Capítulo 11

Se a situação estivesse pior... estaria melhor que a atual, com certeza. Não, mas isso não fazia sentido, pensava Roberto, nervoso.

O que ele tinha certeza, é que estava em uma péssima situação. Ana Paula devia chegar a qualquer momento, e sua família não estava em casa. Michele na casa da amiga, Edu e Renata visitando sua sogra, e as empregadas de licença.

Era fim de semana. Já voltara da reunião do trabalho, e, após comer rapidamente em um restaurante, foi para casa.

Receber Ana Paula, sozinho, não lhe inspirava bons pensamentos. A campainha tocou e um nervoso percorreu por todos os seus membros. Percebeu que sua mão tremia ao destrancar a fechadura. Respirou fundo e abriu a porta:

-Olá! – era ela. Estava linda, pensou ele, seus olhos mais verdes que nunca. Seus lábios, como sempre, vermelhos, como se sangrassem.

-Olá! – respondeu ele, tentando esconder o nervosismo – Você vem olhar o jardim, não é?

            Ela sorriu com o canto da boca, como se dissesse que não estava lá para isso.

            -Sim... – disse, suavemente – Pode me acompanhar até lá?

            -Claro! – gaguejou ele.

            Foram até o jardim, ao fundo da casa. O chão, como sempre, coberto de folhas secas. As árvores, sem nenhuma folha. Ela dirigiu-se para o meio do jardim. Olhou em volta, observando cada detalhe.

            Começou a cantar uma melodia incompreensível, mas suave, com uma voz cristalina.

            -O que está fazendo? – arriscou-se a perguntar, Roberto.

            -Não percebe? – sussurrou ela, misteriosamente – Esse jardim precisa de alegria.

            Silêncio. Ele ainda a olhava e ela, incomodada, não prosseguiu com a canção.

            -Não se faça de boba, Ana Paula! – disse ele, por fim – Não finja que está tudo bem.             -Não estou fingindo... está tudo bem... quase tudo... – falou a moça.

            -Aquela noite...

            -Shhh! – ela colocou o dedo nos lábios de Roberto, silenciando-o – Aquela noite deveria ter sido maravilhosa... mas seu filho nos atrapalhou.

            -Eu tenho uma família, menina! – disse ele, irritando-se.

            -Sim... e de que adianta uma família sem amor?

            -Eu amo meus filhos! Eu amo minha m...

            -Não! – ela o interrompeu – Você ama seus filhos, talvez. Mas não ama sua mulher!

Silêncio novamente. Ela, mais uma vez olhou ao redor, observando o jardim. depois, parou o olhar em Roberto.

-Você sabe...

Ele não entendeu. Esperou Ana Paula continuar:

-Você sabe o que tem que ser feito, para que esse jardim volte a florescer...

Roberto aproximou-se da moça, e seus lábios se uniram mais uma vez, num beijo de paixão. Começou a despi-la...

Continua na próxima semana . . .

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