Capítulo 6

            -Estou saindo! – gritou Bia, com uma bolsa nas mãos – Não tenho hora para voltar!

            -Aonde você vai, Bia? – perguntou Débora, sua irmã, que já estava de pijama – Saindo de novo? Tarde assim?

            -Não interessa, Débora. Você não é minha mãe para tirar satisfações. – disse Bia.

            -Pelo menos perguntou pra mamãe se você pode sair?

            -E desde quando ela está em casa a essa hora? – zombou a irmã – Eu já disse...A essa hora ela está colocando um belo par de chifres na testa do Flávio.

            -Deixa o papai escutar isso que você fica falando... – disse Débora.

            -Ih, Débora... Vai dormir, vai, neném... Tchauzinho. – falou Bia, e fechou a porta.

 

 

            Michele fora dormir na casa de Bruna. Estavam na internet. Michele iria mandar um e-mail para o garoto que conhecera no bate papo virtual.

 

CiberNETico,

 

Lembra de mim? Aqui é a Michele, que entrou no chat como Mi (mosa) – um nick horrível, aliás – Estou na casa da minha amiga Bruna e acabei de fazer um e-mail. O endereço é o seguinte [email protected] . Gostei muito de conversar com vc, pena q vc ñ diga quem é. Me escreva, ok? Depois te mando uma foto.

 

Bjos

Mi.

 

            -Ficou bom, Bruna? – perguntou Michele, após terminar de escrever a mensagem.

            -Ótimo, amiga!

 

 

            Bia chegou de ônibus a um prédio em uma rua sem saída. Era um edifício pequeno e antigo. Na escada da frente, vários jovens estranhos estavam sentados. Todos tinham uma aparência rebelde e tinham pequenos embrulhos nas mãos.

            -Cheguei tarde, galera? – perguntou Bia, que não era muito diferente deles. Era bastante rebelde também.

            -Bem a tempo, gata! – disse um rapaz de touquinha preta – Senta aí!

            Bia cumprimentou todos, batendo as mãos, e se sentou.

            -Hoje o Bob trouxe cocaína... – disse outro rapaz – Já experimentou essa, Biazinha?

            -Claro... Mas só uma vez. – respondeu a garota – Tô pronta pra mais uma...

            -Uma vez só, cara? – perguntou uma moça, de lápis preto no olho e um nariz vermelho – Eu uso direto!

            -Só! – disse Bia – Me dá isso aqui! – disse, tomando um pacotinho das mãos do rapaz de touquinha.

            -Epaaa! Calma, aí! Essa droga é das boas... É cara também! – disse ele.

            Bia tirou um dinheiro do bolso e deu a ele.

            -Agora sim... – disse ele, dando a droga à Bia.

            Bia pegou um tubinho, colocou o pó branco nele e enfiou no nariz, aspirando a cocaína.

            -Nossa! – exclamou ela, fungando um pouco, mas com uma cara alucinada – Demais!

           

 

            Ana Paula e Edu estavam em um restaurante. Uma música romântica tocava suavemente ao fundo. Enquanto esperavam a chegada do prato, Ana disse:

            -Só um minutinho, Edu. Vou ao toalete.

            Edu ficou dobrando e desdobrando o guardanapo, enquanto esperava Ana Paula voltar. Foi quando uma mulher se aproximou:

            -Edu! – exclamou ela – Lembra-se de mim?

            -Diana? – perguntou ele.

            -Eu mesma... Tudo bem? – perguntou ela, sentando-se sem ser chamada – Saudades dos nossos velhos tempos, Edu?

            -Bem, Diana. Estou namorando! Estou aqui com a minha namorada e...

            Mas nesse momento, Ana Paula apareceu e, com uma expressão furiosa, gritou:

            -Eduardo! Será que não posso sair nem cinco minutos que uma de suas fãs aparece? Quem é essa? Outra ex-namorada? – e sem esperar Edu responder, saiu andando rápido para fora do restaurante.

            -Ana Paula! Espera!

 

 

            Renata e Roberto estavam sozinhos em casa.

            -Sabe que eu adoro quando nós dois estamos sozinhos em casa? – comentou Renata.

            -Eu também, meu amor... – respondeu Roberto – É uma pena que hoje estou morrendo de dor de cabeça. – disse ele, cortando o clima da mulher.

            -Tome um remédio, então, querido... – recomendou Renata.

            -Acho que vou à farmácia comprar. Aqui em casa acabou.

            -Não quer que eu vá lá? – perguntou a mulher.

            -Você já está de pijama, Rê. Pode deixar que eu vou lá.

            Roberto calçou os sapatos e saiu de casa. Andando na rua, tentava refrescar a cabeça e parar de pensar em Ana Paula. Mas, quando ia atravessar a rua, levou uma trombada de alguém. Se ajeitando, viu que uma mulher caíra no chão, ao trombar com ele. Quando ela jogou os cabelos para trás, Roberto reconheceu aqueles olhos verdes e um perfume de rosa penetrou em seu nariz. Era Ana Paula, com quem estivera sonhando nos últimos dias. Estava bem diante dele.

Continua na próxima semana . . .

1
Hosted by www.Geocities.ws

1