O PLANO PERFEITO

 
 

 

CAPÍTULO 5

 

Cíntia estacionou seu carro na porta da casa. Percebeu que não havia sinal de pessoas, nem luzes acesas.

(Cíntia) - Será possível que ele se mudou?

Cíntia desceu de seu carro e, depois de trancá-lo, caminhou em direção ao muro da casa. Rodeou todo o local e percebeu que não havia jeito de entrar ali.

(Cíntia) - A menos que eu pule o muro.

Cíntia fora uma boa ginasta no seu tempo de colegial, mas atualmente, não contava com boas formas físicas. Pular o muro seria quase que impossível.

(Cíntia) - Oh, céus... Estou achando tudo isso muito estranho.

Como se a melhor das idéias viesse-lhe à cabeça, Cíntia deu um salto.

(Cíntia) - Como não pensei nisso antes? Os vizinhos devem saber de alguma coisa.

A moça seguiu até o portão de uma das casas vizinhas e apertou a campainha. Demorou alguns minutos para que alguém viesse atender.

(Cíntia) - Boa noite! Er... eu... sou da agência de turismo "SUN" e o seu vizinho me contatou para amostra de um guia de viagens. Mas faz alguns dias que venho tentando chamá-lo e parece que não há ninguém na casa.

A mulher encarou a colunista de cima à baixo.

(Mulher) - Você não é aquela colunista da FOX?

(Cíntia, engolindo em seco) - Não... não! A senhora deve estar confundindo.

(Mulher) - Bem... então você é muito parecida com ela. Mas em relação ao vizinho, eu não posso te informar nada. Ele se mudou há pouco tempo e aparece raras vezes por aqui.

(Cíntia) - A senhora não sabe quem ele é?

(Mulher) - Ninguém sabe, moça! É um cara estranho. Parece evitar todo tipo de gente.

(Cíntia) - Bem, de qualquer forma, muito obrigada!

(Mulher) - Por nada...

A Mulher voltou-se para dentro de sua casa. Cíntia entrou no seu carro e por lá ficou por várias horas.

*

Ricardo colocou o telefone no gancho.

(Ricardo) - Quer saber? Eu vou até a casa dela...

A mãe de Ricardo voltou-se para ele.

(D. Telma) - Falou comigo, Ricardo?

(Ricardo) - Não! Estava pensando alto.

(D. Telma) - Vai à casa da Ágata?

(Ricardo) - Sim! Quero saber porque ela não tem atendido aos meus telefonemas.

Ricardo saiu de casa guiando seu carro pelas ruas da cidade. Dentro de vinte minutos ele havia chegado à porta da casa de Ágata. Tocou o interfone. Uma voz estranha atendeu.

(Ricardo) - Aqui é o Ricardo!

A voz sumiu. Depois de alguns segundos, voltou.

(Voz) - A Ágata saiu.

(Ricardo) - Sabe quando ela volta?

(Voz) - Ela não disse...

(Ricardo) - Obrigado!

Ricardo passou as mãos pelo cabelo. Soltou um suspiro e entrou no carro. Estava disposto a esperar por Ágata.

*

Ágata estava dentro do orfanato, junto à Paula.

(Ágata) - Paula! Não fique assim tão triste... Eu sei que você gostava muito da Carolina, mas eu sou sua mãe verdadeira!

(Paula) - Quero ficar com a mamãe!

(Ágata) - Mas, Paula! Ela não é sua mãe. Você deve ficar ao meu lado.

(Paula) - Não sei quem você é. Pra mim, você é má. Me tirou de perto da mamãe.

(Ágata) - Oh, Paula! Não diga uma coisa dessas! Bem... vem cá! Senta no meu colo que eu vou te contar uma história e você vai entender tudo!

Muito a contragosto, Paula sentou no colo de Ágata.

(Ágata) - Quando você era bem pequenininha, eu estava muito doente, pois era muito fraca. Quando você nasceu, eu tinha só 17 anos e o meu pai, seu avô, ficou muito bravo com isso. E sabe o que ele fez? Aproveitou que eu estava doente e levou você para um orfanato bem parecido com este. Depois disso, eu nunca mais te achei. Contratei até um detetive para procurar você. E só agora, depois de cinco anos, podemos finalmente estar juntas.

Ágata abraçou a filha, mas esta se desfez do abraço da mãe.

(Paula) - Não importa! Tudo isso é mentira! Quero minha mãe! Não quero você!

Ágata encarou a filha e suspirou profundamente. Não pôde contentar as lágrimas que rolaram pela face como um banho de água fria.

*

Ricardo está dentro de seu automóvel. ( A música de fundo é: DOIS MUNDOS - JOTA QUEST). Foi quando ele percebeu o carro de Ágata que se aproximava. Rapidamente, ele saiu de seu veículo.

(Ricardo, parando diante do carro) - Ágata! Ágata! Não entre! Precisamos conversar...

Ágata parou o carro. Abriu o vidro.

(Ricardo) - O que houve com você, meu amor? Por que nunca responde meus telefonemas?

(Ágata) - Ricardo... você vai entender tudo...

(Ricardo) - Entender o quê, meu anjo? Está acontecendo alguma coisa? Fiz algo que não te agradou?

(Ágata) - Logo você saberá.

Ágata voltou a fechar o vidro do seu veículo.

(Ricardo) - Ágata! Meu bem! Fale comigo! Por favor... eu te imploro!

Ágata engatou a marcha e entrou pela garagem depois de abri-la com o controle remoto. O portão logo se fechou e Ricardo ficou diante da casa, sem entender as palavras da amada.

(Ricardo) - Céus! O que eu fiz de errado?

Uma semana depois, Ricardo leu na capa da revista FOX: "Inspetor Max Godoy anuncia casamento com Ágata Castello."

*

Célia mirou-se pela última vez no espelho.

(Cíntia) - Uau! Você está impecável!

(Célia) - É para ele, meu bem!

(Cíntia) - Pode ter certeza que agora ele vai se prostrar aos seus pés.

Célia encarou a amiga.

(Célia) - Sabe, Cíntia... às vezes acho isso tudo muito louco! De repente, chega no Brasil o presidente do Irã, um cara culto que fala dez línguas e é considerado o homem mais simpático do mundo, e... por acaso... ele se interessa pela colunista de uma famosa revista. Você não acha tudo isso um pouco... estranho?

(Cíntia) - Bem... eu não vejo maldade alguma. Até mais, porque se ele pretende fazer alguma coisa a você, o mundo todo ficará sabendo.

(Célia) - É verdade! Você tem razão...

(Cíntia) - Além do mais, ele não deixou claro se queria levar algum relacionamento com você.

(Célia) - Claro que não! Ele só me viu aquele dia no salão do hotel e depois me telefonou combinando uma coluna sobre "O PETRÓLEO SAI NA FRENTE" e, na despedida me convidou para essa festa.

(Cíntia) - Pois então! Hoje você terá mais chances de conhecê-lo e saber de suas intenções.

Célia sorriu para a amiga.

(Célia) - Tem certeza que não quer ir, Cíntia?

(Cíntia) - Não! Eu só iria atrapalhar.

Ambas escutaram um barulho de buzina.

(Célia) - Deixe-me ir. Tchau, amiga! Torça por mim...

(Cíntia) - Estarei torcendo, Célia...

 

 

Continua no próximo capítulo...

 

 

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