Capitulo 7 - Últimos capitulos

Ulisses acariciava os cabelos de Cecília, enquanto assistiam ao filme no cinema. A moça olhava atenta para a tela, onde passava a triste história de amor de Rebeca.

[Ulisses] – Você está chorando, Cecília?

[Cecília] – É um filme lindo...

[Ulisses] – Você chama toda essa tragédia de "lindo"?

[Cecília sorriu] – Pois eu acho...

Ambos se retiravam de seus lugares enquanto as luzes se ascendiam.

[Cecília] – Eu me parecia com Rebeca. Sempre amei o namorado da minha melhor amiga e sofri muito por isso.

Ulisses beijou-a suavemente.

[Cecília] – Agora só tenho você para me fazer esquecer de tudo pelo que estou passando.

E eles caminharam abraçados rua afora.

*

Ludmila estava sentada ao lado de Maurício no banco do carro. Pensou em como poderia se safar daquele canalha que fingiu ser seu amigo.

[Ludmila] – Não precisava fazer isso comigo, Maurício...

[Maurício] – Você não pode ficar solta por aí destruindo os sentimentos dos outros.

[Ludmila] – Mas eu não quis destruir seus sentimentos...

Maurício encarou-a.

[Maurício] – O que há agora? Não me disse que era tudo uma farsa?

[Ludmila] – Não deixou que eu acabasse de lhe explicar...

O motorista do carro encarou Maurício pelo retrovisor.

[Maurício] – E o que você tem a me explicar?

Ludmila pensou se o seu plano não poderia dar errado.

[Ludmila] – Eu adorei aquele beijo...

[Maurício, cínico] – Sua mentirosa! Você está fingindo...

[Ludmila] – Não estou! Quer ver?

Ludmila beijou-o suavemente, mas pôde sentir o gosto de fel que derretia dos lábios dele.

[Maurício] – Quero você todinha, gata!

Enquanto o carro andava, Maurício deitou Ludmila no banco e despiu-a vorazmente. Ludmila teve nojo, não queria que aquilo estivesse acontecendo. Sentiu muita dor por dentro, viu-se imunda e destruída. Mas sabia o que estava fazendo.

[Maurício] – Você me ama?

[Ludmila] – Amo...

E ele beijou-a ardentemente.

*

Ulisses voltou para sua casa com a cabeça à mil. Não sabia mais o que lhe estava acontecendo. Sentia necessidade de conversar com alguém. Quem sabe com Ludmila? Ele telefonou para a amada.

[Márcia, a mãe de Ludmila] – Alô!

[Ulisses] – Oi Márcia! Aqui é o Ulisses... eu queria falar com a Ludmila, ela está?

[Márcia] – Não, Ulisses... ela não voltou ainda. Tente ligar mais tarde.

[Ulisses] – Tudo bem... obrigado.

[Márcia] – Por nada...

[Ulisses] – Tchau.

Procurou pelo irmão mais velho em seu quarto.

[Ulisses] – Marcelo? Posso entrar?

[Marcelo] – Vem cá... estou no banheiro.

Ulisses entrou no quarto do irmão que estava totalmente desarrumado. Havia livros em cima da escrivaninha, um walk-man jogado em cima da cama, além de revistas de mulheres peladas espalhadas pelo chão. Ulisses entrou no banheiro conjugado com o quarto. Entrou, vendo a sombra do irmão atrás do boxe tomando banho.

[Ulisses] – Estou num sério problema, cara.

[Marcelo] – O que foi dessa vez?

[Ulisses] – A Ludmila!

[Marcelo] – Ihh... lá vem você com esse papo de novo. Já lhe disse que namorar é uma besteira. Seja livre, cara! Não dependa de mulheres...

[Ulisses] – Eu amo a Ludmila, Marcelo...

[Marcelo, rindo] – Cê tá brincando... que idiotice é essa, Ulisses?

[Ulisses] – Mas ela terminou comigo.

[Marcelo] – Taí! Uma ótima oportunidade de recomeçar sua vida... aproveite, mano!

Marcelo não tinha nada na cabeça. Era um tolo em questões amorosas. Não adiantaria falar com ele. Tentou a última vez.

[Ulisses] – O que você faria se estivesse apaixonado por uma garota e pela melhor amiga dela?

[Marcelo] – Comia as duas...

Realmente, Marcelo não tinha sensibilidade alguma...

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