Capítulo 28

Último Capítulo

 

Marcelo vai até a porta do banheiro e bate.

 

Marcelo: Marta, querida? Você está bem?

 

No banheiro, Marta limpa as lágrimas e fecha o chuveiro.

 

Marta: Já estou saindo... querido.

 

Marcelo anda de um lado para outro no quarto, aflito.

 

No banheiro, Marta pensa em como se livrar do inevitável.

 

Marta: Não tem jeito. Tenho que enfrentar. Meu Deus... minha própria filha... Calma, Marta, nesse momento você precisa se controlar.

 

Ela lava seu rosto e abre a porta. Marcelo está sentado na cama do lado da bandeja com o chá envenenado.

 

Marcelo: Seu chá já está esfriando.

 

Marta pára por um instante, olha para o chá e o pega.

 

Marta: Vou até a cozinha. Me deu fome.

 

Marcelo ( pego de surpresa ): Fome?! Você quer que eu busque uns biscoitos?

 

Marta: Não precisa, querido. Eu mesma vou buscar.

 

Marcelo: Você precisa descansar....

 

Marta: Marcelo, o que está havendo com você?

 

Marta abre a porta e finge tropeçar e deixa cair a xícara no chão.

 

Marcelo: Querida, seu chá!

 

Marta: Como sou desastrada. Vou buscar fazer outro.

 

Marcelo: Eu te acompanho.

 

Marta e Marcelo passam pelo quarto de Beatriz. Ela está atrás da porta escutando tudo. Ao perceber que o casal havia decido, a filha da vítima sai do quarto.

 

Beatriz: Esse paspalho não consegue fazer nada direito.

 

Marta entra na cozinha e encontra os pacotes de veneno de rato em cima do balcão. Marcelo tenta passar a sua frente, mas não consegue.

 

Marta ( simulando não entender ): Será que estamos com ratos na casa outra vez? Carla deixa o pacote aberto aqui em cima.

 

Marta pega os pacotes e os joga no lixo. Depois pega uma chaleira d’água e coloca no fogo. Marcelo se senta na mesa.

 

Marta: O que foi?

 

Marcelo: Nada. Estou te admirando.

 

Marta: Você está estranho hoje.

 

Beatriz entra na cozinha.

 

Marta: Não estava dormindo?

 

Beatriz: Já chega dessa palhaçada! Vamos acabar logo com isso!

 

Marta ( assustada, mas ainda se fazendo de desentendida): O que quer dizer com isso?

 

Marcelo: Beatriz?

 

Beatriz: Chega de farsa! Você é mesmo uma tonta!

 

Marta: Você está na minha casa, exijo respeito!

 

Beatriz: Esta casa vai ser minha daqui a alguns minutos.

 

Marta: O que quer dizer?

 

Beatriz: Sua vidinha acaba aqui, mamãe.

 

Marcelo se levanta.

 

Beatriz: Você caiu na nossa farsa direitinho.

 

Beatriz se aproxima de Marcelo e o beija apaixonadamente.

 

Marta: Meu Deus!

 

Beatriz vai até a gaveta e pega uma faca.

 

Beatriz: Muita gente acha isso uma coisa absurda. Matar os pais? Que coisa horrível! Mas o mundo é capitalista, dependemos do dinheiro.

 

Marta: Você teve coragem de matar seu pai?! Eu não posso acreditar!

 

Marta começa a chorar.

 

Marcelo: Na verdade o seu marido quem matou fui eu...O crime foi tão perfeito que... bom, você viu, foi considerado acidente.

 

Marta: O anel... A letra “M”.

 

Marcelo: Demorou para perceber, não é?

 

Beatriz: Mas o negócio é que o tempo está passando e eu tenho que cuidar de outro crime perfeito.

 

Beatriz se aproxima de Marcelo e o esfaqueia. Ela tira a faca e seu amante começa a cair no chão.

 

Marcelo ( fraco ): Ficou maluca?

 

Beatriz: Achava mesmo que eu ia dividir essa fortuna com você? Olha só, você matou minha mãe, e eu, para me defender, matei você.

 

Marta olha para a chaleira no fogão que já está apitando. Ela aproveita que a filha está distraída olhando Marcelo desfalecer e pega a chaleira.

 

Marta: É o que você pensa!

