CAPÍTULO 3

(GILMARA está na sacada da casa. Lembrando de momentos de intimidade com PEDRO PAULO. Os dois no motel se beijando, se abraçando loucos de desejo e se amando. Não percebe quando a EMPREGADA se aproxima).

EMPREGADA
A senhora deseja alguma coisa? Um suco?

GILMARA
Não. Brigada... Aliás... Tem uma coisa que eu busco e a cada dia me parece mais distante...

(A EMPREGADA impotente apenas olha).

GILMARA
Felicidade... Parece algo que eu jamais vou encontrar. Você tem isso pra me trazer?

EMPREGADA
Eu sinto muito, senhora...

GILMARA
O Gustavo onde está?

EMPREGADA
Parece que foi visitar um fornecedor junto com o seu Breno.

GILMARA
Sabe se ele tomou o remédio antes de sair?

EMPREGADA
Tomou, sim senhora...

GILMARA
Tá bom, pode ir...

(GILMARA volta a ficar pensativa).

RESTAURANTE

(PEDRO PAULO está sentado a mesa junto com FERNANDA. O GARÇOM cabara de levar o cardápio com os pedidos).

FERNANDA
Você não precisava Ter se incomodado em me trazer pra almoçar...

PEDRO PAULO
Você mesma disse que não tinha almoçado ainda...

FERNANDA
T6o envergonhada com aquela cena no metrô...

PEDRO PAULO
Normal... Voc6e não é daqui... Não tá acostumada com esse transporte...

FERNANDA
Ainda bem que você apareceu na hora pra me salvar...

(PEDRO PAULO volta a contemplá-la. Sente vontade de falar mais coisas mas se segura. Trocam olhares enigmáticos.Parece que a qualquer momento vai explodir o desejo).

PEDRO PAULO
Me fala um pouco de você...

FERNANDA
De mim? Nada muito interessante. Vivi a maior parte da minha vida em Mato Grosso. Quando minha mãe morreu eu era muito nova. Passei a morar com meus tios, já que nunca conheci meu pai...

PEDRO PAULO
Nunca?

FERNANDA
Pois é. Coisas da vida, como diz a minha tia.

PEDRO PAULO
Você fazia o que lá?

FERNANDA
Já fiz de tudo um pouco. Até garçonete eu já fui. Por último tava me dedicando a costura...

PEDRO PAULO
É mesmo?

FERNANDA
Aí, conheci o Breno e começamos a namorar. De certa forma ele apareceu na minha vida na hora certa. Tive a chance de vir pro Rio...

PEDRO PAULO
Ele parece muito interessado em um compromisso sério com você...

FERNANDA
Ah é? Ele te falou isso?

PEDRO PAULO
Digamos que eu ouvi comentários...

FERNANDA
Olha, que interessante...

PEDRO PAULO
E você? Gosta dele?

FERNANDA
E se eu deixar isso a cargo da sua imaginação?

PEDRO PAULO
Aí não vale...

FERNANDA
Claro que vale... E você? Gosta da Déborah?

PEDRO PAULO
E se eu deixar isso a cargo da sua imaginação?

FERNANDA
Roubar a frase de mim é que não vale...

(PEDRO PAULO contempla FERNANDA por inteira).

PEDRO PAULO
Você é uma bela mulher...

FERNANDA
A sua noiva também...

PEDRO PAULO
Eu não tô falando dela...

(O celular de FERNANDA toca).

FERNANDA
Só um minuto... Alô...

Tempo

FERNANDA
Oi, amor... Você tá aonde?

(PEDRO PAULO começa a se aborrecer, Mas se contém como pode).

FERNANDA
Visitando um fornecedor com seu pai? Não... Tudo bem... Onde eu estou?

(PEDRO PAULO fica apreensivo sobre a resposta dela para BRENO).

FERNANDA
Eu tô almoçando. Peguei o metrô e estou aqui no centro da cidade.

Tempo

FERNANDA
Ah, Breno. Não tô acostumada a ficar andando de taxi pra cima e pra baixo. Além do mais foi uma experiência legal andar de Metrô...

Tempo

FERNANDA
Tá bom, a gente se vê a noite. Beijos...

(ELA desliga)

PEDRO PAULO
Era ele?

FERNANDA
Era...

PEDRO PAULO
Melhor assim... Talvez ele não entendesse muito bem o fato da namorada estar almoçando com o futuro cunhado dele.

FERNANDA
Foi por isso mesmo que eu não falei nada.

PEDRO PAULO
Talvez isso provocasse muitos problemas entre vocês...

FERNANDA
É... Se bem que não estamos fazendo nada demais... Estamos?

(FERNANDA desta vez é que lança o olhar sedutor em PEDRO PAULO. O GARÇOM surge com o pedido e serve os dois).

