Capítulo 12

Amanhece. Marta está sentada a mesa tomando seu desjejum, quando Beatriz chega, ainda vestida com seu hobby.
Beatriz ( se sentando ): Bom dia, mamãe.
Marta: Bom dia.
Beatriz ( com ironia ): Dormiu bem?
Marta: Dormi, sim. Muito bem. Por quê?
Beatriz: Só para saber.
Marta: Escute aqui, Beatriz. O que eu faço ou deixo de fazer, com quem eu falo ou deixo de falar, com quem eu me relaciono é problema meu. Você já não mora mais nessa casa há muitos anos. Não é agora que você vai voltar tomando conta da minha vida. Por acaso eu fico perguntando o que você faz ou deixa de fazer?
Beatriz: Meu Deus, o que é isso? Por que tanta agressividade?
Marta: Agressividade? Você se comportou como uma criança de doze anos!
Beatriz: Você está se envolvendo com um cara que mal conhece e não faz nem um mês que o papai morreu!
Marta: Durante anos eu estive morta vivendo com seu pai! Agora estou redescobrindo a vida! E sabe o que mais? Estou adorando!
Beatriz: Mas não está respeitando a memória do meu pai!
Marta: E você quer que eu faça o quê? Me jogo dentro daquele túmulo e morro junto com ele. Agora definitivamente?!
Beatriz: Papai deve estar se revirando no túmulo.
Marta: Só se for de felicidade! Você não tinha idéia de como era a vida entre seu pai e eu dentro desta casa. Nós não vivíamos. Pelo menos eu, não saía desta casa. Seu pai, provavelmente, já tinha suas amantes espalhadas por aí.
Beatriz: Eu vou tomar meu banho.

Na cozinha, Neide e Carla estão conversando sobre o clima entre mãe e filha.
Neide: Nossa... O negócio está pegando fogo.
Carla: Coitada da dona Marta. Agora que ela está começando a viver de novo encontra uma barreira, a própria filha.
Neide: Se eu fosse ela eu deixara a dona Marta em paz. Qual o problema dela namorar outro cara.
Carla: Se fosse um outro tipo de casamento, eu estaria do lado da dona Beatriz. Dona Marta realmente começou cedo um relacionamento, mas, como eu já conheço a vida que ela levava junto com senhor Jonas, eu dou todo apoio para ela. Dona Marta tem mesmo é que namorar outros homens. Ela ainda é bonita, tem muito o que viver.
Neide: Eu que não vou casar nunca. Quando eu for modelo, vou querer namorados e só! Se o cara vir com o papo de casar, vou procurar outro.
Carla: Não venha com essa conversa, Neide! Isso é bobeira!
Carla começa a lavar algumas louças.
Neide: Qual seu problema?
Carla: Do que você está falando?
Neide: Agora você vai me contar! Por que esse ataque todas as vezes que eu falo em ser modelo? ( pegando Carla pelos braços e olhando em seus olhos ) Por quê?!

Marta está na sala, lendo uma revista. O telefone toca.
Ela tira os óculos e atende.
Marta: Alô?
Marcelo: Oi... Tudo bem com você?
Marta: Oi, Marcelo. Onde você está?
Marcelo: Estou em São Paulo. Tive que vir fazer um trabalho aqui.
Marta: Está longe, não é?
Marcelo: Um pouco, mas logo estarei ai com você.
Marta: Mal posso esperar.
Marcelo: Preciso desligar agora. Só queria ouvir sua voz. Tchau!
Marta: Tchau!
Marta desliga o telefone, encantada com a atitude de Marcelo.

Em São Paulo, Marcelo está olhando pela janela de um grande arranha-céu, quando seu celular toca.
Marcelo: Oi... Tudo ótimo... Está sendo mais fácil do que a gente imaginava... Eu sei... Eu sei... Pode deixar... Nesse fim de semana eu volto lá... Não vou estragar... Preciso ir agora... Tchau!
Marcelo desliga e disca para um número.

Na casa dos Lourenço o telefone toca. Fernando atende.
Fernando: Alô?... Alô?
Ele desliga.
Laura ( saindo da cozinha ): Quem era?
Fernando: Desligaram.
O telefone toca outra vez.
Fernando: Alô?... Alô?...
Laura: E?
Fernando: Desligaram de novo.
Laura: Deve ser trote.
Laura volta para a cozinha. Fernando fica pensativo sentado no sofá. Ele se levanta e vai até a cozinha.
Fernando: Será que essa ligação não era para você?
Laura: Que bobagem é essa? Que tipo de mulher você pensa que eu sou?
Fernando: Me desculpe... É que...
Laura: Escuta, quando é mesmo que acabam suas férias, hein? Não agüento mais você atrás de mim o dia inteiro...
Laura sai. Fernando sente remorso pelo que disse.

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