 

Marta bate com força com a chaleira no rosto de Beatriz que cai no chão. Ela corre para a sala, tenta abrir a porta da sala mas não consegue. Marta corre para o andar de cima da casa.

 

Beatriz se levanta e pega a faca.

 

Beatriz: Não adianta correr!

 

Beatriz corre atrás de Marta.

 

Neide, que está em seu quarto ouve os gritos. Carla continua dormindo. A jovem empregada se levanta e vai atrás saber o que estava havendo.

 

Marta se tranca no quarto. Beatriz bate na porta com violência.

 

Beatriz: Abra essa porta! Abra logo!

 

Neide vai até a sala e escuta os berros vindo do andar de cima da casa.

 

Neide: Meu Deus, o que é isso?

 

Neide sobe as escadas e vê Beatriz transtornada batendo na porta.

 

Neide: Dona Beatriz? O que está acontecendo?

 

Beatriz avança para cima de Neide com a faca na mão.

 

Beatriz: Saia daqui!!!!!!

 

Marta sai do quarto com uma arma em punho.

 

Marta: Pare com isso!!

 

Beatriz pára. Neide está em pânico.

 

Marta: Solte essa faca agora!

 

Beatriz se vira e se assusta ao ver a mãe com a arma na mão.

 

Beatriz: Mamãe... O que pensa que está fazendo.

 

Marta: Neide, corra e vá chamar a polícia.

 

Neide, chorando desce as escadas correndo.

 

Marta: Nunca imaginei fazer isso com minha própria filha. Nunca imaginei minha filha fazer isso com sua própria família.

 

Beatriz: Eu preciso desse dinheiro.

 

Marta: Para quê?! Por que não me pede?

 

Beatriz: Eu não quero pedir favores.

 

Marta: Você está maluca.

 

Beatriz: Besteira!

 

Marta: Agora você vai ser presa e...

 

Beatriz: Nem pensar!

 

Beatriz corre para cima de Marta. As duas caem no chão e arma vai para o fim do corredor. Beatriz tenta enforcar sua mãe que luta desesperadamente. De repente, Beatriz cai desmaiada ao lado de Marta depois de uma pancada. Marta olha espantada e vê Carla com um cabo de vassoura na mão.

 

Dois policiais entram apontando as armas. Carla ampara Marta que chora compulsivamente.

 

SEMANAS DEPOIS...

 

Marta está no presídio de Santos a espera de Beatriz que está com os cabelos desarrumados e pálida.

 

Beatriz: Feliz em me ver aqui?

 

Marta: É claro que não. Queria entender o porque disso tudo. Você matou seu pai. Você gostava tanto dele.

 

Beatriz baixa a cabeça.

 

Marta: Seu amante matou aquele detetive, sabia?

 

Beatriz permanece em silêncio.

 

Marta: Você me decepcionou muito, minha filha... Nunca... ( se emociona ) Nunca imaginei que você pudesse fazer isso. Tinha uma carreira, uma vida.

 

Beatriz: Terminou?

 

Beatriz se levanta.

 

Beatriz: Guarda! Me leva de volta para a cela.

 

A policial vem buscar Beatriz que é levada sem dizer uma palavra a sua mãe. Marta chora.

 

Beatriz entra na cela onde já se encontra uma outra presidiária. Ela se deita na cama e fica pensativa. Beatriz pega o espelho que está preso na parede e se olha.

 

Marta está em casa, inconformada. A campanhia toca e é surpreendida pela visita.

 

Marta: Fernando?

 

Fernando: Me desculpe vir assim, sem avisar. Mas soube do que aconteceu e resolvi dar uma passada aqui.

 

Marta: Que bom, por favor, entre.

 

Marta e Fernando se abraçam.

 

No presídio, a companheira de cela de Beatriz começa a gritar desesperadamente.

 

Presidiária: Alguém ajude, por favor! Alguém me ajude!

 

As policiais abrem a cela e encontram Beatriz com os pulso cortados. Ao lado o espelho que ela segurava estava quebrado e sujo de sangue.

 

O sol volta a brilhar em ilha Katrina. Seus habitantes começam a arrumar o que a tempestade havia destruído e, na medida do possível, a vida volta a normalidade.

 

 

Fim

 

ILHA KATRINA      - - - uma obra de : Enzo Calazan TV Antena 2001/ Novela On line 2000 Webmasters: Leonardo Costa , Carlos Martins, Lucas Monteiro

 

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