Geniosa
Carolina Ferraz, que interpreta a "perua" Vanessa em "Estrela-Guia", n�o quer intriga com colegas e vive fase feliz
[Fonte - TV Press]
Turrona, geniosa e de personalidade forte. Estes s�o alguns dos adjetivos freq�entemente associados a Carolina Ferraz. A atriz n�o renega nenhum deles, mas admite que gostaria de se livrar do estigma de dif�cil e temperamental. Em Pecado Capital, a atriz teria causado mal-estar nas grava��es por se recusar a beijar o ator Francisco Cuoco. Antes de Estrela-Guia estrear, rumores insinuavam que Carolina estaria indignada com as regalias desfrutadas por Sandy. Entre uma baforada e outra de cigarro, a atriz evita comentar dissabores passados, mas ressalta que atravessa uma das fases mais tranq�ilas da carreira. "N�o quero criar problemas com ningu�m. Quero apenas acertar a minha vida", desabafa.
A fase tranq�ila da carreira se deve a Estrela-Guia. Na trama de Ana Maria Moretzsohn, a atriz interpreta o primeiro papel c�mico da carreira. Segundo ela, Vanessa n�o passa de uma perua que n�o pensa em outra coisa se n�o afastar o ex-namorado Tony, interpretado por Guilherme Fontes, da doce Cristal, vivida por Sandy. A antagonista de Estrela-Guia marca o retorno de Carolina � tev� depois de quase dois anos. O �ltimo trabalho da atriz foi a Lucinha, de Pecado Capital. "N�o quero ter a imagem desgastada pelo v�deo. J� imaginou quando o p�blico come�ar a reclamar: 'Ah, meu Deus, l� vem aquela mulher de novo...'", brinca, soltando mais uma de suas gostosas gargalhadas. No tempo em que esteve longe do v�deo, Carolina aproveitou para diversificar a �rea de atua��o. No cinema, protagonizou Mater Dei, de Vin�cius Mainardi, e Amores Poss�veis, de Sandra Werneck, no qual contracena com o namorado, o ator Murilo Ben�cio. No teatro, encenou a pe�a Honra, de Celso Nunes, ao lado de Regina e Gabriela Duarte. Al�m disso, Carolina retomou a faculdade de Hist�ria e voltou a produzir um document�rio para a GNT. Bem-humorada, a atriz reconhece que a filha Valentina, de seis anos, exerceu papel importante em sua volta � tev�. "Ela s� ficou preocupada quando soube que eu ia perseguir a pobrezinha da Sandy por n�o sei quantos cap�tulos. Tive de explicar que era tudo de mentirinha...", diverte-se. P - O que voc� achou das insinua��es de que o elenco de Estrela-Guia estaria indignado com as regalias de Sandy na novela? R - Achei um absurdo. Por parte do elenco, n�o houve indigna��o nenhuma. Li, inclusive, algumas declara��es minhas na imprensa sobre o caso. O pior � que nunca falei nada sobre isso com ningu�m. Voc� � a primeira pessoa que me pergunta sobre este assunto. Quando algu�m fala algo ruim de voc�, mas � verdade, voc� n�o tem nada a fazer sen�o ficar chateado. Mas quando inventam alguma hist�ria a seu respeito, a coisa fica esquisita. Acho um absurdo tentarem jogar o elenco contra a Sandy. Ela � uma pessoa muito profissional e equilibrada. P - � verdade que sua filha, a Valentina, tentou persuadi-la a aceitar o papel s� para trabalhar ao lado da Sandy? R - De fato, a Valentina � uma f� declarada da Sandy. Mas ela n�o � a �nica. Eu tamb�m sou. J� fomos a v�rios show de Sandy e J�nior. Sei at� cantar algumas m�sicas de cor. Mas ela n�o interferiu na minha decis�o de fazer ou n�o a novela. A Valentina ficou feliz quando eu disse que ia fazer Estrela-Guia. Mas ficou preocupada tamb�m quando soube que a m�e ia passar n�o sei quantos cap�tulos perseguindo a pobrezinha da Sandy: "Puxa, mam�e, por qu�?". Ela ainda n�o consegue entender certas coisas. Mas, logo em seguida, justificou: "Mas ela tamb�m vai roubar seu namorado, n�o � mesmo?". Ela estava louca para justificar as maldades que eu estava fazendo contra a Sandy. P - Qual � a expectativa de vir a ser odiada por uma legi�o de admiradores da Sandy? R - As expectativas s�o grandes. Como atriz, n�o tenho qualquer preocupa��o moral na hora de interpretar meus personagens. Se tiver de fazer uma perua, vou fazer a pior perua que j� existiu na face da Terra. Se tiver de fazer uma mau-car�ter, vou fazer a pior de todas. N�o d� para ter pudores. Nas ruas, as pessoas dizem que gostam da Vanessa. Algumas chegam a brincar: "Nossa, como essa Vanessa � chata, hein?". As pessoas morrem de rir com ela. P - O que a tresloucada Vanessa tem de novo a acrescentar na sua carreira? R - A Vanessa est� me dando a oportunidade de fazer uma vil�, segundo a