A Doce Lolita
Apesar da pouca idade, Deborah Secco j� sonha em fazer da �ris um papel t�o memor�vel quanto a Maria de F�tima, em "Vale Tudo"
[Fonte - TV Press]
A atriz Deborah Secco � o paradoxo em pessoa. Aos 20 anos, ela consegue alternar momentos de profunda maturidade com outros de infantilidade expl�cita. H� dois anos, pediu � m�e para ser emancipada. O ato conferiu � mo�a a autonomia necess�ria para abrir e fechar contas banc�rias e realizar transa��es imobili�rias sem assinatura dos respons�veis. Essa jovem emancipada, no entanto, ainda cultiva h�bitos t�picos da inf�ncia, como usar calcinhas de crian�a, ter medo de trov�o e dan�ar na frente do espelho. "Minha irm� faz isso at� hoje. � uma forma de nos conhecermos melhor. Nunca dancei em boate, mas passei a adolesc�ncia na frente do espelho", recorda. Foi justamente fazendo caras e bocas na frente do espelho que Deborah Secco voltou a mexer com o imagin�rio masculino em "La�os de Fam�lia". Ela j� tinha causado alvoro�o semelhante em "Suave Veneno", quando interpretou a sensual Marina. Longe das c�maras de tev�, Deborah Secco n�o se considera t�o arrebatadora quanto as personagens que interpreta. Muito pelo contr�rio. T�mida contumaz, ela teve de assistir ao filme "Lolita", de Adrian Lyne, repetidas vezes at� assimilar o jeito espevitado da ninfeta da novela das oito. "Conhe�o v�rias �ris. Algumas delas s�o, inclusive, da minha fam�lia. Mas n�o digo quem s�o!", brinca. O convite para interpretar �ris surgiu muito antes de Deborah Secco se destacar em "Suave Veneno". A atriz ainda estava fazendo a recatada Em�lia, de "Era Uma Vez...", quando recebeu um telefonema do autor Manoel Carlos prometendo que, um dia, escreveria um papel especialmente para ela. A promessa se tornou realidade em "La�os de Fam�lia". Hoje, Deborah n�o se controla e liga para o autor sempre que l� alguma boa cena da personagem. Apesar da pouca idade, Deborah j� sonha em fazer da �ris um papel t�o memor�vel quanto a Maria de F�tima, papel de Gl�ria Pires em "Vale Tudo". "Fazer vil� � o sonho de toda atriz. E se a �ris chegar aos p�s da Maria de F�tima, serei a atriz mais feliz do mundo", exagera.
P - Que avalia��o voc� faz da primeira vil� de sua carreira? R - Sempre morri de vontade de fazer uma vil� como a �ris. Apesar de ter pouco tempo de carreira, queria me livrar logo da imagem de mocinha. Hoje, me divirto horrores fazendo a �ris. Gra�as a ela, passei a lidar melhor com um lado implicante que todo mundo tem. Al�m do mais, ela � c�nica e sedutora. Uma personagem dessas motiva o p�blico � be�a. Mas o que a �ris faz � um absurdo mesmo. �s vezes, chego a sentir �dio dela. Mas tor�o para que as pessoas a chamem de insuport�vel ou coisa parecida. Se a �ris chegar aos p�s da Maria de F�tima, por exemplo, vou ser a pessoa mais feliz do mundo. P - Mas voc� n�o acha que, em alguns momentos, a interpreta��o da �ris beira o exagero? R - Para compor a �ris, parei para imaginar como eu seria se tivesse passado a vida inteira trancada numa fazenda. A conclus�o a que cheguei foi que eu seria t�o revoltada e geniosa quanto ela. O personagem � dif�cil porque toda adolescente � exagerada por natureza. Cansei de dan�ar na frente do espelho quando era mais nova. Essas cenas retratam bem a fase em que a menina deixa aflorar a sensualidade. As meninas tamb�m manipulam, choram e fazem cena para conseguir o que querem. Eu j� fui assim tamb�m... P - Voc� aprontava muito quando tinha a idade da �ris? R - Antes de fazer 13 anos, eu era uma menina tranq�ila. Quase n�o sa�a de casa, vivia no quarto brincando de Barbie. Entre os 13 e os 15 anos, entrei numa fase mais rebelde. Para conseguir o que queria, fazia manha, batia porta e chorava o dia inteiro. Manipulava meus pais o tempo todo. Mas acho que todo adolescente faz isso. Achava que minha m�e n�o sabia nada e eu sabia tudo. Mas n�o era como a �ris, porque a minha m�e n�o deixava. Ela sempre soube se impor. Quando