TV ANTENA
 

 

CAPÍTULO 14

 NOVELA DE VITOR ZUCOLOTTI

No posto médico Fernanda, ainda desacordada, é examinada.

Fernando: O que houve com ela?

Médico: Não posso afirmar muita coisa, Fernando. Temos que leva-la ao hospital de Santo Amaro.

Fernando: É tão grave assim?

Médico: Se for o que eu penso que seja...

Dona Elza lava uma louças quando o telefone toca.

Elza atendendo o telefone: Alô?

Betânia: Dona Elza? Aqui é a Betânia, eu sou aquela amiga que a Daniele recomendou.

Elza: Ah! Tá! Betânia, tem como você dar uma passadinha aqui? Desde que a Dani deixou o trabalho isso aqui virou uma zona.

Betânia: Pode deixar. Que dia quer que eu passe ai?

Elza: Hoje a tarde? Não sei, tenho a dia inteiro livre hoje. Você soube do que aconteceu com ela?

Betânia: Sim, ela vai ser enterrada hoje mesmo. Não vai haver velório.

Elza: Meu pêsames! Então a qualquer hora você vem?

Betânia: Isso a qualquer hora!

Betânia deita em sua cama e lembra dos momentos com Daniele.

FLASHBACK

Daniele: Eu nunca pensei a gente fosse se dar tão bem.

Betânia: Para você ver! As aparências enganam!

Daniele fica calada.

Betânia: O que foi?

Daniele: Prefiro não falar, sua reação pode ser de repulsa.

Betânia se aproxima de Daniele: Se for o que eu penso, acho que a minha reação vai ser muito prazerosa para ambas.

Daniele e Betânia se aproximam formando um beijo.

É noite, Dora chega exausta da casa das irmãs.

Dora queixa-se: Ai que inferno Ter que visitar aquelas velhas! Elas só falam bobagem, tricô, ponto - cruz.... é mais pelo menos me dão um troco por mês e uma vez ao ano lembram que estou ficando velha... Mas o que é isso! Meu bar, quase bistrô fechado! Aquela Letícia vai ver!

Dora entra pelos fundos, as luzes estão todas apagadas, ela estranha e vai até o salão.

Dora: Letícia! Letícia? Você está aqui sua barata!

Dora chega até o salão e percebe uma mesa iluminada a velas e uma música tocando.

Toca: Suave Veneno - Nana Caymmi

Giovani sai do escuro e pega Dora para dançar.

Dora: Giovani! O que é isso?

Giovani: Uma surpresa! Afinal hoje é seu aniversário e resolvi lhe agradecer comemorando.

Dora: Agradecer?

Giovani: Claro! Você salvou minha vida quando na sua porta, depois de lhe ameaçar, me amparou e não me deixou morrer, além do mais me acolheu aqui para que pudesse viver dignamente e minha vida inteira mudou, num só minuto tudo se tornou maravilhoso e as palavras do meu filho vieram a tona: "Pai, você pode Ter cinco anos, ou vivendo o fim da sua vida que um dia a felicidade é plena!"

Giovani dá um longo beijo em Dora.

Antônio chega no colégio abandonado, tudo está quieto e propicio a um cenário de terror. De uma sombra escura Adalto se desloca.

Antônio: Adalto? É você?

Adalto saindo das sombras: Por que? Está com medo?

Antônio ri: Eu? Medo?

Adalto: Trouxe a grana?

Antônio leva a mão até o bolso traseiro: Trouxe, está aqui!

Antônio saca uma arma e dá um tiro que atinge sua barriga, Adalto cai ao chão, Antônio vai até Adalto, ele está vivo.

Adalto balbuciando: Me ajuda!

Antônio dá uma coronhada em seu peito: Ajudo! Eu vou te ajudar bastante! Você vai sumir e não vai para a cadeia!

Antônio dá mais um tiro, esse atinge o seu ombro deixando-o mais impossibilitado.

Antônio vai até seu carro, abre o porta malas e tira de um lá um galão, volta e começa a jogar o líquido em Adalto.

Adalto: O que é isso?

Antônio: Se você não gritar e agüentar até queimar se queimar todinho vai ser melhor... Melhor! - Antônio rasga um pedaço de sua blusa e amarra a boca de Adalto - Agora pronto, ninguém vai te escutar!

Antônio acende um fósforo, olha sagazmente para o fogo, e joga sobre o corpo de Adalto que solta um grito sufocado e queima-se aos poucos.

Antônio sai do colégio, olha para os lados e certifica-se de que ninguém o percebeu. Entra e dá a partida.

 
 
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