Capítulo 13

Alguns dias se passam. Finalmente, o mal tempo dá uma trégua e sol brilha forte sobre a ilha. Com a chegada do fim de semana, Ilha Katrina fica cheia de gente. Naquele dia, Marta acorda se sentindo bem. Ela abre a janela, respira fundo e observa o movimento das pessoas, que
estão agitadas com a garantia de que negócios estão por vir. Ela vai até seu guarda-roupas e escolhe um maiô. A viúva desce as escadas pronta para ir a praia.Beatriz, que está tomando seu café, se surpreende com sua mãe.
Beatriz: O que aconteceu?
Marta: Vou pegar uma praia. Há semanas que o sol não brilha nesta ilha. E há anos que não vou à praia.
Beatriz: Quem te viu e quem te vê.
Marta vai em direção a porta.
Beatriz: Não vai tomar seu café?
Marta: Na rua eu tomo! Tchau!
Marta sai. Beatriz fica atônita. Neide chega com uma jarra de suco.
Neide: Dona Beatriz?... Dona Beatriz?
Beatriz: O que foi?!
Neide: A senhora está bem?
Beatriz: Ai, Neide... Me desculpe... Mas estava aqui pensando com os meu botões. Você me assustou.
Neide: Me desculpe.
Beatriz: Neide... Sente-se aí.
Neide ( se sentando e se sentindo sem jeito ): Pois não.
Beatriz: Por que quer ser modelo?
Neide ( suspirando ): Sempre foi meu sonho. Sempre adorei ver na televisão aquelas mulheres lindas, deslumbrantes, desfilando pelas passarelas, com aquelas roupas maravilhosas... Claro, eu não tenho corpo para desfilar numa passarela, mas acho que poderia ser uma grande modelo fotográfica.
Beatriz: É... nisso você tem grandes chances mesmo...
Neide: Quem não aprova a idéia é a Carla.
Beatriz: Por quê?
Neide: Quem sabe? Sempre que toco no assunto ela fica nervosa, manda eu esquecer essa idéia, de que fico falando bobagem... Mas ela nunca diz o porque é contra essa minha idéia.
Beatriz: Hum.... Que estranho. O que será?
Neide:Também gostaria de saber.
Beatriz: Mas, não se preocupe... Como eu já havia dito, eu vou ajudar você. Mas...
Neide: Mas o quê?
Beatriz: Eu vou querer um favorzinho em troca.
Neide: Faço o que a senhora quiser!
Beatriz: Que ótimo... Mas não é agora. Pode voltar ao seu trabalho. Uma outra hora a gente conversa mais.

Na casa dos Lourenço, o telefone toca. Laura atende. Fernando fica atrás da porta escutando a conversar.
Laura: Alô?... Olha, não posso falar muito... Sim, ele está em casa... Hoje?... Você é maluco mesmo, não? ( risos )... Muito arriscado... Em Santos, tudo bem?... Certo... Até mais... Eu te amo...
Laura desliga o telefone. Fernando entra na cozinha como se nada estivesse acontecendo.
Laura ( guardando uns pratos ): Oi, querido. Pensei que tinha saído.
Fernando: Não... Não saí.
Laura: Querido, mais tarde eu vou sair.
Fernando: Onde você vai?
Laura: Vou visitar uma amiga minha em Santos. Ela está muito doente.
Fernando: Eu vou com você.
Laura: Melhor não, Fernando. É uma amiga de infância, você não iria ficar a vontade, e alguém tem que ficar em casa para esperar Edgar que some de vez em quando.
Fernando: Sei... ( respira fundo ) Tudo bem. Espero que sua amiga melhore.
Fernando sai. Laura respira aliviada.

No final da tarde, Marta chega em casa.
Beatriz: Estava boa a praia, não?
Marta: Estava ótima! Há tempos eu não fazia isso. Mas, agora, eu vou tomar um bom banho para relaxar e esperar meu “namorado”.
Marta sobe as escadas. Beatriz fica furiosa.

Laura se despede de Fernando e pega seu carro. Ela vai até a balsa. Fernando a segue, mas deixa seu carro estacionado numa rua próxima e entra na balsa a pé. Chegando no continente, o marido de Laura pega um táxi e a segue. Ela pára o carro em frente a um fino
restaurante. Laura entra. Fernando pede para que o taxista pare. Ele paga a corrida e desce do carro. Um carro preto estaciona na frente do restaurante. Dele sai Marcelo que também entra no restaurante. Fernando fica pensativo.

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