Capítulo 8

 

-Se esconde em algum lugar! – sussurrou Ana Paula, nervosa – Embaixo da cama, rápido!

            Roberto, sem saber o que fazer, entrou debaixo da cama da moça. Ana Paula vestiu a blusa novamente. Enfiou o casaco de Roberto embaixo da cama também.

            -Ana? – gritou Edu, novamente – Você está aí?

            -O que você quer, Eduardo? – perguntou ela, quando Edu apareceu no quarto.

            -A porta estava aberta. Ana... precisamos conversar... – disse o rapaz – Tenho que te explicar umas coisas...

            -Não perca seu tempo. Eu vi! Você estava junto com aquela mulher. Faltavam se beijar! – acusou ela.

            -O que? Beijar? Não seja exagerada! Nós nem nos encostamos! – esbravejou Edu – A Diana é uma ex-namorada minha sim! Mas terminamos há mais de um ano e meio. Ela vive me perseguindo, querendo voltar. Mas eu nunca aceitei... Ainda mais agora!

            -Eu não quero um namorado que tem milhões de fãs por todo lugar aonde vai! – disse Ana Paula.

            -Ana... Eu não tenho tantas fãs como você diz. E mesmo que tivesse, nunca ligaria para nenhuma delas... porque... porque eu te amo! – disse Edu, sinceramente – Eu juro para você que nunca te trairia. Nunca menti para você nem nunca vou mentir!

            -Preciso pensar, Edu... Me dê um tempo, por favor. Amanhã ligo para você! – disse ela.

            -Tudo bem. – disse ele, com uma voz inconformada – Se você prefere assim... Mas pense bem, por favor. – disse, e saiu, triste.

            -Vou pensar... – disse ela, cantarolando, ao ouvir a porta da sala se fechar – Mas creio que agora não terei tempo... – e colocou a cabeça embaixo da cama, sorrindo para Roberto, que estava encolhido – Pode sair, querido... O seu filhinho lindinho já foi.

            Roberto saiu do esconderijo. Levantou-se e vestiu o casaco.

            -Ei! Vamos continuar onde paramos... – disse Ana.

            -Não posso! – disse Roberto – Ele é meu filho!

            -Roberto... eu sei que você quer...

            -Você está apenas me usando para se vingar dele, porque o viu com outra mulher! – acusou Roberto, nervoso.

            -Ah, você acreditou nisso? Eu o vi com uma mulher sim, mas não tô nem aí. Sei que ele é louco por mim. Devia ser apenas uma amiga, ou uma ex-namorada como ele disse. – revelou Ana Paula – Aquela foi apenas uma desculpa para eu me livrar daquele lugar, pois tive o pressentimento de que alguém muito especial cruzaria meu caminho hoje à noite.

            -Não me convenceu! – disse Roberto, confuso – O Eduardo te ama. Nunca vi esse moleque tão apaixonado assim! Ele se humilharia por sua causa, garota!

            Ana apenas o olhou. Seus olhos sedutores brilharam.

            -E... o que estou fazendo aqui, meu Deus? Eu sou casado com a Renata. Eu amo aquela mulher! – gritou Roberto – Sabe o que vou fazer? Vou contar ao Edu que tipo de mulher é você.

            -E partir o coração do coitadinho? – perguntou Ana Paula, sempre se referindo a Edu, que era apenas dois anos mais novo, como se fosse uma criança – Acho que não! E quem garante que ele acreditará em você? E o pior: como você explicará que estava aqui no meu apartamento?

            Roberto saiu, apressado. Ana Paula gritou:

-Voltaremos a nos encontrar, querido! Não finja que não sente nada!

Estava confuso, atordoado... O que estava fazendo? Por que aquela moça o afetava tanto? Como chegou em casa, nunca soube. Estava completamente desorientado. Renata o aguardava, na sala. Edu estava estirado no sofá, com as mãos na cabeça.

-Por que demorou, Roberto? – perguntou ela, preocupada.

-A... a farmácia estava fechada. Fui andando por aí, vendo se havia alguma aberta, mas já está tarde. – inventou ele.

            -Sua dor melhorou?

            -Sim... Estou um pouco melhor! – respondeu Roberto – O que houve, Eduardo? – perguntou, virando-se para o filho, que tinha uma cara arrasada.

            -A namorada está duvidando dele. – respondeu Renata, olhando penalizada para o rapaz – Vai dormir, meu filho. Amanhã tudo se resolve. Ela te ama, com certeza.

            Roberto sentiu uma queimação por dentro.

 

 

            A luz fria da Lua iluminava o jardim, e uma pequena flor, que ousava crescer entre duas pedras, murchou...

 

 

Continua na próxima semana . . .         

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