Capítulo 5

 

        

Renato chegou cansado em casa, fora a pé.

            -Meu filho! Que bom que você chegou! – exclamou uma mulher gordinha, negra e de grossos beiços.

            -Oi, Lió! – cumprimentou o garoto.

            Lió era a empregada da família. Tratava Renato e seu irmão Bernardo como se fossem seus filhos. A mãe, que vivia bêbada, não se importava com eles. E o pai trabalhava demais, quase nunca estava em casa, e quando estava, não tinha paciência alguma com ninguém.

            -Onde está a mamãe? – perguntou Renato.

            -Saiu há pouco... – disse Lió – Seu irmão já chegou de viagem... – continuou, sorrindo, os dentes muito brancos.

            -Sério? – exclamou Renato, entusiasmado – Está no quarto?

            Lió confirmou com um sorrisinho. Renato foi até o quarto ao fundo do corredor.

            -Bernardo!

            -Renato! Tudo bem, cara? – perguntou um rapaz mais velho, de cabelos pretos, que estava sentado na cama.

            -Tudo! E aí? Como foi a viagem?

            -Ótima! Estava com saudades, mano... Como vai a escola? – perguntou Bernardo.

            -Mais ou menos... – respondeu Renato, meio desviando o assunto.

            -Vai dizer que ainda há gente pegando no seu pé? – perguntou Bernardo, com raiva.

            -Não me importo com isso... – respondeu – Hoje conversei com uma garota do meu colégio pela internet. Eu a conheço, mas ela não sabe quem sou.

            Bernardo fez uma expressão desanimada. Mesmo assim, disse:

            -Que bom! Mas é melhor você fazer amigos pessoalmente.

            -Eu sei... – disse Renato, suspirando e saindo do quarto.

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            Renata conversava com a amiga Cristina:

            -Não conhece nenhuma paisagista, Cris? Estou precisando de uma para dar um jeito no meu jardim. Está tão triste...

            -Não, Renata... Nenhuma. Falando nisso, vamos sair hoje à noite? – perguntou Cristina, mudando completamente de assunto – Mas sem marido pra pegar no nosso pé!

            -Não sei como o Flávio te agüenta, Cris... Você sai todo dia. Ele deve confiar muito em você. Mas eu não troco meu marido por nada nesse mundo. Hoje à noite quero ficar sozinha com ele. Edu vai sair e a Michele vai dormir na casa da amiga.

            -E você acha que os homens se importam, Renata? – perguntou Cristina – Eles não são do jeito que a gente pensa.

            Renata riu da amiga.

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            Já era noite e Edu, depois do banho, se arrumava para o encontro com Ana Paula. Como não era muito vaidoso, penteou rapidamente o cabelo e vestiu uma roupa comum. Ligou para Ana Paula, dizendo que já passaria em sua casa para busca-la. Roberto, que passava pelo corredor e escutou a conversa, olhou com uma expressão estranha para o filho. Quem olhasse atentamente para seu rosto, perceberia de longe que era uma expressão de completo ciúme. Não conseguia tirar a namorada do filho da cabeça – embora tentasse – desde o dia da festa de Michele.

Roberto dirigiu-se a seu quarto, de onde olhou, pela primeira vez em muito tempo, o grande jardim ao fundo da casa. Fechou os olhos e curtiu uma brisa gelada que fazia algumas folhas secas brincarem no jardim. Enquanto pensava em Ana Paula, sentiu um estranho perfume de rosa, vindo não se sabia de onde, uma vez todas as rosas que antigamente floriam no jardim estavam mortas.

 

 

Continua na próxima semana . . .         

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