minha m�e me viu no v�deo como �ris, ela logo disse: "Igualzinho ao que voc� fazia comigo!". Hoje, ela � a minha melhor amiga. P - Voc� n�o acha a �ris muito parecida com a Marina, de "Suave Veneno"? R - Muito pelo contr�rio. As duas s�o completamente diferentes. Apesar de muito jovem, a Marina tinha a viv�ncia de uma mulher de 30, 40 anos. Ela usava o corpo para subir na vida. J� a �ris � uma menina completamente d�cil e pura. Ela � sincera, irreverente e isso, �s vezes, acaba desagradando algumas pessoas. Ela fala o que vem � cabe�a mesmo. Ela diz que odeia a Camila e ponto final. Ao mesmo tempo em que fala o que quer e ouve o que n�o quer, ela � rom�ntica a ponto de se guardar para o homem de sua vida. A �ris faz uma idealiza��o do homem perfeito completamente diferente da Marina. P - A exemplo da Marina, a �ris tamb�m encarna um tipo sedutor. Voc� se considera sensual? R - H� v�rios tipos de sensualidade. H� mulheres que s�o sensuais por serem boazudas. H� outras que s�o sensuais por se vestirem elegantemente. H� ainda as meninas que s�o sensuais por fazerem o tipo Lolita. A sensualidade da �ris � a da Lolita. Pessoalmente, n�o me considero sensual. N�o sou do tipo que coleciona armas de sedu��o. Acho que o mais importante � ser natural, sem tentar parecer sensual ou inteligente. Sen�o, depois voc� acaba tendo de desmentir a si mesmo. N�o me acho sexy ou fatal. Se sou, � sem a menor pretens�o. N�o tenho nenhum atrativo de mulher fatal. P - Como voc� reage ao fato de ser considerada um dos s�mbolos sexuais da tev� brasileira? R - O Rog�rio Gomes (marido de Deborah e um dos diretores de "La�os de Fam�lia") costuma dizer que se casou com uma menina e, quando menos esperava, essa menina se transformou num "mulher�o". Quando uma menina conhece o homem de sua vida, ele a ajuda a liberar o lado mulher. Com certeza, o Rog�rio me fez crescer, amadurecer e virar 100% mulher. Desde que o conheci, levo uma vida maravilhosa. Me sinto muito mais sexy tamb�m. Mas n�o me preocupo em ser sensual ou atraente. Isso vai vir com o tempo. Por enquanto, estou mais preocupada em comer chocolate e jogar videogame. P - Como tem sido a rea��o do p�blico nas ruas? R - Costumo dividir a rea��o do p�blico em duas partes: os adultos que reprovam a postura da �ris e as crian�as que se divertem com as traquinagens da personagem. A �ris come�ou de um jeito e, no decorrer da trama, se transformou em algu�m completamente diferente. Se, por um lado, a �ris � m�; por outro, � alegre e divertida. Atualmente, tenho uma legi�o de crian�as como f�s. Elas me dizem que amam a �ris pelo fato de ela ser moleque, traquinas, agitada. Tudo o que ela faz agrada ao p�blico mais jovem. Mas n�o acho que a �ris seja m�. Ela � apenas sincera. E essa sinceridade, �s vezes, s� faz prejudic�-la. P - Voc� tem sido assediada por homens mais velhos? R - Voc� acredita que nunca levei uma cantada na vida? Talvez seja porque sou muito fechada. Sou uma pessoa de dif�cil acesso. Nunca fui de sair � noite ou de freq�entar boates. Em vez disso, preferia ficar em casa para comer fondue e brincar de "videok�". A minha irm�, por exemplo, � muito mais assediada que eu. Quando vamos � praia, todo mundo s� olha para ela. Mas a B�rbara � bonita mesmo. Ela s� tem 19 anos, mas j� � um mulher�o... P - Desde "Confiss�es de Adolescente", voc� emenda um trabalho no outro. Voc� n�o teme uma superexposi��o? R - Sempre batalhei para chegar aonde cheguei. Quero continuar tendo bons pap�is e realizando bons trabalhos. Se fizer mais algumas novelas como "La�os de Fam�lia", vou ser a atriz mais feliz do mundo. Mas n�o quero desgastar a minha imagem. Antes de "Suave Veneno", s� tinha feito pap�is pequenos. N�o temia cansar o p�blico. Agora, com a �ris, tenho pensado mais nisso. Nunca fui t�o abordada nas ruas quanto agora. Morro de medo de ouvir as pessoas falarem: "Xi, l� vem a Deborah Secco de novo!"Talento precoce
