Capitulo 6 - Últimos capitulos
Ulisses tinha Cecília em seu colo. Via as lágrimas correrem fartamente por seu rosto e palavras balbuciadas saírem de seus lábios com dor...
[Cecília] Eu vou morrer, Ulisses...
Ulisses fingiu-se desentendido.
[Ulisses] Do que está falando, Cecília?
[Cecília] Não se faça de tonto! Você já deve saber de tudo... aliás, todos sabiam antes de mim!
[Ulisses] Juro que não sei...
Ele encarou-a. Cecília cerrou os olhos e deixou que ele a beijasse.
[Cecília] Não sabe?
[Ulisses] Não...
Cecília ergueu-se e sentou-se na cama, ficando ao lado dele.
[Cecília] Estou de câncer terminal, meu querido...
Ulisses queria continuar sua farsa.
[Ulisses] Que loucura é essa, meu bem?
[Cecília] Antes fosse loucura... mas é a pura realidade...
Ele encarou-a tristemente. Dos seus olhos, via-se brotando uma lágrima.
[Ulisses] Não posso perder você... diga que é mentira...
[Cecília] Eu também não quero ficar longe de você... eu... eu...
Cecília desabou num pranto angustiante. Ulisses envolveu-a nos seus braços ternos. Ele chorava também.
[Ulisses] Por que isso, Cecília?
[Cecília] Não sei...
Ulisses percebeu que não estava convincente em seu papel de "namorado que acabou de descobrir que a namorada vai morrer". Ele ergueu-se repentinamente e agarrou-a pelos braços.
[Ulisses] Morrerei com você, Cecília!
Cecília estava assustada com aquilo. Simplesmente, sorriu...
[Cecília] Não quero que morra por minha causa... Há tantos motivos para viver. Quem sabe... Ludmila?
[Ulisses] Não me fale nesse nome! Sabe muito bem que eu a odeio...
[Cecília] Mas eu não sou a melhor, meu querido...
[Ulisses] Mas é única! E eu te amo, Cecília... não viverei sem você.
Cecília acreditava em cada palavra que ele dizia. Amavelmente, ela tocou seu rosto e sussurrou:
[Cecília] Viverei em você...
Eles se beijaram vorazmente. Cecília sentia os braços pesados dele, a pele macia, os lábios que derretiam sua boca, aquele perfume delicioso que a fazia delirar.
[Cecília] Quero morrer assim, em teus braços...
Ulisses começou a beijar na nuca. Cecília sentiu um fogo invadi-la e um desejo ardente de tê-lo dentro dela.
[Ulisses] Você quer...?
[Cecília] Quero! Quero tudo que você puder me dar...
Ele despiu-a numa suavidade entorpecente. Tomou em seus braços o corpinho nu e frágil daquela moça que ele fingia amar.
[Cecília] Ah... eu te amo tanto...
*
O milk-shake foi colocado diante dos dois.
[Ludmila] Pode me dizer agora, o porquê desse mistério todo?
[Maurício] Você sabe que não é mistério nenhum, gata.
[Ludmila] Maurício... não me faça de tonta...
Maurício pegou as mãos de Ludmila e beijou-as.
[Maurício] Eu amo você!
Ludmila estava sem palavras. Rapidamente, recolheu suas mãos.
[Ludmila] Eu já te disse, Maurício. É tudo uma farsa!
[Maurício] Mas você acha que pode ir brincando com os sentimentos dos outros, gatinha?
[Ludmila] Mas nós conversamos...
[Maurício] Claro! E não estava no plano esse beijo, estava?
[Ludmila] Eu não sei realmente o que aconteceu, Maurício... eu não o beijei de verdade...
[Maurício] Você agora está querendo fugir, não é?
[Ludmila] Por favor, acredite em mim... eu não me lembro de tê-lo beijado.
[Maurício] Eu sei...
Ludmila encarou-o.
[Ludmila] Entenda, Maurício! O meu verdadeiro amor é, e sempre será o Ulisses.
Naquele instante, Ludmila sentiu alguém atrás de si. Quis olhar para trás, mas recebeu a seguinte ordem:
- Fique quietinha, eu tenho uma arma na mão. Saia tranqüilamente da sorveteria ao meu lado, OK?
Ludmila olhou para Maurício, pedindo ajuda. Mas o que ela viu, fez seu coração gelar: Maurício ria...