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Capítulo 3 |
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Era uma segunda feira movimentada, como as outras. No escritório, Roberto conversava com o amigo e colega: -Acredita, Flávio? Meu filho veio de novo com aquela história de não entrar na empresa...De ser artista. – disse Roberto. -Esse Eduardo não tem jeito. – disse Flávio, arrumando a papelada – Você tem certeza de que seu filho não é uma florzinha, Roberto? Sei lá...Um homem ser pintor, desenhista... – riu ele. -Não fale isso. Já te contei que ele arrumou uma namorada linda? Nos apresentou anteontem, no aniversário da Michele. – falou Roberto. -Eu só estava brincando, meu chapa. Mas...Fale a verdade, esse não é o filho que você pediu a Deus, é? -Não...Está longe de ser... Edu estava no quarto de Ana Paula, fazendo um retrato dela, nua. -Isso mesmo, Ana. Fique quieta que já termino o esboço. -Já estou cansada de ficar nessa posição, amor. – disse ela. -Pronto. Já acabei. Outro dia terminamos o resto. Vai ficar lindo. -Você é um grande artista, Edu... – disse ela, beijando o namorado – Quando não estiver trabalhando na empresa de seu pai, poderá fazer obras lindas. -Eu não te disse? – perguntou Edu – Não vou entrar na empresa dele. -Como? -E você já sabia, Ana. Disse que não era o que eu queria. -Mas você ainda estava indeciso... – falou Ana Paula. -Pois me decidi ontem. Não vou entrar na empresa e nem quero herança nenhuma. Agora, com licença, tenho que ir para a faculdade. -Vamos nos encontrar hoje à noite? – sugeriu ela, com a voz meio frustrada. -Ligo para combinar. Michele e a amiga Bruna chegavam na escola, conversando: -Hoje depois da aula, vá lá em casa para a gente entrar na internet, Bruna. -Ok, Mi. Estou louca para te ensinar a navegar na net... Um menino, que vinha carregando um monte de livros, tropeçou na frente delas, derrubando tudo no chão. -Er...Desculpem-me. – disse ele, meio desajeitado, recolhendo os livros. As garotas riram da cena e continuaram andando. Mais à frente, encontraram dois rapazes e os cumprimentaram com beijos no rosto. O garoto que acabara de recolher os livros, passou por eles, disfarçando. Logo, escutou alguém gritar seu nome: -Renato! -Oi, Seu Jorge. – cumprimentou o garoto. -Tudo bem? Você vai usar a sala de informática hoje? – perguntou seu Jorge. -Posso? Queria entrar na internet... -Claro. Fique com a chave de uma vez...Hoje sairei mais cedo. Amanhã me devolva. -Ok, obrigado, seu Jorge. -E não se esqueça: não conte a ninguém que eu o deixo usar a sala depois da aula. Você é o único que tem esse privilégio. – recomendou Jorge. -Pode deixar. Obrigado. -O que achou desse desenho, Bia? – perguntou a garota, com uma folha em mãos. -Ah, Débora! Que coisa mais cafona. Ficar desenhando... Coisa de neném... – disse Beatriz, com desprezo, sem sequer olhar o desenho. -Não é coisa de neném... É natureza morta. Frutas... – disse Débora, chateada. Bia acendeu um cigarro e continuou com o mesmo desprezo no olhar. -Você é mesmo muito boba...Nem parece que o Flávio e a Cristina são seus pais também. – disse ela. -A diferente é você. – disse Débora – Papai e mamãe vivem preocupados com você. Está sempre se metendo em confusão. -Eu puxei a Cristina. Ela vive saindo pela noite, com certeza traindo o velho. -Não fala isso da mamãe. – disse Débora, bastante brava com a irmã – Mudando de assunto, sou louca para fazer um desenho do Edu... Desenhar aquele rosto lindo dele... -Não sei que graça você vê naquele ridículo... Ainda mais, ele vive trocando de namorada... – disse Bia – E pelo que o Flávio disse, ele quer ser artista... -Nós nos parecemos muito...Mas ele nem me nota. -Você é tão besta... – comentou Bia, com o cigarro na boca. Renata olhava, da sacada de seu quarto, o jardim. Estava cada vez mais morto...
Continua na próxima semana . . . |