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A criação do Videotape

A necessidade de se gravar o sinal eletrônico surgiu quando se formaram nos EUA as grandes cadeias de televisão, tornando-se impossível transmitir para um país de quatro fusos diferentes, mensagens produzidas em estações centrais. Os anunciantes que pagavam a veiculação das mensagens queriam que seus programas chegassem a melhor audiência do horário.

Outro fator bastante relevante era o complicado processo de produção de um programa de televisão. Enquanto o diretor de cinema podia repetir tantas vezes quanto quisesse suas tomadas de cenas até chegar ao resultado almejado, o diretor de TV teria que corrigir, rapidamente e da melhor forma possível, os erros cometidos pelos atores e pelos operadores de câmera.

O primeiro processo de gravação de um sinal de TV que surgiu foi nomeado cinescópio. Fundamentalmente, não era nada mais, nada menos, do que a filmagem das imagens televisadas. E apesar de ter sido usado por muito tempo, o cinescópio era um processo de gravação difícil e de baixa qualidade.

Mas afinal de contas, como ele funcionava? Filmava-se a imagem de uma televisão/monitor. Depois o filme era revelado e então, projetava-se o filme numa tela e com uma câmera de televisão, enquadrava-o e com isso, o programa era transmitido.

Além da perda de qualidade de imagem acarretada por essas várias etapas do processo de transformação da imagem eletrônica em ótica, depois em química (revelação do filme) e depois novamente em eletrônica; o maior inconveniente era a diferença do padrão de transmissão entre o cinema (24 quadros por segundo) e a televisão (30 frames por segundo - NTSC) .

OBS.: Em cinema é mais apropriado que se use o termo quadro e em televisão frame, mas na prática é a mesma coisa.

E além desse inconveniente, o cinescópio apresentava mais dois: não reproduzia a imagem com fidelidade e o processo era muito lento. Esses problemas levaram à tentativas de se descobrir um processo mais rápido e melhor.

Partindo-se do princípio de que podia-se gravar ruídos transformados em sinais elétricos em uma fita magnética, será que poderia também ser feito com sinais de imagens? Inicialmente a idéia parecia fantástica: se para conseguir a reprodução em alta fidelidade era necessário gravar 15 mil impulsos por segundo, quantos não seriam necessários para a reprodução da imagem, sabendo-se que cada imagem é transmitida, no padrão estadunidense e brasileiro (NTSC), em 525 linhas a cada 1/30 de segundo. Conhecendo-se a variação do sinal em cada linha, um mínimo de 300; para produzir uma imagem então seria necessário 525 x 300 - mais de 4.000.000 de sinais por segundo.

A primeira notícia de que se conheceu de gravação de imagem viva de TV em fita magnética, foi divulgada em 1950 pela Bing Crosby Enterprise. Foram feitos testes em laboratório, mas o processo não ofereceu segurança a um emprego comercial. Em 1956, nascia a tecnologia que tornaria possível o armazenamento prévio da informação audiovisual: o videotape.

A Amplex Corporation, fabricante de fitas de áudio e gravadores de som, solucionou o problema. Os engenheiros da Amplex, ao invés vez de insistirem no caminho de aumentar a velocidade da fita, fazendo-a passar por cabeças fixas (como nos gravadores de som), inventaram um sistema que permitia que as cabeças gravadoras girassem a passagem da fita (igual a utilizada nos gravadores de som, porém mais larga: 2 polegadas). Construíram uma roda com 4 cabeças que giravam transversalmente à fita, que se movia longitudinalmente.

A cabeça gravadora é um dispositivo semelhante a um eletro-ímã, com a forma igual a uma ferradura. Os dois pólos do ímã ficam tão próximos um do outro, que o espaço existente (entre-ferro) é cerca de 100 vezes mais estreitos do que um fio de cabelo.

É no entre-ferro, isto é, em torno do espaço entre os dois pólos do eletro-ímã, que se concentra o campo magnético variável, induzindo pela tensão de sinal na bobina da cabeça, que vai imantar o óxido de ferro que recobre a fita, a sua passagem pela cabeça.

Depois do tubo de imagens Orticom, o equipamento que mais revoluciou a técnica de produção de mensagem, foi o videotape. Com o seu uso a TV ao vivo diminuiu muito, dando lugar a gravação.

Edição com o videotape

A montagem de um filme é o processo de reunir todas as suas partes numa ordem lógica, aproveitando as melhores tomadas. Na montagem do filme usa-se a moviola que é basicamente um aparelho com lâmpada, espelhos e tela na qual a imagem do filme é projetada.

A edição de imagens televisadas, gravadas em fitas magnéticas foi muito difícil no começo: cortar a fita e emendá-la era complicado e trabalhoso. A fita de videotape, semelhante a fita de áudio, só que mais larga, poderia ser cortada e emendada, como a fita de áudio.

Mas o problema era cortar a fita de videotape no lugar exato, na linha que separava um frame do outro.

Sabendo-se que as 525 linhas da imagem (padrão estadunidense e brasileiro) são gravadas num espaço de meia polegada, usava-se um microscópio e fazia-se a junção da emenda: cada 1/2 polegada era igual a um frame. Portanto, cada quadro que se quisesse cortar na fita deveria corresponder ao espaço nela contido e o limite de um frame com outro era de difícil precisão.

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Última atualização: 17/05/2003

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