O PLANO PERFEITO

 
 

 

CAPÍTULO 3

 

Duas horas em ponto. Célia ajeitou os óculos na ponta do nariz. Estava em um lugar privilegiado, pago pela FOX pelo único motivo de conseguir uma entrevista de Richard Zee.

(Célia, pensando) - Esse cara só deve falar de política. Vai ser um tédio...

Célia detestava política. Já havia conversado com Roberta e pedido que deixasse para ela somente os assuntos de fofocas e moda.

(Roberta) - Nem só de fofocas vive o homem, minha cara. (foi o que a coordenadora da revista respondeu)

Naquele instante, a entrada do Sr. Richard Zee foi anunciada. Sob aplausos, o referido penetrou no salão. Ao contrário do que Célia pensava, Richard era um homem bonito e elegante. Tinha um sorriso cativante e uma voz que parecia ser de locutor de rádio.

(Célia, para si mesma) - Este é o Sr. Richard? Uau! Acho que não me arrependi de ter vindo até aqui!

*

Ágata encarava atentamente o Inspetor Max.

(Ágata) - Max... eu... eu realmente não sei o que dizer...

(Max) - Não quero forçá-la, querida.

(Ágata) - Sim, eu sei! Mas foi uma promessa.

(Max) - Realmente foi uma promessa.

(Ágata) - Se eu não cumpri-la, ficarei com um peso na consciência pelo resto da minha vida.

(Max) - Por favor, Ágata, não faça o que não tiver vontade.

Ágata ficou cabisbaixa. Pensou em Ricardo. Derramou algumas lágrimas e disfarçou como pôde.

(Ágata) - Casarei com você, Max.

Max tentou se controlar. No íntimo, queria sair pulando e comemorando, mas limitou-se a um simpático sorriso.

(Max) - Você... tem certeza do que está fazendo, Ágata?

(Ágata) - Tenho certeza, Max!

Max ergueu-se da mesa para abraçá-la. O abraço foi frio.

(Max) - Estou feliz pela decisão que você tomou. Eu você e Paula seremos a família mais feliz do mundo.

(Ágata) - Sim, Max! A família mais feliz do mundo...

*

Carolina estacionou seu imponente carro bem próximo ao orfanato. Logo, dirigiu-se à recepção.

(Carolina) - Quero ver Paula Saturnino.

(Recepcionista) - Aguarde só um instante, senhora!

A recepcionista conversou em voz baixa pelo telefone.

(Recepcionista) - A senhora é a mãe de Paula?

(Carolina) - Sou a mãe adotiva.

(Recepcionista) - Tudo bem. A senhora tem quinze minutos de visita.

O lugar mais parecia um internato. Lá ficavam as crianças que esperavam a ordem do juiz para saberem seus destinos. Carolina seguiu uma atendente até o quarto de Paula. Quando mãe e filha se encontraram, houve um breve silêncio de dor.

(Carolina) - Filha...

Ambas se abraçaram e choraram profundamente.

(Paula) - Mamãe! Vão nos separar?

(Carolina) - É verdade, querida..

(Paula) - Por que, mamãe? Eu te amo tanto!

(Carolina) - Oh, meu bem... eu também! Mas a sua mãe verdadeira tem o direito de tê-la.

(Paula) - Mas eu não quero a outra... quero você...

Carolina chorou abraçada à menina.

(Carolina) - Filha, filhinha... Escuta o que mamãe vai lhe dizer...

A menina fixou seu olhar doce e meigo sobre a mãe.

(Carolina) - Seja obediente à sua mãe verdadeira. Ela também te ama, irá te tratar tão bem como eu. Promete que vai ser boazinha, meu anjo? Promete?

(Paula) - Prometo, mamãe! Mas você vai voltar para me buscar?

(Carolina) - Isso é impossível, meu bem! Eu não serei mais sua mãe. Não posso viver com você.

(Paula) - Eu sei...

(Carolina) - Querida... quero que entenda que eu não abandonei você. Te amo muito. Muito mesmo. Tudo o que aconteceu, foi uma grande mudança. Sua vida será ao lado de outra mulher, mas o amor e carinho serão os mesmos todos os dias. Você será feliz com a Ágata, querida!

(Paula) - Está bem, mamãe! Não precisa chorar.

Carolina riu nervosamente.

(Carolina, levantando-se) - Bem... a mamãe tem que ir. Vem me dar um beijo, boneca!

Paula pulou no colo da mãe e beijou-a fraternalmente na bochecha.

(Carolina) - Adeus, meu bem!

(Paula) - Tchau, mamãe!

*

As entrevistas haviam acabado. Célia tinha seu olhar fisgado na imagem de Richard Zee. Os outros repórteres e colunistas já estavam apanhando seus materiais para saírem dali. Célia, porém, não parecia querer se mover. Foi quando percebeu que Richard se aproximava.

(Richard) - Está olhando o quê, neném?

(Célia) - Er... nada! Nada, não!

(Richard) - Você é da FOX?

(Célia) - Sou sim, senhor!

A moça ergueu-se e mostrou o crachá, confirmando o nome da revista para qual trabalhava.

(Richard) - Oh... please! Senhor não! Richard... apenas...

(Célia, sorrindo) - OK!

Richard pegou a mãe de Célia e beijou-a serenamente.

(Richard) - Posso pegar seu telefone? Acho que vou precisar de um favorzinho seu. Quero publicar um artigo na FOX.

(Célia) - Oh, sim, claro! Vou lhe dar o meu cartão.

Da bolsa, Célia tirou seu cartão de visita e entregou ao presidente.

(Richard) - Ligarei amanhã, sem falta! Good bye, baby!

O Sr. Richard Zee despediu da moça com o mais bonito dos sorrisos.

(Célia, pensando) - Baby? Ele me chamou de baby? Oh, céus... e ainda pediu meu telefone. Estou feita! Feitíssima!

*

Cíntia não despregava os olhos da amiga.

(Cíntia) - O presidente do Irã? Inacreditável! Como você conseguiu?

(Célia) - Sei lá, minha filha! Fiquei parada feito uma retardada enquanto os outros jornalistas saíam. De repente, vi que ele se aproximava de mim. E então... me chamou de neném, pediu meu telefone e, no final se despediu com um charmoso "Good bye, baby" que quase derreteu minha alma. Ai, Cíntia! Imagina só! Eu! Célia, uma pobre colunista. Namorando um presidente! Ah... é muita areia pro meu caminhão...

(Cíntia) - Puxa vida! Você tá com a bola toda, hein? Não quer me dá um pouco desse mel, não?

(Célia) - Ai, Cíntia! Será que ele vai ligar mesmo? Será que ele... que ele...

(Cíntia) - Que ele...?

(Célia) - Ah, não quero nem pensar...

Célia afundou no sofá, mais sonhadora do que nunca.

 

Continua no próximo capítulo...

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1 1