Psicoterapia                              

   Esta última década do milênio foi, sem dúvida, marcada por uma série de acontecimentos que, independente de sua natureza boa ou má, marcam definitivamente uma grande passagem. É o final de um tempo e o início de outro. Se melhor ou pior, só o próprio tempo será capaz de nos responder. Em todos os campos do conhecimento houve revoluções de maior ou menor amplitude, mas alguns alicerces foram fortemente abalados. E um destes alvos do novo enfoque técnico, tecnológico, cibernético, hipercinético é o comportamento humano em suas dimensões da normalidade e do patológico. A descoberta de novas drogas psico-ativas e, através de seu uso, o reconhecimento, ainda que parcial do funcionamento da mente, trouxe avanços significativos na maneira de lidar com os problemas da existência. E é neste novo contexto, neste mundo rápido e agil, disponível ao alcance das mãos através de um teclado de computador e uma linha telefônica, em que os fatos rápidamente se transformam e percorrem o espaço em questões de segundos, que a velha e lenta psicoterapia foi se tornando, se não inútil, mas algo parecido com a imagem amarelada das fotos de nossos avós que, por associação, podemos imaginar as fotos de Freud, nos idos de 1900. Ainda hoje, muitos conceitos psicanalíticos são de extrema valia e é inimaginavel a compreensão do ser humano em toda a sua amplitude sem aquilo que Freud nos deixou de legado, assim como é insuportável a ideia de um ser humano totalmente biológico, resumido a um conjunto de frias e anônimas reações fisico-quimicas. Há porem, com esta mudança dos tempos e o avanço do conhecimento, que se procurar uma forma, se não nova, pelo menos mais adequada para se atingir o objetivo de ajudar a pessoa que sofre em seus momentos de crise e depressão. E não é de agora que muitos estudiosos, psiquiatras e psicólogos, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra têm procurado uma forma de dar amparo a este cada vez maior contingente de pessoas que procuram ajuda psicológica. Por motivos ideológicamente diferentes, a Inglaterra com sua medicina socializada e os Estados Unidos tendo a Saúde promovida por grandes companhias de seguro, ambos estes países se esforçaram ao longo de toda esta segunada metade do século XX em desenvolver métodos psicoterapeuticos eficazes, rápidos e pouco onerosos. Foi com base neste princípios que surgiu a chamada Psicoterapia Breve ou Psicoterapia Focal ou, ainda, Psicoterapia de tempo e objetivos determinados. Das primeiras idéias de Franz Alexander, em 1942, aos estudos do ingles Malan e do norte-americano Sífneos, a Psicoterapia Breve nos chegou até o Brasil trazida pelas mãos dos argentinos Hector Fiorini e do Professor Maurício Knobel que se radicou na Unicamp. Aqui, entre nós, a carioca Vera Lemgruber e o paulista Eduardo Ferreira-Santos foram os primeiros a publicarem livros sobre este tema. O livro de Eduardo, resultado de sua dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica pela PUC de São Paulo, tem o Psicodrama como base teórica para a compreensão e tratamento das situações de crise, mas torna-se eclético à medida que reconhece a necessidade de se incorporar elementos de outras linhas psicoterápicas para se ter maior alcance e melhores resultados.

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