�. Ele viajava o Brasil inteiro entregando pr�mios. "Se n�o fosse o convite do Maneco para �La�os de Fam�lia�, n�o sei o que estaria fazendo da vida agora", agradece.

Luigi acredita que protagonizar uma novela que trata da hist�ria de Nossa Senhora Aparecida tem um toque inclusive de religiosidade. A av� de sua esposa fez uma promessa � santa para que o Fred de �La�os de Fam�lia� trouxesse sorte ao ator. Desde ent�o, Luigi s� tem recebido not�cias boas. O personagem Fred ganhou destaque, protagonizou o filme �Popstar�, de Xuxa Meneghel, sua esposa ficou gr�vida e ele foi chamado para seu primeiro protagonista na tev�. "Fui at� Aparecida para agradecer. Fico muito emocionado com isso", revela com a voz embargada.

P - Na �poca de �La�os de Fam�lia�, voc� comparou ter ganho o papel do Fred a um "bilhete de loteria premiado". Voc� compararia o personagem de �A Padroeira� com o qu�?

R - Acho que ganhei na loteria duas vezes. Na verdade, n�o esperava viver um personagem como o Valentim, protagonista, e com uma dimens�o ainda maior que a do Fred poucos meses depois de �La�os de Fam�lia�. De repente o Valentim caiu no meu colo e fiquei de bobeira. Porque j� achava demais ter feito um personagem como o Fred, que tinha uma hist�ria linda e bom espa�o na trama no Manoel Carlos. Desta vez, se for levar em conta que fui convidado pelo Walter Avancini para protagonizar uma novela dirigida por ele, a� sim chego a conclus�o que ganhei na loteria duas vezes. � um orgulho para mim.

P - Al�m de interpretar o maior papel de sua carreira, esta � a sua primeira novela de �poca. Voc� fica nervoso com tamanha responsabilidade?

R - N�o, porque todos os personagens, independente de tamanho, s�o importantes para mim. � tudo uma quest�o de composi��o. Ent�o sempre estou buscando fazer o melhor e a cada dia me aperfei�oar mais. � como na vida. A gente tenta acertar, mas pode errar tamb�m. Por isso, para mim o que importa � a evolu��o, acertando ou errando. Neste sentido, n�o existe personagem mais dif�cil que outro. � tudo quest�o de trabalho. No meu caso fa�o sempre com amor, tento ser o mais profissional poss�vel e estar dispon�vel. O trabalho � �rduo de qualquer forma.

P - Mas fazer um protagonista representa uma press�o maior...

R - A diferen�a que sinto � dispor de menos tempo para se dedicar a cada cena. Em �La�os de Fam�lia� ficava estudando dois ou tr�s dias uma �nica cena. Agora n�o d�. Voc� n�o tem os di�logos tamb�m com tanta anteced�ncia. Mas na medida do poss�vel estudo as cenas tanto quanto antes. Para mim � importante entender o objetivo de cada cena. E para isso, me pergunto sempre "quem eu sou", "o que vou fazer" e "porque vou fazer". � uma maneira de entender o que estou dizendo no texto. Porque o volume � bem maior agora. Tenho cenas, por exemplo, de tr�s p�ginas. S�o textos grandes, embora o Fred tamb�m tivesse cenas enormes. Mas n�o penso em quantidade e sim em qualidade. E tenho dificuldade para decorar tamb�m. Por isso, preciso entender o texto. Me ligo nos detalhes, porque o ator n�o pode dizer o texto da boca para fora. Ele tem de ser aquilo.

P - Voc� chegou a ter receio de encarar o exigente Avancini logo como protagonista?

R - De forma alguma. O que fa�o profissionalmente � o que o Avancini preza. Sou dedicado e tenho for�a de vontade. Todas as manh�s chego brincando no Projac e respeito muito o tempo que temos para produzir. Al�m disso, chego bastante concentrado para interpretar o personagem e preparo o texto antes de gravar. Quando viro a roleta do Projac, estou totalmente dentro da hist�ria. Ali�s, j� saio de casa com o personagem. Al�m do mais, sempre chego uma hora antes do meu hor�rio. S�o coisas que o Avancini estima e � isto que ele quer. Falavam que o Avancini era temperamental, mas at� agora n�o senti. Parece que o que importa para ele � realizar um bom trabalho. Ele � o mestre dos mestres.

