Capítulo 1

 

Um jardim ao fundo da casa. Era triste, sem vida... Não havia pássaros, verde, alegria...

Um velho balanço de madeira, pendurado numa árvore quase seca, balançava tristemente, com o frio vento que vinha do sul. Folhas secas cobriam o chão, fazendo uma espécie de tapete.

Solidão... Solidão era o sentimento presente naquele jardim. Faltava alguma coisa. Faltava amor. Aquela família podia não saber,  mas estava carente de amor, de paixão...

 

Fazia frio aquela manhã, e ele se recusava a  levantar da cama:

            -Ai, amor...Aqui está tão quentinho...Vamos ficar abraçadinhos mais um pouco. Hoje é sábado... – disse o marido, junto à esposa.

            -Ah, não, Roberto...Tenho que fazer o café da manhã. Hoje a empregada não vem e é o aniversário da nossa filha.

            A mulher se levantou, vestiu o hobby e deu um beijo no marido.

            -Levante-se, seu preguiçoso! – disse ela, rindo.

            Ele, a muito custo, levantou-se.

            -Vou tomar um banho, Renata. Capriche no café, tudo bem?

            -Vou fazer o melhor café da manhã que você já tomou, meu bem.

            Renata desceu as escadas, foi até a cozinha e preparou o café. Bem caprichado, com pães e geléia, café, leite, suco, frutas e outras delícias.

            -Bom dia, mãe! – disse uma garota, chegando na sala.

            -Ai, venha cá! Deixe-me dar um abraço na minha aniversariante do dia... – disse Renata, indo em direção à filha, de braços abertos – Parabéns Michele!

            -Obrigada mamãe.

            -Parabéns pra você...Nesta data querida...Muitas felicidades...Muitos anos de vida! – chegou um rapaz, cantando – Feliz aniversário, mana! Dezessete anos, hein?

            -Obrigada Edu. Adoro vocês! – disse Michele, feliz – Cadê o papai?

            -Está no banho. Já vem... E aí? Está preparada para a festa hoje à noite?

            -Não vai ser festa, vai? Só uma reunião em família... – disse a garota.

            -É...Uma reuniãozinha familiar. – confirmou a mãe.

            -Posso trazer minha namorada? – perguntou Edu - Aproveito e a apresento a vocês...

            -Claro, mano. Quero conhecê-la também. – disse Michele.

            Roberto chegou naquele momento. Tinha um enorme embrulho em mãos.

            -Esse é um presente de todos nós, querida. – disse ele – Meus parabéns!

            Michele abriu.

            -Um computador? Ah, gente...Não precisava disso tudo...Muito obrigado! Adorei!

            Mais à noite, estava tudo preparado para a reunião em família. Edu saíra para buscar a namorada em casa. Os avós foram os primeiros a chegar. Logo depois chegaram alguns primos e tios. Estavam sentados na sala de visitas, conversando, quando escutaram alguém bater na porta. Roberto, sentado numa poltrona próxima, levantou-se e disse:

            -Deve ser nosso filho, que esqueceu a chave. – e abriu a porta.

            Era, de fato, Eduardo, com a namorada:

            -Olá, pessoal! Essa é a Ana Paula, minha namorada. – apresentou o rapaz.

            Roberto olhou fixamente para a namorada do filho. Era linda. Acompanhou a moça dos pés à cabeça. Tinha um belo corpo, cabelos levemente ondulados, lábios vermelhos como uma rosa e olhos verdes, muito sedutores. Roberto desejou toca-la, desejou escorregar em seus cabelos e mergulhar em seus olhos. Nunca sentira nada parecido...

 

 

Continua na próxima semana . . .         

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