PORTA DO HOTEL

(PEDRO PAULO deixa FERNANDA na porta do Hotel onde está hospedada).

FERNANDA
Você não precisava Ter se incomodado...

PEDRO PAULO
Não foi incomodo algum...

FERNANDA
Gostei da tarde. Foi muito agradável...

PEDRO PAULO
A minha também...

FERNANDA
Legal... Então... A gente se vê na casa do Breno qualquer hora...

PEDRO PAULO
Claro... Você ainda vai se encontrar com ele hoje...

FERNANDA
Mais tarde... Vou...

(Os dois voltam a se olhar. Parece difícil conter o desejo que ambos sentem. FERNANDA estende a mão).

FERNANDA
Então... mais uma vez obrigada pelo almoço e pela carona...

(PEDRO PAULO retribui. Mas intimamente sente que vai explodir. FERNANDA sai do carro enquanto ELE fica observando ELA entrar no Hotel. Respira fundo. Ao ligar o carro seu celular toca e ele atende. Do outro lado da linha está GILMARA).

GILMARA (no tel)
Onde você está?

PEDRO PAULO
Trabalhando, onde mais?

GILMARA
A gente precisa Ter uma conversa...

PEDRO PAULO
Hoje não vai dar. Marquei com a Débora pra jantarmos juntos...

GILMARA
Eu não tô aguentando mais isso. A gente só se ver quando dá...

PEDRO PAULO
Já tô cansado de te dizer que tem de ser assim...

GILMARA
Por que você quer...

PEDRO PAULO
Por que é assim que tem de ser...

GILMARA
Qualquer diz desses eu enlouqueço e abro logo o jogo pra todo mundo...

PEDRO PAULO
Você tá histérica demais pro meu gosto. Tchau.

(ELE desliga e dá a saída com o carro).

(GILMARA sentindo que ele desligou, entra em prantos. DÉBORAH surge na hora e acode).

DEBORAH
O que foi, Gilmara? Calma!!! Que houve?

(GILMARA chora no ombro de DEBORAH compulsivamente).

FADE

PORTA DO RESTAURANTE - Ext/Noite

(PEDRO PAULO pára com o carro. DEBORAH está junto dele).

DEBORAH
Tô com pena da Gilmara. Coitada. Ela chorava tanto.

PEDRO PAULO
Desculpe se tô sendo grosso. Mas você veio falando do seu pai e da Gulmara a viagem toda. Não te trouxe aqui pra isso...

DEBORAH
Eu sei... me desculpa. Eu as vezes me empolgo e fico falando demais... Vamos entrar?

PEDRO PAULO
Agora sim... Te trouxe aqui pra me desculpar por ontém a noite...

(DEBORAH sorri e os dois se beijam).

INTERIOR DO RESTAURANTE

(ELES caminham acompanhados pelo GARÇOM até uma mesa reservada. Logo DEBORAH chama a atençào de PEDRO PAULO).

DEBORAH
Olha só quem está ali?

(PEDRO PAULO parece não acreditar no que vê. Numa mesa distante dali, estão BRENO e FERNANDA. DEBORAH acena para eles e eles retribuem, DEBORAH e PEDRO PAULO sentam.)

PEDRO PAULO (despeitado)
O almofadinha e a caça dotes de Mato Grosso...

DEBORAH
Já vai começar?

(ELE olha para eles e vê que os dois e beijam apauxonadamente).

PEDRO PAULO
Se agarrando em público. Coisa ridícula...

DEBORAH
Eles estão apaixonados, amor. A gente também já fez muito isso no começo do nosso namoro.

PEDRO PAULO
Eu nunca me esfreguei em voc6e em público.

DEBORAH
Qual é o problema, Pedro? Se você quiser eu te beijo aqui também.

(ELA começa a agarrá-lo ali também enquanto ele tenta se soltar dela)

PEDRO PAULO
Pára com isso, vai...

(Neste momento, ele olha novamente para a mesa dos dois que continuam num clima de beijos e abraços. Os olhos de PEDRO PAULO começam a expressar ódio. Logo ele percebe a presença de sua própria figura ainda MENINO olhando para ele. O coração dele dispara enquanto DEBORAH parece nada perceber e continua beijando e abraçando PEDRO PAULO. Inesperadamente, ele dá um safanão em DÉBORAH e se levanta da mesa caminhando até BRENO e FERNANDA. Os dois olham para ele com uma certa perplexidade. Mais uma vez PEDRO PAULO surpreende quando retira da cintura uma arma e aponta na direção de BRENO que olha a cena com total perplexidade. PEDRO PAULO impiedosamente faz dois disparos).

ESCRITO POR:
Marco Souza
&
Tina Welch

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