P - � verdade que a av� de sua esposa fez uma promessa para Nossa Senhora Aparecida na �poca de �La�os de Fam�lia� para voc� ter mais sucesso como ator?

R - Realmente aconteceu. A av� da Andr�a fez uma promessa para Nossa Senhora em 99, quando fui chamado para viver o Fred. Ela pediu para que o papel desse uma guinada na minha carreira. A partir de ent�o s� aconteceram coisas boas na minha vida. O Fred, em �La�os de Fam�lia�, foi um sucesso. A minha esposa ficou gr�vida de novo e em seguida recebi o convite do Avancini para protagonizar a novela. � uma emo��o muito forte, porque as gra�as n�o param por a�. J� estava gravando �A Padroeira�, tive de fazer um esfor�o f�sico muito forte e senti uma contratura muscular na coluna cervical lombar. Chorei de dor. Era um princ�pio de h�rnia de disco. Rezei muito para Nossa Senhora Aparecida me proteger e me dar for�as para n�o ter de abandonar o trabalho. L�gico que procurei um �timo ortopedista. Mas fiquei espantado com a minha recupera��o, pois em quatro dias estava gravando e n�o senti mais nada. E foi muita coincid�ncia ter justamente ganho um papel em uma novela que explica a devo��o a Nossa Senhora Aparecida no Brasil.

P - Os protagonistas de �A Padroeira� sa�ram de �La�os de Fam�lia�. Voc� acredita que o Manoel Carlos tem este dom de fazer crescer a carreira dos atores que trabalham com ele?

R - Sem d�vida. O Manoel Carlos gosta de dar oportunidades para os atores e isso foi fundamental para eu ter esta chance agora. E ele precisa de atores que d�em credibilidade para os personagens que ele cria. V�rias pessoas que n�o eram protagonistas em �La�os de Fam�lia� est�o encabe�ando projetos agora tanto na tev� quanto em teatro. Eu e a Deborah somos a prova disso. Tem ainda o Reynaldo Giannechini, que protagoniza a pe�a do Gerald Thomas, e o Cl�udio Gabriel, que ganhou um �timo papel em �A Padroeira�. Chego a conclus�o que o Manoel Carlos tem uma certa genialidade em escolher o elenco para suas produ��es. Al�m do mais, a hist�ria do Maneco como profissional � um exemplo que deve ser seguido.

P - Antes de �La�os de Fam�lia� voc� chegou a ficar um ano sem atuar. Protagonizar �A Padroeira� � dar a volta por cima?

R - Olha, estou passando talvez pelo melhor momento da minha carreira. Mas nada assegura a estabilidade de emprego do ator. O ator vive este dilema todo o final de produ��o. O que vou fazer agora? Por acaso, estou contratado da Globo, mas nunca se sabe o dia de amanh�. As coisas foram acontecendo na minha vida. Eu at� tentei parar, mudar de profiss�o, mas fiquei pensando: "Ser� que � isso mesmo que eu quero da minha vida?". Poucos dias depois, recebi o convite do Maneco. Ent�o refleti e pensei: "N�o vou desistir n�o. Vou ver qual �!". Hoje dou gra�as a Deus pela minha perseveran�a. Sem ela, n�o estaria protagonizando a novela da 18h da Globo.


Cabelos, espada...

Luigi Baricelli tem pelo menos tr�s preocupa��es b�sicas para interpretar Valentim em �A Padroeira�. Tratar diariamente do cabelo, que ganhou um aplique pouco antes do in�cio da novela, fazer exerc�cios de esgrima para lutar convincentemente com espada na pele do protagonista her�i e manter a boa forma para conduzir os cavalos mais afoitos nas cenas de a��o da novela das seis da Globo. O ator j� havia tido uma pequena experi�ncia de manejar uma espada no especial �D'Artagnan e Os Tr�s Mosqueteiros�, no final de 1999. Luigi vivia o Duque de Buckin-ghan e confessa que teve poucas aulas de esgrima, j� que o programa era para ser um seriado, mas se limitou a um especial. "Lutava muito mal se comparar como estou agora", garante o ator.

