Capitulo 2
A campainha tocou. Cecília
ergueu-se do sofá e abaixou a música de Bon Jovin
que havia colocado para tocar. Deu uma espiada no "olho
mágico" e confirmou
a presença de Ulisses.
[Cecília] - Oi Ulisses! Como vai...?
[Ulisses, beijando a face de Cecília] - Bem... e você, como
está?
[Cecília] - Vou indo.
[Ulisses] - Você está linda. Vai sair esta noite?
[Cecília] - Oh... obrigada. Bem, eu não ia sair não...
[Ulisses] - E onde está Ludmila?
Cecília sorriu. Um sorriso lindo de dentes brancos e perfeitos.
[Cecília] - Ludmila não está.
[Ulisses] - Não está? Mas...
[Cecília, aproximando-se dele] - Fique calmo, Ulisses. Sente-se
no sofá,
vamos conversar...
Ulisses encarou Cecília que foi até o bar da sala e serviu duas
taças de
uísque. Ulisses pensou em como Cecília era linda. Seu corpo era
escultural,
tinha cabelos lindos e perfumados, lábios finos e delicados,
além de olhos
azuis profundos...
[Cecília, entregando uma das taças à Ulisses] - Creio que
você terminou seu
romance com Ludmila...
[Ulisses] - Não sei... na verdade, ela não me deu explicação
nenhuma.
[Cecília] - Ludmila tem esse defeito, não respeita os
sentimentos dos
outros.
[Ulisses] - Sinceramente, eu não conhecia esse lado dela...
[Cecília] - O ser humano é cheio de segredos...
Cecília sentou-se ao lado de Ulisses. Ele pôde sentir seu
perfume e aquilo o
deixou fascinado.
*
Ludmila estava deitada na sua cama. Na sua mente, passava as
cenas de beijos
que, possivelmente estaria acontecendo entre Ulisses e sua melhor
amiga.
[Ludmila, chorando] - Você há de me entender, Ulisses...
Lembrou-se do dia em que Cecília declarou-se a Ulisses através
dela.
"[Cecília] - Eu seria capaz de beber todo o mar se ele
fosse o sal.
Ludmila, eu nunca me senti tão apaixonada por alguém. É duro
saber disso,
mas somos rivais...
[Ludmila] - Eu não sabia que você o amava.
[Cecília] - Nem eu... são as surpresas do coração. Quando
saímos naquele
dia, nós três, eu conheci melhor o Ulisses e percebi que ele
era o homem
perfeito para mim.
[Ludmila] - Eu entendo...
[Cecília] - Não me leve a mal, amiga, mas eu não escolhi
amá-lo.
[Ludmila] - Por que está me contando tudo isso?
[Cecília] - Porque você é minha amiga e sei que não vai se
importar. Além do
mais, eu bem sei que o Ulisses é todo seu, e, pode Ter certeza
que não vou
tomá-lo de você.
[Ludmila] - Eu sinto muito por isso, amiga...
[Cecília] - Não, Ludmila! Você não pode sentir o que eu
sinto... ninguém, a
não ser quem vive a experiência, pode sentir a dor da
ilusão."
[Ludmila] - A dor da ilusão...
Ludmila deixou escapar uma lágrima. Pensou na amiga. Pelo menos
uma vez na
vida, ela teria de provar a felicidade. Não queria que o final
dela fosse
como o final de Rebeca, a mulher do filme. Ela amava Cecília,
eram quase
irmãs...
[Ludmila, num sussurro] - Você precisa do Ulisses mais do que
eu, amiga.
*
Na sala do apartamento de Cecília, a voz de Bom Jovi tomava
conta do
ambiente.
[Cecília] - Acho que você deveria esquecer Ludmila para
sempre...
[Ulisses] - Não, Cecília... eu não saberia amar outra pessoa.
Aquilo não estava dando certo. Conquistar Ulisses não era nada
fácil.
Cecília teria de partir para um jogo duro.
[Cecília] - Ludmila nunca vai te amar de novo.
[Ulisses, olhando para ela espantado] - Como você sabe?
[Cecília] - Ela ama outro...
[Ulisses] - Outro...?
[Cecília] - Alguém que você conhece bem.
[Ulisses, patético] - Eu conheço...?
[Cecília] - Sim... eles se beijaram na noite retrasada.
[Ulisses, nervoso] - Que história é essa? Se ela fez isso, por
que terminou
tudo comigo aos gritos, como se eu tivesse sido o culpado?
[Cecília] - Ludmila é uma boba que não sabe controlar suas
emoções.
[Ulisses, num sussurro] - Quem ela beijou?
[Cecília] - Maurício... o seu primo.
*
Ludmila atendeu o telefone que tocava estridentemente.
[Ludmila] - Alô!
[Maurício] - Oi gata, como vai?
[Ludmila] - Maurício? Que legal você Ter ligado... eu vou bem,
e você?
[Maurício] - Estou legal...
[Ludmila] - E a redação? Tem sido um bom repórter?
[Maurício] - Claro! Tenho encarado tudo como uma nova fase de
vida. Está
sendo um máximo. Bem, mas eu liguei não foi para falar sobre
isso. Tem uma
coisa que me preocupa, sabe, gata?
[Ludmila] - Pode dizer... estou a todos ouvidos.
[Maurício] - Estou preocupado com Cecília. Ela não sabe de
nada, não é?
[Ludmila] - Não. Os pais dela vão deixara para revelar tudo
mais tarde.
[Maurício] - Que coisa, não? Nunca pensei que isso pudesse
acontecer com uma
garota de dezessete anos.
[Ludmila] - São coisas que eu não consigo entender. Cecília é
uma pessoa tão
boa...
[Maurício] - Os bons vão primeiro e os últimos sempre são os
maus. Mas eu
estive pensando em uma festa em homenagem a ela, o que acha?
[Ludmila] - Uma festa? Acho legal...
[Maurício] - Então é bom começarmos a nos organizar.
[Ludmila] - Sim... ela vai nos deixar logo logo...
[Maurício] - Bem, então depois a gente se encontra para
combinarmos.
[Ludmila] - Que tal na Sexta?
[Maurício] - Tudo bem... eu vou na sua casa.
[Ludmila] - Estarei esperando...
[Maurício] - Um beijo, gata.
[Ludmila] - Outro, querido. Tchau.
Ludmila colocou o aparelho na base e, em seguida, afundou-se no
travesseiro.
Chorou até dormir.