
Capítulo 5
Beatriz (atônita): Espere,
mãe! O que você está me dizendo?
Marta: Era um policial, disse que seu pai foi encontrado...
morto.
Beatriz se levanta da mesa, começa a andar de um lado para outro
e começando a entrar em desespero.
Beatriz (falando alto): Não é verdade! Não é verdade!
Marta se levanta e vai até a filha tentar acalma-la. Carla e
Neide entram na sala.
Carla: Aconteceu alguma coisa, dona Marta?
Marta: Filha... calma... de repente, ele se enganou.
Beatriz: Deus te ouça, mamãe. Deus te ouça.
Marta: Carla, eu vou sair com Beatriz. Não temos hora para
voltar, vamos até o continente.
Carla: Dona Marta aconteceu alguma coisa?
Marta: Seu patrão... Foi encontrado morto.
Carla: Minha nossa senhora!
Neide: Meu Deus... morto?
Marta: Nós temos que ir...
Carla (chorando): Eu tomo conta aqui, dona Marta, pode deixar.
Marta e Beatriz entram no carro e saem em disparada.
Carla (inconformada): Meu Deus, este mundo está
perdido... (ela volta para a cozinha).
Neide fica pensativa na sala. Fria.
Neide: Morto. Isso está começando a ficar emocionante.
¨¨¨
Marta enquanto dirige em direção a balsa, conversa com sua
filha.
Marta: Ele sempre abusava nessas noitadas dele... Sempre.
Beatriz (enxugando os olhos): Mãe... estou vendo que você está
conformada com o que aconteceu.
Marta: Não minha, filha. Não estou conformada. Estou chocada...
Chocada...
¨¨¨
Neide entra na cozinha tirando o avental.
Carla: Onde você pensa que vai?
Neide: Preciso sair por alguns instantes, mas volto logo.
Carla: Aonde você vai, menina?Eu já volto!
Neide sai, apressada pelos fundos da casa. Ela vai até a casa
dos Lourenço que fica logo ao lado. Ela toca a campanhia.
Edgar está no quarto e ouve a campanhia. Ele olha pela janela e
corre pelas escadas.
Edgar: Deixa que eu atendo!
Ele abre a porta e vai até o encontro de Neide.
Edgar (cortes): Oi... Que surpresa.
Neide: Vi contar uma coisa que aconteceu lá...
Edgar: Só isso?
Neide: Edgar, Edgar... Comporte-se.
Edgar: Tudo bem... Vou me comportar. Vai, me conta. O que
aconteceu?
Neide: O chefão morreu.
Edgar(espantado): Jonas?!
Neide: Pois é... Acho que eu não trouxe muita sorte para aquela
família.
Edgar: Imagina... Mas olha, estou besta com essa notícia. Como
foi?
Neide: Não sei. Dona Marta recebeu um telefonema e saiu como uma
louca com a filha.
Edgar: A Beatriz está aí?
Neide: Está... chegou ontem a noite. Não tem dia para voltar
para São Paulo.
Edgar: Ela é um mulherão.
Neide: Hei, rapaz! Que atrevimento é esse? Bom... preciso
voltar, agora! Mais tarde a gente se encontra, tudo bem?
Edgar: Vou estar esperando. Ansioso.
Neide se afasta acenando um tchau com as mãos.
¨¨¨
Tempo depois, Marta e Beatriz chegam ao instituto médico legal,
o conhecido IML. Um policial as recebe. O crachá o identifica
como Tiago.
Tiago: Senhoras. Sou o investigador Tiago. Nós encontramos o
carro do seu marido num dos pontos da estrada da serra do mar.
Beatriz: Como é?
Tiago: O carro caiu no despenhadeiro. Nós encontramos uma
garrafa de uísque dentro do carro.
Marta: Uma garrafa de uísque? Eu não acredito.
Tiago: A princípio, tudo indica que foi... suicídio.
Marta: Suicídio? Isso é impossível.
Tiago: Posso saber o porque?
Marta: Detetive, estive durante anos tentando o divórcio e ele
não me dava porque não queria que eu ficasse com um só tostão
do dinheiro dele.
Tiago: Sei...
Marta: Portanto, não acredito que ele tenha se suicidado, a não
ser...
Tiago: A não ser...?
Marta: A não ser que ele tenha feito algum testamento deixando
toda sua fortuna para Beatriz ou para uma instituição de
caridade.
Tiago: Isso ainda não averiguamos. Preferimos avisar vocês
antes.
Marta: Ótimo. Mas, foi confirmado? É mesmo o meu marido? Pois
eu só acredito vendo.
Tiago (olhando atentamente para Marta): Por favor, me acompanhem.
Os três atravessam um corredor iluminado com luzes
fluorescentes. Eles atravessam uma porta. Na sala, uma das
gavetas está aberta com um corpo coberto por um lençol.
Tiago: O carro não explodiu. Mas ele estava sem o cinto de
segurança e bateu a cabeça contra o volante violentamente e,
como demorou um certo tempo...
Beatriz: Demorou quanto tempo?
Tiago: Acreditamos que umas cinco horas. Ele perdeu muito sangue,
o traumatismo foi grave e ele não resistiu.
Beatriz: Por favor... quero ver se é mesmo meu pai.
Marta e Beatriz ficam de um lado da gaveta, Tiago fica do outro
lado.
Tiago (segurando uma ponta do lençol): Preparadas?
Marta: Ande logo, por favor.
Tiago levanta o lençol. Beatriz se choca, se esconde no ombro da
mãe e começa a chorar.