Quando tinha sete anos, Deborah Secco levou um tombo enquanto andava de patins. Sonsa, a menina passou a tarde inteira dizendo que n�o se lembrava de nada. Foi para a aula de bal� e errou toda a coreografia. S� alguns dias depois, quando a m�e, a dona de casa S�lvia Fialho Secco, levou a menina ao m�dico, Deborah resolveu contar a verdade e dizer que tudo n�o passava de uma brincadeira. A falsa amn�sia serviu para revelar precocemente seu dom para atriz. Ainda crian�a, vendia bijuterias para amigos e vizinhos a fim de arrecadar fundos para os cen�rios e figurinos das pe�as teatrais que encenava no quintal da casa. "Adorava imitar a Xuxa na frente do espelho. Dan�ava, cantava e deixava o espelho cheio de marcas de batom", recorda. Foi por iniciativa pr�pria que Deborah Secco estreou na tev�. Mais precisamente, na abertura do programa da Ang�lica, na extinta Rede Manchete. A primeira confirma��o de seu talento veio aos 12 anos, quando Deborah conquistou o Pr�mio Coca-cola de Teatro Infantil como atriz revela��o da pe�a "Sapatinhos Vermelhos". "Esse pr�mio foi legal para mostrar que estava no caminho certo!", orgulha-se. Logo depois, Deborah foi convidada para trabalhar em "Mico Preto", da Globo, e, logo em seguida, em "Confiss�es de Adolescente", da TV Cultura. Ela se destacou de tal forma no seriado dirigido por Daniel Filho que recebeu o papel de Carina em "A Pr�xima V�tima", novela que est� sendo reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo". De l� para c�, Deborah Secco n�o parou mais. Ela ainda fez "Vira-lata", "Zaz�" e "Era Uma Vez...". Mas foi como a f�til Marina, de "Suave Veneno", que Deborah Secco se destacou na Globo. A personagem rendeu � atriz um ensaio fotogr�fico na revista "Playboy" pelo cach� de R$ 1 milh�o. Embora tenha contrato com a Globo at� 2005, ela pretende dar uma providencial parada depois de "La�os de Fam�lia". Por medo de uma inevit�vel superexposi��o de imagem na tev�, Deborah planeja estrear no cinema e voltar a fazer teatro. O espet�culo j� foi at� escolhido: "As L�grimas Amargas de Petra Von Kant", a primeira pe�a adulta da carreira da atriz. "A minha forma��o � basicamente televisiva. Quero ver como me saio no palco", confessa.Neg�cios em fam�lia
A atriz Deborah Secco credita a boa fase pessoal e profissional ao marido, o diretor Rog�rio Gomes. Os dois se conheceram durante as grava��es de "A Pr�xima V�tima", quando Deborah tinha apenas 15 anos. Depois disso, eles se encontraram ainda em "Vira-lata" e "Zaz�", mas ainda como apenas bons amigos. O romance s� engatou mesmo em 1998, durante a novela "Era Uma Vez...". Duas semanas de namoro e os dois passaram a dividir o mesmo teto. Os olhos da atriz brilham ao falar do marido. "O Rog�rio me transmite paz e tranq�ilidade. N�o vivo sem ele", derrama-se. Atualmente, Deborah e Rog�rio dividem tamb�m o mesmo est�dio de grava��o. Ao lado de Ricardo Waddington e Moacyr G�es, Rog�rio � um dos tr�s diretores de "La�os de Fam�lia". A atriz garante que o fato de ser casada com um diretor n�o lhe abriu portas na emissora. "Estourei na tev� em 'Suave Veneno' e ele sequer trabalhou nesta novela. N�o tem como dizer que ele me ajudou", enfatiza. Al�m disso, Deborah estava fazendo "Suave Veneno", quando o autor Manoel Carlos avisou que estava escrevendo um papel especialmente para ela. "Casei por amor e n�o por interesse", esclarece. Os 18 anos de diferen�a entre Deborah e Rog�rio n�o assustaram o casal. Quem se assustou mesmo foi o pai da atriz, o analista de sistemas Ricardo Tind� Secco, ao saber que a filha se tornaria madrasta de duas adolescentes: �tria, de 21 anos, e Mirella, de 14. H� pouco tempo, Deborah e Mirella chegaram a viajar juntas para a Disney. Filhos tamb�m fazem parte dos planos da atriz. Mas n�o agora. No momento, ela quer se dedicar ao seu s�timo papel em novelas. "Quero muito ter filhos e j� tenho at� os nomes. Mas, por enquanto, quero aproveitar a minha excelente fase profissional", justifica.