pr�pria autora, muito mal-sucedida. Todas as maldades dela s�o mal-sucedidas. Ningu�m d� muita bola para ela. A pr�pria L�lia Cabral interpreta uma vil� c�mica na novela. Mas n�o d� para levar aquelas duas a s�rio. Fico feliz com a id�ia de fazer humor na tev�. � uma faceta do meu trabalho que eu gostaria de poder explorar outras vezes. � bom quando voc� se diverte trabalhando. Nas grava��es, tenho rido muito. E voc� sabe que a cena � boa quando termina de gravar e a produ��o cai na gargalhada. Se a produ��o achou gra�a, o p�blico tamb�m vai achar... P - Voc� v� alguma semelhan�a entre a Vanessa e a Paula, de Hist�ria de Amor? R - As duas foram largadas pelo namorado. Nenhuma delas se conforma com o fora que levou. O tom da Vanessa est� mais para com�dia rom�ntica do que para humor escrachado. Gosto de aproveitar quando tais oportunidades surgem na minha vida. A Vanessa � aparentemente mais sofisticada e elegante que a Paula. Mas s� aparentemente... Poucas vezes, vi algu�m t�o mal-educada quanto ela. Ela diz umas coisas absolutamente horrendas. Mas tamb�m ouve alguns absurdos de vez em quando. Bem-feito para ela! P - E por falar em absurdo, voc� n�o acha absurda a hip�tese do Tony trocar uma mulher sofisticada como a Vanessa por uma riponga como a Cristal? R - N�o sei. No amor, nada � imposs�vel. N�o d� para buscar realidade numa obra de fic��o. N�o fico questionando a autora. Estou aqui para fazer o meu trabalho da maneira mais verdadeira poss�vel. A Ana tem um texto bacana, os di�logos s�o engra�ados... Em suma: n�o tenho do que reclamar. Ou, como dizem por a�, a novela est� "redondinha". Estrela-Guia foi feita para as pessoas se divertirem. N�o � uma novela que se prop�e a fazer questionamentos sociais, pol�ticos ou culturais. � uma novela de entretenimento da melhor qualidade. P - Isso sem falar que Estrela-Guia n�o deve ultrapassar os 83 cap�tulos... R - Pois �. Estou adorando isso. Isso, ali�s, � o melhor de tudo. � bom para quem faz e bom para quem assiste. Essa novela n�o vai ter aquela famosa "barriga" que as pessoas j� est�o acostumadas a ver. Os pr�prios atores chegam a um ponto da novela que dizem: "Ih, agora come�ou a enrola��o...". Mas isso � inevit�vel quando o autor tem um volume de trabalho muito grande e 180 cap�tulos pela frente. J� Estrela-Guia � diferente. Todo dia tem alguma coisa acontecendo... P - O seu �ltimo trabalho na Globo foi a Lucinha de Pecado Capital. Por que voc� ficou quase dois anos sem fazer novelas? R - Mas j� faz tudo isso? Puxa, nem parece que j� passou tanto tempo assim... Olha, n�o quero ter a imagem desgastada pelo v�deo. S� tive 40 dias de intervalo entre Por Amor e Pecado Capital. Gosto de equilibrar as coisas. Se emendei um trabalho no outro, achei melhor dar um tempo desta vez. O ideal � poder se reciclar. Neste meio tempo, fiz teatro, filmei dois longas-metragens, comecei a produzir um document�rio para a GNT... S� n�o apareci na tev�. Mas continuei fazendo um milh�o de outras coisas. P - Voc� foi convidada para fazer a Capitu de "La�os de Fam�lia". Voc� se arrepende por n�o ter aceito o papel? R - Sou f� de carteirinha do Manoel Carlos. Qualquer novela dele � sempre irrecus�vel para mim. Temos muitas afinidades. � um sujeito �tico, centrado, bom car�ter. Mas n�o costumo me arrepender do que n�o fa�o. Foi uma op��o minha. Al�m disso, a Giovanna Antonelli mandou muito bem. P - Falou-se muito que voc� estaria "na geladeira da Globo" por ter se recusado a beijar o ator Francisco Cuoco em Pecado Capital. O que pensa disso? R - Honestamente, respeito muito a carreira do Francisco Cuoco, mas n�o tenho nada a falar sobre ele. Queria apenas me livrar deste estigma de pessoa turrona e geniosa. N�o sou uma pessoa dif�cil ou intransigente. Muito pelo contr�rio. Sou uma colega de trabalho extremamente leal e respeitosa. Jamais faltei com o respeito com quem quer que estivesse trabalhando comigo. Honestamente, n�o sei o porqu� desta fama. Atualmente, quero apenas mostrar para o p�blico que sou uma profissional s�ria, que estou a fim de trabalhar e fazer as coisas acontecerem da melhor maneira poss�vel. P - Mas, se voc� n�o � turrona e geniosa como dizem, como voc� se definiria? R - O que eu posso dizer � que sou uma pessoa de muita �tica. Jamais falei mal de ningu�m. N�o acho que esta seja a minha fun��o. As pessoas sempre esperam algo negativo de mim. No entanto, estou numa fase muito boa da minha vida. Quero fazer as pazes com o mundo. Quando voc� se separa depois de muito tempo casada, se v� numa situa��o dif�cil. Foi mais dif�cil ainda ter a minha privacidade explorada pela m�dia. N�o quero criar problemas com ningu�m. Quero apenas acertar minha vida. Conhece aquela m�sica "Quem quiser ter um amigo que me d� a m�o..."? Pois �. � assim que eu me sinto no momento.Estrela coagida
