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O som e o uso de microfones

Feche os olhos e ouça os sons ao seu redor. Primeiro escute os ruídos mais fortes e imagine de onde eles estão vindo. Depois despreze-os e escute os sons mais distantes (passáros? trânsito? avião?). Depois de algum tempo, concentre-se nos sons mais próximos de você (rádio ligado? uma brisa? gente falando? relógio fazendo tic-tac?) Finalmente escute os sons de seu próprio corpo. Dá para escutar sua respiração?

Você acaba de fazer o que nenhum microfone consegue, ou seja, escolher o som que deseja captar. Seus ouvidos, como os seus olhos podem se controlados pelo cérebro para que se concentrem em certas coisas e desprezar outras (imagine como você é capaz de distingüir a voz de determinada pessoa conversando com você no meio de uma multidão, numa festa). Microfones, por sua vez, parecem mais uma rede de pesca: eles captam todo som ao seu alcance.

Os microfones, portanto, precisam ser cuidadosamente escolhidos para cada situação em que nos encontramos. Esta é, de fato, a tarefa para os sonoplastas e operadores de microfones que conhecem o tamanho e a forma da "rede de pesca" de cada microfone.

Tipos de microfones

Alguns microfones captam sons de todos os lados - são conhecidos com omnidirecionais. Outros, os sons vindos da frente. Outros, sons vindos da frente e de trás - são microfones conhecidos como bidirecionais ou em forma de "8". E o microfone direcional, provavelmente o mais usado fora do estúdio, capta o som somente na direção em que é apontado.

Isso tudo encontra-se na especialidade dos sonoplastas e dos operadores de microfones. O que você deve decidir para dizer a eles, é o que você deseja ouvir. Quando estiver gravando uma entrevista em locação, você quer ouvir, as perguntas do entrevistador ou elas serão substituídas, posteriormente por alguma locução? Ou caso de um musical, quanto você quer ouvir de aplauso da platéia?

Vamos ver agora, mais detalhadamente os tipos de microfones.

  • Microfones Direcionais - Alguns microfones possuem vantagens e desvantagens específicas, das quais você precisa estar ciente. O direcioanal é um maravilha para excluir os ruídos indesejáveis. Mas também é tão direcional que se for apontado exatamente para onde você quer (por exemplo, o entrevistado), a gravação acabará sendo inutilizada pelo ruído de fundo (a avenida miovimentada atrás dele).

  • Microfones de Lapela - O microfone e lapela, também conhecido como lavalier, é ótimo para entrevistas paradas, mas pode captar ruídos de roupas, se o seu portador se movimentar demais. É preciso de uma atenção especial, pois o cabo do microfone deve ser mantido afastado da visão da câmera. Mas se quiser que o entrevistado se movimente, é melhor usar um microfone direcional, quando em locação, e um microfone com boom, no estúdio.

  • Microfones externos de mão - Microfones externos, de mão (cardióide), também proporcionam mais liberdade de movimentação, mas você deve deixar as pessoas ensaiarem com eles antes de portá-los na frente da câmera. Geralmente eles captam o som de uma área muito restrita e são necessários alguns minutos de uso para descobrir-se a melhor posição de segurá-los e o melhor jeito de manusear o cabo.

  • Microfones sem fio - Os "sem fio" dão maior liberdade de movimento. Equipados com um microtransmissor, que a pessoa oculta num bolso, permite andar aonde se quiser dentro do limite do transmissor e sem quaisquer cabos aparecendo. Os microfones sem fio são igualmente eficazes no estúdio ou em locação. Mas algumas vezes não se consegue usá-los perto de aeroportos ou de bases militares, devido a interferência nas rádio-freqüências.

Planos sonoros

Os microfones sem fio levantam uma outra característica a respeito do som, na qual vale a pena pensar: o plano sonoro. Com um microfone sem fio é possível ver uma pessoa em plano geral ou ouvi-la em close-up (tão claramente como se estivesse em sua frente). Obviamente se você estiver gravando ou filmando alguém escalando um barranco, este efeito pode ficar dramático demais. Mas que tal uma pessoa gritando por socorro no meio de um grande armazém deserto? Você deseja ouvir a voz dela com eco ou em close-up? Não há regras sobre qual opção é melhor. Mas não se esqueça que na maioria das situações você tem a escolha de planos sonoros e pode empregá-la ao seu favor.

