TRANSCRIÇÃO DO DISCURSO DO ICK NA FESTA DOS 30 ANOS DOS AMIGOS DA TURMA DA TC EM 2 DE DEZEMBRO DE 2005.
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Boa noite amigos,
Talvez para os nossos filhos, a Turma da TC não diga nada, para os nossos pais, era apenas um grupo de amigos, mas para nós, representa uma geração.
Uma geração que não volta, mas também não vai embora, e a prova disso é esta festa.
Outro dia, alguém que por curiosidade em querer saber o que era a TC me perguntou, como que durou tanto tempo uma turma de amigos? E a resposta foi muito fácil, simplesmente por que ela é uma turma de amigos, não apenas amigos, mas verdadeiros amigos.
E esse momento, que é importante para muitos que aqui estão, e para mim tem um sentido muito especial e particular, podem ter a certeza que vai ficar marcado, vai significar sempre alguma coisa, pois ele representa um tempo inesquecível, e principalmente, pessoas inesquecíveis, esses amigos que hoje podemos abraçar, festejar, brindar, como se nunca tivéssemos deixado de se ver.
Os tempos são outros, os ideais são diferentes, nossas vidas mudaram, mas tenham a certeza de que a nossa amizade, é a mesma, ela bate forte no peito e faz com que nos sintamos como no início disso tudo, aonde o único prazer era estarmos juntos, e hoje estamos juntos.
Fizemos muita coisa sem pensar nem programar nada, e obtivemos o melhor resultado, a amizade, e isso temos que festejar, e sempre.
Amores se confundiram com rancores, paixão com ilusão, mais a alegria do reencontro, tem que ser amplamente satisfeita nesta noite, pois ela, tenham confiança nisso, é o fundamental objetivo desta comemoração.
Ao nos revermos, talvez a imagem seja diferente de tempos atrás, alguns cabelos brancos, a barriguinha mais saliente, a vista pedindo um óculos, marcas que o tempo deixou, porém, o tempo não apagou a principal característica de cada um de nós aqui presentes: a vontade de viver.
Nestes anos muitos se reviram, muitos conviveram, muitos se afastaram, e alguns nos deixaram, como não falar do Fernandinho Zé Ativo, Américo Nicz, Luiz Henrique De Pauli, Gildo Macedo, Euler Merlin, Said Fatuch, o Jujuba, Maique Zornig, Nelson Kaminski, a Vivian Calopreso, Tharsis César, Ricardo Gubert, Vera Cordeiro, Paulinho Bettega, Omarzinho Holzmann, o Tuio, e alguns que não lembrei agora ou até talvez nem saiba. E por estas ausências chegamos até achar a vida não muito justa.
Mas lembrando as palavras de Charles Chaplin, que assim disse : “ A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.” Ele achava que o verdadeiro ciclo da vida estava todo de trás pra frente. Nós devíamos morrer primeiro, nos livrando logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Aí então você trabalhava 40 anos até ficar novo o bastante para poder aproveitar a sua aposentadoria. Aí você curtia tudo, bebia bastante, fazia festas e se preparava para a faculdade. Ia pro colégio, teria várias namoradas, virava criança, não teria nenhuma responsabilidade, se tornava um bebezinho de colo, voltava para o útero da mãe, passava seus últimos nove meses de vida flutuando.... E terminava tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito....
Pois é esse o nosso desejo neste reencontro, não que termine tudo num orgasmo, mas como a satisfação dele, com a realização, a leveza e mais importante de tudo, com a plena certeza de que estamos entre amigos.
Organizar esta festa teve lá suas dificuldades, mas alguns puseram a mão na massa e conseguimos chegar a este sonho, sonho que parecia tão distante a 30 anos atrás e por isso agradecemos ao Alô Neto, ao Sergio Siqueira, ao Dauro, ao Julinho, ao Marcos, ao Horácio, ao Tati, ao Maneco Domingues, ao Jô, ao Julio Burko, ao Mário Guimarães, ao Andreazza, ao Zé Periga, ao Paulo Pinta, ao Lincoln, ao Neto e ao Elon. E fazemos um agradecimento especial a Diretoria do Clube Curitibano, representada pelas pessoas de seu Presidente, Manoel Diniz Neto, que deu um impulso fundamental a tudo isso, do Heitor Dantas Filho seu 2º Vice Presidente e do amigo Fredy Henrique Chevalier, Diretor de Sede do Clube, que não mediu esforços para chegarmos aqui hoje e também, a todos aqueles que de uma forma ou de outra nos ajudaram e sempre souberam a importância desta comemoração.
Deus nos deu este momento, então vamos nos alegrar com este presente, festejando, abraçando, brindando e comemorando com muita amizade.
Antes de encerrar, permitam-me ler um texto de Vinicius de Moraes: “...Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar...”
A verdade é que como já disse, pra mim em particular, o sentido, o significado dessas palavras e desta festa, são muito especiais, tem uma importância que talvez eu nunca possa demonstrar, mas a verdade é que eu me sinto, e sei também que muitos se sentem, entre amigos, é por estes que estamos aqui, para comemorar.
Obrigado meus amigos, obrigado amigos da Turma da TC.