A atriz Carolina Ferraz nunca pensou em ser atriz. Na tev�, ela come�ou como apresentadora do programa Shock, da extinta Manchete, depois de dar aulas de bal� para crian�as. A estr�ia como atriz, segundo ela, foi casual. O diretor de teledramaturgia da emissora, Jayme Monjardim, vivia insistindo para que Carolina fizesse alguma novela. A mo�a, no entanto, permanecia irredut�vel. Um dia, Jayme n�o teve outra sa�da sen�o amea��-la: ou Carolina faria novela ou seria demitida da Manchete. Assustada, ela acabou participando da primeira fase de Pantanal. "Tudo n�o passou de uma brincadeira do Jayme, mas ele acabou me convencendo na marra", ri. Mesmo relutante, Carolina gostou da experi�ncia. Gostou tanto que voltou a repeti-la em sete outras produ��es, todas na Globo. A estr�ia na nova emissora aconteceu em O Mapa da Mina, a �ltima novela de Cassiano Gabus Mendes. Desde ent�o, s� assumiu tipos marcantes, como a neur�tica Paula, de Hist�ria de Amor, e a fogosa Milena, de Por Amor. Paralelamente � carreira de atriz, Carolina desenvolveu a de produtora. H� 3 anos, produziu a s�rie Mulher Invis�vel para a GNT, canal por assinatura da Globosat. At� o final do ano, planeja estrear Homem, a vers�o masculina do document�rio. �Quero tra�ar um retrato do homem contempor�neo�, ambiciona. A s�rie Homem d� continuidade ao que Carolina convencionou chamar de "a trilogia dos document�rios". Se repetir o sucesso do original, o segundo programa vai ser exibido em 21 epis�dios. No ano que vem, ela produz o terceiro programa da s�rie, dedicado a gays, l�sbicas e simpatizantes. Para embasar tais pesquisas, Carolina retomou a faculdade de Hist�ria. Ela j� havia feito o curso na USP, mas teve de tranc�-lo quando estreou na Manchete. Hoje, cursa duas mat�rias - Hist�ria das Religi�es e Idade M�dia - na PUC do Rio. "Gosto de entender o que acontece ao meu redor. Al�m disso, � bom conviver com gente jovem. � como se estivesse come�ando do zero", frisa.Cinema em casa
A estr�ia de Carolina Ferraz no cinema foi t�o discreta que nem ela se lembra mais. Em 1994, a atriz participou de Alma Cors�ria, de Carlos Reichenbach, eleito melhor filme no Festival de Bras�lia daquele ano. No ano passado, Carolina aproveitou para recuperar o tempo perdido: atuou em Mater Dei, de Vin�cius Mainardi, e Amores Poss�veis, de Sandra Werneck. No segundo, fez par rom�ntico com o atual namorado, o ator Murilo Ben�cio. Os dois se conheceram nas grava��es de Por Amor: ele fez o ap�tico Leonardo e ela, sua irm� Milena. "Fiquei receosa de contracenar com o Murilo. Achei que n�o daria certo. Gra�as a Deus, tudo funcionou direitinho", suspira. No filme, Carolina interpreta J�lia em tr�s diferentes hist�rias de amor vividas por Carlos, personagem de Murilo Ben�cio. A hist�ria come�a quando J�lia n�o comparece a um compromisso com Carlos e os dois nunca mais se v�em. Quinze anos depois, tr�s Carlos vivem diferentes hist�rias. Durante as filmagens, Carolina se recusou a tirar a roupa nas cenas mais ousadas. Embora garanta que n�o v� problema em fazer toda e qualquer cena, ressalva que n�o queria se expor desnecessariamente. Por fim, atriz e diretora chegaram a um consenso. Sandra se limitou a filmar bra�os, pernas e m�os, sem se ater a detalhes como peitos e bundas. "O resultado ficou �timo", arrisca. A parceria firmada entre Carolina e Murilo n�o vai se resumir a um filme apenas. O ator j� adquiriu os direitos de O Beijo no Asfalto, texto de N�lson Rodrigues que j� ganhou as telas de cinema em 1981, pelas m�os de Bruno Barreto. Numa aut�ntica empreitada familiar, Carolina j� terminou de escrever o roteiro e Murilo se ofereceu para dirigi-lo. A atriz enfatiza que s� se aventurou a adaptar Um Beijo no Asfalto para encorajar o namorado a levar o projeto adiante. Segundo ela, as filmagens devem come�ar em dezembro deste ano. "Costumo dizer que o Murilo � o homem dos projetos. Ele tem sempre um na cabe�a, todos eles �timos e mirabolantes", derrama-se.