Microfones em cena

Na prática, uma grande parte do tempo será despendida preocupando-se com algo não menos importantes: o problema de manter os microfones e suas sombras fora da imagem. Existem convenções rígidas sobre quais os microfones aceitos em cena e quais não são. Microfone sem pedestal (tanto em cima da mesa quando no palco), de mão, e (mais recentemente) microfones de lapela com grampo prendedor na gravata (ou lapela), são aceitáveis. Outros não. Pode tornar-se complicado fazer o operador de microfone chegar perto o suficiente sem que o microfone ou sua sombra entre em quadro.

Não se preocupe se o microfone aparece e desaparece da cena quando você está preparando uma tomada na locação ou no estúdio. É apenas o operador de microfone tentando chegar o mais rápido possível da cena com microfone, sem que seja enquadrado pelas câmeras. Mas se o microfone estiver em cena quando você for iniciar a gravação, pergute ao sonoplasta se está com algum problema.

Som ambiente

Finalmente, um ponto sobre gravar o som (ruído) ambiente (isto é, som direto, mas sem rodar a câmera ou VT). Procure ter certeza de que seu operador de áudio grave pelo menos um minuto de som ambiente em cada locação visitada - o editor precisará dele para cobrir algum trecho difícil da trilha sonora sincronizada. Cada locação possui seu som peculiar e leva menos tempo para ser gravada no local do que ficar procurando alguma coisa no arquivo mais tarde. Mesmo locais quietos como museus e estúdios de gravação tem seu "silêncio" característico.

Música

A música também precisa ser lembrada. Tem o poder maravilhoso de atingir os sentimentos das pessoas em poucos segundos. Mas você precisa usá-la com sensibilidade; por exemplo, não a corte bruscamente só porque a seqüência terminou, ao invés disso, abaixe-a suavemente. Empregue-a à semelhança da locução (e, algumas vezes, no lugar da narração), para acrescentar significado à imagem: uma canção de amor na hora que um navio deixa o porto de seu país, pode dizer muito mais sobre as emoções dos marinheiros e familiares dando adeus do que o mais bem regido comentário.

Você também pode explorar a música ironicamente: por exemplo, a marcha nupcial sendo tocada numa cena de divórcio no tribunal. E, claro, dá para você editar a imagem em cima da música também (assim os cortes coincidirão com o compasso da música).

Quando quiser utilizar a música como comentário, uma boa idéia é dar uma indicação no texto, antecipando a música, para que o público saiba o que o espera. Existem muitas formas de fazer isso: uma frase como "é hora de refletirmos sozinhos" funcionaria para ambos os exemplos acima.

Seja como for, não use a música como um pensamento em voz alta. Ela deverá ter uma mensagem especial a comunicar para o público. Assim, tê-la baixinho, tocando em BG (background, ao fundo) para ocultar uma ausência de efeitos sonoros, ou simplesmente porque você acha que a trilha sonora está quieta demais, é um terrível desperdício. Se, por exemplo, você tiver uma pessoa no estúdio contando uma história para crianças ilustradas por desenhos, é perfeitamente aceitável você ter a voz do locutor e nada mais. Se você acha que a música ajudaria na história, tudo bem, mas no caso, evite tocar a mesma música durante a história inteira. Em lugar disso, examine em que partes a música auxiliaria e inclua trechos musicais específicos, que realcem o significado das imagens, naqueles pontos. talvez onde a personagem esteja sonolenta, ou nervosa, ou talvez correndo perigo.

A escolha de microfones na captação de diálogos para cinema e vídeo

A técnica de base usada na gravação de diálogos é a captação de som com perche ou girafa, resultando num som natural e respeitando os ângulos e perspectivas de câmara, dando ênfase aos diálogos e registando os ambientes sonoros com nível atenuado. Os microfones de lapela dão uma perspectiva indiferenciada de "grande plano". Devem ser utilizados com critério e cautelosamente misturados com o sinal principal vindo da perche. A seleção dos microfones (tal como das objetivas de câmara) e a escolha de um bom operador de perche tem um papel decisivo. Deverão ser selecionados microfones de condensador direcionais de alta qualidade (evitar micros de electret!).