Luigi tamb�m n�o esconde que precisou melhorar muito a sua montaria. Ele j� andava a cavalo desde crian�a, mas n�o era nada excepcional. Segundo o ator, o que ele fazia era muito pouco para o que Valentim necessita nas in�meras cenas que aparece geralmente com o insepar�vel cavalo branco. "O Valentim monta com sela, sem sela, galopa, faz curvas r�pidas, empina... Por isso, noto que precisa existir este dom�nio do cavalo para que o personagem exista", afirma Luigi, com ar mais do que compenetrado. O ator inclusive tenta sempre dispensar os dubl�s nas cenas de mais a��o e por isso tem de se sentir seguro. "Tento n�o voltar atr�s. S� se a cena realmente oferecer perigo", frisa.

Luigi aprecia tamb�m o fato de ter mudado completamente de visual para trabalhar em �A Padroeira�. Ele adora, por exemplo, n�o ser mais reconhecido como Fred nas ruas. "Teve um cara que veio me perguntar se eu tinha trabalhado em �Os Maias�. Achei �timo, al�m de engra�ado", lembra o ator. O importante para o ator � sempre se transformar para viver um personagem e se tornar uma pessoa nova para o p�blico. "O gostoso de ser ator � o p�blico te chamar pelo nome do personagem", alegra-se Luigi. Por isso, o ator n�o se incomoda com os dias que tem de usar um grande n�mero de roupas, como camisetas, camisas, coletes e capas sobrepostas. Luigi lembra que no in�cio das grava��es chegou a se atrapalhar com tanto pano. "Precisei me adaptar. Me confundia para achar a espada, mas agora tudo bem", diverte-se.


Projetos caseiros

Prestes a fazer 30 anos, Luiz Fernando Baricelli demonstra ser bastante maduro. O paulistano que trocou S�o Paulo pelo Rio h� uns seis anos, se prepara para o nascimento de mais um filho com a esposa Andr�a, que est� gr�vida de seis meses. O casal, que mora no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio, vive em um apartamento com mais dois filhos: R�bia, de 10 anos, e Vitt�rio, de 3 anos. Avesso a badala��es, Luigi garante que quando n�o est� trabalhando passa a maior parte do tempo em casa. Principalmente porque al�m de ficar perto da fam�lia, o clima de paz � perfeito para ele estudar os textos do Valentim. "O importante � saber administrar a carreira e a vida pessoal. O meu objetivo � viver bem e passo o tempo todo cuidando disso", garante o compenetrado Luigi.

A preocupa��o com o pr�prio bem-estar levou Luigi a pensar no projeto de um portal ecol�gico na internet. O objetivo � ajudar a melhorar a vida dos outros. Preocupado com as quest�es ecol�gicas h� muitos anos, o ator garante que sempre alertou para o perigo do desperd�cio de �gua no Brasil e a necessidade de um plano para obter outras fontes de energia el�trica. "Canto esta bola do apag�o h� anos. Era uma coisa �bvia", revolta-se. Por isso, Luigi quer fazer um portal com dicas b�sicas sobre turismo, reciclagem de lixo, desperd�cio e economia de energia. "Tem gente que n�o sabe nem o que � lixo recicl�vel, por exemplo", explica.

Ap�s encerrar sua participa��o na novela, Luigi tamb�m quer se aventurar em produ��o. Ele pretende produzir e atuar em �A Cartomante�, longa que ser� baseado na obra hom�nima de Machado de Assis. Desde a �poca de �La�os de Fam�lia� ele est� captando recursos, mas teve de parar com o chamado para protagonizar �A Padroeira�. "A novela � minha prioridade, mas tenho um imenso desejo de ver o Machado de Assis no cinema", afirma Luigi.



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