Capítulo 10

-Que bom! – exclamou Michele, em frente ao computador – Chegou e-mail. Vou ler!

Mi,

Tudo bem? Aqui é o CiberNETico. Fiquei feliz ao receber seu e-mail!
Olha, pelo menos por agora, não gostaria de dizer meu nome e quem eu sou. Mas me mande uma foto. Assim vejo se a conheço mesmo.

Espero que sejamos amigos. Adoro fazer amigos virtualmente. Acho mais fácil que pessoalmente. Não sei se você entende... mas quando conhecemos uma pessoa pelo computador, é mais difícil ela rejeitar você, pois não está te vendo e não se liga apenas nas aparências.

Espero respostas suas...

Grande beijo

            CiberNETico

            “Vou responder agora mesmo!”, pensou Michele.

CiberNETico,

Comigo está tudo ótimo e com vc? Que bom q vc me respondeu! Td bem... se vc prefere ñ falar quem é, eu ñ vou perguntar! Mas um dia você ainda vai me contar, hein? Estou mandando junto com esse e-mail, uma foto minha. Espero q goste.

É... nunca tinha pensado desse modo. Amigos virtuais não se ligam na aparência. Mas pra mim é bem fácil fazer amigos ao vivo também.

Beijinhos,

            Michele

 

 

            -Claro! Assim está ótimo! – falava Renata, ao telefone – Espero você aqui no fim de semana! Obrigada você, querida... um beijo! Tchau!

            -Quem era, amor? – perguntou Roberto, chegando no quarto.

            -A Ana Paula. Ela vem aqui no fim de semana... ver o que pode ser feito pelo nosso jardim! – respondeu a mulher.

            -O que? Mas não seria melhor você contratar alguém mais... profissional?

            -Roberto! Ela é uma gracinha. Acredito que tenha muita capacidade. – disse Renata.

            -Se você pensa assim... – desistiu Roberto, vendo que não conseguiria tão cedo manter a namorada do filho longe – Ah, esqueci de avisar! A Luana disse que seu pai ligou hoje cedo. Pediu pra você retornar a ligação.

            -Ah, sim... obrigada! Vou ligar pra ele.

 

 

            Renato estava em casa, conversando com o irmão Bernardo:

            -Então esses meninos estão te provocando de novo? – perguntou Bernardo.

            -Ah, foi sempre assim! Ficam olhando com aquelas caras de superiores... me esnobando, porque presto atenção na aula e não fico de zoeira lá no fundão. – respondeu Renato, triste – Me acham um cê-dê-efe.

            -Não liga pra esse povo, mano. Não sabem o amigo que estão perdendo. E você, com certeza, tem muito mais futuro que eles. – consolou o irmão mais velho.

            -Queria pensar como você, Bernardo!

            Bernardo abraçou o irmão, que ficou com os olhos cheios d’água.

 

 

            -Como? – perguntou Roberto.

            -É, amor... a mamãe está muito doente! – respondeu Renata, após ligar para o pai - Preciso ir visitá-la. Acho que vou hoje à noite mesmo. Vai comigo?

            -Mas hoje é sexta e tenho reunião no escritório amanhã de manhã!

            -Ah, tudo bem! – disse Renata – Peço o Edu pra ir comigo. Ih... mas a Ana Paula viria aqui amanhã. E a Michele vai dormir na casa da colega dela.

            Roberto franziu a testa.

            -Faz um favor pra mim, Roberto? – pediu a mulher – A Ana Paula vem amanhã à tarde. Se a Michele estivesse aqui, pediria para ela acompanhar ela, enquanto observa o jardim. Mas como ela vai dormir fora, pedirei isso a você!

            -O que? – exclamou Roberto.

            -Isso mesmo Roberto: fique aqui à tarde com a Ana Paula. Receba ela, para que ela olhe o jardim...

            Roberto sentiu um desespero tomar conta de sua cabeça.

 

Continua na próxima semana . . .         

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