A) Condensadores de canhão longos (hipercardióides):

+ Elevada direcionalidade e sensibilidade. Utilização a maior distância dos atores, permitindo enquadramentos mais abertos. - Peso e dimensões elevados. A grande direcionalidade, sobretudo nas freqüências altas, exige um cuidado extremo na orientação da perche. Importante: Nunca utilizar como "pistola", apontando diretamente para os atores. Estes microfones aproximam os ruídos ambientes que se encontrarem na sua "linha de mira". A captação por cima na perche coloca na "linha de mira" o chão, eliminando esse problema. Nunca utilizar em interiores ou exteriores com paredes refletoras: estes microfones baseiam-se num sistema de tubo de interferência. Em ambientes reverberantes originam perdas de definição graves e colorações indesejáveis nas vozes. Exemplos: Sennheiser MKH 70 (ou 816): Grande capacidade de isolar o diálogo em ambientes ruidosos. Neumann KMR 82i: Ligeiramente menos direcional, mas com sonoridade mais transparente e natural.

B) Condensadores de canhão curtos (hipercardióides):

Utilizando o mesmo princípio (tubo de interferência), mas menos direcionais. + Maior facilidade de utilização em perche - orientação menos crítica. Menor peso. - Área de alcance mais reduzida. Menor atenuação dos ruídos. Importante: As limitações indicadas em A mantém-se: Nunca utilizar como "pistola" e nunca utilizar em interiores reverberantes. Exemplos: Sennheiser MKH 60 (ou 416): bom alcance e filtro de presença comutável. Neumann KMR 81: ligeiramente menos direcional, mas com som mais quente e transparente. Possibilidade de utilização (com precaução) em interiores abertos.

C) Condensadores sem tubo de interferência:

+ Peso e dimensões reduzidos. Curva direcional independente da freqüência. Maior facilidade de utilização em perche. Som límpido e natural. - Menor direcionalidade. Importante: Recomendados para gravação de diálogos em interiores. Em exteriores calmos permitem captar diálogos com extraordinária clareza. Exemplos: Sennheiser MKH 50 (supercardióide) ou Sennheiser MKH 40 (cardióide). SCHOEPS MK 41 e CCM 41: (supercardióides) a referência nesta área, com comutação as cápsulas em função da acústica e inserir entre a cápsula e o amplificador de microfone acessórios e cabos ativos, entre os quais o filtro CUT 1, que ajusta a resposta nas freqüências graves em função do ambiente sonoro. Na imagem, o micro miniatura supercardióide Schoeps CCM 41: características idênticas ao CMC 41.

D) Microfones dinâmicos (supercardióides e cardióides):

+ Não necessitam de alimentação. Menor sensibilidade a ruídos de manuseamento. Aceitam grandes pressões sonoras sem distorção. - Baixa sensibilidade e alcance. Resposta mais pobre nos transitórios. Importante: Não são de todo aconselháveis para utilização em perche. Muito úteis para gravação de explosões e impactos. Alguns modelos são virtualmente "insaturáveis" e tendem a comprimir este tipo de sons de forma adequada aos sistemas de gravação, sobretudo digitais. Excelentes para gravação de vozes de comentário em exteriores, eliminando o ruído ambiente. Exemplos: Modelos clássicos de alta qualidade: Sennheiser MD 441 ou Beyer M 88. O micro dinâmico de fita Beyer M 160 pode ser usado também em perche. No entanto, o elevado ruído de fundo e a dificuldade de utilização, exigindo um operador experiente, têm vindo a fazer baixar a sua popularidade.

Notas importantes:

A - proteção contra movimentos de ar: Os microfones mencionados são muito sensíveis aos movimentos de perche, sistemas de ar condicionado e ao vento. Nunca deverão ser utilizados em interiores sem uma proteção de espuma. Em exteriores exigem proteções de tipo blimp (zona de ar isolada), como as RYCOTE (na imagem). Com vento forte necessitam uma proteção de pelo especial de tipo Windjammer;

B - proteção contra vibrações e choques: As suspensões de fábrica são insuficientes. Os sistemas concebidos para cinema e vídeo (Rycote ou PSC) são aconselháveis;

C - alimentação: Os grupos A, B e C exigem alimentação. A tendência atual é a alimentação de 48V fantasma. Muitos dos sistemas profissionais (p. ex. câmaras Beta SP) não dispõem de alimentação. Aconselhamos a utilização de modelos como o Alimentador Universal da PSC (12Vt e 48Vph) com atenuador comutável (0db, -10db, -20db), filtro passa alto comutável (0db, -6db. -12db @ 100Hz) e inversor de fase, mais baratos, eficientes e adaptados às necessidades de captação de diálogo que as versões base disponíveis nos fabricantes de microfones.



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Última atualização: 17/05/2003

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