Capitulo 9 - Último capitulo

Na casa de Cecília, Ludmila não encontrou ninguém. Seguiu para a casa de Ulisses. Seu irmão lhe disse que tinha saído de manhã e não dera notícias. Assim, resolveu voltar para casa, tomar um banho e depois, ver o que estava acontecendo.

[Márcia, vendo a filha chegar em casa] – Ludmila! Meu Deus... você está aqui... eu te amo tanto.

[Ludmila] – Calma mãe...

[Márcia, chorando] – Onde você esteve?

[Ludmila] – É uma longa história, eu lhe conto depois.

[Márcia] – Mas você fugiu? Nem me diga uma coisas dessas, menina...

[Ludmila] – Não, mãe... eu não fugi... foi um seqüestro...

[Márcia] – Ai, Meu Deus! E o que eles fizeram com você?

Ludmila pediu que a mãe se acomodasse no sofá. Confiava nela, e a contou tudo.

[Márcia, depois de ouvir tudo] – Tudo pela Cecília, não? Bem... eu jamais aprovarei o que você fez, porém sei que fez de boas intenções. Mas querida... não quero que faça isso novamente.

[Ludmila] – Não farei, mamãe. Bem, me diga: sabe alguma coisa sobre Cecília?

[Márcia] – Cecília está internada no hospital.

[Ludmila] – Internada?

A mãe concordou. Naquele instante, Ludmila ergueu-se do sofá e, suja, desarrumada e feia como estava, correu para o hospital.

*

Na sala de espera, Ludmila viu Ulisses. Ele correu para perto dela e abraçou-a.

[Ulisses] – Por que fez isso? Por que desapareceu?

[Ludmila] – Não fui eu...

[Ulisses] – Quero que me explique tudo depois, porque agora não é a melhor hora.

[Ludmila] – Do que está falando, Ulisses?

[Ulisses] – Cecília não está nada bem...

Ambos se entreolharam tristemente.

[Ulisses] – Cecília vai nos deixar muito em breve, Ludmila.

Eles trocaram um abraço fraterno longo e gostoso. Ludmila ofereceu seus lábios para que Ulisses a beijasse.

[Ulisses] – Ainda não! Não quero que Cecília se decepcione.

*

Cecília morreu dali a três dias. Ulisses recebeu a notícia do médico, quando estava na sala de espera. Ele pôs-se a chorar profundamente, aterrando-se na poltrona. Quando Ludmila chegou, minutos mais tarde, foi consolá-lo.

[Ludmila] – Você acabou apaixonando-se por ela, não foi?

[Ulisses, com os olhos banhados em lágrimas] – Mas eu não quis, Ludmila, eu juro que não quis...

[Ludmila] – Foi minha culpa, eu sei.

[Ulisses] – Você não tem culpa, Ludmila. Foi eu que levei tudo a sério demais.

Ambos trocaram um olhar lacrimoso que lhes trouxeram as lembranças dos velhos tempos.

*

O enterro de Cecília foi rápido e simples. Ulisses não quis falar nada, e Ludmila também ficou calada o tempo todo.

[Ulisses] – Ela se foi...

[Ludmila] – Para sempre...

Ulisses e Ludmila caminharam para longe dali. Seguiram pelas ruas da cidade até que avistaram a praia.

[Ludmila] – Vamos ficar aqui.

Eles caminharam pela areia que estava deserta. Sentaram-se de frente para o mar e ficaram olhando para as ondas que iam e viam.

[Ludmila] – Estou feliz...

[Ulisses] – Feliz?

[Ludmila] – Porque sei que Cecília morreu sendo amada por você. Tenho certeza que tudo o que ela desejaria na vida era isso.

[Ulisses] – Você me encanta, sabia?

[Ludmila] – Ah... é? Por que?

[Ulisses] – Porque você conseguiu o que queria.

[Ludmila] – Você me ajudou...

[Ulisses] – Sim... mas fui infiel a você.

[Ludmila] – Isso fazia parte do plano.

[Ulisses] – Você merece alguém melhor do que eu, Ludmila.

Ludmila sorriu. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

[Ludmila] – Você sempre foi tudo pra mim.

Ela aproximou-se dele para beijá-lo. Seus lábios estavam trêmulos e seu coração batia descompassadamente.

[Ludmila] – Não esqueça...

O barulho do mar penetrava-lhe a mente.

[Ludmila] – Que eu fiz isso por ela...

Ludmila sorria enquanto olhava para Ulisses.

[Ludmila] – Perdi tudo o que eu tinha e sei que a polícia deve estar atrás de mim por causa de um assassinato que cometi.

O mar avançava em direção à eles.

[Ludmila] – Mas foi porque eu amava ela... era minha amiga...

Ulisses tinha os olhos cheios de água. Não sabia porque Ludmila estava tão estranha. Apenas abraçou-a e chorou com ela. Quando viu que Ludmila estava quieta demais, Ulisses soltou-a de seus braços.

[Ulisses] – Ludmila?

O corpo da moça caiu serenamente na areia. As águas do mar cobriram-na, encharcando-a totalmente. Do seu bolso, um frasco rolou indiscretamente. Ulisses pegou e leu o rótulo: ESTRICNINA

Ludmila havia se matado, e aquela percepção fez com que Ulisses sentisse um nó na garganta.

Um vento frio invadiu a praia e brincou com os cabelos de Ludmila que estava estirada na areia.

Serenamente, Ulisses beijou os lábios de Ludmila e disse:

[Ulisses] – Adeus, querida...

Fim

 

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