Capítulo 2

 

            Algo o deixara louco aquela noite. Lembrava-se exatamente da sensação que sentira: seu coração batia forte e mil fantasias cobriam sua mente. Tentava fechar os olhos e esquecer, mas parecia impossível conseguir dormir.

            Renata chegou, minutos depois:

            -Terminei de arrumar as coisas. Quebrei o galho, pelo menos. Amanhã lavo o resto dos pratos. – disse ela, tirando a roupa – A festa foi agradável, não?

            Ele nada respondeu. Tinha os olhos vidrados.

            -Hein, Roberto? Não foi? – insistiu Renata.

            -Ah, sim... – disse ele, acordando – Foi muito boa.

            -Bebeu demais, né? De novo... Amanhã vai acordar com uma ressaca brava. – zangou-se ela.

            -Não...Não bebi quase nada. Estou um pouco cansado. – disse ele.

            Renata estava nua, e quando pegava a camisola para vestir, pensou melhor:

            -Que tal prolongarmos nossa noite? – sugeriu ela.

            Roberto olhou o corpo da mulher. Estranhamente, não sentiu atração nenhuma. Era como se ela não o satisfizesse completamente. O que estaria acontecendo? Amava Renata, nunca tivera dúvida.

-O que foi, amor? – perguntou Renata, estranhando o olhar pensativo do marido – Não está a fim?

-Não...Eu não...Não, o que é isso. Claro que estou. – disse ele, meio confuso – Vem cá... – chamou, tirando a camisa.

Definitivamente, aquela não foi uma noite perfeita. Ele não sentiu prazer algum, mas não deixou que Renata percebesse.

No dia seguinte, Roberto acordou cedo para sua caminhada matinal. Michele instalava o computador, com ajuda da amiga. Na área da piscina, Edu nadava, enquanto sua mãe tomava sol, lendo uma revista de moda, na espreguiçadeira:

-Você devia ser modelo, meu filho. – disse Renata, comparando Edu com o modelo da revista que lia – Esses seus olhos verdes, esse seu corpão...

-Ah, que isso, mãe? Você sabe que eu quero ser pintor. Um artista famoso. – respondeu ele.

-Isso nem sempre dá dinheiro, querido... – disse Renata.

-Isso mesmo – disse Roberto, que acabara de chegar, entrando na conversa – E você sabe meu filho, você tem que honrar o nome da família Diniz. Todos de nossa família são bem sucedidos. Tem que entrar para nossa empresa.

-Já disse que não quero entrar na empresa. Quero fazer algo que me dê prazer. – disse Eduardo, um pouco irritado.

-Eduardo, você sabe que se não entrar para a empresa, não o sustentarei. Não herdará nada meu, também. – disse Roberto.

Edu saiu da piscina e enquanto pegava a toalha, retrucou:

-Não quero herdar nada seu, nem quero ser sustentado. Quero ganhar meu próprio dinheiro, independentemente.

-Assim você me deixa com vergonha! – irritou-se Roberto.

-Há coisas mais importantes que o dinheiro, pai! – disse Edu.

-Ei! Vamos parar com isso. Não gosto de vê-los discutindo... – interrompeu Renata.

Edu saiu com a cara amarrada e subiu para o quarto.

-Esse menino não tem jeito... – disse Roberto, subindo em seguida para tomar banho – Mas ainda vou convence-lo a entrar para a empresa. Ah... Vou sim! – completou ele.

Renata subiu mais tarde e aproveitou para dar uma passada no jardim, que ficava ao fundo da casa.

-É uma pena que esse jardim esteja tão morto assim... Era tão cheio de vida. Preciso contratar uma paisagista. – disse para si mesma.

Observou uma das poucas folhas da roseira cair, lentamente, no chão...

 

Continua na próxima semana . . .         

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