Capitulo 4

CAPÍTULO QUATRO

TIA CÍNTIA ESTAVA NA COZINHA AJUDANDO ANA NO ALMOÇO.

(EU, AGITADO) - Tia! Cadê a Marina? Já procurei por todo canto...

(TIA CÍNTIA) - Ela está no quarto dos pais dela.

(EU, SEM ENTENDER) - Por que? Ela ainda está dormindo?

(TIA CÍNTIA, EM TOM DE FOFOCA) - Não... ela está de castigo

EU RESOLVI SUBIR PARA VER COMO MARINA ESTAVA. A CASA DE VOVÓ ERA GRANDE E EU HAVIA ME ESQUECIDO DE PROCURÁ-LA NO SEGUNDO PAVIMENTO.

(EU, BATENDO NA PORTA) - Marina! Você está aí?

(UMA VOZ MELANCÓLICA) - Sim...

(EU) - Quem te prendeu aí dentro?

(ELA) - Foi a Rita. Ela me odeia!

(EU, PREOCUPADO) - Ela te machucou?

(ELA) - Não... só ficou brava comigo e me deixou aqui, presa. (EU) - Quer que eu fale com a vovó para que... (ELA, ME CORTANDO) - Não! Não! Isso só iria piorar as coisas... (EU) - Mas eu quero te ver... (ELA) - Eu também...

(EU) - Posso pular a janela?

(ELA) - Não, não precisa... podemos nos sentir cada um no seu lugar. (EU, SEM ENTENDER) - Como?

(ELA) - Coloque suas mãos na porta. Ambas abertas, mas ou menos na altura do seu rosto.

(EU) - Pronto...

(ELA) - Agora feche os olhos.

(EU) - Já fechei.

(ELA) - Tente sentir minhas mãos. Eu estou como você.

(EU) - Não sinto... (ELA) - Tente me beijar. (EU, SURPRESO) - Beijar a porta? (ELA, RINDO) - Não! Beije-me... como naquele dia. TENEI. E, QUANDO COMEÇAVA A SENTIR OS "LÁBIOS" DELA, FOMOS INTERROMPIDOS. (TIA CÍNTIA) - O que é isso? (EU) - Nada, eu... (TIA CÍNTIA) - Você estava beijando a porta? (EU, CONFUSO) - É que... (TIA CÍNTIA) - Ora, garoto, você só pode estar variando... (EU) - Não... não... (TIA CÍNTIA) - Marina está aí dentro? (EU) - Sim. (TIA CÍNTIA, ENTENDENDO O QUE ESTAVA ACONTECENDO ENTRE EU E MARINA) - Ah... então vocês... (EU) - Não! Não é isso que a senhora está pensando... (TIA CÍNTIA, BATENDO NA PORTA DO QUARTO DE MARINA) - Marina! O que vocês estavam fazendo? Beijo por telepatia? (MARINA) - Ah, tia... não enche... (TIA CÍNTIA, BRAVA) - Olha só que menina atrevida! Merece ter ficado de castigo! (EU, MEDROSO) - A senhora não vai contar nada, né tia? (TIA CÍNTIA) - Claro que vou! Duas crianças não podem ficar por aí de namorico, ainda mais primos... isso é um absurdo. ( E ELA DESCEU AS ESCADAS) (EU) - Marina... E agora? (ELA, CHORANDO) - Eles vão estragar tudo, Tiago! E nós vamos viver separados um do outro! (EU, CHORANDO TAMBÉM) - Isso não Marina! Você sabe que Jamais te deixarei! MAS EU SABIA QUE NOSSA FAMÍLIA NÃO CONCORDARIA COM NOSSA INTIMIDADE TODA. EU E MARINA JÁ SABÍAMOS A POLÊMICA QUE A NOSSA PAIXÃOZINHA IRIA CAUSAR. * * * ERA NOITE. EU ESTAVA NA SALA REMEXENDO ALGUMAS REVISTAS. TIO MOACIR E VOVÓ MORGANA ESTAVAM NA SALA AO LADO. (TIO MOACIR) - Mãe... eu preciso da senhora! (VOVÓ) - É dinheiro? Então pode esquecer... (TIO MOACIR) - É coisa séria, mãe! Preciso de pouco... (VOVÓ) - Coisa séria? (TIO MOACIR) - É! Um cara tá na minha cola, não agüento mais. (VOVÓ) - De quanto você precisa? ELE SUSSURROU NO OUVIDO DELA. (VOVÓ) - Tudo bem... eu ajudo! Mas só desta vez... (TIO MOACIR, ABRAÇANDO-A E BEIJANDO-A) - Te amo muito, mamãe... E AMBOS SUBIRAM PARA O QUARTO. (ANA, VINDO DA COZINHA) - Ocê foi ver a Marina ontem? (EU, BAIXINHO) - Fui! Mas tia Cíntia descobriu tudo. AH! EU HAVIA ME ESQUECIDO DE DIZER: ANA SABIA DO RELACIONAMENTO MEU E DE MARINA. (ANA) - Todos já sabe? (EU) - Só os pais dela que não! (ANA) - O que seus pais dissero procê? (EU, TÍMIDO) - Disseram que era errado. (ANA) - É errado namorar? (EU) - Não...! É errado o namoro entre primos. (ANA) - Hum... isso num tem sentido. Conheço muita gente que casô com primo e vive feliz. (EU) - Mas papai e mamãe não pensam assim! E cada dia que passa, eu tenho mais saudade de Marina. (ANA) - Eu posso ajudá ocês, se quisé. (EU) - Ajudar? Como? (ANA) - Ocê iscreve uma carta pra ela, e eu entrego. Aí ela vai responder e eu te dou a carta dela. Assim, ocês fica unido através das carta. O que achô da idéia? (EU, FELIZ) - Ótima! Já vou começar a escrever.


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