Capítulo 40

 

 

(Hellen) (no telefone): - Pode falar.

 

(Júlio) (de modo grosseiro): - É o Júlio. Você está apaixonada pelo meu tio?

 

                Hellen tampa o fone e fica sem saber o que fazer. Na Móveis Feltre...

 

(Isabel): - Não sabia que sua mãe iria se casar.

 

(Andréia): - É isso mesmo, Isabel. Vai se casar com o Cláudio. Logo ele.

 

(Isabel): - Se vão se casar é porque se amam, oras. Não têm motivos pra ter raiva dele.

 

(Andréia) (surpresa): - Não? Isabel... alguma coisa me diz que tem alguma coisa podre em volta do Cláudio. E vou descobrir o que é... ah, vou.

 

            Enquanto isso...

 

(Júlio) (no telefone): - Escuta aqui, Hellen. Você é minha garota, prometi que ficaria com você quando tudo estivesse esclarecido. E mal vou pra fora do país e você arruma outro?

 

(Hellen): - Júlio... não é isso... é que... >

 

(Júlio): - Não quero saber. Quando voltar terei você de volta e ponto final.

 

            Ele bate o telefone. Hellen desliga o telefone, senta em sua casa e começa a chorar. Rodrigo chega em casa e vê Pedro limpando a sala. Ele se espanta ao ver a porta arrombada, caída no chão, e vai até Pedro.

 

(Rodrigo): - O que houve aqui, cara? Passou um furracão?

 

(Pedro) (nervoso): - Por que não me disse que devia dinheiro por uso de drogas? Por que não me contou que já havia usado drogas? Por que? Por que, seu... seu... (desiste de completar e senta no sofá)

 

(Rodrigo): - Eles vieram aqui... mas já faz tantoss anos.

 

(Pedro): - E o que importa? Pra eles tempo não eexiste, cara. Mais um pouco era minha cabeça que ia a prêmio.  4 mil reais que eu tinha, que estava pronto pra colocar num banco... foi tudo pra eles. Perdi todo meu dinheiro das vendas das minhas bicicletas e outras coisas.  Dinheiro que eu guardei com um sufoco imenso, cara.

 

(Rodrigo): - Eu pago... não se preocupe.  E desculpa por ter te envolvido nessa confusão toda.

 

            No dia seguinte, no restaurante Narten...

 

(Regina): - O que o senhor deseja?

 

(Jandir): - Eu desejo você.

            Regina entra na cozinha que ainda está vazia. Jandir vai logo atrás.

 

(Regina): - Acho que estou gostando de você. Não parei de pensar naquele beijo a noite toda.

 

(Jandir): - Também estou louco por você. Seus lábbios, seus olhos, seus cabelos... me deixam louco. Te amo, te amo.

 

            Eles sobem na mesa e começam a transar.  Maria está na porta de casa.

 

(Maria): - Onde será que ele foi? Ele está muitoo estranho. Será que ele... não, Maria, está pensando besteira. Não, não... ele me ama, não pode estar me enganando com outra. Isso é ridículo.

 

            Na prisão, Ronaldo está acordando, quando Bafão, o “colega” de cela dele aponta um canivete em sua direção.

 

(Ronaldo): - O que está fazendo?

 

(Bafão): - Calma, calma. Isso aqui você vai usarr... estamos planejando uma grande rebelião aqui no presídio e temos alguns companheiros nossos que vão morrer... e você está encarregado de matar dois deles.  O Caixa-preta e o 22 por 2.

 

(Ronaldo): - Mas eu não....  não. Não vou fazer isso.

 

(Bafão): - Senão fizer, quem morre é você. Toma.. (entrega o canivete) E esteja preparado para a  rebelião. E não conte pra ninguém.

 

            Ronaldo engole seco. No restaurante Narten, os dois estão se vestindo.

 

(Regina): - Foi maravilhoso, Jandir.

 

(Jandir): - Eu quem digo, minha flor. 

 

(Regina): - Deixa a outra e venha morar comigo. VVamos morar juntos.

 

(Jandir): - Está bem, está bem. Vou largar Maria e vou morar com você.

 

            Eles se abraçam. De tarde,  estão todos no pátio da prisão. Os seguranças estão em prontidão, observando todos. Bafão chega bem perto de Ronaldo.

 

(Bafão): - Se prepare. Em alguns minutos começammos.

 

(Ronaldo): - Ei, e onde estão os dois?

 

(Bafão): - Estão ali, do outro lado do pátio. Jáá sabe o que fazer.

 

            Alguns prisioneiros começam a se agrupar. Os seguranças observam de rabo de olho. Bafão está liderando.

 

(Bafão) (gritando): - AGORA!!!!

 

            Os prisioneiros partem pra cima dos seguranças. Outros prisioneiros correm para tenta ser esconder da confusão.

 

(Ronaldo) (gritando): - Prá lá, vamos para as celas... correm.

 

            Os seguranças não conseguem se livrar dos prisioneiros. Bafão enfia uma faca no peito de um dos guardas que cai na hora. Os outros detentos não conseguem entrar nas celas.

 

(Caixa-preta): - Droga!!! As celas estão trancadas.

 

(22 por 2): - O que vamos fazer agora?

 

            O alarme começa a toca em todo presídio. O pátio virou um campo de batalha. Mais reforços policiais estão entrando e se confrontam de frente com os prisioneiros. Ronaldo deixa cair o canivete.  22 por dois vê o canivete.

 

(22 por dois): - Você também está no meio disso, não tá?

 

(Caixa-preta): - Desgraçado. Tentaram encurralar a gennte pra nos matar, é?

 

(Ronaldo): - Não... é que.

 

            22 por dois pega o canivete. Um forte tiroteio começa e eles se abaixam.

 

(Ronaldo): - Vamos para fora da prisão. Essa pode ser nossa chance de escapar.

 

            Eles correm de novo. Outros presidiários começam a agrupar vários colchões e outros objetos  e ateiam fogo. O fogo começa a se alastrar. Carros da polícia começam a chegar no presídio. Há guardas por todos os lados, até em cima das paredes que cercam a prisão.  Ronaldo e os outros correm para tenta escapar mas param por causa do fogo que está se alastrando rapidamente.

 

(Caixa-preta) (gritando): - Vamos ter que ficar no pátio mesmo. O fogo está tomando conta de tudo.

 

(Ronaldo) (gritando): - Onde está o 22 por 2?

 

            Bafão está lutando com os outros guardas que não conseguem atirar.  Nisso, 22 por 2 aparece e enfia o canivete nas costas de Bafão. Bafão olha desesperados para trás e vê 22 por 2.

 

(22 por 2): - Isso é pra você nunca mais se meter comigo. Vamos ver que manda mesmo.

 

            Bafão cai morto no chão. Os bombeiros são chamados e vêem todo o edifício pegar fogo. O diretor do presídio está do lado de fora da prisão.

 

(Diretor) (para o policial): - Chamem o Exército, a Aeronáutica... seja lá o que for, mas chamem senão não vamos ter pedra sobre pedra.

 

            Do alto, o pátio da prisão está como um formigueiro. Cheio de gente lutando e tentando sobreviver.

 

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