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A TV no Brasil

Em 1950, Francisco de Assis Chateaubriand era o proprietário do que se pode considerar o primeiro império de comunicação do país: Diários e Emissoras Associadas, uma empresa que incorporava vários jornais, revistas e emissoras de rádio. Foi uma empresa que cresceu e se desenvolveu a partir do momento em que o jovem jornalista, e futuro empresário, comprou no Rio de Janeiro, em 1924, O Jornal.

Em uma de suas jogadas aventureiras, Chateaubriand decidiu trazer técnicos estadunidenses da RCA para implantar a televisão no Brasil. Importou também os equipamentos; uma antena foi instalada no alto do edifício do Banco do Estado de São Paulo para transmitir imagens que viriam dos estúdios montados no prédio dos Diários Associados.

Pouca documentação se tem dessa época, mas uma data marca a inauguração oficial da primeira emissora de TV do país: 18 de setembro de 1950. Nesse dia, entrava no ar a PRF-3 TV Difusora, depois TV Tupi de São Paulo. Primeiro canal 3, depois canal 4 - a pioneira da América Latina.

Existem controvérsias quanto à primeira transmissão de imagem no Brasil. Em 1939, técnicos alemães já faziam algumas demonstrações, em uma feira de novidades de um sistema de transmissão de imagens utilizando uma câmera e um receptor. Logo no começo da década de 1940, houve uma apresentação pública do sistema no Museu de Arte, em São Paulo. Em 1946, no Rio de Janeiro, a Rádio Nacional, então na sua fase áurea, fez algumas experiências e transmitiu imagens do programa Rua 42 : técnicos franceses exibiram seus equipamentos, transmitindo o que acontecia no estúdio da Nacional para televisores em locais determinados.

Ainda em 4 de julho de 1950, frei José Mojica, mexicano, ex-ator de cinema, foi o protagonista de uma transmissão em circuito fechado nas Associadas: diretamente do auditório do Museu de Arte, apresentado por Homero Silva e Walter Forster, frei Mojica cantou para alguns poucos telespectadores privilegiados.

À parte essas experiências, os estúdios instalados no Palácio do Rádio, em São Paulo, foram cenário da primeira transmissão da PRF-3 TV Difusora. Cassiano Cabus Mendes dirigiu um show, com artistas de sucesso, que tinha sido criado e escrito por Dermival Costa Lima, diretor artístico. Mas a estréia aconteceu com atraso... Segundo consta, uma das câmeras quebrou e o técnico estadunidense que orientava os trabalhos não estava no local naquele momento. Até que a situação fosse contornada, os telespectadores aguardaram cerca de 40 minutos. Como existiam poucos televisores em São Paulo, Chateaubriand mandou instalar duzentos aparelhos em pontos de movimento da cidade, como a Praça da República, para que o público pudesse assitir ao acontecimento e comprovar a existência da televisão!

Enfim, TV na Taba, o espetáculo de estréia, foi ao ar e, na base do improviso, durou quase duas horas. Cassiano Gabus Mendes comandou artistas como Mazzaropi, Walter Forster, Lia de Aguiar, Hebe Camago, Lima Duarte, Wilma Bentivegma e Lolita Rodrigues, entre outros - estava dada a largada! A TV brasileira era uma realidade. Quatro meses depois, em janeiro de 1951, entrava no ar a segunda emissora do país: a TV Tupi do Rio.

Nos primeiros seis meses, a Tupi só tinha cinco horas de programação - das seis às onze da noite - que incluía, invariavelmente, filmes, espetáculos de auditório e noticiário. Clube dos artistas, Imagens do Dia e TV de Vanguarda (adaptação de peças de teatro) foram programas criados nesses meses de pioneirismo. Clube dos Artistas (Tupi do Rio e de São Paulo) e TV de Vanguarda (Tupi de São Paulo) resistiram durante vários anos e se tornaram pontos de referência na história da televisão brasileira.

Até o final da década de 1950, funcionavam as TVs Tupi, Record (1953) e Paulista (1952) em São Paulo ; no Rio a Tupi (1955) e Excelsior (1959) ; e em Belo Horizonte a Itacolomi (1956).

Nesses primeiros dez anos da TV brasileira, o aparelho televisor ainda era um artigo de luxo. Em 1954, existiam 12 mil aparelhos no Rio e em São Paulo; em 1958, eram 78 mil em todo o país. A programação das emissoras seguia, então, uma linha de "elite", com artistas e técnicos trazidos do rádio e do teatro. Entrevistas, debates, teleteatros, shows, música erudita eram as principais atrações.

Os programas radiofônicos ganharam sua versão em TV: humorísticos como RPK-30, Balança mas não cai ; jornalísticos como O Repórter Esso e de variedades como o Chacrinha. E programas de gêneros variados foram criados: Câmera Um (Tupi Rio); Almoço com as Estrelas (Tupi do Rio e de São Paulo); Noite de Gala, com Flávio Cavalcante (TV Rio); O Céu é o Limite (Tupi do Rio e de São Paulo); TV Rio Ring, um programa de boxe (TV Rio); Sítio do Picapau Amarelo (Tupi de São Paulo); Teatro Cássio Muniz (Tupi do Rio); Música e Fantasia (Tupi de São Paulo); Paulistas e Cariocas, uma gincana entre os estados (Tupi do Rio e de São Paulo).

Com o tempo e o crescimento na produção, o preço dos televisores foi se tornando mais acessível e as emissoras foram se instalando em outros estados: a TV ampliava a sua área de penetração e começava a atrair as agências de propaganda e os anunciantes...

A televisão surgia como uma fórmula mágica para a venda de produtos - todos os produtos! Os anunciantes, antes tímidos, passam então a comandar as produções, e os programas começam a ter os seus nomes associados aos dos patrocinadores: Grande Gincana Kibon, Espetáculos Tonelux, Divertimentos Ducal, Cine Max Factor, Mappin Movietone, Boliche Royal, Sabatinas Mayzena, Concertos Matinais Mercedes Bens, Teledrama Três Leões, Teatro Walita, Histórias Maravilhosas Bendix...

Os anos 60 consolidaram a TV no Brasil. Na disputa pelas verbas publicitárias, ela assume, definitivamente, o seu caráter comercial: começa a briga pela audiência ! Uma briga que dura até hoje, cada vez mais acirrada!

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Última atualização: 17/05/2003

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